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HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (IV)

Gravura - Manejo do "Pique"
Por José Manuel d’Oliveira Vieira
1807
FEVEREIRO 3: João Marques Ferreira Anes de Oliveira, Capitão-mor de Ordenanças agregado de Abrantes 10.
FEVEREIRO 4: Vicente Manuel Ferreira Anes de Oliveira, Sargento-mor de Ordenanças de Abrantes 10.
NOVEMBRO 24:Esfomeados, a saquear as aldeias, chegaram ao Vale do Tejo (Abrantes), quatro a cinco mil homens na última miséria, fardamentos em franjas, espingardas inutilizadas a servirem de bordões. Comeram, beberam, reuniram-se e partiram para Santarém a toda a pressa 17.
-A partir de Abrantes, Junot publica decreto ordenando a requisição de sapatos para os militares franceses: Ordena-se ao Corregedor de Tomar, ou a quem seu cargo servir de intimar a todos os Juízes de Fora das vilas e aldeias do seu distrito, de fazer entregar ao portador desta ordem, que é Manuel Álvares, todos os sapatos que houver nas terras aonde este se apresentar, para o que vai autorizado e munido das competentes ordens.
Quartel-General de Abrantes, 24 de Novembro de 1807 - Junot
Nota: Os particulares são todos compreendidos nesta requisição
DEZEMBRO 8: Ofício da Câmara de Abrantes para um desembargador sobre abastecimentos 11.
DEZEMBRO 23: Em consequência do Decreto de Napoleão, Junot determina contribuição de Guerra a Portugal 18.
 
