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ABRANTES - 25 DE NOVEMBRO 1975

Por: José Manuel d’Oliveira Vieira
(Artigo Autor publicado "Jornal de Alferrarede" Nº 265 de Novembro de 2007 - alterado para este blog)

Em Outubro de 1975, um pouco por todo o lado, a palavra “guerra civil” era uma constante entre civis e militares. De Outubro a 25 de Novembro de 1975, muitos foram os acontecimentos que por pouco não degeneraram num conflito de consequências imprevisíveis, opondo famílias contra famílias, militares contra militares, tudo por culpa de uma tremenda desorganização vivida na sociedade portuguesa.
Embora a história sobre o 25 de Novembro centralize os acontecimentos noutros locais que não Abrantes, esta cidade também viveu os dias anteriores e posteriores ao 25 de Novembro com os nervos à flor da pele.
Comissões de soldados, de moradores, trabalhadores, uns mais radicais que outros, todos, davam a sua opinião sobre o que se devia ou não fazer.

Grupos civis politicamente bem referenciados pretendiam controlar militares incentivando-os a aderir à sua causa.

De entre o pouco que é contado e o muito que se sabe acerca de todo este processo revolucionário recordo:
Desta cidade saiu para Monte Real um emissário tentando demover a ocupação da Base. Na tentativa de arrefecer ânimos exaltados pelo extremismo vivido, foi colocado nas caixas do correio e espalhados nas ruas de Abrantes e no Quartel (RIA), um manifesto que denunciava as manobras de falsos revolucionários que pretendiam arrastar para situações de confronto civis e militares.


Na curva do paiol (próximo do hospital), a intercepção de uma viatura civil com militares á civil e armados, foi impedida de prosseguir a sua marcha, evitando-se assim alguma acção menos pensada.
Comandante, Oficiais e Sargentos varriam o Quartel, Presidente da Câmara e Abrantinos varriam as ruas de Abrantes.

Procurar armas numa residência em Abrantes, propriedade dum simpatizante de um dos lados da causa, só não foi executada, por garantir conhecer bem o proprietário e ter a certeza de que além da participação e euforia vivida nos comícios, não possuía qualquer arma ou explosivo em casa.
A quebra de selos dum camião TIR, no Rossio ao Sul do Tejo, pensando que o mesmo transportava armas ou explosivos, só não foi executado porque ninguém desejava ser responsável.
Um canhão sem recuo e sem percutor.
Uma enfermaria com armas debaixo dos colchões.
Um hotel a servir de quartel-general aos revolucionários (burgueses).
A expulsão dos locais ocupados pelos S.U.V. às duas da madrugada.
A Central telefónica e os explosivos.
A vigilância feita ao R.I.A. por civis de binóculos empoleirados nos eucaliptos.
Período conturbado, caracterizado por uma certa anarquia no Governo, Forças Armadas e sociedade, a violência só não teve lugar em Abrantes por ter imperado o bom senso das forças moderadas.
Trinta e dois anos depois do 25 de Novembro de 1975, recordo estas pequenas histórias que podem ser contadas… Um dia, outros intervenientes, poderão relatar outras histórias… outros factos…

ABRANTES DE ONTEM E DE HOJE... (II)

A TODOS OS QUE SE INTERESSAM EM SABER COMO ERA "ABRANTES DE ONTEM E DE HOJE...
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JARDIM DA REPÚBLICA - Chamou-se Terrado da Feira e Largo da feira. Aqui se faziam corridas de touros (existem fotos da época). Em 1863 passou a designar-se por Praça do Príncipe Real D. Carlos Fernando. Em 1910, passou a designar-se Jardim da República. Nas fotos. pode ver-se o "coreto", uma "vista do largo" o antigo "Regimento de Infantaria Nº 2" e um típico "quiosque", bem perto do lugar onde actualmente se encontra um bem mais moderno. No lugar onde foi contruído o "coreto", existia um poço. Com a demolição do "coreto", foi ali erguido o "Monumento aos Mortos da Grande Guerra", inicialmente projectado para o Outeiro de S Pedro.

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AVENIDA 25 DE ABRIL (I) - Ontem Estrada Nacional 2-4, hoje Av. 25 de Abril por deliberação da Câmara Municipal de Abrantes em reunião de 2 de Outubro de 1974. No que ontem era uma pequena quinta, um alferrabista e uma estação de serviço foi construído um conjunto de edifícios designado por Largo do Chafariz.
AVENIDA 25 DE ABRIL (II) - Era uma das muitas tabernas existentes em Abrantes. O seu proprietário "Manuel da Praça" era um conhecedor profundo das plantas medicinais. O edifício onde servia as refeições foi demolido: no seu lugar foi construído o Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa.

