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HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (XIV)

Por José Manuel d’Oliveira Vieira

1827
FEVEREIRO 7/8/19: Brigadeiro Governador Interino da Praça de Abrantes, António Feliciano Telles de Castro Aparício, por requisição do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, entrega à Santa Casa, 25 barras, 50 enxergas, 50 cabeçalhos, 100 camizas, 200 lanções, 50 mantas, 50 cobertores, 100 barretes, pertencentes aos Hospitais Regimentais de Infantaria Nº 10 e 20, para serviço dos enfermos militares, na importância de cento e noventa oito mil setecentos e trinta reis, a deduzir na despesa do tratamentos dos militares ali internados. Na relação de entrega consta o nome dos irmãos da Santa Casa que receberam o referido material11.
 AHM
FEVEREIRO 25: Vindo de Elvas, em marcha para o Quartel do Tenente General Clinton,  chega a esta Praça o Tenente Coronel do Real Corpo de Engenheiros de Sua Majestade Britânica, John Fox Burgoyne*. Durante a sua permanência na Vila de Abrantes, Governador António de Azevedo Coutinho, facilita a Burgoyne, revista ás fortificações da Praça de Abrantes11
*Em 1826 acompanhou o General Henry Clinton numa missão a Portugal para apoiar o Governo Constitucional contra as forças absolutistas de D. Miguel. 
 
