Está concluído o guião/roteiro pelas históricas "PORTAS DA VILLA DE ABRANTES", Quando em 2010 fiz a pesquisa sobre os locais originais onde estavam as portas das reparadas fortificações das muralhas da praça de guerra de Abrantes, era minha intenção associar o projeto a um "Roteiro de Turismo Militar", destinado à comunidade escolar e ao povo abrantino em geral. Como nunca concretizei a ideia, nem sequer apresentei o projeto a quem de direito, aqui deixo o guião para quem dele quiser servir. No fim encontrará o mapa militar com todo o trajeto:
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QUINCHOSOS/RUA BOCA DOS QUINXOZOS
Quanto ao nome “Rua Boca dos Queixozos=queixosos”, atualmente Rua dos Quinchosos, à época, porta de entrada para a “gafaria”, parece não haver muitas dúvidas sobre a atribuição do “topónimo”.
Sobre as “gafarias” de Abrantes ver:
https://coisasdeabrantes.blogspot.com/2020/04/abrantes-pestes-lazaretos-gafarias.html
ALFERRAREDE (ABRANTES) - MANUEL INÁCIO BARQUINHA
ALFERRAREDE (ABRANTES): na década de 50/60 do século passado ainda existia em Alferrarede, a oficina de “Manuel Inácio Barquinha”.
Para registo da história de
Alferrarede publica-se um pequeno texto da atividade desta firma e imagens do
local:
Construção civil: pás, picaretas, marretas, carrinhos de mão,
malhos, cunhas, marretas de britar, alavancas, arranca pregos, guilhos, picos,
camartelos, faz-tudo, picolas, assentadores, corta-frio, degoladores,
boleadores, talhadeiras de bigorna.
Ferramentas agrícolas: enxadas,
sachos, forquilhas, podoas, machados, etc. (de vários modelos).
Máquinas industriais e agrícolas
(usadas): caldeiras, motores, guinchos,
prensas, etc.
Oficina de correeiro e calçado: encarrega-se
de consertos.
Compra e venda: fábricas e
oficinas completas, máquinas e caldeiras a vapor, lagares, materiais de caminho
de ferro e ninas, navios, sucatas de latão, cobre, bronze, ferro forjado e
fundido, veios, tambores etc.
Fatos novos e usados – lonas –
oleados e artigos militares.
Automóveis e acessórios usados eram igualmente
comercializados por esta firma que tinha a sua sede em Lisboa.
-In “Abrantes Cidade Florida”.
-Imagens: de Manuel Martinho, um fotógrafo e empresário, proprietário do "Independente - Jornal de Alferrarede" que deixou história no Concelho de Abrantes.
ABRANTES - CERÂMICA DE S. LOURENÇO
CERÂMICA DE S. LOURENÇO, Ldª
Hoje poucos se lembrarão desta antiga cerâmica
abrantina, localizada na que foi a estrada de S. Lourenço, hoje Rua da Capela
de S. Lourenço.
Não fosse um seguidor do “COISASD’ABRANTES”,
militar no R.I.2. entre 1976/1977, não ver neste blog a antiga fábrica de
cerâmica “S. LOURENÇO”, onde tantas vezes passou, este pequeno texto e imagens não
existiriam.
Situada
a pouco mais de 100 metros do muro do antigo Quartel do Regimento de Infantaria
Nº 2, atualmente Regimento de Apoio Militar de Emergência, encontrava-se a
fábrica de Ernesto Nunes e Maria da Conceição (viúva), ambos da Chainça.
Onde atualmente se erguem vivendas (Rua da
Capela de S. Lourenço), à época em que prestei serviço no R.I.2, ainda eram
vivíveis as colunas dos secadores ao ar livre desta indústria de construção
civil.
Para memória da história local, ficam as
imagens de uma indústria de cerâmica que existiu ás “portas de Abrantes”.
-Imagens da fábrica retiradas do livro
“Abrantes Cidade Florida” - Edição C.M.A.
-Imagem da Rua da Capela de S. Lourenço
retiradas do GoogleMaps.
GRÁFICO HORÁRIO - RELIQUIAS DE 1949
RELÍQUIAS DE UM PASSADO RECENTE
Em 1949, era vendido pela importância de 5$00 o GRAFICO HORÁRIO DO GLOBO TERRESTRE. O seu autor Manuel Joaquim Paulino, natural de Rio de Moinhos - Aljustrel.
À época um documento de estudo na 4ª classe do Ensino Primário Elementar. Estes documentos foram encontrados dentro de um livro da minha pequena biblioteca.
Já que falamos de GRÁFICO HORÁRIO, para quando o arranjo do RELÓGIO DE SOL que se encontra junto ao Café Alcaide?