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RUA DE Nª Sª DA CONCEIÇÃO (Antiga Rua do Cabo) - Era uma ribanceira antes de ser construída a muralha que se vê na foto à esquerda. No local, foi edificado propositadamente para o fim a que se destinava o Grémio da Lavoura de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação. Inaugurado a 24 de Janeiro de 1961, o edifício actualmente alberga o Serviço de Finanças de Abrantes.
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ESPLANADA 1º DE MAIO - Neste Largo encontra-se actualmente: Tribunal e Posto de Turismo de Abrantes, um quiosque para venda de jornais/revistas e ainda a praça de Táxis. Outrora (1817) existia uma frente de “fornos” no local. Após obras (foto esq.), passou a realizar-se a feira anual e o mercados semanal. Anteriormente a Feira de S Matias era realizada no largo onde se encontra o Monumento aos Mortos da Grande Guerra. Em 1941 teve este local o nome de esplanada Dr. António Augusto Silva Martins. Actualmente designa-se Esplanada 1º de Maio desde 1976.
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LARGO DE STª ANA I - Ruas Actor Taborda e Marquês de Pombal. Na bifurcação destas duas artérias a dar para o Largo de Stª Ana, pode-se ver (ao centro), o edifício onde, em 1884 Alfredo A. das Neves Holtreman estabeleceu a Tipografia Abrantina e publicado o independente “Jornal de Abrantes”. Veja-se nas fotos o referido prédio (nº 2) antes e em demolição.
LARGO DE STª ANA II - No local onde funcionava a Tipografia Abrantina, antiga Rua da Corredoura, actual Largo de Stª Ana, nasceu o prédio que se vê na foto de hoje.... Como curiosidade refira-se que o Dr. Alfredo Augusto das Neves Holtreman, 1º e único Visconde de Alvalade, fundou no nº 2 da antiga casa (demolida), o “Jornal de Abrantes”. Este ilustre bacharel, formado em direito, abastado proprietário, foi quem cedeu o terreno onde foi talhado o primeiro campo de jogos do Sporting Clube de Portugal, foi presidente da primeira direcção do clube e fez parte do núcleo dos seus fundadores.
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CONVENTO DA GRAÇA (I) - Foi Rua da Graça por aí se encontrar o Convento de N. Sr.ª da Graça. Tanto quanto se sabe, foi este Convento concluído no ano de 1548.
Em sessão da C.M.A., no dia 26 de Agosto de 1908, passou a rua da Graça a designar-se por Rua 17 de Agosto de 1808, por ser esta a data que assinala a expulsão das tropas francesas que ocuparam Abrantes em 23 de Novembro de 1807.
(Topónimia Abrantina – Eduardo Campos)
CONVENTO DA GRAÇA (II) - Em 1941, o Dr. Rogério Ribeiro fez um desenho que nos mostra o aspecto que teria o Convento de Nossa Senhora da Graça, antes da sua demolição.
Poucas ou nenhumas fotos existirão deste Convento. A única referência fotográfica conhecida deste Mosteiro é a que se encontra em antigos postais de Abrantes, como o que se encontra à direita da Placa Toponímica.

LIGA DOS AMIGOS DE ABRANTES

Por José Manuel d'Oliveira Vieira
LIGA DOS AMIGOS DE ABRANTES
“TRÊS HOMENS… TRÊS DEDICAÇÕES”