Decreto 23 Dezembro 1807 – Contribuição de Guerra
(Biblioteca Nacional – Rio de Janeiro)
Tradução Art.º 23º. O General em Chefe, querendo indemnizar os infelizes habitantes da província da Beira do que têm sofrido pela passagem dos exércitos, ordena que as vilas, lugares e aldeias compreendidas entre o Tejo e a estrada de Salvaterra, Idanha-a-Nova, Castelo Branco, Sobreira Formosa e Vila de Rei, inclusivamente até ao Zêzere, a exceção de Abrantes, serão isentas dos dois primeiros terços da primeira contribuição e da imposição compreendida no Art.º 21º.
As vilas, lugares e aldeias próximas a estrada de Lisboa, desde Abrantes inclusivamente, até Sacavem  inclusivamente, sejam isentas da imposição compreendida no Art.º 21º
 Junot
DEZEMBRO 26: Câmara de Abrantes para os governadores do Reino acerca da opressão na Vila pelas tropas francesas 11.
-Até 1827 a Ermida do Socorro, situada no Largo da Misericórdia e Rua do Socorro serviu de depósito de munições de guerra ao exército invasor e durante a Guerra Peninsular.
1808
-Cartografia da Vila de Abrantes: Mapa militar de arredores e Vila de Abrantes com o acampamento das tropas portuguesas e inglesas (AHM).
Janeiro 4/14: Conde de Sampaio para os Juízes, vereadores e mais oficiais da comarca de Abrantes sobre hospitais militares e abastecimentos das tropas francesas, espanholas e suíças 11.
JANEIRO 16: Tratamento de doentes franceses no Hospital Militar de Abrantes 11. MARÇO: Junot é feito duque de Abrantes.
MARÇO 21: Cento e vinte marcos e sete onças, que  tudo somma em a quantia de cento e quarenta e uma moedas e um tostão é o valor do peso da prata da egreja das religiosas da Graça, da villa d’Abrantes, pesado e remetido pelo Provedor Fr. António Gomes a Junot como Contribuição de Guerra (ver contribuição de guerra - Ano 1807 Dezembro 23). 
AGOSTO 7: As forças do general Loison atravessam o Tejo dirigindo-se para Abrantes 19.
Louis Henri Loison
AGOSTO 9: O general Louis Henri Loison ocupa militarmente Abrantes.
AGOSTO 11: De partida para Tomar, Loison deixa de guarnição em Abrantes 200 soldados franceses, armados de fuzis e baionetas.
Agosto 12: Ficaram 2600 homens com Wellesley e o resto veio com Manuel Correia de Lacerda conquistar Abrantes e restabelecer as comunicações entre o norte e o sul do Tejo 17.
Agosto 17:Combate para a libertação de Abrantes cuja guarnição francesa foi forçada a render-se perante o ataque do Capitão Manuel de Castro Correia de Lacerda, com soldados do Regimento de Infantaria Nº 24, ordenanças e paisanos 8.
Assinatura: Manuel de Castro Correia de Lacerda
ATAQUE DE LACERDA À GUARNIÇÃO FRANCESA EM ABRANTES:
  • Às 6 da manhã, quando já havia pouco (+ ou -) 300 ordenanças armados de chuços e cerca de 16 fuzis, Lacerda pôs-se em marcha para o ponto de reunião (Rio de Moinhos/Abrançalha). Com esta ação, das povoações mais distantes, na manhã do dia 17 começaram a juntar-se às tropas de Lacerda outras ordenanças que à noite seriam (+ ou -) 4.000 a 5.000 homens.
  •  Franceses (P)risioneiros e (M)ortos até 20 de Agosto: (P) 121, (M) 73.
  • Durante os combates pela conquista da Praça de Abrantes não houve mortos nem feridos portugueses.
  • Material apressado no Rio Tejo dia 17 pelo Tenente António Joaquim Henrique de Paiva: dois (2) barcos de trigo, seis (6) fardos de roupa e a botica.
  • Além do material pertencente ao Franceses que se encontravam no armazém das comissões, as tropas de Manuel de Castro Correia de Lacerda apreenderam toda a secretaria do Corregedor Mor da Estremadura com o governo Francês, muitas armas e toda a Cavalaria.
-O Comandante Lacerda, vereadores, oficiais, clero, nobreza e povo prestaram juramento à Suprema Junta do Porto, mandaram descobrir as armas e içar a bandeira real 20.
SETEMBRO 19: Gaspar Pessoa Tavares de Amorim, encarregado das pontes de Abrantes e Punhete 11.
DEZEMBRO 11: “Levantamento em Massa” da Nação portuguesa. Com armas rudimentares, foices, machados, roçadoras, martelos, facas, varapaus, “PIQUES” etc., o povo arma-se. Foi assim noutras localidades e terá sido assim certamente com a população de Abrantes, onde foi encontrado um “Pique” (Ver anexo A).
1809
-Cartografia da Vila de Abrantes: Planta topográfica do contorno de Abrantes e seu terreno adjacente – Manuel Sousa Ramos -1809/1812 - (435-1-1-1).
JANEIRO 12: Relação assinada por Manuel Ribeiro de Araújo, do Arsenal do Exército para Miguel Pereira Forjaz, quantificando-se as munições que foram remetidas para Santarém e Abrantes de 29 de Dezembro de 1808 a 7 de Janeiro de 1809. Para Abrantes, foram enviados 493 cartuchos com bala para peças de campanha de calibre 3 e 162 lanternetas para o mesmo calibre, assim como 680 espoletas de escorva. Para as tropas de infantaria remeteram-se 255800 cartuchos com bala, 73480 cartuchos para clavina (de cavalaria) e 55580 cartuchos para espingardas de ordenanças. A acompanhar as munições foram também 20000 pederneiras para espingardas, 20000 para clavina e 3000 para pistola. Neste documento aparecia lateralmente a referência a 25 barcos que pensamos serem pequenas embarcações que subiram o Tejo até Santarém e Abrantes para levar as munições 21.
-No edifício Convento de S. Domingos foram instalados dois regimentos de milícias.
-Entre 1809 e 1820, Beresford foi o comandante em chefe do Exército Português, tendo quartel-general em Abrantes. Durante este período, a insatisfação do militar português cresceu na exata proporção das promoções e regalias em detrimento dos britânicos. Assim, quando alguém perguntava como iam as coisas no Exército a resposta era sintomática: «tudo como dantes, quartel-general em Abrantes» 22.
-Guarnição de Abrantes: Regimento de Infantaria Nº 22 (Convento de Santo António), um forte destacamento de Artilharia nº 9 (Castelo). Regimentos de Milícias de Arouca/Lousã/Santarém/Soure/Tomar, Ordenanças da Vila e um Destacamento do Real Corpo de Engenheiros. As Baterias do Castelo, vários fortes e baluartes eram guarnecidos com 119 peças de grosso calibre, 12 obuses e 9 morteiros. Os regimentos de milícias ordenanças e engenheiros trabalhavam nas obras de fortificação. Cada um dos regimentos de milícias permanecia 8 dias no Castelo, rendendo-se.
Beresford
-Invasão de Soult: Mayne estava encarregado da defesa da ponte de Alcântara, em Espanha. A sua retaguarda estava em Abrantes e proximidades, constituída por uma coluna de 12000 homens portugueses de infantaria/cavalaria e artilharia (4 brigadas) comandadas por MacKenzie 8.
Soult
Fevereiro 16: Infantaria 14.
MARÇO 24 a DEZEMBRO 20: O governador da Praça de Abrantes, Manuel de Sousa Ramos, troca correspondência com D. Miguel Pereira Forjaz sobre a logística, arsenais, pontes, delitos, embarcações, fortificações e obras 11.
ABRIL 21: Por ordem do Marechal Beresford, procura-se no arquivo militar, a existência de algum plano de fortificação da Vila de Abrantes 11.
-Munições e forragens enviadas para Abrantes 11.
MAIO 15: Major General John Randoll Mackenzie entrou em Abrantes com a sua Reserva e parte das forças portuguesas que vigiavam o Tejo marchou para Sobreira Formosa para defender a passagem das Talhadas.
JUNHO 12: Marechal Beresford, comandante em chefe do exército acha exorbitante a soma que se tem pago às milícias que trabalham nas fortificações de Abrantes e determina o pagamento de dois vinténs a todos os soldados como trabalhadores e aos artífices, pedreiros e carpinteiros, quatro vinténs 23.
JUNHO 14: Duque de Wellington queixa-se do estado lastimável em que se encontra o quartel da Praça de Abrantes 11.
Junho 17: Arthur Wellesley que não podia alcançar o Exército de Soult veio para o sul para proteger o Alentejo de qualquer invasão, estando em Abrantes a 17 de Junho de 1809 17.
NOVEMBRO 16: D. Miguel Pereira Forjaz, para Joaquim da Costa e Silva sobre avaliação, pagamento das casas velhas da fortificação de Abrantes e demolição pelo Capitão Patton do Real Corpo de Engenheiros 11.
Dezembro 16: Abrantes foi classificada praça de guerra de 1ª ordem e nomeado Governador o Marechal de Campo João Lopes de Sousa.
-Desde o final de 1809, desenvolve-se em Portugal a construção de um conjunto de linhas telegráficas pertencentes a duas redes de comunicações distintas: as linhas de Lisboa a Almeida e os ramais para Elvas e Abrantes, pertencentes à rede portuguesa (telégrafo de persianas ou palhetas - Ciera) e as linhas do sistema de comunicações de Torres Vedras, pertencentes à rede inglesa (balões).
(Sobre o sistema do telégrafo português inventado por Ciera, instalado no Castelo de Abrantes – ver anexo A: “Abrantes Militar – CAPITULO V – ANO 1810, a publicar no próximo mês”).
DEZEMBRO 25: Duque de Wellington determina ao ministro e secretário de Estado dos Negócios da Guerra para estabelecer correio diário entre Elvas e Abrantes 11.
Duque de Wellington

