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HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (III)

 
Por José Manuel d’Oliveira Vieira
1789
-Até 1799 é cedido parte do Convento de S. Domingos às legiões do marquês de Alorna.
1790
SETEMBRO 22: João Marques Ferreira Anes de Oliveira, Sargento-mor de Ordenanças, que vagou pela promoção de Álvaro Soares de Castro e Ataíde a Capitão-mor das mesmas 10.
DEZEMBRO 2: Manuel Lopes Raposo, Capitão de Ordenanças de Alvega, Pego, São Facundo, do termo de Abrantes, que vagou por morte de Manuel da Fonseca da Mota 10.
DEZEMBRO 23: Jerónimo Gonçalves Lagarto, Capitão de Ordenanças de Mouriscas, que vagou por morte de José Bernardes Delgado 10.
DEZEMBRO 23: Manuel Pereira Furtado, Capitão de Ordenanças do lugar de Penhascoso, termo de Abrantes, que vagou por morte de João Lopes da Silva 10.
1795/1796/1797
-António Teixeira Rebelo envia as memórias com as suas observações acerca da zona junto a Abrantes para colocação de um parque de armas, hospital de campanha e ponte de barcas a Luís Pinto de Sousa Coutinho, secretário de Estado dos Negócios da Guerra. Nas onze folhas manuscritas deste arquivo existem ainda os seguintes documentos relativos a Abrantes: carta escrita ao provedor e mais mensários da Casa da Misericórdia da vila de Abrantes a fim de admitirem no seu hospital os soldados que suceder adoecerem deste corpo que aqui se acha, pelo tenente-coronel António Teixeira Rebelo; cópia da carta que escreveu em resposta o provedor e mais mensários; memória do tenente-coronel António Teixeira Rebelo sobre o local onde aquartelou o seu destacamento e esboço das margens do rio Tejo junto a Abrantes desenhado pelo cadete Luís D’Alincourt 11.
Major António Teixeira Rebelo
-D. Pedro de Almeida Portugal, marquês de Alorna, certifica que Joaquim António Duarte, provedor da Misericórdia de Abrantes, tem tratado do Hospital Militar com grande zelo e caridade 11.
1798/1799
-Legião do Marques de Alorna com 3.000 homens de Artilharia, Cavalaria, Infantaria, 300 cavalos e 50 muares.
-Artilharia e Cavalaria, primeiro nos Conventos de S. Domingos e de Stº António e depois no Quartel de Alorna (Castelo de Abrantes), feito propositadamente. Infantaria fica aquartelada no Castelo.
 “Quartel Legião de Alorna - Castelo de Abrantes”

Marquês de Alorna
Oficial de cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras

Legião de Lorna
(Gravura retirada do Blog "Lagos Militar" de João Torres Centeno)
  
Legião Portuguesa 1809/1813: Infantaria.
Legião Portuguesa 1809/1813: Cavalaria
Nota: A Legião Portuguesa foi dissolvida em Novembro de 1813, em vista do decreto de Bonaparte que mandou desarmar todas as tropas estrangeiras que estavam ao serviço. Dos restos da Legião, com excepção de dois esquadrões de cavalaria que se achavam na Saxónia se formou um batalhão de pioneiros comandados por oficiais franceses. Desse punhado de bravos que constituiu a Legião Portuguesa, poucos voltaram à pátria (b).
1799
JUNHO 12: José de Oliveira Mendes, Capitão de Ordenanças da Freguesia de Santa Margarida, que vagou por morte de Manuel José Serrano 10.
1800
Junho: Em Abrantes, um grande depósito geral de munições de “boca” para a tropa do Ribatejo de que era Comissário Geral, Manuel Pedro de Almeida.
Outubro: No quartel de Alorna, uma força de Artilharia e 2 Regimentos de Infantaria.
1801
-Mapa Militar/Vila e arredores de Abrantes: Acampamento das tropas Portuguesas e Inglesas. Assinala-se Abrantes, com o seu castelo, conventos, igrejas e ermidas, bem como os caminhos e todas as estradas de saída para Punhete, Tomar, Vila de Rei, Sardoal, Gavião, Ponte de Sor e Tramagal. Militarmente localiza-se o dispositivo das tropas de cavalaria, infantaria e artilharia, tanto portuguesas como inglesas, bem como o reduto de 1762 e ainda duas pontes de barcas sobre o rio Tejo 12.
FEVEREIRO 27/MAIO 29: O comandante em chefe do Exército era ainda o Marechal-general Duque de Lafões.
Espanha declara guerra a Portugal.
Governo coloca força principal do exército sobre margem esquerda do Tejo estabelecendo comunicação com margem direita em Abrantes 16.
Na sequência da invasão do Alentejo por parte de um contingente franco- espanhol dá-se início ao que ficou jocosamente conhecida como a Guerra das Laranjas, episódio traumático na História de Portugal, as forças portuguesas perseguidas de perto pelas tropas espanholas retiram para Gavião e daqui para Abrantes. Os batalhões comandados por Bernardino Freire de Andrade sustentaram o ímpeto da cavalaria espanhola, protegendo a desordenada retirada das forças portuguesas. Francisco Paula d´Azeredo, Conde de Samodães, nos seus apontamentos biográficos diz: O duque de Lafões (Dom João Carlos de Bragança e Ligne de Sousa Tavares Mascarenhas da Silva, 2.º Duque de Lafões) passou o Tejo e veio acampar entre Abrantes e o rio, fazendo a retirada no fim do mês de Maio.
 