Após a aprovação do Estatutos em 10 de Novembro de 1949, pela comissão organizadora da Liga dos Amigos de Abrantes, tomaram posse no Salão Nobre do Montepio Abrantino (cedido para o efeito) os primeiros directores, os senhores Rogério Ribeiro, licenciado em farmácia, Roberto Palma, industrial de ourivesaria e Humberto Inácio Ferreira, chefe aposentado dos serviços dos C.T.T.
Em 30 de Junho de 1950, a Comissão Organizadora entregou os seus poderes à primeira Direcção assim constituída: presidente, Major António Joaquim de Oliveira Bandeja, secretário, Humberto Inácio Ferreira, tesoureiro, Joaquim Montes Alves, vogais, Rogério Ribeiro e Manuel Rodrigues Paquete Machado.
Estes esforçados elementos directivos, numa verdadeira comunhão de ideias, vêm prosseguindo activamente no desenvolvimento e progresso do concelho, em benefício do qual consagram os seus trabalhos. Nesse sentido, impõem como meta chamar a atenção dos portugueses para as maravilhas que o concelho de Abrantes encerra, quer do ponto de vista paisagístico, quer histórico.
Um dos primeiros cuidados da Liga dos Amigos de Abrantes foi elaborar bons prospectos de propaganda regional que espalhou pelo País inteiro, chamando a atenção para a “Cidade Florida”, título com toda a justiça conquistada há anos, devido à formosura inigualável dos seus jardins.
A forma como os dirigentes da L.A.A, propagaram por todo o País a sua terra incluiu Abrantes nos itinerários nacionais, aumentado assim o número de forasteiros a visitar a cidade.
Embora já tivesse existido em Abrantes, no ano de 1887 uma “Biblioteca Popular”, mais tarde “João de Deus” e anos mais tarde (1889) ter sido criada a “Biblioteca Escolar de S. Vicente”, a Liga dos Amigos de Abrantes faz nascer um novo conceito de leitura ao “ar livre”. Assim, em 1951, conjuntamente com o concur­so da JANELA MAIS FLORIDA, inaugurou-se no Jardim da Pra­ça da República a "primeira Biblioteca Popular ao ar livre", com a presença do Exmº Presidente da Câmara, entidades oficiais, enquanto a Banda da Sociedade Instrução Musical, tocava núme­ros do seu repertório.Não tendo sede própria, decididos a promover mais e melhor o progresso da sua terra, no mês de Julho do ano de 1953, a L.A.A. instala-se na Rua Dr. Martins de Carvalho nº 1-A, sua primeira sede. Anos mais tarde muda-se para a sua 2ª e última sede, na Praça Raimundo Soares, onde prematuramente terminou os seus dias... Exposições de fotografia, pintura, serões de arte, feiras, passando por lições de cultura geral proferidas por pessoas expressamente convidadas, de tudo um pouco esta Instituição Abrantina realizou em prol da sua terra. A extensa e longa lista de actividades da Liga dos Amigos de Abrantes durante a sua actividade são infindáveis.
Tendo por lema “TUDO POR ABRANTES”, esta prestigiada instituição abrantina que arrancou com cerca de duzentos sócios, espalhados pelo País, Colónias e Estrangeiro, acolheu no seu seio toda a gente, independente do credo político e religioso, que tivesse como intenção fomentar o progresso da cidade numa atmosfera de entusiasmo e concórdia que em 2 de Fevereiro de 1980 se propunha atingir os mil sócios, já não existe.
Não existindo L.A.A., desconhecendo-se onde encontrar o seu espólio: livro de actas, biblioteca, quadros, mobiliário, Noticiários da Liga, será pois, impossível refazer a sua história.
Para que a história da Liga dos Amigos de Abrantes não seja esquecida, ficam as fotos possíveis de um passado recente, obra de Rogério Ribeiro, Roberto Palma e Humberto Inácio Ferreira (“TRÊS HOMENS… TRÊS DEDICAÇÕES”). NOTA: Se alguém souber onde encontrar o espólio da L.A.A. e quiser ajudar a reconstruir a sua história, contacte: jose.vieira.abt@gmail.com

HISTÓRIA DA SUB-AGÊNCIA DA LIGA DOS COMBATENTES DA GRANDE GUERRA E DO NÚCLEO DE ABRANTES 1923/2005

José Manuel d'Oliveira Vieira
(Autor Artigos publicados nos "Jornais de Alferrarede" nºs 223 a 230)
CAPÍTULO VIII (último)
PRESIDENTES DA SUB-AGÊNCIA E NÚCLEO DA LIGA DOS COMBATENTES DE ABRANTES DESDE 1980 A 2005:
JOAQUM DE MATOS GUEDELHA, Capitão, primeiro Presidente da Comissão Administrativa da Sub-Agência da Liga dos Combatentes de Abrantes, após o 25 de Abril de 1974, nos anos 1980/1985. Natural do Gavião, filho de António de Matos Guedelha e de Maria de Matos André, frequentou a Escola Central de Sargentos, tendo terminado o Curso em 15 de Julho de 1963. Militar condecorado com a Medalha de Mérito Militar de 3ª Classe, Comportamento Exemplar Ouro e Prata, possuía ainda as medalhas comemorativas das campanhas e comissões efectuadas ao antigo ultramar português (fig. 42).