Ten.Cor.Engº John Fox Burgoyne
(1782-1871)
MARÇO 17/19: António de Azevedo Coutinho, informa o Ministério da Guerra, ter chegado à Praça de Abrantes (17 MARÇO), com destino a Portalegre (19 MARÇO), o Tenente Coronel Burgoyne, cheffe de Engenheiros, e o Capitão Clinton, Ajudante de Ordens, e Filho do General Clinton, do Exercito de Sua Magestade Britanica11. 
MARÇO 22: Para evitar que Desertores Armados ou outros Inimigos fação alguma incursão, e se apoderem das Barcas, João da Silveira de Lacerda, Governador das Armas da Beira Baixa manda vigiar barcas do Tejo e Ponte na Amieira11
MARÇO 30: Entrou na Praça de Abrantes o General Comandante em Chefe das tropas aliadas, Guilherme Henrique Clinton* , Coronel Quartel Mestre General, Owar e o Capitão Franciosi. Foram recebidos com todas as honras militares, mostradas as fortificações conforme o recomendado “pelas Ordens do Dia Nºs 4 e 8 dos dias 5 e 15 de Janeiro do ano corrente”, fez o reconhecimento às posições do “Codis”. Retiram no dia 1 de Abril em direcção à sua posição e ponte de “Punhete” 11. 
*Como Coronel do Exército Britânico participou na captura da Madeira e foi seu Governador desde Julho de 1801 a Março de 1802. A presença do General Comandante em Chefe das Tropas Aliadas, Guilherme Henrique Clinton e as visitas constantes à Praça de Abrantes dos Engenheiros Britânicos revela o quanto Abrantes continuava a ser um ponto importante e estratégico para a defesa do Reino na esperada invasão espanhola.
Wiliam Henry Clinton
ABRIL 9: Para reconhecimento das colinas e posições no circuito de Abrantes, entram nesta Praça o Coronel Burgoyne do Corpo de Engenharia do Exército Britânico e o Capitão Clinton, Ajudante de Ordens do General em Chefe11
ABRIL 12: Para inspeccionarem e verem o estado da Praça, chegaram a esta Vila onde pernoitam e partem no dia seguinte para o Quartel-general em Leiria, o Capitão Bally, Ajudante de Ordens do General em Chefe (Guilherme Henrique Clinton), o Inspector dos Hospitais (Rooliche) e o Pagador General Craufurd11. 
MAIO 22: Numa extensa carta (confidencial), a partir de Abrantes, Francisco de Paula Biquer*, Coronel do 7º Regimento de Infantaria, denuncia ao Ministro da Guerra, Duque de Saldanha (João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun), vários oficiais e um ajudante de cirurgia por desafectos ao actual sistema de governo, que tão feliz, e venturosamente nos rege… Na mesma carta é referido que os mesmos oficiais querem fazer lavrar, e correr as doutrinas subversivas…11 (Ver MAIO 30)
*Por atentar contra a soberania, três meses depois, este Coronel é mandado julgar em Conselho de Guerra (ver AGOSTO 29).
MAIO 30: Coronel do 7º Regimento de Infantaria, Francisco de Paula Biquer, solicita ao Duque de Saldanha que os seus militares quando chegarem à Capital não comunicarem com os soldados deste Regimento que se encontram presos no Castelo de S. Jorge por serem inimigos da Carta Constitucional outorgada por D. Pedro IV11.
-De Janeiro a Maio, 109 militares, recrutas, do 7º Regimento de Infantaria estacionado nesta Praça, que se encontravam no Depósito de Setúbal desertaram11
JUNHO 14: Vários oficiais e um bacharel em leis, não possuidores de guias nem passaporte, foram presos pelo Capitão-mor e Juiz Ordinário do Gavião e remetidos para a Praça de AbrantesAG335
JUNHO 19: Por decreto, nesta data foi desonerado do Governo da Praça de Abrantes o Brigadeiro António de Azevedo Coutinho. Pelo mesmo decreto passa a Governador da Praça de Abrantes, Brigadeiro João Vasconcelos de SáAG335.
-Organizado o Hospital Militar no Convento de S. Domingos.
DSE 
JUNHO 23/24: Um tenente e um alferes, ambos do Regimento de Infanatria Nº 8, presos, acusados da fuga do Espanhol D. Alonço Barrantes da prisão da Casa da Câmara de Abrantes, foram absolvidos, soltos e entregues ao exercício dos seus deveres e patentesAG335(ver AGOSTO 27).  
JULHO 18: Abrantes -Ponte de barcas e cavaletes - Planta de Joze Carlos de Figueiredo, Tenente Coronel Engenheiro; desenhado por Angelo Centazzi, 2º Tenente do Real Corpo de Engenheiros.
DSE
JULHO 27: Cavalo e objectos de emigrados “Hespanhoes” são apreendidos e entregues ao Ajudante do Quartel-general de Abrantes, José Joaquim de Brito a Joaquim da Costa Ribeiro11. 
AGOSTO 27: Por Decreto do corrente mês, Governador da Praça de Abrantes o Brigadeiro António de Azevedo Coutinho em substituição do Brigadeiro João de Vasconcelos e Sá que foi para a Praça de ElvasAG335.
-Nesta mesma data é reposta a reputação do Brigadeiro Coutinho, por ser acusado de negligência e fuga de um espanhol preso na “Casa da Câmara de Abrantes”AG335. 
AGOSTO 29: Manda a Senhora Infanta Regente, em nome de El-Rei que faça julgar em Conselho de Guerra o Coronel do Regimento de Infantaria Nº 7 Francisco de Paula Biquer e mais dois oficiais do mesmo RegimentoAG335
SETEMBRO 11:  Era nesta data Tenente Rey da Praça de Abrantes o Coronel Coronel Graduado Antão Garcez Pinto de MadureiraAG308.
DEZEMBRO 12: (Pontes Militares) – Obra de José Carlos de Figueiredo em Anexo (1).
Orçamento* para construção de dois armazéns na margem direita do Rio Tejo em Abrantes -
A experiencia de todas as Campanhas passadas nos tem mostrado quanto a Villa de Abrantes se torna interessante pela sua posizão topográfica, ou seja considerada como Logar forte/e nesse cazo/contendo em si grandes Depozitos; ou pela segur -a comunicação que então se estabelece entre as duas Provincias de Alemtejo, e Beira Baixa por meio de huma Ponte Militar lançada sobre o Tejo debaixo da protecção das suas obras avançadas.
Hé debaixo deste ponto de vista que se pode ajuizar quão vantajoso, e necessaário será o proceder-se á construção de hum Edificio próprio… de poder guardar em competente arrecadação… e a de servir de Depozito geral de utensílios de outras Pontes que se pretendão lançar sobre o Tejo, e Zêzere… Quartel em Abrantes 12 de Dezembro de 1827 – José Carlos de Figueiredo – Ten Coronel Engenheiro11 (Ver MAIO 31 de 1828). 
*Orçamento descritivo com todos os pormenores para a sua construção, em doze (12) folhas, incluindo a planta do referido edificioDSE.
DSE
Planta – Armazéns Trem Pontes Militares em Abrantes
Nota: Está esta planta classificada na DSE como o ano de 1800. É de crer haver falha de classificação e ser de 1827 e não de 1800  uma vez que a referida planta se encontra anexada a este orçamento do  Engenheiro José Carlos Figueiredo.
Anexo (1)
Figueiredo (José Carlos de)