MARÇO 19: Quatro Esquadrões de Cavalaria.
Março 27: Regimento de Lippe.
Março 19: Regimento da Corte.
MAIO 31: Marechal de campo marquês de Tancos é incumbido de assumir o comando de todos os estabelecimentos militares existentes em Abrantes 11.
JUNHO 26: Concelho de Guerra mandou proceder por “Aviso” para nesta Vila (Abrantes), ser julgado o Tenente Coronel Veríssimo António Gama Lobo, Governador que foi da Praça de Jerumenha, por haver rendido intempestivamente e sem a mínima defesa sobredita Praça. O julgamento realizou-se no dia 10 de Agosto.
JULHO 20: Doentes do exército no Hospital de Abrantes, 138 11.
AGOSTO: No depósito geral do Castelo de Abrantes: peças artilharia/munições de guerra e outros apetrechos 11.
Setembro: Marechal Karl-Alexander von der Goltz (Conde de Goltz), assumiu em Abrantes comando em chefe do exército, onde se encontravam acampadas as forças que tinham retirado da campanha, substituindo o velho Duque de Lafões que foi demitido 8.
SETEMBRO: Casa de “postas” e número de “bestas” que se mandaram estabelecer na Praça de Abrantes por ordem do marechal conde de Goltz: casa de Postas de Manuel Gadanho. Dono das bestas, Bexiga de Peralta de Payoalvo=Paialvo (freguesia portuguesa do concelho de Tomar. Número de bestas, 4 11.
OUTUBRO - Por Ordem do Ilmo. e Exmo. S.General/Conde de Goltz/Planta da Villa de Abrantes com huma parte do Tejo/Ponte das Barcas, e o Reduto feito no Oiteiro do Caneiro/Levantada de baixo das ordens do Brigadeiro/e chefe dos Engenheiros Luis Candido Pinhei/ro Furtado. Pelos Oficiais do mesmo Real/Corpo/Joaquim de Oliveira Tene. Coronel/João Xavier de Andrade Sargento mór/Luis Maximo Pro. Tene -  Outubro de 1801.
Além da planta de Abrantes, em grande escala, inclui-se também as do Porto de Abrantes e o Rocio ao Sul do Tejo, o que não acontece nas cartas anteriormente tratadas, embora da mesma altura.
Em legenda alfabética descriminam-se os conventos, igrejas, ermidas, quarteis, a Casa da Câmara e o Celeiro do Marquez.
Por sua vez em legenda numerada indicam-se os nomes das ruas, largos e travessas.
O relevo e representado por tracejados 12.
OUTUBRO 5: Correio de “POSTAS”: Abrantes /Braga tem 13 estações, 52 bestas, 4 por estação.
NOVEMBRO 22: Tenente-coronel Manuel de Sousa Ramos, do Real Corpo de Engenheiros, alerta conde de Goltz para a falta de soldados para guardarem as pontes da Vila de Abrantes e Zêzere. A mesma recomendação é feita em 24 de Janeiro de 1802 11.
1802
AGOSTO 3: Manuel de Oliveira Morgado, Capitão de Ordenanças da Freguesia de Rio de Moinhos, termo de Abrantes, que vagou por morte de João Mendes Padilha de Azevedo 10.
1803
OUTUBRO 3: José Henriques de Carvalho, Capitão de Ordenanças das Freguesias de Alvega, Pego, São Facundo e Bemposta do termo de Abrantes, que vagou por morte de Manuel Lopes Raposo 10.
1804
-Manuel de Sousa Ramos elabora um plano de segurança e conservação para a ponte da barca no porto da vila de Abrantes, com o cálculo da despesa a fazer em cada ano 11.
MARÇO 13: Nesta data são apresentadas ao visconde da Anadia as despesas efectuadas com as pontes de Vila Velha e Abrantes 11.
ABRIL 28: Luís Manuel Ferreira Frade, Capitão de Ordenanças da Freguesia de S. Vicente, que vagou por morte de José António da Silva Lobato 10.
1805
MARÇO 10: Elaboram-se relatórios sobre o local mais indicado para estabelecer uma ponte de barcas em Abrantes 11.
SETEMBRO 4: Instruções para regularizar a construção da ponte militar de barcos junto à Vila de Abrantes 11.
1806
MARÇO 3: António José Raposo, Capitão de Ordenanças das Freguesias de Souto, Aldeia do Mato e Martinchel, que vagou por morte de Vicente Rodrigues Soares 10.
MAIO 19: Nesta data realiza-se a organização e reforma dos uniformes foi tudo o que o governo preparou para a luta. O exército passou a usar de calças compridas, e de cabello curto, pois até ahi ainda se traziam calções e rabichos nas cabeleiras. Nestes simples preparativos se passaram os anos que precederem a formidável invasão franceza 16.
VER ANEXO A: BREVE HISTÓRIA DOS UNIFORMES  1762/1806
Plano Uniformes do Exército – 1806
Soldados da Legião de Alorna – 1806