8 Vid. História do Exército Português, do General Ferreira Martins, a fls. 227/244.
10 Nuno Gonçalo Pereira Borrego – Ordenanças e Milícias de Portugal.
11AHM. 
17 As três invasões francesas, Guerra da Independência por Marcelino Mesquita – Biblioteca do Povo, Vol. I pág. 19/20/54.
18 Decreto 23 Dezembro 1807 – Contribuição de Guerra - Biblioteca Nacional – Rio de Janeiro
19 Da Crise do Antigo Regime à Revolução Liberal 1799-1820” - Fernando de Castro Brandão - Ano 2005.
20 Relação da Tomada de Abrantes no dia 17 de Agosto de 1808.
21Ordem do Dia de 18 de Abril de 1809.
22 Jornal do Exército – Julho 2010.
23 Ordens do Exército – 1809/1858 - Art.º 2015.

Anexo A
“PIQUE” – ANO 1808
            Na eminência de uma nova invasão francesa, sem um exército organizado, com as milícias e ordenanças em casa desarmadas, em 11 de dezembro de 1808 foi determinado  o “Levantamento em Massa” da Nação portuguesa.
            Com armas rudimentares, foices, machados, roçadoras, martelos, facas, varapaus, “PIQUES” etc., o povo arma-se.
            Foi assim noutras localidades e terá sido assim certamente com a população de Abrantes.
            Porquê recuar no tempo e falar de um real decreto de 1808 que manda o povo recorrer às armas?
            Há tempos, quando procurava uns velhos papéis relacionados com a antiga história militar de Abrantes, foi-me oferecido um pequeno objeto de ferro como sendo uma “arma medieval”, usado pela infantaria europeia contra a cavalaria inimiga até meados do século XVII.
             Na verdade, depois de observar alguns modelos de armas utilizadas a partir de meados de 1808, conclui estar perante um “PIQUE”, arma utilizada pela população portuguesa para repelir o exército regular francês.
            Terá algum camponês, pescador, serralheiro, milícia ou ordenança da então Vila de Abrantes utilizado este “PIQUE”? Não havendo essa certeza, fica no entanto para a história de “Abrantes Militar” o registo de ter sido encontrado em Abrantes um “PIQUE” (FIG.1A/B) que muito provavelmente terá pertencido a um miliciano ou ordenança de Abrantes.
            Para uma melhor compreensão do que é um “PIQUE”, transcreve-se excerto do Decreto de 11 de dezembro de 1808 que determina o armamento geral da população portuguesa:
“Sendo a defesa da pátria o primeiro dever que a honra, a razão e a mesma natureza impõem a todos os homens quando uma nação barbara, desprezando os direitos mais sagrados que no mundo se conhecem, intenta reduzi-los à escravidão, roubando as suas propriedades, destruindo a sua religião, violando os templos e cometendo as maiores atrocidades que a perversidade dos costumes e a inumanidade pode fazer imaginar; e achando-se infelizmente Portugal ameaçado de sofrer todos estes males, sem que tenham os seus habitantes outro algum meio de evitar os horrores a que se veem expostos, que não seja o de recorrer às armas para repelir pela força as perversas, sinistras, as odiosas intenções dos seus inimigos: sou servido determinar:
Toda a Nação Portuguesa se arme pelo modo a que cada um for possível: que todos os homens, que se acharem compreendidos na idade de quinze até sessenta anos, sem exceção de pessoa, ou classe, tenham uma espingarda, ou pique com ponta de ferro de doze a treze palmos de comprido, e todas as mais armas que as suas possibilidades permitirem.
"Pique propriedade do autor"

HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (III)

 
Por José Manuel d’Oliveira Vieira
1789
-Até 1799 é cedido parte do Convento de S. Domingos às legiões do marquês de Alorna.
1790
SETEMBRO 22: João Marques Ferreira Anes de Oliveira, Sargento-mor de Ordenanças, que vagou pela promoção de Álvaro Soares de Castro e Ataíde a Capitão-mor das mesmas 10.
DEZEMBRO 2: Manuel Lopes Raposo, Capitão de Ordenanças de Alvega, Pego, São Facundo, do termo de Abrantes, que vagou por morte de Manuel da Fonseca da Mota 10.
DEZEMBRO 23: Jerónimo Gonçalves Lagarto, Capitão de Ordenanças de Mouriscas, que vagou por morte de José Bernardes Delgado 10.
DEZEMBRO 23: Manuel Pereira Furtado, Capitão de Ordenanças do lugar de Penhascoso, termo de Abrantes, que vagou por morte de João Lopes da Silva 10.
1795/1796/1797
-António Teixeira Rebelo envia as memórias com as suas observações acerca da zona junto a Abrantes para colocação de um parque de armas, hospital de campanha e ponte de barcas a Luís Pinto de Sousa Coutinho, secretário de Estado dos Negócios da Guerra. Nas onze folhas manuscritas deste arquivo existem ainda os seguintes documentos relativos a Abrantes: carta escrita ao provedor e mais mensários da Casa da Misericórdia da vila de Abrantes a fim de admitirem no seu hospital os soldados que suceder adoecerem deste corpo que aqui se acha, pelo tenente-coronel António Teixeira Rebelo; cópia da carta que escreveu em resposta o provedor e mais mensários; memória do tenente-coronel António Teixeira Rebelo sobre o local onde aquartelou o seu destacamento e esboço das margens do rio Tejo junto a Abrantes desenhado pelo cadete Luís D’Alincourt 11.
Major António Teixeira Rebelo
-D. Pedro de Almeida Portugal, marquês de Alorna, certifica que Joaquim António Duarte, provedor da Misericórdia de Abrantes, tem tratado do Hospital Militar com grande zelo e caridade 11.
1798/1799
-Legião do Marques de Alorna com 3.000 homens de Artilharia, Cavalaria, Infantaria, 300 cavalos e 50 muares.
-Artilharia e Cavalaria, primeiro nos Conventos de S. Domingos e de Stº António e depois no Quartel de Alorna (Castelo de Abrantes), feito propositadamente. Infantaria fica aquartelada no Castelo.
 “Quartel Legião de Alorna - Castelo de Abrantes”