Nasceu em Lisboa. Por decreto de 3 de novembro de 1802 foi promovido a 1º tenente do Real Corpo de En­genheiros, sendo 2º tenente, por serviços presta­dos em campanha; não encontramos noticia das outras promoções d'este engenheiro, até ao posto de tenente coronel em 1827; a coronel graduado foi promovido em 6 de agosto de 1832, a effectivo em 25 de setembro de 1833, e a brigadeiro gra­duado em 18 de janeiro de 1842, contando a an­tiguidade desde 5 de setembro de 1837.
Em 1827 desempenhou um papel importante na construcção de pontes permanentes sobre o Tejo, para serem aproveitadas na guerra, escrevendo sobre o assumpto a sua:
Memoria descriptiva dos serviços feitos pelos officiaes e destacamento de artifices engenheiros, debaixo do meu commando, na Commissão das Pontes para a guerra; das Baterias destinadas para sua defeza; e das estradas militares. —1827.
D’esta memoria, existente no Archivo de Enge­nharia, e publicada na Revista de Engenharia Mi­litar de março do anno de 1903, resumimos o se­guinte:
José Carlos de Figueiredo, que devia ser então major de engenheiros, marchou com um destaca­mento de artifices engenheiros, incluindo um ca­pitão e dois subalternos, cm 15 de dezembro de 1826 para Abrantes, para dar principio ás pontes permanentes sobre o Tejo. Em 28 d’esse mez estava prompta a servir a ponte de Villa Velha no porto d´esta villa, sendo porém desorganizada logo a seguir pela approximação de um corpo de tropas inimigas, e estabelecida outra ponte na Amieira por este ponto poder ser melhor defen­dido.
Emquanto esta ponte se construia, marchou o T.te C.el Figueiredo, com os tenentes José Manço de Faria e José Maria Moreira de Bergara, para Niza (5 de janeiro de 1837) afim de fazerem um reconhecimento na Fronteira e abrir eommunicações que facilitassem a observação dos movimentos do inimigo. Concluido esse reconhecimento, levado a effeito num dia pelos referidos tenentes, recolhe­ram em 7 á villa da Amieira, cuja ponte ficou concluida em 10, recolhendo o destacamento em 15 a Abrantes, para apparelhar o necessário para as pontes de Abrantes e Punhete.
Em portaria de 18 foi mandado lançar a ponte sobre o Zezere em Punhete, para facilitar a passa­gem das tropas britanicas que nesse dia começa­ram a sahir da capital. Marchou o destacamento para aquella villa em 22, e ás 10 horas do dia se­guinte ficava concluida a construcção da ponte em toda a largura do rio, que era de 335 palmos, con­tinuando porém nos dias seguintes a ampliação da mesma até attingir 540 palmos, para a ponte po­der servir nas maiores cheias que sobreviessem, ficando tudo prompto em 30 de janeiro, para o que o referido T.te C.el Figueiredo usou d’um systema novo de sua invenção, que descreveu.
Em março esteve o General Clinton em Abran­tes, onde o T.te C.el Figueiredo lhe assegurou e mostrou que, se no dia seguinte elle tivesse que passar as suas tropas pelo Tejo naquella villa, a ponte estava prompta a lançar-se de forma a poder faze-lo, o que lhe fez ver mostrando-lhe todos os barcos e trem respectivo “em acção de executar promptamente o que lhe promettia. Convencido d’esta verdade, S. Ex.a me fez publicos elogios, declarando que não esperava que tanta obra estivesse concluída em tão pouco tempo”.
Recebendo ordem para o lançamento d’esta ponte em frente de Abrantes, escolheu «o dia 29 de abril em que o Senhor D. Pedro IV decretou a Carta Constitucional, para solemne e militarmente fazer esta operação, imaginando o inimigo na mar­gem esquerda d’aquelle rio, para se oppor ao es­tabelecimento da ponte, o qual se figurou ser des­alojado por 4 peças de artilharia de calibre 6, que jogavam de differentes posições da margem direita, e picado pela rectaguarda por dois corpos de artí­fices, de 60 bayonetas cada hum, que passarão o Tejo em dois difíerentes pontos; manobra que ser­viu para cobrir os trabalhos que foram necessarios para formar a ponte, no que se gastaram duas ho­ras.
Alem das pontes do Tejo e Zezere, tambem se construíram 3 pontelhões de pinheiros unidos, dois na estrada real, entre Rio de Moinhos e Abrantes, sendo um na Ribeira dos Moinhos, e outro na Ribeira Velha; e na estrada entre Punhete e Tancos na Ribeira da Fonte Santa.
Inventou uma ponte volante para seguir qual­quer corpo do exercito, e descreve-a largamente.
Sendo contrario á causa de D. Miguel, teve que imigrar para Inglaterra, sendo demittido por de­creto de 3 de fevereiro de 1831, por desertor, ficando sujeito a responder no Juízo competente pelos crimes em que se achava incurso. Mas em virtude do decreto de 24 de novembro d’esse anno foram-lhe anunlladas as notas de deserção e de­missão.
Apresentou-se na Ilha Terceira em 11 de junho de 1831, prestando relevantes serviços na defeza d'esta ilha, pelo que foi graduado em tenente co­ronel; em seguida tomou parte no cerco da cidade do Porto, onde dirigiu as fortificações de dois districtos da linha do Norte, ficando depois inspector geral de todas as fortificações das linhas ao Norte e Sul da mesma cidade.
Até outubro de 1834 era também no Porto ins­pector das Obras militares, sendo então substituido neste cargo pelo coronel de engenheiros José Dionisio da Serra, ficando só com os cargos dos tra­balhos topographicos e da manutenção das fortifi­cações das linhas do Porto. Foi nomeado mais tarde governador da praça de Elvas.
Foi comprehendido na convenção de Chaves por ter feito opposiçâo á revolução de Setembro, e ficou fora do quadro effectivo do exercito, ao qual voltou por decreto de 4 de abril de 1838, sendo depois mandado servir no ministério do Reino como commissario do governo na fiscalisaçao do contracto da nova estrada de Lisboa ao Porto, commissão que terminou, com o engenheiro Francisco Pedro de Arbués Moreira, em 22 de agosto de 1840.
D’este official, encontramos os seguintes traba­lhos topographicos no gabinete de desenho do Archivo de Engenharia:
-Planta do Castello de Monforte reedificado na campanha de 1801 por ordem de Gomes Freire, de­baixo da inspecção do 2º tenente engenheiro, Eugenio Carlos de Figueiredo, cuja planta levantou e desenhou em 20 de junho de 1801 (arm. 7, gav. 2, pasta l, nºs 54 e 55).
-Planta do Porto da Amieira onde se notam as posições da Ponte Militar, e duas Baterias para a sua defeza, 1828. Copia feita em 1829 (arm. 4, gav. 2, pasta 4, n.° 6).
Falleceu no dia 12 de setembro de 1843AG316.
Fontes:
-AHM
-AG335
-AG308
-AG316
-Gravura de William Henry Clinton em: http://en.wikipedia.org/wiki/William_Henry_Clinton
-Planta DSE – Abrantes - Ponte de barcas e cavaletes - Planta de Joze Carlos de Figueiredo
-Planta DSE – Abrantes - Armazéns Trem Pontes Militares