LIBERTO BRANCO, Capitão, Presidente do Núcleo de Abrantes, exerceu funções no período de 25 de Junho de 1985 a 30 de Julho do mesmo ano, tendo abandonado o exercício das mesmas, por motivos de saúde. Nasceu em 21 de Novembro de 1912, na freguesia de Alvega, concelho de Abrantes. Filho de José António Branco e de Isabel Maria Branco. Era casado com D Maria Júlia Damas Branco, tendo contraído matrimónio em 23 de Março de 1946.
O Capitão Branco frequentou a Escola Central de sargentos no ano de 1957, tendo sido promovido a Oficial em 1/11/1959. Fez 3 comissões de serviço em Angola nos seguintes anos: 2/09/58 a 6/10/62 – 17/02/66 a 11/09/69 – 19/06/71 a 5/09/75. Além dos 25 louvores atribuídos por diversas entidades, foi condecorado com as Medalhas de Comportamento Exemplar, Cobre, Prata e Ouro, Medalha de Cobre de Assiduidade de Serviço no Ultramar, direito ao uso do distintivo relativo à Medalha de Ouro de Valor Militar, Medalha de Mérito Militar de 3ª Classe e Medalha Comemorativa das Campanhas de Angola com a legenda “1966/67/68/69” (fig. 43).

FERNANDO DA PIEDADE GONÇALVES, Capitão Pára-quedista, nasceu a 12 de Novembro de 1938, em Abrantes, na freguesia de S. Vicente. Filho de António Gonçalves Garrafão e Sofia da Piedade, ingressou como voluntário no Batalhão de Caçadores Pára-quedistas (BCP), no dia 11 de Abril de 1958, tendo concluído no mesmo ano o Curso de Pára-quedismo.
O Capitão GONÇALVES possui o Curso de Transporte Aéreo e Lançamento de Material (1966); Curso de Instrutores e Monitores de Pára-quedismo (1968) e Curso de Técnicas de Instrução (1972).
Tendo ascendido ao posto de Oficial a 7 de Setembro de 1972, o Capitão Gonçalves prestou serviço nas ex-provincias ultramarinas de Angola “18/11/68 a 15/10/69”, Moçambique “20/10/63 a 01/07/66” e Guiné “15/09/68 a 15/10/69” e de “0311/73 a 2309/74”. Dos diversos louvores que espelham a sua conduta, ao longo da sua vida militar, sobressaem nos mesmos as acções em combate, sendo-lhe conferido o direito ao uso da insígnia da condecoração colectiva da Medalha da Cruz de Guerra de 1ª Classe, concedida ao B.C.P. 31. É igualmente condecorado com as Medalhas Militares de Comportamento Exemplar “Cobre” e “Prata”; Medalha de Mérito Militar de 4ª Classe e Medalha Comemorativa das Forças Armadas ao Norte de Angola.
Depois de passar à situação de Reserva, em 1 de Março de 1984, o Cap. Gonçalves, exerceu funções directivas como Tesoureiro e como Presidente do Núcleo de Abrantes, desde 31 de Julho de 1985 a 21 de Setembro de 2004, data em que a Direcção Central da Liga dos Combatentes aprovou o seu pedido de exoneração do cargo e nomeou uma Comissão Administrativa, de forma a preparar a realização de eleições para o triénio 2005/2007, eleições essas que aconteceram em 20 de Novembro de 2005 (fig. 44).

JOÃO MANUEL FONSECA TAVARES
Convidado pelo então Presidente do Núcleo, Cap. Fernando da Piedade Gonçalves, para desempenhar funções de Tesoureiro, tomou posse no dia 28 de Maio de 2004, em substituição do Senhor Cap. Álvaro Salgueiro Ferrão (Acta n.º 2/2004).
Em virtude do pedido de exoneração do cargo de Presidente do Núcleo apresentado pelo Senhor Capitão da Piedade Gonçalves, e, de acordo com os presentes na reunião constantes nas Actas n.º 6 e 8/2004, foi decidido atribuir o cargo de Presidente da Comissão Administrativa ao Sargento Mor Tavares a partir de 23 de Setembro de 2004, com a finalidade de preparar eleições para o Triénio 2005/2007.
A ausência dos sócios em fazer parte de uma Direcção para o Núcleo, leva a que o SMor Vieira, Tesoureiro da Comissão Administrativa proponha aos restantes elementos directivos a nomeação do SMor Tavares para cabeça de lista às eleições do Triénio 2005/2007.
Após eleições no Núcleo, é nomeado no dia 25 de Janeiro de 2005, Presidente da Direcção (Acta 14/2005) (foto encontra-se na Sede do Núcleo da Liga dos Combatentes de Abrantes).