Marquês de Alorna
Oficial de cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras

Legião de Lorna
(Gravura retirada do Blog "Lagos Militar" de João Torres Centeno)
  
Legião Portuguesa 1809/1813: Infantaria.
Legião Portuguesa 1809/1813: Cavalaria
Nota: A Legião Portuguesa foi dissolvida em Novembro de 1813, em vista do decreto de Bonaparte que mandou desarmar todas as tropas estrangeiras que estavam ao serviço. Dos restos da Legião, com excepção de dois esquadrões de cavalaria que se achavam na Saxónia se formou um batalhão de pioneiros comandados por oficiais franceses. Desse punhado de bravos que constituiu a Legião Portuguesa, poucos voltaram à pátria (b).
1799
JUNHO 12: José de Oliveira Mendes, Capitão de Ordenanças da Freguesia de Santa Margarida, que vagou por morte de Manuel José Serrano 10.
1800
Junho: Em Abrantes, um grande depósito geral de munições de “boca” para a tropa do Ribatejo de que era Comissário Geral, Manuel Pedro de Almeida.
Outubro: No quartel de Alorna, uma força de Artilharia e 2 Regimentos de Infantaria.
1801
-Mapa Militar/Vila e arredores de Abrantes: Acampamento das tropas Portuguesas e Inglesas. Assinala-se Abrantes, com o seu castelo, conventos, igrejas e ermidas, bem como os caminhos e todas as estradas de saída para Punhete, Tomar, Vila de Rei, Sardoal, Gavião, Ponte de Sor e Tramagal. Militarmente localiza-se o dispositivo das tropas de cavalaria, infantaria e artilharia, tanto portuguesas como inglesas, bem como o reduto de 1762 e ainda duas pontes de barcas sobre o rio Tejo 12.
FEVEREIRO 27/MAIO 29: O comandante em chefe do Exército era ainda o Marechal-general Duque de Lafões.
Espanha declara guerra a Portugal.
Governo coloca força principal do exército sobre margem esquerda do Tejo estabelecendo comunicação com margem direita em Abrantes 16.
Na sequência da invasão do Alentejo por parte de um contingente franco- espanhol dá-se início ao que ficou jocosamente conhecida como a Guerra das Laranjas, episódio traumático na História de Portugal, as forças portuguesas perseguidas de perto pelas tropas espanholas retiram para Gavião e daqui para Abrantes. Os batalhões comandados por Bernardino Freire de Andrade sustentaram o ímpeto da cavalaria espanhola, protegendo a desordenada retirada das forças portuguesas. Francisco Paula d´Azeredo, Conde de Samodães, nos seus apontamentos biográficos diz: O duque de Lafões (Dom João Carlos de Bragança e Ligne de Sousa Tavares Mascarenhas da Silva, 2.º Duque de Lafões) passou o Tejo e veio acampar entre Abrantes e o rio, fazendo a retirada no fim do mês de Maio.
 