(Farda Azul Claro Pedrês, Véstia e Calções Amarelos, Gola e Canhões Pretos com vivos Amarelos)
(Gravura retirada do Blog "Lagos Militar" de João Torres Centeno)
(b) Da Guerra Peninsular – Notas, Episódios e Extratos Curiosos de Francisco Augusto Martins de Carvalho – 1910.
(c) Projecto de Implementação - Uniforme de Cerimónia, de passeio e de serviço – Exército Português
8 Vid. História do Exército Português do General Ferreira Martins, a fls. 210.
10 Nuno Gonçalo Pereira Borrego – Ordenanças e Milícias de Portugal.
11 AHM.
12 Catálogo de Cartas Antigas: CA 166 desenho de Tenente Moreira e CA 170 de Joaquim de Oliveira Tene. Coronel/João Xavier de Andrade Sargento mor/Luís Máximo.
16 Apontamentos Biográficos 1770/1857 de Francisco Paula d’Azeredo, Conde de Samodães.
Imagens:
-Major António Teixeira Rebelo (pintura exposta na Biblioteca Nobre do Colégio Militar).
-Placa “Quartel Alorna” - Castelo de Abrantes.
-Marquês de Alorna com uniforme de oficial de cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras 1800 – Autor desconhecido.
-Uniformes “Legião Portuguesa 1809/1813”, Infantaria e Cavalaria..
-Duque de Lafões.
-Plano de Uniformes do Exército 1806 (in Biblioteca Nacional).
***********
ANEXO A: BREVE HISTÓRIA DOS UNIFORMES 1762/1806
Esta breve “HISTÓRIA DOS UNIFORMES” apenas se deve ao facto de ter encontrado na “Biblioteca Nacional de Espanha” um livro com os uniformes usados pelo recém-criado “Regimento dos Voluntários Reais Estrangeiros, em Abrantes (Junho 1763) ” bem como a “relação dos panos precisos para fardar o regimento de 2 em 2 anos e anualmente de 6 em 6 meses”. (VER "ABRANTES MILITAR II - ANO 1763 MÊS JUNHO)
Para tornar permanente o seu estabelecimento, formatura, subsistência e disciplina dos Voluntários Reais Estrangeiros em Abrantes o Rei assina o Alvará que regulamenta o número de elementos e soldos (17/19 Setembro de 1763)
Alvará de 24 de Março de 1764 regulamenta o uso de uniformes do Exército e Marinha. Até então o traje militar não se distinguia dos civis e os militares vestiam-se de acordo com a sua posição social. Assim, com o referido “Alvará”, o Conde de Lippe, Marechal General dos Exércitos de Portugal, “regulamentou o uso de uniformes para o Exército e Marinha, dando-lhes um aspecto igual, por Armas (infantaria, cavalaria, etc.) ou seja o mesmo feitio, sendo os regimentos distinguidos uns dos outros pelas cores das golas, bandas, canhões das nagas, forros, calções e véstias. O Exército do Reino fardaria todo de azul ferrete com excepção para os tambores e pífanos. A Marinha de verde”.
 “Em 1762 os uniformes continuavam a seguir o modelo das potências católicas, sobretudo os do exército da Coroa austríaca, sendo que a cor das fardas tinha passado a ser branca, e as casacas tinham passado a ter todas abas de cor, que permitiam distinguir mais facilmente os regimentos.” (…)  
Devido à guerra franco-espanhola de 1762 e à necessidade de aumentar os efectivos, não havendo uniformes militares suficientes, os regimentos passaram a usar fardas de todas as cores, conseguindo-se a uniformização ao longo do conflito. Até ao fim da guerra dos sete anos o uniforme perdia o carácter espartano que caracterizava os exércitos católicos e ganhava galões por tudo quanto era sítio, imitando a influência da Coroa prussiana. Até 1793, já com alguma influência portuguesa os uniformes permaneceram sem grandes alterações. Entre 1793 e 1795, devido muito provavelmente à experiência na campanha do Rossilhão, os uniformes começam a modernizar o seu aspecto. Com o conde de Assumar, chefe da Legião de Tropas Ligeiras (1796), a farda seria curta permitindo que se cruzassem as bandas fechando desta maneira a casaca; a Brigada Real da Marinha bem como a Guarda Real de Policia respectivamente 1797 e 1802 usarão este tipo de uniforme mais amplo e confortável.
Até 1806, poucas alterações sofreu o primeiro plano de uniformes regulamentados pelo “Alvará de 24 de Março de 1764”. Em 19 de Maio de 1806 é aprovado um novo plano de uniformes, não posto em prática de imediato por motivo das fardas serem substituídas de dois em dois anos. (a)