HAVERÁ UMA CÂMARA SECRETA EM ABRANTES!!!...



Uma formação "superior" é a forma mais adequada de adquirir conhecimentos, para os futuros "historiadores/arqueólogos/geólogos" ou qualquer outra profissão que exija conhecimentos profissionais  para poder explicar a "história da pedra ou da escrita dos que nos antecederam".
Tudo isto vem a propósito dos "velhos papeis" que vou adquirindo e lendo (se forem em português), e ao mesmo tempo observando o espaço que visito.
Um dos espaços que venho visitando desde o começo do "COISASD'ABRANTES" tem despertado a minha curiosidade pois penso haver em Abrantes um edifício que possui uma câmara secreta, com probabilidades de ser do tempo das invasões francesas ou anterior a todas essas datas!!!
Um dos edifícios dos tempo das invasões é por mim conhecido e até estive no local. Vi como se abria e como é lógico não irei escrever sobre o assunto. Um outro local em Abrantes serve hoje de adega ou garrafeira.
Em Abrantes, a minha primeira professora de história nos anos 70 do século passado sempre me foi dizendo: ...se tivesse muito dinheiro, reescrevia a história de Portugal...
NOTA: no dia em que aparecer a antiga "bomba de água que se encontrava na antiga fábrica de moagem do Rossio, direi algumas dicas sobre o assunto". 
Ver foto do artigo furtado e nunca encontrado até à data em: 
https://coisasdeabrantes.blogspot.com/search?q=bomba+


FOTOS DE ABRANTES COM HISTÓRIA

FOTOS DE ABRANTES - SEM LEGENDA COM HISTÓRIA...























SOLANO DE ABREU - MUTUALIDADE EM 1906

RECORDANDO 1906, SOLANO DE ABREU E O QUE ERA A MUTUALIDADE EM ABRANTES!
PARA QUANDO UMA GRANDE REPORTAGEM DOS NOSSOS PERIÓDICOS SOBRE A MUTUALIDADE EM ABRANTES O QUE SE FEZ E O QUE FOI FEITO NOS ÚLTIMOS ANOS?...







HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (XIII)

Por José Manuel d’Oliveira Vieira
1824
FEVEREIRO 6: Nesta data, por proposta Infante D. Miguel passa a Governador da Praça de Abrantes o Brigadeiro António de Azevedo CoutinhoAG 296
FEVEREIRO 24: Sua Alteza Real manda remeter para a Praça de Abrantes, onze peças de artilharia que ficam à disposição da Real Junta da Fazenda das Armas11
MARÇO 23: Com o menor prejuízo dos trabalhos de agricultura e para quem se ache a frequentar estudos, Chefe do Estado Maior General dirige ordens aos Corpos do Exercito para a necessidade de se fazerem exercícios ás tropas de 1º linha a licenciadas duas vezes por ano. A época para os exercícios na Praça de Abrantes é o mês de Maio e JunhoAG 19/20/126
MARÇO 27: Coronel Bento José Valente do Regimento Infantaria Nº 20 solicita ao brigadeiro Duarte José Fava, autorização para usar uma dependência do quartel de Abrantes, para se festejar o aniversário de D. João VI11
MARÇO: São expedidas ordens à Junta da Fazenda das Armas para fornecer cartuchame próprio para clavina* e pistola ao Regimento de Cavalaria Nº 11 que se encontra na Praça de Abrantes11.
Clavina
*Clavina - arma pelo seu pequeno comprimento que se apoia no ombro, destinada exclusivamente à Cavalaria. Arma de antcarga.
MARÇO: A Irmandade do Passos pagou à música militar de Infantaria Nº 20 que tocou na Procissão dos Passos 4.800 réis e à guarda de honra do mesmo regimento 4.800 réis. Na Sexta-feira Santa pagou à mesma guarda de honra 3.300 réis e à música militar 4.000 réisDO101/102
ABRIL 30: Por chefiar a revolta militar, com intenção manifesta de coagir D. João VI a abdicar, D. Miguel é demitido de Comandante-Chefe do Exército e sai do País a bordo da fragata “Pérola” ruma o FrançaRICB