MARÇO 19: Quatro Esquadrões de Cavalaria.
Março 27: Regimento de Lippe.
Março 19: Regimento da Corte.
MAIO 31: Marechal de campo marquês de Tancos é incumbido de assumir o comando de todos os estabelecimentos militares existentes em Abrantes 11.
JUNHO 26: Concelho de Guerra mandou proceder por “Aviso” para nesta Vila (Abrantes), ser julgado o Tenente Coronel Veríssimo António Gama Lobo, Governador que foi da Praça de Jerumenha, por haver rendido intempestivamente e sem a mínima defesa sobredita Praça. O julgamento realizou-se no dia 10 de Agosto.
JULHO 20: Doentes do exército no Hospital de Abrantes, 138 11.
AGOSTO: No depósito geral do Castelo de Abrantes: peças artilharia/munições de guerra e outros apetrechos 11.
Setembro: Marechal Karl-Alexander von der Goltz (Conde de Goltz), assumiu em Abrantes comando em chefe do exército, onde se encontravam acampadas as forças que tinham retirado da campanha, substituindo o velho Duque de Lafões que foi demitido 8.
SETEMBRO: Casa de “postas” e número de “bestas” que se mandaram estabelecer na Praça de Abrantes por ordem do marechal conde de Goltz: casa de Postas de Manuel Gadanho. Dono das bestas, Bexiga de Peralta de Payoalvo=Paialvo (freguesia portuguesa do concelho de Tomar. Número de bestas, 4 11.
OUTUBRO - Por Ordem do Ilmo. e Exmo. S.General/Conde de Goltz/Planta da Villa de Abrantes com huma parte do Tejo/Ponte das Barcas, e o Reduto feito no Oiteiro do Caneiro/Levantada de baixo das ordens do Brigadeiro/e chefe dos Engenheiros Luis Candido Pinhei/ro Furtado. Pelos Oficiais do mesmo Real/Corpo/Joaquim de Oliveira Tene. Coronel/João Xavier de Andrade Sargento mór/Luis Maximo Pro. Tene -  Outubro de 1801.
Além da planta de Abrantes, em grande escala, inclui-se também as do Porto de Abrantes e o Rocio ao Sul do Tejo, o que não acontece nas cartas anteriormente tratadas, embora da mesma altura.
Em legenda alfabética descriminam-se os conventos, igrejas, ermidas, quarteis, a Casa da Câmara e o Celeiro do Marquez.
Por sua vez em legenda numerada indicam-se os nomes das ruas, largos e travessas.
O relevo e representado por tracejados 12.
OUTUBRO 5: Correio de “POSTAS”: Abrantes /Braga tem 13 estações, 52 bestas, 4 por estação.
NOVEMBRO 22: Tenente-coronel Manuel de Sousa Ramos, do Real Corpo de Engenheiros, alerta conde de Goltz para a falta de soldados para guardarem as pontes da Vila de Abrantes e Zêzere. A mesma recomendação é feita em 24 de Janeiro de 1802 11.
1802
AGOSTO 3: Manuel de Oliveira Morgado, Capitão de Ordenanças da Freguesia de Rio de Moinhos, termo de Abrantes, que vagou por morte de João Mendes Padilha de Azevedo 10.
1803
OUTUBRO 3: José Henriques de Carvalho, Capitão de Ordenanças das Freguesias de Alvega, Pego, São Facundo e Bemposta do termo de Abrantes, que vagou por morte de Manuel Lopes Raposo 10.
1804
-Manuel de Sousa Ramos elabora um plano de segurança e conservação para a ponte da barca no porto da vila de Abrantes, com o cálculo da despesa a fazer em cada ano 11.
MARÇO 13: Nesta data são apresentadas ao visconde da Anadia as despesas efectuadas com as pontes de Vila Velha e Abrantes 11.
ABRIL 28: Luís Manuel Ferreira Frade, Capitão de Ordenanças da Freguesia de S. Vicente, que vagou por morte de José António da Silva Lobato 10.
1805
MARÇO 10: Elaboram-se relatórios sobre o local mais indicado para estabelecer uma ponte de barcas em Abrantes 11.
SETEMBRO 4: Instruções para regularizar a construção da ponte militar de barcos junto à Vila de Abrantes 11.
1806
MARÇO 3: António José Raposo, Capitão de Ordenanças das Freguesias de Souto, Aldeia do Mato e Martinchel, que vagou por morte de Vicente Rodrigues Soares 10.
MAIO 19: Nesta data realiza-se a organização e reforma dos uniformes foi tudo o que o governo preparou para a luta. O exército passou a usar de calças compridas, e de cabello curto, pois até ahi ainda se traziam calções e rabichos nas cabeleiras. Nestes simples preparativos se passaram os anos que precederem a formidável invasão franceza 16.
VER ANEXO A: BREVE HISTÓRIA DOS UNIFORMES  1762/1806
Plano Uniformes do Exército – 1806
Soldados da Legião de Alorna – 1806
(Farda Azul Claro Pedrês, Véstia e Calções Amarelos, Gola e Canhões Pretos com vivos Amarelos)
(Gravura retirada do Blog "Lagos Militar" de João Torres Centeno)
(b) Da Guerra Peninsular – Notas, Episódios e Extratos Curiosos de Francisco Augusto Martins de Carvalho – 1910.
(c) Projecto de Implementação - Uniforme de Cerimónia, de passeio e de serviço – Exército Português
8 Vid. História do Exército Português do General Ferreira Martins, a fls. 210.
10 Nuno Gonçalo Pereira Borrego – Ordenanças e Milícias de Portugal.
11 AHM.
12 Catálogo de Cartas Antigas: CA 166 desenho de Tenente Moreira e CA 170 de Joaquim de Oliveira Tene. Coronel/João Xavier de Andrade Sargento mor/Luís Máximo.
16 Apontamentos Biográficos 1770/1857 de Francisco Paula d’Azeredo, Conde de Samodães.
Imagens:
-Major António Teixeira Rebelo (pintura exposta na Biblioteca Nobre do Colégio Militar).
-Placa “Quartel Alorna” - Castelo de Abrantes.
-Marquês de Alorna com uniforme de oficial de cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras 1800 – Autor desconhecido.
-Uniformes “Legião Portuguesa 1809/1813”, Infantaria e Cavalaria..
-Duque de Lafões.
-Plano de Uniformes do Exército 1806 (in Biblioteca Nacional).
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ANEXO A: BREVE HISTÓRIA DOS UNIFORMES 1762/1806
Esta breve “HISTÓRIA DOS UNIFORMES” apenas se deve ao facto de ter encontrado na “Biblioteca Nacional de Espanha” um livro com os uniformes usados pelo recém-criado “Regimento dos Voluntários Reais Estrangeiros, em Abrantes (Junho 1763) ” bem como a “relação dos panos precisos para fardar o regimento de 2 em 2 anos e anualmente de 6 em 6 meses”. (VER "ABRANTES MILITAR II - ANO 1763 MÊS JUNHO)
Para tornar permanente o seu estabelecimento, formatura, subsistência e disciplina dos Voluntários Reais Estrangeiros em Abrantes o Rei assina o Alvará que regulamenta o número de elementos e soldos (17/19 Setembro de 1763)
Alvará de 24 de Março de 1764 regulamenta o uso de uniformes do Exército e Marinha. Até então o traje militar não se distinguia dos civis e os militares vestiam-se de acordo com a sua posição social. Assim, com o referido “Alvará”, o Conde de Lippe, Marechal General dos Exércitos de Portugal, “regulamentou o uso de uniformes para o Exército e Marinha, dando-lhes um aspecto igual, por Armas (infantaria, cavalaria, etc.) ou seja o mesmo feitio, sendo os regimentos distinguidos uns dos outros pelas cores das golas, bandas, canhões das nagas, forros, calções e véstias. O Exército do Reino fardaria todo de azul ferrete com excepção para os tambores e pífanos. A Marinha de verde”.
 “Em 1762 os uniformes continuavam a seguir o modelo das potências católicas, sobretudo os do exército da Coroa austríaca, sendo que a cor das fardas tinha passado a ser branca, e as casacas tinham passado a ter todas abas de cor, que permitiam distinguir mais facilmente os regimentos.” (…)  
Devido à guerra franco-espanhola de 1762 e à necessidade de aumentar os efectivos, não havendo uniformes militares suficientes, os regimentos passaram a usar fardas de todas as cores, conseguindo-se a uniformização ao longo do conflito. Até ao fim da guerra dos sete anos o uniforme perdia o carácter espartano que caracterizava os exércitos católicos e ganhava galões por tudo quanto era sítio, imitando a influência da Coroa prussiana. Até 1793, já com alguma influência portuguesa os uniformes permaneceram sem grandes alterações. Entre 1793 e 1795, devido muito provavelmente à experiência na campanha do Rossilhão, os uniformes começam a modernizar o seu aspecto. Com o conde de Assumar, chefe da Legião de Tropas Ligeiras (1796), a farda seria curta permitindo que se cruzassem as bandas fechando desta maneira a casaca; a Brigada Real da Marinha bem como a Guarda Real de Policia respectivamente 1797 e 1802 usarão este tipo de uniforme mais amplo e confortável.
Até 1806, poucas alterações sofreu o primeiro plano de uniformes regulamentados pelo “Alvará de 24 de Março de 1764”. Em 19 de Maio de 1806 é aprovado um novo plano de uniformes, não posto em prática de imediato por motivo das fardas serem substituídas de dois em dois anos. (a)