Aguarela sobre papel de José Wasth Rodrigues retratando os uniformes dos militares portugueses em 1806. Da esquerda para a direita, os três primeiros são generais, e os outros dois são pertencentes à infantaria.
 (a) Projecto de Implementação - Uniforme de Cerimónia, de passeio e de serviço – Exército Português

HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (II)




Por José Manuel d’Oliveira Vieira
1649/1650/1651: Nos  documentos que possuo em arquivo não encontrei dados militares relativos à Praça de Guerra da então Vila de Abrantes. Se alguém os possuir e quiser completar a História Militar de Abrantes agradeço envio para: jose.vieira.abt@gmail.com
1652
NOVEMBRO 28: O Conselho de Guerra determinou que seria conveniente atribuir ao Castelo de Abrantes alguma infantaria paga que seria a que lhes pudesse caber depois de efetuadas as levas e de haver mais algumas notícias acerca das intenções do inimigo. No mesmo dia, foi determinado ao Conselho de Guerra que propusesse pessoas para assistirem em Abrantes que estivessem à altura dos acontecimentos que podiam surgir.
Dezembro 3: Foi ordenado ao Conselho de Guerra que visse uma consulta inclusa do Desembargador do Paço, acerca da necessidade apresentada pelo Corregedor da Comarca de Tomar, de reparar o Castelo de Abrantes por estar a onze léguas da fronteira.
1703: 
-Para determinar o local conveniente para construir uma ponte ligando a província da Beira ao Alentejo, esteve na Praça de Abrantes o Engenheiro Militar José da Silva Pais,
1704
Março: O desembarque do Arquiduque Carlos em Lisboa, a invasão da fronteira da Beira pelo Marechal de França Duque de Berwick e o seu pretendido avanço sobre Abrantes8.

Duque de Berwich
Agosto 24: Por decreto determina-se que por haver conveniência em obter Abrantes com um Sargento-mor, o Conselho de Guerra devia propor pessoa para esse posto. Por carta particular da rainha regente, depois de regressar do Brasil, Artur de Sá e Meneses foi nomeada Governador da Praça de Abrantes com o posto de sargento-mor de batalha.
Setembro 18: Foi passada patente de ajudante de engenheiro para a praça de Abrantes a Gaspar de Albuquerque, com o soldo de seis mil reis por mês. Foi discípulo da aula de fortificação.
1705
AGOSTO 11: Foi determinado que o Conselho de Guerra passasse os despachos necessários para os almocreves, carreiros e mais pessoas que os substituíssem na condução dos mantimentos para a província, via Abrantes, não fossem obrigados a ser soldados auxiliares enquanto prestassem esse serviço.
1709
-Artur de Sá e Menezes, Governador da Praça de Abrantes que esteve quase sempre doente após o seu regresso do Brasil morreu nos fins de janeiro de 1709. Não casou, mas deixou por universal herdeiro D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Meneses, 3º Marquês de Fontes, que viria a ser o 1º Marquês de Abrantes, titulo criado por carta de D. João V de Portugal de 24 de Junho de 1718.
D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Meneses
1731
-Engeléer, engenheiro militar, elabora uma planta do Castelo com a representação dos baluartes previstos e já construídos.

1731 - Planta Vila Castelo de Abrantes
(Arquivo fotográfico GEAEM)  
1711
Abril/Maio: Em consequência da Guerra da Sucessão de Espanha, dão entrada nas masmorras do Castelo largas dezenas de soldados, na sua maioria espanhóis. Decerto devido às más condições de salubridade, muitos ali faleceram pelos meses de Abril e Maio, e por ali ficaram sepultados (mais de uma centena) 9.
1758
MAIO 8: José António da Silva, Capitão de Ordenanças na freguesia de S. Vicente10.
1760
-Escassez de trigo no Quartel-general da Praça de Abrantes 11.
1762
-Cartografia militar: Esboço corográfico da região entre Abrantes e Estremoz, ao longo da linha de comunicação Abrantes, Bemposta, Ponte de Sor, Benavila, Ervedal, Fronteira e Sousel, para fins militares. Nesta carta, descriminam-se (em alemão indicações de ordem militar a cumprir), os acampamentos militares, postos de observação, etc. 12.  
Nota: Jacob Praetorius Crisóstomo(Praetorius ingenieur) - faleceu em Portugal depois de 1797. Esteve no Corpo de Artilharia, foi professor da escola militar e engenheiro.
Janeiro:General Charles Rainsford (3 February 1728 – 24 May 1809) was a British Army officer. Charles Rainsford, Brigadeiro, acompanhou Tyrawley a Portugal como secretário e ajudante de campo recebendo uma missão secreta para executar logo que o Conde de Lippe chegasse a Abrantes onde os regimentos que fosse possível organizar tinham ordem para se reunir. A missão era seguir para a região fronteiriça para a inspecionar13.
-Do relatório de Charles Rainsford para o Conde de Lippe consta o seguinte: o Castelo de Abrantes […] é uma fortíssima posição e ergue-se altaneiro, dominando a cidade e toda a região em volta. Tem algumas obras de defesa e se for convenientemente fortificado será muito difícil dominá-lo.
Na grande estrada para a Beira Baixa, através do Alentejo, este é o ponto especial de passagem para quem, desejando evitar as montanhas que marginam o Tejo, do lado de Abrantes, segue em “Ferry” por Vila Velha. Este local constitui uma das mais importantes posições de Portugal quer para assegurar a passagem para o Alentejo quer para estar pronta a opor-se a um inimigo vindo de Castelo Branco, por …, Sobreira Formosa, Cortiçada, e Domingos (deve ser S. Domingos).
É possível estabelecer aqui um depósito de abastecimentos para um e outro lado do Tejo.
O Castelo cobre a direita de uma muito forte posição que se estende até Sardoal, e o inimigo não poderá atingir o Zêzere nem que nos obrigue a abandonar esta posição, sobretudo se ocuparem a importante passagem da “Ponte do Cabril”, junto a Pedrogão Grande. Porém, em qualquer hipótese, será sempre possível retirarmos para trás do Zêzere deixando em Abrantes uma guarnição.
Desde que Abrantes esteja na nossa posse, se o inimigo avançar, apenas do lado do Alentejo, será obrigado a conservar um grande corpo do exército na passagem, ou sujeitar-se a cortarem-lhe as comunicações, se avançar do lado sul do Tejo, em direção a Salvaterra.
É por conseguinte indispensável ter Abrantes bem assegurada, assim como o posto da “Nossa Senhora da Conceição”, sobre o Zêzere, visto o inimigo não poder utilizar o Tejo, enquanto estivermos na posse destes dois postos13.