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS
Ao Director do Jornal de Alferrarede, Manuel Martinho, por ter publicado a História da Sub-Agência da Liga do Combatentes da Grande Guerra de Abrantes.
AGRADECIMENTOS
Pelas facilidades concedidas para a pesquisa do presente trabalho:
À D. Maria André Fernandes Monteiro, que através de mim e do então Presidente do Núcleo Piedade Gonçalves, fez a doação ao Núcleo da Liga dos Combatentes de Abrantes do espólio do seu tio Capitão Joaquim de Matos Guedelha composto por: Medalha de Mérito Militar de 3ª Classe; Medalha Comportamento Exemplar Grau Ouro e Prata, Medalha Comemorativa Norte de Angola 1965/1967, Medalha Comemorativa das Campanhas, louvor do Exmº General Comandante da RMA e Carta Diploma da Escola Central de Sargentos, que foram entregues ao Núcleo da Liga dos Combatentes de Abrantes, onde se encontram expostas.
Ao Sr Eduardo Manuel da Luz Ribeiro Ruivo da Silva, pela cedência da foto do seu tio João Ruivo da Silva.
À Srª D. Maria Guilhermina Alves da Silva Malhou Zúniga Santo, pela amabilidade que teve em me receber na sua cassa e ceder a biografia e foto do seu pai Coronel Abel Malhou Zúniga.
Ao Sr. Carlos Marchão pela cedência da foto de seu pai, Capitão Casaca.
À Divisão de bibliotecas e arquivos (AHCA), pelo apoio concedido durante as pesquisas de elementos que se julgavam perdidos e de interesse para a história da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, nomeadamente as maquetas dos dois monumentos da Grande Guerra 1914/18, que pelo seu valor histórico, são de restaurar.
À Srª D. Maria de Lurdes Simões Videira, pela cedência da fotografia de grupo do Liceu de Abrantes do ano de 1935, onde se encontra o 1º Presidente da L.C.G.G. de Abrantes, Sr. Tiago Dias do Nascimento.
REPAROS
O memorial que se encontra à entrada do Convento de S Domingos, pela sua importância histórica, merece uma atenção mais cuidada. Azulejos em falta encontram-se algures guardados na Biblioteca da C.M.A.
BIBLIOGRAFIA
J.A. 1236 de 6 de Abril de 1924
J.A. 1246 de 13 de d Julho de 1924
J.A. 1300/1 de 16 e 23 de Agosto de 1925
J.A. 1319 de 1925
J.A. 1492 de 21 de Abril de 1929
J.A. 1542 de 6 de Abril de 1930
J.A. 1542 de Abril de 1930
J.A. 1543 de 13 de Abril de 1930
J.A. 1572 de 2 de Novembro de 1930
J.A. 1583 de 18 de Janeiro de 1931
J.A. 1648 de 17 de Abril 1932
J.A. 1673 de 9 de Outubro 1932
J.A. 1814 de 23 de Junho de 1935
Foto a (Coreto) – retirada da Revista ZAHARA n.º 1 de Maio 2003 Pg. 63. Artigo de Carlos Vieira Dias
Fotos 16 b, c, d, f e g – Cedidas pelo Director do Jornal de Alferrarede, Manuel Martinho