Aguarela sobre papel de José Wasth Rodrigues retratando os uniformes dos militares portugueses em 1806. Da esquerda para a direita, os três primeiros são generais, e os outros dois são pertencentes à infantaria.
 (a) Projecto de Implementação - Uniforme de Cerimónia, de passeio e de serviço – Exército Português

HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (II)




Por José Manuel d’Oliveira Vieira
1649/1650/1651: Nos  documentos que possuo em arquivo não encontrei dados militares relativos à Praça de Guerra da então Vila de Abrantes. Se alguém os possuir e quiser completar a História Militar de Abrantes agradeço envio para: jose.vieira.abt@gmail.com
1652
NOVEMBRO 28: O Conselho de Guerra determinou que seria conveniente atribuir ao Castelo de Abrantes alguma infantaria paga que seria a que lhes pudesse caber depois de efetuadas as levas e de haver mais algumas notícias acerca das intenções do inimigo. No mesmo dia, foi determinado ao Conselho de Guerra que propusesse pessoas para assistirem em Abrantes que estivessem à altura dos acontecimentos que podiam surgir.
Dezembro 3: Foi ordenado ao Conselho de Guerra que visse uma consulta inclusa do Desembargador do Paço, acerca da necessidade apresentada pelo Corregedor da Comarca de Tomar, de reparar o Castelo de Abrantes por estar a onze léguas da fronteira.
1703: 
-Para determinar o local conveniente para construir uma ponte ligando a província da Beira ao Alentejo, esteve na Praça de Abrantes o Engenheiro Militar José da Silva Pais,
1704
Março: O desembarque do Arquiduque Carlos em Lisboa, a invasão da fronteira da Beira pelo Marechal de França Duque de Berwick e o seu pretendido avanço sobre Abrantes8.

Duque de Berwich
Agosto 24: Por decreto determina-se que por haver conveniência em obter Abrantes com um Sargento-mor, o Conselho de Guerra devia propor pessoa para esse posto. Por carta particular da rainha regente, depois de regressar do Brasil, Artur de Sá e Meneses foi nomeada Governador da Praça de Abrantes com o posto de sargento-mor de batalha.
Setembro 18: Foi passada patente de ajudante de engenheiro para a praça de Abrantes a Gaspar de Albuquerque, com o soldo de seis mil reis por mês. Foi discípulo da aula de fortificação.
1705
AGOSTO 11: Foi determinado que o Conselho de Guerra passasse os despachos necessários para os almocreves, carreiros e mais pessoas que os substituíssem na condução dos mantimentos para a província, via Abrantes, não fossem obrigados a ser soldados auxiliares enquanto prestassem esse serviço.
1709
-Artur de Sá e Menezes, Governador da Praça de Abrantes que esteve quase sempre doente após o seu regresso do Brasil morreu nos fins de janeiro de 1709. Não casou, mas deixou por universal herdeiro D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Meneses, 3º Marquês de Fontes, que viria a ser o 1º Marquês de Abrantes, titulo criado por carta de D. João V de Portugal de 24 de Junho de 1718.
D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Meneses
1731
-Engeléer, engenheiro militar, elabora uma planta do Castelo com a representação dos baluartes previstos e já construídos.