Brigadeiro Charles Rainsford
-O Conde de Lippe dispôs uma base de operações em Abrantes e estabeleceu nesta Praça com o seu Quartel-general, 3 Regimentos ingleses, 1parque de artilharia e depósito central de munições de guerra e víveres14.
ABRIL: Oficial maior da Vedoria do Exército da Província do Alentejo refere a necessidade de haver um hospital na vila de Abrantes para a devida assistência aos soldados feridos11.

Conde de Lippe
Julho: O Conde de Lippe após a sua chegada a Abrantes mandou lançar no Tejo, uma grande ponte feita com barcos da região e muito bem protegida contra a corrente, que depois das chuvas era muito intensa e rápida. Era defendida por uma forte “testa-de-ponte” conservando-se durante toda a campanha13. Mantinha ainda o Conde de Lippe no seu Quartel-general em Abrantes o seu exército de manobra, guarnição e reserva geral15.
Nota: “Testa-de-ponte” (termo militar) = posição adiantada que se tomou ao inimigo e que servirá de ponto de apoio para ataques de maior envergadura.
JULHO 8: Cirurgião John Howel elabora plano para a construção de um hospital para 3.000 enfermos e feridos em Abrantes11.
Julho 22: O Conde de Lippe, estando em Abrantes no seu Quartel-general, mandou seguir para a região fronteiriça o Brigadeiro(a) Rainsford, com uma ordem de reconhecimento da região do Zêzere e Castelo Branco, avançar até Salvaterra e estudar as posições favoráveis, ir até Penamacor e Valverde, deixar em Salvaterra um posto de 130 homens levados de Castelo Branco, com ordem para fazer incursões e informar de qualquer movimentos de tropas inimigas o Quartel-general em Abrantes, informações dirigidas ao Conde de Lippe13.
(a) Nesta data seria Coronel e não Brigadeiro.
Julho 22: O Coronel Rainsford descreve a sua marcha de Abrantes à fronteira15.
AGOSTO 7: Ordem de Batalha para o corpo do Exército de Sua Majestade Fidelíssima acampado junto de Abrantes11.
Agosto 24: O General Burgoyne atravessou o Tejo perto de Abrantes com o seu Regimento de Dragões com 12 Companhias de Granadeiros portugueses e 6 de Granadeiros ingleses, atingindo Niza no dia 28 e entrando em Valência de Alcântara14.