Exército Miguelista
Soldado Caçadores Beira Baixa
MAIO 17: Na sequência da revolta militar da guarnição de Lisboa (30 de Abril), Governador Interino da Praça, Coronel do R.I. Nº 20, Bento José Valente, informa o Ministro da Guerra e da Marinha, Manuel Inácio Martins Pamplona Corte Real, Conde de Subserra que a tropa da Guarnição e habitantes permanecem em tranquilidade e Fidelidade a El Rei Nosso Senhor Dom João VI11. 
JUNHO 5: Coronel Bento José Valente, do Regimento de Infantaria 20 e governador interino de Abrantes, remete ao conde de Subserra as Ordens do Dia* que recebeu o Governo desta Praça do intruzo Chefe do Estado Maior General, o Tenente  General Manuel de Brito Mouzinho, conforme Sua Magestade, me Ordena na Circular de 31 de Maio proximo passado11
*El Rei Nosso Senhor (D. João VI), ordena, que sejão consideradas nullas todas as ordens, que desde o dia em que rebentou a rebelião de 30 de Abril próximo passado até ao dia 9 do corrente mez de Maio,durante o tempo que este Paiz foi governado anarquicamente... a fim de que fiquem cassadas e trancadas taes Ordens, por não serem legaes...,expedidas pelo intruzo Chefe do Estado Maior General, Manoel Brito Mozinho (afecto a D. Miguel)...AG296 . 
JUNHO 12: Movimentações de Corpos Militares – Comandante, Coronel do Regimento de Infantaria Nº 23, Francisco Joaquim Pereira Valente, informa o Conde da Sub-Serra, ter chegado à Praça de Abrantes o 2º Batalhão do referido Corpo com 351 militares (ver SETEMBRO 10)11. 
JUNHO 15: Brás da Silva Consolado, Capitão de Ordenanças da Freguesia de Penhascoso, do termo de AbrantesAbt.
JULHO 15: Francisco de Paula Xavier da Serra, Capitão-mor de Ordenanças agregadoAbt.
AGOSTO (!): Ajudante da Praça, Tenente Graduado em Capitão José Pereira da Cunha DO103/104+AG306.   
AGOSTO 6: Por Ordem de Sua Magestade sai de Abrantes para a Praça de Elvas o Regimento de Infantaria Nº 20 com 262 militares e chega à mesma Praça com 274 militares*. Coronel Comandante do mesmo Corpo, Rodrigo Netto Pereira da Silva passa o Comando da Praça ao Coronel Comandante do Destacamento de Linha do Maranhão. De acordo com as mesmas ordens seguem o itenerário (ver AGOSTO 7)11: 
Itinerario para a marcha do Regimento de Infantaria Nº 20, de Abrantes para Elvas
Dias de marcha
Tranzitos
6 de Agosto de 1824
Azedos
7 .............................
Ponte de Sôr
8 ..............................
Benavilla
9 ..............................
Cano
10 ............................
Estremoz
11 ............................
Alto (Descanso)
12 ............................
Borba
13 ............................
Elvas
 AHM
AHM
*Durante a marcha, reuniram-se ao Regimento os restantes militares. Os restantes militares para o efectivo total do Regimento  que é de 584 militares encontram-se destacados em Coimbra e são mandados regressar à Praça de Elvas.
AGOSTO 7: Insatisfeito pela decisão, Juiz de Fora António de Lemos Teixeira de Aguilár escreve ao Conde de Sub-Serra dizendo que o Regimento de Infantaria Nº 20 se achava de Quartel nesta Vila e não de passagem para o colocarem na Praça de Elvas11
Illmo Exmo Snr
Em cumprimnto do Avizo de VaExaao Dor Corregedor desta Comarca em 15 de Junho do corrente anno, e que este me comoniocou em Officio de 3 de Julho proximo passado, julgo do meu devêr, levar ao conhecimento de Va Ga o mappa incluzo da força do Regimento d’Infantaria Nº 20; que hontem pelas quatro horas da tarde shaio desta Praça para a de Elvas; em consequencia da Ordem que para  isso teve de Sua Magestade.
O mappa mencionado, não vai conforme o modello, que me remetteo o mesmo Corregedor; por que os seus dizeres não são analogos ao prezente cazo; visto que aquelle Regimento não fez passágem por esta Villa: mas sim, shaio della, estando aqui de Quartel.
Deos Guarde a Va Gra muitos annos
Abrantes 7 de Agosto de 1824
Illmo Exmo Snr Conde de Sub Serra
O Juiz de Fora
Antonio de Lemos Teixeira de Aguilár
AHM
SETEMBRO 10: Por Ordem de El Rey Nosso Senhor, pelas 6 horas da manhã, com 424 militares, apresentou-se na Praça de Abrantes o 1º Batalhão do Regimento de Infantaria Nº 23, rendendo o Destacamento de Linha do Maranhão que fez a sua marcha para Castro Marim11
SETEMBRO 12: Com 351 militares, entra na Praça de Abrantes o 2º Batalhão do Regimento de Infantaria Nº13. No mapa dos que marcharam e chegaram à Praça de Abrantes consta: … o Batalhão sempre tem mostrado a melhor adesão a causa da Realeza, e legitimidade, a sua conduta M, e Civil he excelente, tendo-se conduzido o melhor possível com os habitantes. Encontraram-se todas as providencias pella parte das Autheridades dos povos - Francisco Joaquim Pereira Valente – Cor do R2311. 
NOVEMBRO 1: Com a situação política grave e mais uma tentativa fracassada de revolta em 26 de Outubro deste ano, António de Azevedo Coutinho, Brigadeiro Governador da Praça de Abrantes ordena a leitura às tropas que guarnecem esta Praça a Declaração do Exército Nº 149 de 26 de Outubro, enaltecendo o ...desempenho dos seus deveres, provas da Sua Fedelidade, Amor, e Obediencia ao Melhor dos Soberanos, o Nosso Augusto Monarcha O Senhor Dom João Sexto…11 
1825
-Comandante do Presídio Militar de Abrantes, Tenente Nicolau António de Melo BarretoDO106 .
JANEIRO 26: Nesta data, Capitão Engenheiro, José António de Abreu, remete às entidades competentes, a planta do edifício do Castelo que deve servir de “Archivo do Real Corpo d’Engenheirosdo na Praça de Abrantes”.DSE
DSE
FEVEREIRO 5: Com a conclusão da ponte*  sobre o “ribeiro das Villas de Tancos e Payo Pelle”, militares, correios e habitantes da Praça de Abrantes deixaram de ter o incomodo de atravessar o Tejo em tempo de cheiasAG293.
*Começou esta ponte a ser construida em 21 de Dezembro de 1823 e foi concluida a 5 de Fevereiro de 1825
FEVEREIRO 11: Por ordem do Conselheiro Duarte José Fava, Comandante em Chefe dos Presídios de Sentenciados da Corte do Reino, é posto em liberdade do Presidio de Abrantes o Soldado José Matias, que regressa ao Corpo de origem11. 
MARÇO 23: Governador da Praça de Abrantes recusa-se a cumprir ordem da Secretaria da Guerra de 14 e Officio do General Visconde de Alhandra de 17 em que é mandado recolher ao Regimento de Cavalaria Nº 10 o Destacamento que se acha empregado na Pollicia desta Praça e seu termo11. 
JUNHO 15: Por precária fortuna em que se encontra reduzido, Joaquim Loureiro, 1º Sargento do Batalhão de Caçadores Nº 2 (na Praça de Abrantes), que serviu El-Rei no 1º Batalhão de Caçadores Voluntários Reais na expedição ao Brasil em 1815 e em Montevidéu reclama a passagem à reforma11.
JUNHO 26/27/30: Por moléstia e problemas físicos relacionados com as Campanhas Militares, Hospital Regimental do Batalhão de Caçadores Nº 2 (em Abrantes), submete a juntas médicas, militares (alguns com mais de 40 anos de serviço) do Regimento de Infantaria Nº 20 e Veteranos de Abrantes.
Junta médica:
Médico Presidente - José Ferreira Xavier
Médico Hospital Regimental Caçadores Nº 2 - José G. Bobela
Sargento Mor Caçadores Nº 2 – Joaquim Ferreira da Luz
Como curiosidade refira-se uma das moléstias mais comuns à época: Rheumatismo Venereo, procedido de comunicação com mulher inveterada11.