1731 - Planta Vila Castelo de Abrantes
(Arquivo fotográfico GEAEM)  
1711
Abril/Maio: Em consequência da Guerra da Sucessão de Espanha, dão entrada nas masmorras do Castelo largas dezenas de soldados, na sua maioria espanhóis. Decerto devido às más condições de salubridade, muitos ali faleceram pelos meses de Abril e Maio, e por ali ficaram sepultados (mais de uma centena) 9.
1758
MAIO 8: José António da Silva, Capitão de Ordenanças na freguesia de S. Vicente10.
1760
-Escassez de trigo no Quartel-general da Praça de Abrantes 11.
1762
-Cartografia militar: Esboço corográfico da região entre Abrantes e Estremoz, ao longo da linha de comunicação Abrantes, Bemposta, Ponte de Sor, Benavila, Ervedal, Fronteira e Sousel, para fins militares. Nesta carta, descriminam-se (em alemão indicações de ordem militar a cumprir), os acampamentos militares, postos de observação, etc. 12.  
Nota: Jacob Praetorius Crisóstomo(Praetorius ingenieur) - faleceu em Portugal depois de 1797. Esteve no Corpo de Artilharia, foi professor da escola militar e engenheiro.
Janeiro:General Charles Rainsford (3 February 1728 – 24 May 1809) was a British Army officer. Charles Rainsford, Brigadeiro, acompanhou Tyrawley a Portugal como secretário e ajudante de campo recebendo uma missão secreta para executar logo que o Conde de Lippe chegasse a Abrantes onde os regimentos que fosse possível organizar tinham ordem para se reunir. A missão era seguir para a região fronteiriça para a inspecionar13.
-Do relatório de Charles Rainsford para o Conde de Lippe consta o seguinte: o Castelo de Abrantes […] é uma fortíssima posição e ergue-se altaneiro, dominando a cidade e toda a região em volta. Tem algumas obras de defesa e se for convenientemente fortificado será muito difícil dominá-lo.
Na grande estrada para a Beira Baixa, através do Alentejo, este é o ponto especial de passagem para quem, desejando evitar as montanhas que marginam o Tejo, do lado de Abrantes, segue em “Ferry” por Vila Velha. Este local constitui uma das mais importantes posições de Portugal quer para assegurar a passagem para o Alentejo quer para estar pronta a opor-se a um inimigo vindo de Castelo Branco, por …, Sobreira Formosa, Cortiçada, e Domingos (deve ser S. Domingos).
É possível estabelecer aqui um depósito de abastecimentos para um e outro lado do Tejo.
O Castelo cobre a direita de uma muito forte posição que se estende até Sardoal, e o inimigo não poderá atingir o Zêzere nem que nos obrigue a abandonar esta posição, sobretudo se ocuparem a importante passagem da “Ponte do Cabril”, junto a Pedrogão Grande. Porém, em qualquer hipótese, será sempre possível retirarmos para trás do Zêzere deixando em Abrantes uma guarnição.
Desde que Abrantes esteja na nossa posse, se o inimigo avançar, apenas do lado do Alentejo, será obrigado a conservar um grande corpo do exército na passagem, ou sujeitar-se a cortarem-lhe as comunicações, se avançar do lado sul do Tejo, em direção a Salvaterra.
É por conseguinte indispensável ter Abrantes bem assegurada, assim como o posto da “Nossa Senhora da Conceição”, sobre o Zêzere, visto o inimigo não poder utilizar o Tejo, enquanto estivermos na posse destes dois postos13.

Brigadeiro Charles Rainsford
-O Conde de Lippe dispôs uma base de operações em Abrantes e estabeleceu nesta Praça com o seu Quartel-general, 3 Regimentos ingleses, 1parque de artilharia e depósito central de munições de guerra e víveres14.
ABRIL: Oficial maior da Vedoria do Exército da Província do Alentejo refere a necessidade de haver um hospital na vila de Abrantes para a devida assistência aos soldados feridos11.

Conde de Lippe
Julho: O Conde de Lippe após a sua chegada a Abrantes mandou lançar no Tejo, uma grande ponte feita com barcos da região e muito bem protegida contra a corrente, que depois das chuvas era muito intensa e rápida. Era defendida por uma forte “testa-de-ponte” conservando-se durante toda a campanha13. Mantinha ainda o Conde de Lippe no seu Quartel-general em Abrantes o seu exército de manobra, guarnição e reserva geral15.
Nota: “Testa-de-ponte” (termo militar) = posição adiantada que se tomou ao inimigo e que servirá de ponto de apoio para ataques de maior envergadura.
JULHO 8: Cirurgião John Howel elabora plano para a construção de um hospital para 3.000 enfermos e feridos em Abrantes11.
Julho 22: O Conde de Lippe, estando em Abrantes no seu Quartel-general, mandou seguir para a região fronteiriça o Brigadeiro(a) Rainsford, com uma ordem de reconhecimento da região do Zêzere e Castelo Branco, avançar até Salvaterra e estudar as posições favoráveis, ir até Penamacor e Valverde, deixar em Salvaterra um posto de 130 homens levados de Castelo Branco, com ordem para fazer incursões e informar de qualquer movimentos de tropas inimigas o Quartel-general em Abrantes, informações dirigidas ao Conde de Lippe13.
(a) Nesta data seria Coronel e não Brigadeiro.
Julho 22: O Coronel Rainsford descreve a sua marcha de Abrantes à fronteira15.
AGOSTO 7: Ordem de Batalha para o corpo do Exército de Sua Majestade Fidelíssima acampado junto de Abrantes11.
Agosto 24: O General Burgoyne atravessou o Tejo perto de Abrantes com o seu Regimento de Dragões com 12 Companhias de Granadeiros portugueses e 6 de Granadeiros ingleses, atingindo Niza no dia 28 e entrando em Valência de Alcântara14.