General John Burgoyne
OUTUBRO 7: De Abrantes o conde de Shaumbourg-Lippe pede a Alexandre Palhares a informações sobre as operações do inimigo11.
OUTUBRO 11: João Mendes Sachetti Barbosa, físico-mor do Exército, informa D. Luís da Cunha, sobre as dificuldades do serviço de saúde em Abrantes11.
OUTUBRO 17: Capitão Engenheiro Hetschkopt refere-se aos trabalhos militares, particularmente sobre a parte de Abrantes, com pormenores sobre a localidade11.
1763
JUNHO: Com a extinção do Regimento Suíço é criado o “Regimento dos Voluntários Reais Estrangeiros, em Abrantes”. Em anexo à gravura dos Reaes Estrageiros em Abrantes encontra-se a “relação dos panos precisos para fardar o regimento de 2 em 2 anos e anualmente de 6 em 6 meses”.
-Para tornar permanente o seu estabelecimento, formatura, subsistência e disciplina, o Rei assina o Alvará que regulamenta o número de elementos e soldos (17/19 Setembro de 1763). (AHM/DIV/4//1/17/29)
Extinção Regimento Suiço e criação
 Regimento Estrangeiro em Abrantes
(DIV-1-08-5-33-1/2/3/4/5)
"Regimento dos Reaes Estrangeiros em Abrantes”
(Biblioteca Nacional de Espanha)
Relação de panos para se fardar
o Real Regimento Estrangeiros em Abrantes
(Biblioteca Nacional de Espanha)
SETEMBRO 8: Francisco Pereira Betencourt, Álvaro Soares de Castro e Sousa, Domingos Nunes Bandeira, Manuel de Mourel Veloso e Manuel Cardoso, comunicam ao conde de Lippe os atos praticados pelos soldados que permanecem na praça de Abrantes11.
1764
MAIO 24: Diogo de Ataíde e Castro, Capitão-mor de Ordenanças, que vagou por morte de Rodrigo de Castro de Sousa Freire10.
1767
-Ocorrem no Regimento de Abrantes deserções em massa devido a maus tratos e à violência do coronel Duarte Smith11.
1768
MARÇO/JUNHO: Correspondência entre o marquês de Alvito, marechal dos Exércitos e Francisco Xavier de Vasconcelos Barba, juiz de fora e presidente da Câmara de Abrantes, sobre o despejo das casas de duas ruas para instalação do Regimento dos Voluntários Reais11.
-Regimento de Cavalaria dos Voluntários Reais até 1770.
AGOSTO 1: Álvaro Soares de Castro e Ataíde, Sargento-mor de Ordenanças, que vagou por morte de Luís Francisco Soares de Mendanha10.
1770
MAIO 7: Manuel José Grandio, Capitão de Ordenanças dos lugares de Souto, Aldeia do Mato e Martinchel, termo de Abrantes, que vagou por morte de Manuel Lopes Castanho10.
MAIO 10: João Mendes Padilha de Azevedo, Capitão de Ordenanças dos lugares de Rio de Moinhos, Amoreira e Montalvo, termo de Abrantes, que vagou por morte de Francisco Pereira Cabral de Mosqueira10.
1775
JUNHO 1: Joaquim António da Silva Veloso, Capitão de Ordenanças das Freguesias de Pego, Alvega, São Facundo e Bemposta, do termo de Abrantes, que vagou por morte de Manuel da Fonseca da Mota10.
1780
-Regimento de Cavalaria de Moura.
1781
JUNHO 30: Vicente Delgado Xavier, Capitão de Ordenanças da Freguesia de S. João, que vagou por morte de Francisco Nunes Ribeiro10.
1787
MARÇO 27: Álvaro Soares de Castro e Ataíde, Capitão-mor de Ordenanças, que vagou por morte de seu pai Diogo de Coutinho de Ataíde e Castro10.
JUNHO 21: Vicente Rodrigues Soares, Capitão de Ordenanças dos lugares de Souto, Aldeia do Mato e Martinchel, do termo de Abrantes, que vagou por morte de Manuel José Grandio10.
8Vid. História do Exército Português do General Ferreira Martins, página 175.
9 Prof. Dr. Joaquim Candeias da Silva.
10Nuno Gonçalo Pereira Borrego – Ordenanças e Milícias de Portugal.
11AHM:DIV/1/06/25/05-DIV/1/06/03/41-DIV/4/1/11/18-DIV/1/06/42/39(contém este arquivo a versão francesa do mesmo documento)-DIV/1/06/42/24 (documento em francês)-DIV/1 / 7 / 2 / 20-DIV/4/1/20/2-DIV/1 / 8 / 7 / 24-DIV/1/06/16/04- Lisboa 22 Março/Abrantes 25 Junho DIV/1/06/28/45.
12CA 193 - Catálogo de Cartas Antigas - www.igeo.pt.
13Boletim do Arquivo Histórico Militar, 22º vol. – 1952.
14Boletim do Arquivo Histórico Militar, 20º vol. 1950.
15Vid. História do Exército Português do General Ferreira Martins - 22 vol. – 1952, págs. a fls. 182, e seguintes.
Imagens:
-D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Meneses em BND.
-1731 - Planta Vila Castelo de Abrantes do Engenheiro Engeléer – Arquivo fotográfico GEAEM.

HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (I)

 (Todos os meses COISASD'ABRANTES publicará um capitulo da "História Militar de Abrantes)
(Dedicado aos  102.925 seguidores que já visualizaram o "COISASD?ABRANTES até 23-2-2017 - 14h35)
Por José Manuel d’Oliveira Vieira
            Dada a sua localização e o extraordinário valor militar, tanto táctico como estratégico, Abrantes é por si só uma impressionante linha defensiva bem no centro do território. Com os outeiros de S. Pedro, Forca e Caneiro a dominarem toda a linha norte/sul do rio Tejo e o reduto da Ermida Senhora dos Remédios a dominar toda a planície das Hortas e campos da Chainça, o Castelo de Abrantes, transformou-se numa moderna praça-forte.
            Sem a preocupação de uma narrativa continua e metódica de um académico, Abrantes Militar 1148/1899 é o resultado das centenas de verbetes encontrados na cidade de Abrantes(a) e de milhares de documentos militares onde o nome de Abrantes aparece referenciado.
            Abrantes Militar 1148/1899 não recorreu às já publicadas “Cronologias de Abrantes” ou à “Memória Histórica” – de Manuel António Mourato. No entanto, a leitura das obras citadas e os artigos referentes a “Abrantes Militar” já publicados no “jornal de Alferrarede podem completar esta pequena cronologia militar de Abrantes.
            Fenícios, gregos, túrdulos, celtas, romanas, alanos, visigodos, árabes, todos estes povos aqui teriam permanecido. Quanto ao nome que hoje tem, diz-se que os Romanos lhe chamavam Tubucci, Vísigodos Aurantes e os Árabes Líbia. Segundo a lenda, o nome de Abrantes data, mais ou menos, da época em que D. Afonso Henriques a tomou de assalto em 8 (!) de Dezembro de 1148.
             Segundo dados recentes (2015) parece confirmar-se a existência de uma torre islâmica em tijolo de adobe junto da muralha proto-hidtórica.
VER: http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/archport/msg20260.html
1148
-Era Alcaide Mor do Castelo de Abrantes o mouro Hibrahim-Zaid (no idioma cristão: Abraham-Zaid).
DEZEMBRO 8 (!): Foi o Castelo de Abrantes conquistado aos Mouros pelas forças católicas de D. Afonso Henriques.
 