AGOSTO 5: Militares do Regimento de Cavalaria Nº 11 (Castelo Branco), empregados na “Posta” de Abrantes para a condução do correio, regressam à sua Unidade11. 
SETEMBRO 16: Tenente Rei da Praça de Abrantes, Coronel do Regimento de Infantaria Nº 9, António Pedro de BritoAG305.
SETEMBRO 16: El Rey Nosso Senhor determina que a partir desta data o hospital regimental da Praça de Abrantes, execute a nova tabela de dietas11
OUTUBRO 8: Por falta de gente para a devida segurança, Governador António de Azevedo Coutinho faz marchar desertores que se encontram no Presidio Militar desta Praça11. 
NOVEMBRO 6: Sargento encarregado do transporte de camas e géneros para Regimento de Cavalaria Nº 11 (Castelo Branco) é retido nas Mouriscas pelo Juiz daquele lugar, por não não ter ordem do Juiz de Fora da Vila de Abrantes para prosseguir a marcha11. 
DEZEMBRO: Por determinação do Ministério dos Negócios da Guerra, pela experiência que tem mostrado, Hospital Regimental da Praça de Abrantes passa a ser “depósito de roupas e instrumentos cirúrgicos, para pronto fornecimento dos hospitais mais próximos...”AG 294 
1826
-Planta e perfis das obras de fortificação de Santo António na Praça de Abrantes, desenhada pelo Tenente Engenheiro José António Morão – Ano 1826.
DSE 
MARÇO 10: João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís Antônio Domingos Rafael de Bragança (Dom João VI), morreu no dia 10 de março de 1826 no Paço da Bemposta em Lisboa*.
*Serve para situar o contexto militar vivido à época na Praça de Abrantes.
JULHO 12 a 9 OUTUBRO: Nestas datas, por ordem de Sua Magestade El Rey Nosso Senhor, a Companhia de Veteranos de Abrantes, sob o Comando do Capitão João Manuel Burguete passou a “mostras”*11. 
*mostras - Inspeções a material, géneros, vestuário, vencimentos, praças, quartel etc. etc.... 
JULHO 24: Por motivo de moléstia são concedidos trinta dias para fazer uso dos banhos do rio em Abrantes, ao Capitão Pagador do Batalhão de Caçadores Nº 2, António Felix Garcia, AG307
AGOSTO 2: Capitão João Manuel Burguete* recebe fardamentos da Secretaria do Estado dos Negócios da Guerra e os distribui à Companhia de Veteranos de Abrantes:
Fardas (1)
19
Calças de Pano
19
Calças de Linho
22
Jalecos (3)
19
Barretes
19
Barretinas (4)
19
Laços
41
Penachos (5)
19
Pescocinhos (2)
19
Pares de polainas (6)
19
Pares de meias
24
Pares de Sapatos
27
Capotes
30
-
-
AHM
(1) Farda: Designada também de casaca de abas.
(2) Pescocinho: O mesmo que gravata.
(3) Jaleco: Casaco curto ou jaqueta.
(4) Barretina: Cobertura de cabeça, de formato que varia entre o cilíndrico e o troncónico, geralmente adornada com distintivos de vária natureza, encordoados e com plumas ou pompons colocados no topo.
(5) Penacho: Conjunto de penas ou outros materiais que constitui um tufo e que pode tomar várias formas.
(6) Polaina: Peça de vestuário que resguarda a perna e a parte superior do calçado.
*Foi Capitão de Veteranos de Vila do Conde AG294
AGOSTO 5/11: Carta assinada pelo Governador da Praça, António de Azevedo Coutinho e por mais 39 oficiais das guarnições de Abrantes (Tenente Rei da Praça, Ajudante da Praça, Comandante do Regimento de Infantaria Nº 20 e mais oficiais, Comandante Veteranos de Abrantes, Comandante do Presidio Militar e um 1º Tenente do Real Corpo de Engenheiros), juram fidelidade à Carta Constitucional:
Serenissima Senhora
O Governador d’Abrantes, os Officiaes do Estado Maior da Praça, Comandantes de Corpos, Officiaes, e mais Praças da Guarnição, Levão aos Pés de Vossa Alteza Serenissima, as expreçoens sinceras do amor, respeito, e affeção que consagrão a Esse Padrão de Gloria que vai fazer soár o Nome do Senhor Dom Pedro IV lá na remota posteridade! Que imensos benefícios nos não traz essa Carta Constitucional, a onde os poderes se achão também equilibrados! A onde a Camara Alta Realºa mais o Explendor do Diadema! Huma, e outra vão destruir os males que pesão sobre a Patria! O tempo altera as Leys; os progressos da Civilização, as ideias de Seculo! Tudo envidava e Imperante a fazer entrar a Nação no gozo de seus antigos, e ineliaveis direitos: Magnanimo, Generoso velando atento na sorte dos seus filhos, Elle entrega a Regencia a Vossa Alteza Serenissima. Bem certo