General John Burgoyne
OUTUBRO 7: De Abrantes o conde de Shaumbourg-Lippe pede a Alexandre Palhares a informações sobre as operações do inimigo11.
OUTUBRO 11: João Mendes Sachetti Barbosa, físico-mor do Exército, informa D. Luís da Cunha, sobre as dificuldades do serviço de saúde em Abrantes11.
OUTUBRO 17: Capitão Engenheiro Hetschkopt refere-se aos trabalhos militares, particularmente sobre a parte de Abrantes, com pormenores sobre a localidade11.
1763
JUNHO: Com a extinção do Regimento Suíço é criado o “Regimento dos Voluntários Reais Estrangeiros, em Abrantes”. Em anexo à gravura dos Reaes Estrageiros em Abrantes encontra-se a “relação dos panos precisos para fardar o regimento de 2 em 2 anos e anualmente de 6 em 6 meses”.
-Para tornar permanente o seu estabelecimento, formatura, subsistência e disciplina, o Rei assina o Alvará que regulamenta o número de elementos e soldos (17/19 Setembro de 1763). (AHM/DIV/4//1/17/29)
Extinção Regimento Suiço e criação
 Regimento Estrangeiro em Abrantes
(DIV-1-08-5-33-1/2/3/4/5)
"Regimento dos Reaes Estrangeiros em Abrantes”
(Biblioteca Nacional de Espanha)
Relação de panos para se fardar
o Real Regimento Estrangeiros em Abrantes
(Biblioteca Nacional de Espanha)
SETEMBRO 8: Francisco Pereira Betencourt, Álvaro Soares de Castro e Sousa, Domingos Nunes Bandeira, Manuel de Mourel Veloso e Manuel Cardoso, comunicam ao conde de Lippe os atos praticados pelos soldados que permanecem na praça de Abrantes11.
1764
MAIO 24: Diogo de Ataíde e Castro, Capitão-mor de Ordenanças, que vagou por morte de Rodrigo de Castro de Sousa Freire10.
1767
-Ocorrem no Regimento de Abrantes deserções em massa devido a maus tratos e à violência do coronel Duarte Smith11.
1768
MARÇO/JUNHO: Correspondência entre o marquês de Alvito, marechal dos Exércitos e Francisco Xavier de Vasconcelos Barba, juiz de fora e presidente da Câmara de Abrantes, sobre o despejo das casas de duas ruas para instalação do Regimento dos Voluntários Reais11.
-Regimento de Cavalaria dos Voluntários Reais até 1770.
AGOSTO 1: Álvaro Soares de Castro e Ataíde, Sargento-mor de Ordenanças, que vagou por morte de Luís Francisco Soares de Mendanha10.
1770
MAIO 7: Manuel José Grandio, Capitão de Ordenanças dos lugares de Souto, Aldeia do Mato e Martinchel, termo de Abrantes, que vagou por morte de Manuel Lopes Castanho10.
MAIO 10: João Mendes Padilha de Azevedo, Capitão de Ordenanças dos lugares de Rio de Moinhos, Amoreira e Montalvo, termo de Abrantes, que vagou por morte de Francisco Pereira Cabral de Mosqueira10.
1775
JUNHO 1: Joaquim António da Silva Veloso, Capitão de Ordenanças das Freguesias de Pego, Alvega, São Facundo e Bemposta, do termo de Abrantes, que vagou por morte de Manuel da Fonseca da Mota10.
1780
-Regimento de Cavalaria de Moura.
1781
JUNHO 30: Vicente Delgado Xavier, Capitão de Ordenanças da Freguesia de S. João, que vagou por morte de Francisco Nunes Ribeiro10.
1787
MARÇO 27: Álvaro Soares de Castro e Ataíde, Capitão-mor de Ordenanças, que vagou por morte de seu pai Diogo de Coutinho de Ataíde e Castro10.
JUNHO 21: Vicente Rodrigues Soares, Capitão de Ordenanças dos lugares de Souto, Aldeia do Mato e Martinchel, do termo de Abrantes, que vagou por morte de Manuel José Grandio10.
8Vid. História do Exército Português do General Ferreira Martins, página 175.
9 Prof. Dr. Joaquim Candeias da Silva.
10Nuno Gonçalo Pereira Borrego – Ordenanças e Milícias de Portugal.
11AHM:DIV/1/06/25/05-DIV/1/06/03/41-DIV/4/1/11/18-DIV/1/06/42/39(contém este arquivo a versão francesa do mesmo documento)-DIV/1/06/42/24 (documento em francês)-DIV/1 / 7 / 2 / 20-DIV/4/1/20/2-DIV/1 / 8 / 7 / 24-DIV/1/06/16/04- Lisboa 22 Março/Abrantes 25 Junho DIV/1/06/28/45.
12CA 193 - Catálogo de Cartas Antigas - www.igeo.pt.
13Boletim do Arquivo Histórico Militar, 22º vol. – 1952.
14Boletim do Arquivo Histórico Militar, 20º vol. 1950.
15Vid. História do Exército Português do General Ferreira Martins - 22 vol. – 1952, págs. a fls. 182, e seguintes.
Imagens:
-D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Meneses em BND.
-1731 - Planta Vila Castelo de Abrantes do Engenheiro Engeléer – Arquivo fotográfico GEAEM.