ARQUITETO RAÚL LINO
À DESCOBERTA DE UMA CASA PROJETADA POR RAÚL LINO PARA O SR. JOSÉ JOAQUIM BAIRRÃO OLEIRO EM ALFERRAREDE
Raúl Lino: Arquiteto português, lisboeta, nascido a 21 de novembro de 1879 e falecido a 14 de julho de 1974.
Quase tudo está escrito sobre a obra e projetos do arquiteto Raúl Lino em
Abrantes e muito pode ser lido num extenso artigo do colega do blog
“porabrantes”.
O que hoje pretendo é localizar a casa projetada pelo arquiteto Raúl Lino
para o Exmº Sr. José Joaquim Bairrão Oliveira - Alferrarede, que desconheço em
absoluto.
Se algum amigo do “BLOG” souber dar mais informações e o local onde está
implantado o imóvel agradeço.
No “FACE” recebi algumas deixas aqui transcritas para que possam ajudar a esclarecer o que pretendo.
1. A Sr.ª D. Toia Balula me diz: eu sou Bairrão. Da Quinta do Brejo,
Alferrarede. Mas não como último nome.
2. A
minha amiga Maria da Luz Freixo me diz: a Sra D. Justina Oleiro, da Família
Bairrão, tem Família em Alferrarede. Zé, vou recuperar o assunto é depois
informo-te.
3. Mais tarde Maria da Luz Freixo me informa que a D. Toia Balula, que
andou com a mesma no Instituto de Odivelas é prima da Sra. D. Justina Bairrao
Oleiro.
4. Joaquim
Ribeiro me dá a dica de ser a casa na N2 junto as bombas da Torralta e da
igreja.
5. A
Sr.ª Toia Balula responde a Joaquim Ribeiro: que interessante, julgamos que não se teria
concretizado a obra!!
6.
Na dúvida de ser ou não respondo a Joaquim Ribeiro: é possível que seja a
do projeto com algumas modificações. É tudo uma questão de ver escrituras
referente ao ano 1929 e seguintes data em que Raúl Lino fez o projeto para José
Joaquim Bairrão Oliveira.
7. A Sr.ª Toia Balula dá mais uma dica: este projeto teria sido feito para
o meu Tio Avô, Sr. José Bairrão d’Oliveira, irmão das Sras. D. Mónica Bairrão
d’Oliveira, da Quinta do Brejo, Alferrarede, e D. Carolina Bairrão Oleiro, de
Abrantes. Seria construída em parceria com o Dr. Cabral de Andrade. Mas pelo
menos estes Srs. não a terão construído. Diz o Sr. Joaquim Ribeiro que será uma
casa na N2, junto às bombas da Torralta e da Igreja. Como não estou aí não
posso verificar.
Nota: não estando
devidamente esclarecido acerca do local, vou aguardar mais informações que me
possam ajudar a esclarecer de forma consistentes se a casa será onde o Sr.
Joaquim Ribeiro informa ou uma outra. A todos os intervenientes os meus
agradecimentos.
AS FINTAS DE 1722
Por José Manuel
d’Oliveira Vieira
À
semelhança do que aconteceu com o livro de “Fintas 1704”, também as “fintas de
1722”, reproduzidas para o “Manuscrito – Abrantes e os Abrantinos”, do Capitão
Artur Elias da Costa se deve a um dos seus alunos.
Para
saber o que realmente se passou com algum acervo documental referente a
Abrantes (finanças), saibamos o pensamento do Historiador:
“…
A etmografia duma região não pode aspirar ao título de científica se não fizer
primeiro o estudo dos monumentos postos à sua disposição. Sem o conhecimento
profundo desses diplomas, a etmografia, incapaz de resistir à seriedade e ao
frio da verdadeira ciência, se gastará em pará frases panegíricas, em
literatura bairrista e aduladora. Surgirão, como tortulhos em trocos
carcomidora de podridão, aqueles ensaios pretenciosos, falsamente populares,
que para poesia são de fraca inspiração e para ciência são demasiados pobres de
conceitos.
Portanto,
para evitarmos as censuras dirigidas aos escritores incriminados de pedantismo
e desleixo, faz-se absolutamente necessário aproveitar todos os documentos que
nos vierem ter às mãos, decifrá-los, traduzi-los (a diplomática é uma arte
muito difícil), e como a maior parte deles estão em péssimo estado de
conservação, quase a sumir-se, tirar cópias , com toda a possível brevidade,
para que as gerações que aí vêm não possam dizer que por incúria nossa ficaram
privados de tão preciosos materiais de estudo.
Aguardaremos,
pois, para concluir o presente estudo, as surpresas que os nossos amigos nos
forem trazendo, ou ainda alguma novidade avaramente escondida nos arquivos
oficiais.