que no Coração de Vossa Alteza ardia o fogo sagrado, e amopr da Patria! Penetrador de gratidão pelos benefícios que o Nosso Magnanimo Rey, com Mão Generosa liberaliza a Patria, nos depomos aos Pés de Vossa Alteza Serenissima, os sentimentos da nossa acrézolada fidelidade ao Governo Legitimo do Senhor Dom Pedro IV! Permita o Céo que a paz, e união existão entre noz mas se a anarchia ousasse aparecer os inimigos da legitimidade acharião em nós, seus vingadores: Os nossos gritos de guerra serão, Viva o Magnanimo Rey e Senhor Dom Pedro IV, Viva a Senhora Dona Maria II, Viva a Carta Constitucional, Dada pelo Senhor Dom Pedro IV, Viva a Regente que a faz executar! Annimados de tais sentimentos, temos a honra de ser.
De Vossa Alteza Serenissima
Humildes Subditos
Praça d’Abrantes 5 d’Agosto de 1826
António de Azevedo Coutinho
B. Gov da Praça
 AHM
Carta Constitucional 1826
AGOSTO 12/13/14: Dia 12, pelas oito horas da noite, comandadas pelo Coronel João da Fonseca Coutinho de Castro e Refoes apresentaram-se na Praça de Abrantes cinco Companhias de Milícias de Castelo Branco, que se unirão para prestar “Juramento à Carta Constitucional” -Decretada, e dada por El Rey o Senhor Dom Pedro IV. A solenidade teve lugar no dia 13 pelas 5 horas da tarde. Dia 14, regressam a Castelo Branco 3 Companhias e ficam 2 nesta Praça até nova ordem11.  
AGOSTO 15: Nesta data, por decreto, passou a ocupar o lugar de Tenente Rei da Praça de Abrantes, o Coronel de Cavalaria João Vieira Tovar AlbuquerqueAG307.
AGOSTO 27: A Senhora Infante Regente em nome de El Rey expede ordens para Destacamento do Regimento de Infantaria Nº 20 que se acha em Santarém se una ao seu Regimento em Abrantes11
OUTUBRO 31: Proclamação enviada pelo Brigadeiro Encarregado do Governo das Armas da Beira Baixa (Castelo Branco), António Lobo Teixeira de Barros Barbosa,  para ser lida aos militares e habitantes da Praça de Abrantes:
   PROCLAMAÇÃO
HABITANTES da Beira Baixa: eu me felicito de vir assistir entre vós! MILITARES debaixo das minhas ordens: eu me prezo de passar a Comman­dar-vos! Coube-me a honra de tomar o Governo das Armas de huma das tres Provincias, que se glorião de ser as unicas, cm que huma fidelidade sem mancha se tem ostentado briosamente a favor da Legitimidade do Senhor PEDRO IV., e das Liberaes Instituições com que Elle houve por Bem felicitarnos.
A Beira Baixa, o Partido do Porto, e a Estremadura tem-se mostrado o Povo fiel por excellencia: ainda hum grito se não ouvio, que não fosse em exaltação de sentimentos gratos ao melhor dos Soberanos. Esta distincção ha-de ser remarcavel nos Fastos da Nação Portugueza; e eu antevendo a gloria que daqui vos resulta, antecipadamente vos dou os parabens.
Conheceis o meu caracter, e colligireis que são sinceras as minhas expressões: não costumo usar de grandes rodeios para fazer acreditar as minhas intenções. Assim como manifesto francamente o gosto de que estou possuído, por tomar o Governo Militar desta Provincia, também vos declaro, que com igual franqueza manifestarei toda a desapprovação, misturada com o com­petente castigo, a quem ousar perturbar a tranquilla posse da quietação que tendes mantido!
Fiel ao Juramento que prestei á CARTA CONSTÍTUCIONAL, e aos votos que depositei nas mãos da Serenissima Senhora INFANTA REGENTE, quando as beijei pela duplicada e honorifica Graça da minha reentregação ao Serviço Militar, e por esta Commissão de que me encarregou, assevero que nenhuma consideração me obrigará a faltar aos meus sentimentos, ao meu de­ver, e á minha Authoridade.
Beirões d’quem da Serra, não queirais perder o explendor que vos cir­cunda: intactos na honra Nacional que vos mostraes dispostos a manter, rodeai-me e exclamai comigo, com enthusiasmo, e com respeito:
Viva o rei legitimo de Portugal, o Senhor D. PEDRO IV,
Viva sua Augusta Filha, a Senhora D. MARIA II, JURADA rainha
    pela carta constitucional.
Viva a CARTA CONSTITUCIONAL que o pai nos Liberalisou, e
 com que a filha nos hade Governar
Viva a Idolatrada REGENTE, a Senhora INFANTA D. IZABEL MARIA.
Quartel General de Castelo Branco 31 Outubro de 1826.
Antonio Lobo Teixeira de Barros de Barbosa
                       Brig.  Enc. do Gov. Das Arm. da Beira Baixa