BIOGRAFIA DO AUTOR

JOSÉ MANUEL D’OLIVEIRA VIEIRA – Sargento-mor de Infantaria, nasceu a 1 de Outubro de 1947 em Abrantes. Filho de José António Vieira e Arcângela Ilda de Oliveira, ingressou como voluntário no Batalhão de Caçadores N.º 8 em Elvas. Depois de ter passado por diversas unidades militares, radicou-se em Abrantes, terra que o viu nascer, onde fez a sua vida militar no Regimento de Infantaria 2. Mobilizado para Angola permaneceu naquela província ultramarina no norte de Angola (Mucaba) de 1967 a 1969. Em 1973 foi mobilizado para Moçambique, tendo regressado a Portugal após o 25 de Abril de 1974. Promovido ao último posto da classe, passou à situação de reserva em 01 de Maio de 2000. Durante a sua permanência no Exército, foi distinguido com os mais variados louvores. É condecorado com a Medalha de Serviços distintos, por atribuição ao R.I.2, Medalha de Mérito Militar de 4ª Classe, Medalhas de Comportamento Exemplar, Cobre, Prata e Ouro, Medalha D. Afonso Henriques e Medalhas Comemorativas das Campanhas de Angola e Moçambique. Sócio n.º 132854 da Liga dos Combatentes e n.º 817 do Núcleo da Liga dos Combatentes de Abrantes, prestou serviço na Liga de Abrantes desde 1 de Janeiro de 2003 a 31 Dezembro de 2004, na situação de Reserva Activa. De 20 de Setembro de 2004 a 24 de Janeiro de 2005, faz parte da Comissão Administrativa. Após eleições no Núcleo, toma posse como membro directivo no dia 25 de Janeiro de 2005 e demite-se do cargo que vinha desempenhando no dia 5 de Agosto do mesmo ano.
Durante o tempo que permaneceu no Núcleo da Liga dos Combatentes de Abrantes, informatizou o sistema de fichas individuais e quotas, pesquisou e elaborou a História da Sub-Agência dos Combatentes da Grande Guerra de Abrantes, com posterior publicação no “Jornal de Alferrarede” e revista “ZAHARA”, propôs aos órgãos directivos o dia 29 de Setembro (1923)para “Dia do Núcleo”, e distribuição de medalhas e diplomas aos sócios com 25 de associados, elaborou a “Folha do Combatente”, elaborou os dossiers destinados à recuperação da “Estátua” do Monumento aos Mortos da Grande Guerra e “Edifício do Núcleo” e, após pesquisa intensa expôs na Sede do Núcleo, as fotografias de todos os presidentes e comissões Administrativas até então conhecidos (1923/2005).

HISTÓRIA DA SUB-AGÊNCIA DA LIGA DOS COMBATENTES DA GRANDE GUERRA E DO NÚCLEO DE ABRANTES 1923/2005


José Manuel d'Oliveira Vieira
(Autor Artigos publicados nos "Jornais de Alferrarede" nºs 223 a 230)
CAPÍTULO VII

PRESIDENTES DA SUB-AGÊNCIA DOS C.G.G. DE ABRANTES, DESDE A SUA FUNDAÇÃO ATÉ 1936:

TIAGO DIAS DO NASCIMENTO, Alferes de Infantaria em 1923, foi o 1º Presidente da Direcção da Sub-Agência da Liga dos Combatentes da Grande Guerra em Abrantes. A comprová-lo está a Acta n.º 1 de 16 de Outubro de 1923 da Liga dos Combatentes da Grande Guerra que é prova disso mesmo. De Tiago Dias do Nascimento, sabe-se ter sido combatente da G.G. 1914/1918, ser o primeiro Presidente da Sub-Agência de Abrantes, professor no antigo Colégio de Abrantes em 1935, local onde hoje se situa a Pensão Central e Presidente da Direcção do Montepio Abrantino em 22 de Dezembro de 1936. Foi sócio n.º 125 da Sub-Agência da Liga dos Combatentes da Grande Guerra de Abrantes e no livro de quotas do ano de 1939 consta ter falecido em 22 de Fevereiro de 1939. No mesmo livro faz-se menção à acta n.º 6, que provavelmente dá conta da sua morte e actividades enquanto 1º Presidente da Sub-Agência da Liga dos Combatentes da Grande Guerra de Abrantes em 1923 (fig. 34).
JOSÉ GARCIA MARQUES GODINHO, Major de Infantaria, Presidente da Direcção da Agremiação de Abrantes nos anos 1924/1925 e 1934/1935, foi sócio n.º 58 da Sub-Agência da Liga dos Combatentes da Grande Guerra de Abrantes. Da sua biografia sabe-se ter nascido em 1881, nas Galveias, e ter servido no C.E.P. (Corpo Expedicionário Português) em França. Numa fotografia, enquanto Comandante do RI2 em 1939, o então Coronel Godinho apresenta as mais altas condecorações. Igualmente sabe-se, pela “Cronologia de Abrantes no SÉCULO XX”, de Eduardo Campos, que o General JOSÉ GARCIA MARQUES GODINHO foi preso por envolvimento numa conspiração contra o regime em 21 de Julho de 1947. Em 24 de Dezembro do mesmo ano, morre no Hospital Militar da Estrela. Casou com D. Palmira Pimenta de Almeida Beja Marques Godinho, natural de Abrantes, onde residia em diversas ocasiões, sendo em continuados anos Comandante do Regimento de Infantaria N.º 2. Em 1946, foi um dos 46 signatários do Pacto dos Oficiais do Exército e da Marinha de Guerra Portuguesa, cujo objectivo era o afastamento de Salazar. Em 30 de Janeiro do ano seguinte, a viúva do General é detida durante cerca de 15 dias após requer à Polícia Judiciária a investigação das circunstâncias que rodearam a morte do seu marido, que foi sepultado no cemitério municipal de Abrantes (fig. 35/39).D. LUÍS DA COSTA MACEDO, Major de Engenharia, tomou posse como Presidente da Direcção da L.C.G.G. de Abrantes em 1926. Durante a sua direcção, foi projectado o Congresso Nacional do Combatente, tendo sido convocada a reunião no Regimento de Artilharia N.º 8. Em simultâneo com a presidência da Liga, o ilustrado Major fez parte da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Abrantes onde às suas custas fez o projecto do Bairro Operário, o primeiro projecto do edifício da Assembleia e da Sopa dos Pobres. Se como militar e Presidente da Sub-Agência da Liga de Abrantes pouco se sabe, como Vice-Presidente da C.M.A. foi o mais estimado amigo que o povo Abrantino alguma vez teve. As suas qualidades de Engenheiro Militar foram postas ao serviço da autarquia, desprezando as sequelas políticas vividas então (fig. 36).JÚLIO SERRAS PEREIRA, Capitão de Infantaria no R.I. N.º 2 em Abrantes, nasceu no Sardoal no ano de 1893 e faleceu nesta cidade no ano de 1972. Combatente da Grande Guerra, esteve na frente de combate na Flandres (França), onde ganhou a Medalha de Cruz de Guerra. Das muitas condecorações que ostentava, salienta-se a Medalha de Mérito Militar e o direito ao uso do distintivo especial da condecoração da Torre e Espada, a maior condecoração portuguesa, por feitos relevantes em combate.
Após a G.G. 1914/1918, o Capitão SERRAS PEREIRA participou em Lisboa no restabelecimento da ordem pública, para reposição do regime então vivido. Entre 1941 e 1943, fez igualmente parte das tropas Expedicionárias a Cabo Verde.
Homem de carácter, coragem e sentido de solidariedade social, desempenhou sem qualquer remuneração as funções de Vice Presidente da C.M.A., Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, Presidente da Comissão de Assistência de Abrantes e membro da Direcção da Cooperativa Militar de Abrantes. Professor e fundador do colégio liceu de Abrantes onde leccionou as cadeiras de Inglês, Francês e História, também foi professor nos Colégios La-Salle (Abrantes) e Sardoal.
Sócio n.º 123 da Sub-Agência da Liga dos C.G.G. de Abrantes, o então Tenente de Infantaria do R.I.2 JÚLIO SERRAS PEREIRA, foi seu Presidente em 1930/1931 (fig. 37).ABEL MALHOU ZÚNIGA, Capitão de Infantaria no R.I. N.º 2 em Abrantes, foi Presidente da Sub-Agência da L.C.G.G. de Abrantes em 1932/33. Nasceu a 9 de Julho de 1888, filho de João Sanz Zúniga e de D. Antónia Carolina C. M. Zúniga, ingressou como voluntário no R.I.3. Em Novembro de 1912, foi colocado no Regimento de Infantaria N.º 2 Abrantes. Combatente da Grande Guerra 1914/18, esteve por duas vezes na frente de combate, precisamente em La Lys, de onde enviou diversas fotografias aos familiares e amigos em Abrantes. Em 1941/43, fez parte das Forças Expedicionárias a Cabo Verde. Oficial distinto foi Comandante do R.I. N.º 2 em 1945/46. Possuidor de diversos louvores, foi condecorado com a Medalha de Mérito Militar, Ordem Militar de Avis, Medalha de Comportamento Exemplar grau cobre, prata e ouro, Medalha das Campanhas do Exército Português, com a Legenda França – 1916, Estrela de Prata Medalha da Vitória e ferrrageie da Cruz de Guerra de 1ª Classe por condecoração da Bandeira do R.I. 22. O Coronel Zúniga, após quarenta e dois anos de serviço, passou à situação de reserva na Cidade de Abrantes em 9 de Julho de 1948. Foi Sócio fundador n.º 4 da Sub-Agência de Abrantes.
A biografia do Coronel Zúniga ficaria incompleta se nos esquecêssemos de lembrar que fez parte da última comissão para a conclusão do Monumento aos Mortos da Grande Guerra, que se encontra na Praça da República, juntamente com um outro antigo presidente da Liga, então Major José Garcia Marques Godinho (fig. 38).JOSÉ GARCIA MARQUES GODINHO, Major de Infantaria, Presidente da Direcção da Agremiação de Abrantes nos anos 1924/1925 e 1934/1935 (fig. 39).
JOÃO RUIVO DA SILVA, Capitão, combatente da Grande Guerra 1914/1918, filho de José Ruivo da Silva e de Rachel do Carmo e Silva, nasceu a 11 de Agosto de 1890. No livro de quotas existente no Núcleo de Abrantes, aparece referenciado como sócio n.º 135 da Sub-Agência da L.C.G.G. e como tendo falecido em 13/02/68. Durante o seu mandato como presidente da Direcção da Sub-Agência, não esquecendo os objectivos da Liga, promoveu e realizou espectáculos destinados a angariar fundos destinados aos carenciados. Como prova de reconhecimento fez sair no Jornal de Abrantes n.º 1817 de 14 de Julho de 1935, o comunicado :“L.C.G.G. - A Comissão Administrativa da Sub-Agência da Liga dos Combatentes da Grande Guerra de Abrantes, em nome das viúvas e órfãos que aproveitam dos benefícios a prestar com o aumento de fundos obtido pelo espectáculo realizado em 27 do mês findo, vem apresentar o testemunho dos seus agradecimentos, aos grupos cénico e musical que, com tanto trabalho e acerto, levaram a peça á cena, a todas as pessoas que se dignaram honrar o espectáculo com a sua presença e ainda a todas as autoridades civis e militares pelas facilidades concedidas para que a receita fosse máxima.