Menos
feliz que outros arqueólogos, detentores por ofício de todo o erário municipal
de livros antigos, curiosos desenhos e arcaicos pergaminhos, só em raros
documentos me foi dado pôr os olhos com vagar. Mas esses poucos, reunindo-os
agora em volume, me serviram para precisar esta atitude e esta posição. Ao
mesmo tempo que procurava tornar-me digno depositário de tão preciosas
relíquias, delas tirei essa fartura de elementos que apoiam as minhas teses,
mais úteis certamente que simples indícios e testemunhos muitas vezes sem
consistência e sem autoridade.
Começo
por um interessante e útil exemplar, único no mundo, que me foi emprestado pelo
seu actual possuidor, o snr. José Maria Serigado, de catorze anos, empregado de
escritório em Alferrarede, que obteve esta verdadeira raridade bibliográfica a
troco de estampilhas, de um filatelista da mesma idade. A este ilustre
colecionador de memórias antigas, que foi dos alunos mais distintos que tive o
prazer de ensinar na minha já longa
prática de magistério, fiquei devendo mais esta amabilidade, sobre tantas outras,
pois foi ele, criança ainda, que me forneceu gentilmente mais larga cópia de documentos muitos dos quais foram
inseridos no texto sem indicação de origem.
Este
documento anortográfico, cujo estado de conservação é bastante precário, peca
tanto pela deturpação dos nomes por incompetência do redactor como ambiguidade
do sentido por imperícia do escriba.
Tem uma capa de carneira já muito surrada, fecha com
atilhos de couro, já arrebentados, e é formado por seis cadernos de almaço
branco, com as palavras meio apagadas: a tinta, uma mistura muito imperfeita de
ferrocia=meto de potássio com sais férricos (eu pasmo de em 1721 já haver tinta
desta em Abrantes), está realmente muito decomposta e oxidada.
Nota
1 do Capitão Artur Elias da Costa: Quando os rapazes
de Abrantes me encheram a casa de montanhas e montanhas de velhos documentos
relativos a Abrantes, eu vi que era impossível copiar tudo. Esta nota era
necessária para explicar a pobreza deste arquivo. Eu julgava que Abrantes era
falta de pergaminhos quando prometi dar a cópia. Em face de tanta fartura, só
uma atitude era admissível; desistir do intento. O que já estava feito mantive
apenas ao presente estudo (do
Maço 19, Manuscrito – Abrantes e os Abrantinos do Capitão Artur Elias da Costa).
Nota 2 do Capitão Artur Elias da Costa: Falando sobre este
assunto com o Dr. Apolinário Oleiro disse-me que, há bastantes anos já, os
arquivos da tesouraria de finanças, foram vendidos em hasta pública com
autorização superior; que foram então arrematados pelos pirotécnicos de
Alferrarede para fazerem foguetes. Assim explica o facto de eu ter encontrado
este interessante documento nas mãos duma criança. Disse que muitos mais pelo
menos toda a documentação anterior ao Marquês de Pombal deve andar nas mãos dos
rapazes das aldeias (do Maço 19,
Manuscrito – Abrantes e os Abrantinos do Capitão Artur Elias da Costa).
Nota 4 de José Manuel d’Oliveira Vieira: Pena é, que apesar das facilidades concedidas pelo Arquivo Municipal Eduardo Campos para consultar o “Manuscrito – Abrantes e os Abrantinos”, não tive tempo disponível para transcrever o nome e profissões dos fintados por rua. Por esse motivo publico apenas o nome das freguesias e número de fintados por rua (ver fig. 1 e fig. 2).
AS FINTAS DE 1704
Por José Manuel
d’Oliveira Vieira
Se
temos conhecimento de quem foram os pagadores de impostos nos anos 1704, muito
se deve à persistência do (professor, historiador, matemático, filósofo,
antropólogo) Capitão Artur Elias da Costa em doar à Câmara Municipal de
Abrantes, o manuscrito “Abrantes e os Abrantinos - 1948”1.
Para
redigir o “manuscrito”, Elias da Costa socorreu-se de documentos encontrados
fora do acervo documental (finanças).
Obtido
por empréstimo de um seu aluno, o “Livro de “Fintas – Ano 1704”2,
foi reproduzido por Elias da Costa para o “Manuscrito – Abrantes e os
Abrantinos”.
No
fim da página 3, livro XVIII, podemos ler: Este livro pertence ao Diogo.
Tendo eu informado os meus alunos que o arquivo histórico abrantino tinha sido
vendido em hasta pública e indicado velhos que ainda se lembram de ver os
bombistas e merceeiros levá-lo em sacos e carroças, puseram-se em campo, e
ainda encontraram muitas preciosidades que me deram a copiar, e que se Deus me
der vida e saúde juntarei aqui.