D. Afonso Henriques
-D. Afonso Henriques deu o senhorio do Castelo de Abrantes a seu filho natural D. Pedro Afonso, nomeando-o Alcaide Mor de Abrantes.
1172
-Para evitar conflitos com a Ordem de S. Tiago, Rodrigo Alvarez, 2º conde de Sarria (Lugo), renuncia ao hábito de S. Tiago e obtém autorização para fundar uma nova ordem na mais restrita regra de Cister, cuja primeira casa terá sido no Castelo de Abrantes1.
1179
JULHO 9/29: O Castelo de Abrantes foi cercado por um exército de Mouros. Cerco danificou muitas habitações da vila, incluindo a sua igreja. A defesa de Abrantes culminou com a vitória dos moradores que venceram um poderoso exército comandado, por Abem Jacob, filho do Miramolim de Marrocos.

Livro XI da Monarchia Lusitana – pg. 252
1194 (!) 1195 (!)
-D. Martim Lopes, ajudado pelos moradores de Abrantes, interceptou a passagem do Tejo a um exército mourisco, comandado por D. Pedro Fernandes de Castro, fidalgo renegado ao serviço do imperador de Marrocos, que vinha assolando as regiões de Tomar e Abrantes, desbaratando esse exército, ficando prisioneiro o renegado2.
Os Lusíadas
Canto VIII
Não vês um Castelhano, que, agravado
De Afonso nono, Rei, pelo ódio antigo
Dos de Lara, cos Mouros é deitado,
De Portugal fazendo-se inimigo?
Abrantes vila toma, acompanhado
Dos duros Infiéis que traz consigo;
Mas vê que um Português com pouca gente
O desbarata e o prende ousadamente.
1215
-D. Afonso II edificou a Igreja de Santa Maria do Castelo, que passados 2 anos constituiu uma paróquia, sendo a segunda de Abrantes.
1248/1279
-Reinando D. Afonso III a Câmara obrigou-se a reparar à sua custa os muros do Castelo de Abrantes.
1281
ABRIL 24: D. Diniz deu o Senhorio de Abrantes à Rainha Santa Isabel, reservando para si a apresentação dos juízes e das Igrejas.
1287
JUNHO 23: D. Diniz outorgou novamente à Rainha Santa Isabel a jurisdição de Abrantes com a Alcaidaria Mor e os padroados das Igrejas.
1300/1303
-D. Diniz com o auxílio da Câmara reformou os muros do Castelo de Abrantes e edificou a Torre de Menagem que tinha 3 pavimentos. Foi começada em 1300 e acabada em 1303. Com o terramoto de 1531 caíram os dois andares superiores. Em 1860 o General Barão da Batalha fez o arranjo atual.
1372
NOVEMBRO 12: Foi Alcaide Mor de Abrantes, Martim Afonso de Melo, que mais tarde prestou valiosos serviços ao Mestre de Avis.
1385
Julho 9: D. João I chega com o seu exército à Vila de Abrantes3.

D. João I
AGOSTO 4: Nuno Alvares Pereira chega a Abrantes e acampa o seu exército nos arredores da Vila.

Abrantes - Igreja S. João Batista
D. Nuno Álvares Pereira
AGOSTO 7: Nuno Alvares Pereira parte com o seu exército a caminho de Tomar depois de ouvir duas missas na Igreja de S. Pedro4.