AHM
DEZEMBRO 4/5: Brigadeiro António de Azevedo Coutinho, Governador, põe a Praça em estado de defesa e refere a entrada do 1º Batalhão de Infantaria Nº 1 e a marcha das Milicias de Castelo Branco para a Praça de AbrantesAG298. 
DEZEMBRO 4: Brigadeiro António Feliciano Telles de Castro Aparicio, toma o Governo Interino da Praça durante o impedimento do de Azevedo Coutinho, destinado a outro serviço AG307/AG298.
DEZEMBRO 15: Coronel Engenheiro José Carlos Figueiredo, acompanhado de um destacamento, composto de um capitão, um tenente e cento e nove praças, artifices engenheiros chega à Praça de Abrantes para aqui lançar uma ponte permanente sobre o Tejo, ou para acudir a qualquer ocorrencia de momento...por se reconhecer a má situação na Ponte de Vilas Velha, José Carlos Figueiredo, estabelece um ponte em Amieira,”na capacidade  de poder, em cada transito de 40 braças, largura ordinária do Tejo naquele porto, e que gastava  de 6 a 8 minutos, passar de uma a outra margem 200 homens de infantaria, ou 25 de cavalaria com seus cavalos, ou duas peças de artilharia com seus tiros, e sem desengatarem tirantes; ou quatro carretas de transportes”....(ver JANEIRO 27 de 1817)AG316. 
DEZEMBRO 18: Governador de Abrantes para o Marquez de Valença: Constando-me que nos Povos das emmediaçoens desta Praça commessavão a espalhar-se noticias que intimidão os seus habitantes e sendo informado que alguns tem mesmo retirado alguns dos seus effeitos achei a propozito mandar afixar nos lugares mais publicos desta Praça a Proclamação cuja cópia tenho a honra de remeter a V. Exª...: 
PROCLAMAÇÃO
HABITANTES D’ABRANTES
António Feliciano Telles de Castro Aparicio, Fidalgo Cavalleiro da Caza de S Magestade, Cavalleiro da Ordem de Christo Comendador Honorario da Ordem da Torre e Espada, Brigadeiro dos Reaes Exercitos, e Governador Interino da Praça d’Abrantes – Aos habitantes desta Praça – Já inteiramente convencido dp Patriotico espirito destes Habitantes, julgo do meu dever assegurar aos Povos deste Distrito, que são intempestiveis, e talvez sinistras todas as persuasões aterradoras, que se tiverem espalhado entre eles. A precaução dista muito do temer;  a primeira he sempre filha da Prudencia, e o segundo provesso muitas vezes da fraqueza. – Se essa porção de facciosos, e refractários do legitimo Poder nos pretende incomodar, imcumbe ás Authoridades estabelecidas manear a Força  Armada, fiel ao Rey, e á Nação de modo qu possa ocorrer-se aquellas pérfidas, e sanguinárias tentativas; a confiança dos Povos deve seguir a fidelidade e o valor dos seus defensores. – O suto que algumas vezes infundem nos Povos as dispoziçoens Militares, deve estar removido muito principalmente deste ponto; reunidos os Corpos de 1ª e 2ª Linha cobrem há tempos, a nossa frente, e a juncção do Exmº General desta Provincia, nos poem fora do alcance da louca pertenças dosa rebeldes, ao passo que os constitue em huma das duas alternativas, ou de decamparem  da quele Paiz, cuja fidelidade tencionarão manchar, e cujo solo pertendião inundar de Sangue, ou serem batidos, e aniquilados como já o forão no Alemtejo, pelas nossas bravas e valentes Tropas. – Habitantes d’Abrantes,  quasquer que sejão as operaçoens Militares que observeis, ou que mesmo para o futuro, for mister acontecerem nas imediaçoens deste Governo, e até mesmonesta Praça só devem servir para inflamar o valor, e augmentar a confiança pelo feliz resultado da nossa justa, e legitima Cauza; he de necessidade, e he dever esperar esse resultado a travez d’incommodos, e sacrifícios momentâneos. – A Europa, a Peninsula, e Portugal forão assolados, e conquistados há bem poucos anos, mas os valor dos Portuguezes, e seus Aliados, e a constancia de seu caracter fizeram triunfar Porugal, a Peninsula, e a Europa do seu comum oppressor, depois de reduzido tudo a  hum estreito canto  das Linhas de Villa Franca, e Torres Vedras. – Quaesquer que sejam os passos dos rebeldes, eles serão sempre frustados se os Povos conservarem a quella fidelidade, e constancia, que sempre destinguirão os Portuguezes; estas duas virtudes triunfão sempre, e a Força Moral de hum Povo fiel vale mais que todas as bayonetas dos rebeldes, e traidores. – O Brigadeiro Governador Interino desta Praça se por huma parte assegura os Habitantes a plena confiança que nelles tem, também, sem hezitar, está convencido de que as suas expressões serão acreditadas, e obedecidas. – Quartel m Abrantes 18 de Dezembro de 1826.
Antonio Feleciano Telles de Castro Aparicio
Governador interino d’Abrantes

AHM
Fontes:
-ABT: Nuno Gonçalo Pereira Borrego – Ordenanças e Milícias de Portugal.
-AG19/20/126/293/296/298/305/306/307/316.
-AHM.
-DO101/102/103/104/106.
-RICB.