E foi desta forma que os alunos do professor Elias da Costa contribuíram com um manancial de documentos históricos, para que hoje, saibamos quem morava e onde, nome e profissão dos fintados (não publicados aqui), em Abrantes no ano de 1704:
E por este modo e maneira ouverão o Doutor Juiz de fora prezidente e fintadore esta finta por feita, e acabada de que mandarão fazer este termo de Em sarramento que asignarão Miguel Rebello de Mendoça Reis1Arquivo
Municipal Eduardo Campo (Manuscrito Abrantes e os Abrantinos) Maço 18 Livro
XVIII.
2Finta=Contribuição municipal ou paroquial extraordinária, proporcional aos haveres de cada um. = DERRAMA, IMPOSTO (in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa).
Nota 1: a
transcrição dos nomes das freguesias e lugares foram transcritas de acordo com
o “Manuscrito – Abrantes e os Abrantinos” do Capitão Artur Elias da Costa que
se encontra no “Arquivo Municipal Eduardo Campos.
Nota 2: em anexo
encontra-se o livro de “FINTAS 1704” que se encontra no Maço 18 de “Abrantes e
os Abrantinos” do Capitão Artur Elias da Costa que está no Arquivo Municipal
Eduardo Campos.
“ABRANTES E OS ABRANTINOS”
1Manuscrito “Abrantes e os Abrantinos” – Costa, Artur Elias, maço 00, pág. 1.
2Manuscrito “Abrantes e os Abrantinos” – Costa, Artur Elias, maço 00, pág. 69.
3Manuscrito “Abrantes e os Abrantinos” – Costa, Artur Elias, maço 00, pág. 5.
4Manuscrito “Abrantes e os Abrantinos” – Costa, Artur Elias, maço 03, pág. 50 a 52.
ABRANTES - NA PISTA DA COMUNIDADE JUDAICA 1383-1493 (II)
Cristãos-novos, seus descendentes e Inquisição no Ceará De Abrantes e Lisboa à ribeira do Acaraú
735 SANTA Ana, Estêvão de. Sermão do Acto de Fee, que se celebrou na cidade de Coimbra, na segunda Dominga da Quaresma. Anno de 1612/composto, e pregado pelo Padre frei Estêuão de S. Anna. 2. ed. Lisboa: António Aluarez, 1618; GARCIA, Maria Antonieta. Denúncias em nome da fé. Perseguição aos judeus no Distrito da Guarda de 1607 a 1625. Lisboa: Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões da U.N.L., 1996, p. 326; MARCOCCI, Giuseppe; PAIVA, José Pedro. História da Inquisição portuguesa... Op. Cit., p. 161. TAVARES, Maria José Ferro. As judiarias de Portugal. Op. cit., p. 129, ao comentar sobre a fixação dos judeus, nos finais do século XV em localidades próximas do Tejo, diz: "Destacava-se nesta região a judiaria de Abrantes que se localizava no exterior da alcáçova, mas encostada a esta. Iniciava-se na Rua Grande, a via de comércio e de circulação de pessoas e bens, e terminava na Rua dos Coelheiras. É a atual Rua Nova. Nos arredores ficava o Vale dos Judeus, provavelmente, o seu cemitério".
736 Devo a construção deste capítulo sobretudo a Raimundo Portela ou Diogo Baruel, descendente em décimo terceiro grau de Francisco de Sequeira e de Brites da Paz. Suas informações sobre os descendentes de Francisco de Sequeira mostraram-se precisas. O engenheiro Luís Gonzaga Vasconcelos, casado com uma Siqueira, também me apontou caminhos para a escrita desse episódio da Inquisição que liga Portugal ao Brasil e ao Ceará.
Nilton Melo Almeida é jornalista, doutor em História Moderna, investigador correspondente do CHAM - Centro de Humanidades,
vinculado à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
da Universidade Nova de Lisboa e à Universidade dos Açores, e integrante do
Grupo de Pesquisa Diáspora Atlântica dos Sefarditas,
vinculado ao Departamento de Historiada Universidade Federal de Sergipe. Em 2016, publicou Judeus no Ceará (Séculos XIX e XX). Contacto:
niltonmalmeida@uol.com.br
Nota: no dia 26 de abril de 2021, tive a grata surpresa
de receber do autor Nilton Melo Almeida o livro “Cristãos-novos, seus descendentes e Inquisição no
Ceará”.
ASSIM ERA O CARNAVAL EM ABRANTES
Para recordar os trajes usados pelos miúdos e graúdos no Carnaval em Abrantes publica-se as imagens não editadas que fazem parte do espólio de negativos propriedade de José Vieira:















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