Abrançalha
Nicho assinalando passagem D. Nuno
AGOSTO 8: El-Rei D. João I parte para Tomar ao encontro do Condestável depois de ouvir missa na Igreja de S. João Batista.
1422
-Abrantes tinha 30 besteiros5.
1433
-Era Alcaide Mor do Castelo de Abrantes, D. Diogo Fernandes de Almeida, Vedor da Fazenda de El-Rei D. Duarte e D. Afonso V. Foi o pai do 1º Conde de Abrantes, D. Lopo de Almeida. Por seus feitos satisfez sempre o que devia à sua nobreza, como à Cavalaria. Faleceu em 5 de Janeiro de 1450. Era filho de Fernão Alvares de Almeida que foi aio do Rei D. Duarte e dos Infantes D. Pedro e D. Henrique.
1458
-Até ao ano de 1468 Abrantes teve 12 besteiros5.
1621
DEZEMBRO 19: Aboletados na Vila de Abrantes 300 soldados da Armada Real6.
1640
DEZEMBRO: Tendo como comandantes o Juiz de Fora Domingos Esteves de Vasconcelos e o vereador Diogo Camelo Pereira que tomaram  parte ativa na aclamação de D. João IV, duas Companhias, correspondente a tropa regular é paga pela Câmara da Vila de Abrantes.
DEZEMBRO 12: D. Miguel de Almeida, fidalgo português, 4.o conde de Abrantes, nascido cerca de 1559 e falecido em 1650. Apesar de estar já avançado em anos, foi um dos principais conspiradores do golpe que possibilitou a restauração da independência nacional em 1640. Participou no assalto ao Paço da Ribeira, encarregando-se de dar o sinal para a revolta, com um tiro de pistola, e de aclamar D. João IV da janela, perante o povo. Foi depois nomeado vedor da Fazenda e conselheiro de Estado.
1641
-Duas Companhias de Ordenanças.
Janeiro 10: D. Miguel de Almeida foi promovido a Vedor das Fazendas, sendo nomeado coronel do seu terço D. Francisco de Noronha.
Junho 17: Gonçalo Vaz Coutinho foi nomeado Capitão-mor e Alcaide Mor da Vila de Abrantes, com a declaração de não levar os emolumentos nem prover os ofícios da Alcaidaria Mor.
Junho 19: O Conselho de Guerra recebeu ordem para no caso de se confirmar que o Sargento-mor de Abrantes era feitor e criado de Miguel de Vasconcelos, propor pessoa para aquele ofício.
Julho 16: Foi nomeado um ajudante para assistir em Abrantes com Gonçalo Vaz Coutinho que ia assumir o cargo de Capitão-mor de Punhete=Constância, Sardoal e Mação.
1642
JUNHO 3: Foi mandada ao Conselho de Guerra uma consulta de Desembargo do Paço acerca de uma queixa que a comarca e o povo de Belver faziam do Capitão-mor da mesma vila.
1643
-Duas Companhias de Ordenanças.
1645
AGOSTO 4: Nomeado D. João de Almeida Conselheiro de Guerra, atendendo aos seus merecimentos e serviços prestados.
1646
-Quatro Companhias de Ordenanças de Infantaria e uma de Cavalaria.
Abril 14: Foi mandado ao Conselho de Guerra uma consulta do Desembargo do Paço acerca da pretensão dos mestres da Vila de Abrantes de passarem a ser alojados soldados nas casas dos nobres, como se alojarem nas do povo.
1648
ABRIL/MAIO: Soldados de cavalo da companhia do capitão Manuel Cornellis, que estiveram alojados na vila de Abrantes, cometeram um crime grave, matando João (Roiz) Rodrigues, mais conhecido por “o Campos”, que encontraram caçando na vila de Abrantes7.
(a) Verbetes cedidos pelo proprietário.
1http://cronologiahistorica.com.
2 “Não vês um Castelhano...”: D. Pedro Fernandes de Castro, considerando-se maltratado pelo rei de Castela, D. Afonso IX, por causa dos condes de Lara, bandeou-se com os Mouros; e, tomando também Portugal por objeto da sua inimizade, veio com os Mouros tomar Abrantes, levando muitos cativos cristãos e grande despojo. Saiu-lhe ao encontro o cavaleiro português Martim Lopes, que os desbaratou e prendeu D. Pedro Fernandes de Castro. A fonte é Rui de Pina, Cr. de D. Sancho I, cap. 12 (v. JMR, FL, pp. 107 e 108).
3A vida de Nun’Alvares 1893 - cronologia da invasão/operações, pág. 459 – Oliveira Martins diz: 11 de Julho chegada de D. João a Abrantes. De 13 a 30 de Julho concentração de forças em Abrantes e em dia incerto do mês de Agosto a partida de Nun’Alvares Pereira de Abrantes para Thomar.
4Abrantes e Aljubarrota - vid. História do Exército Português, pelo General Ferreira Martins – Edições de 1945, folha 77. Gravura de Nuno Alvares Pereira na crónica do Condestável folha 82.
Nota: As relíquias de D. Nuno Álvares Pereira estiveram em Abrantes no dia 16 de Maio de 1961. O evento é recordado numa placa que se encontra no nicho à entrada da Abrançalha, mandado colocar pela Câmara de Abrantes. O Jornal de Abrantes Nº 3150 de 28 de Maio de 1961 dá destaque pormenorizado do acontecimento.
5História da População Portuguesa de Teresa Ferreira Rodrigues – Edições CEPESE – 2008 - pág.118.
6Em 1621, reinando em Portugal Filipe III, foi criado um corpo de infantaria da Marinha designado por Terço da Armada Real da Coroa de Portugal. Este foi o primeiro Corpo Militar de organização fixa constituída em Portugal e que logo após a restauração de 1640 passou a ser designado por Terço da Armada Real do Mar Oceano.
7Das duas Companhias em operações na fronteira na província da Beira, uma delas enviada como reforço a partir do Alentejo, encontrava-se em Abrantes. O desvio por Abrantes pode ter sido ditado pela necessidade de dar verde aos cavalos. O crime cometido pelos subordinados de Manuel Cornellis levá-lo-á a um penoso processo que se prolongará até 4 de Março de 1649, servindo apenas para prejudicar a capacidade operacional de uma companhia de cavalaria do exército do Alentejo, acabando por nada resolver. Fontes: Arquivo Nacional da Torre do Tombo – Conselho de Guerra, Consultas, 1649, maço 9, nº 47; Secretaria de Guerra, Livro 16, fl. 152; Arquivo Histórico Militar – Manuscrito de Matheus Roiz, p. 396.