Sub-Agência de Abrantes, 10 de Julho de 1935
O PRESIDENTE
João Ruivo da Silva
Capitão”
(fig. 40)

CARLOS ANTÓNIO CASACA, Capitão, foi após João Ruivo, Presidente da L.C.G.G. de Abrantes. Do Capitão Casaca, sabe-se apenas ter sido Combatente na Grande Guerra 1914/1918 e vogal efectivo da Comissão Administrativa da C.M.A., tendo tomado posse em 30 de Janeiro de 1930. Nomeado seu Vice-Presidente, exerceu, até ao fim do mandato, as funções de presidente do Município (fig. 41).

MAESTRO HENRIQUE SANTOS E SILVA

Por José Manuel d’Oliveira Vieira
(Artigos Autor publicados Jornal de Alferrarede nºs 262AGO2007 e 268FEV2008 - alterados para blog)


RECUPERAÇÃO DE UM ESPÓLIO

Estavam destinados ao maior arquivo do Concelho de Abrantes, a “lixeira”.
Não tivessem sido resgatados a tempo, documentos considerados importantes na vida do Maestro Henrique dos Santos Silva e “Orfeon Abrantino Pinto Ribeiro” estariam hoje reciclados, prontos para um novo ciclo. Destinado à profissão de relojoeiro, aprendiz aos 20 anos de idade (assim escreveu seu pai num documento de recenseamento em 1920), este cidadão Abrantino cedo dedicou a sua mestria às artes, levando a que a “Cidade Florida”, fosse conhecida dentro e fora das nossas fronteiras.Filho de Alfredo Alves da Silva *, também ele ligado ao “Orfeon Abrantino” e de Delmira da Piedade dos Santos, Henrique dos Santos e Silva, nasceu no dia 18 de Setembro de 1910, na Freguesia de S. João Batista, Concelho de Abrantes. Depois de tanto ter dado à sua terra (06 Janeiro de 1934 até á data da sua morte 30 de Janeiro de 1981), ser recordado numa “Sala Museu” é a melhor forma de perpetuar a sua memória.
Depois de tudo já ter sido escrito e dito do Maestro, quem foi, o que fez, onde actuou, nada mais resta senão justificar a razão porque se escreve mais uma vez deste distinto músico, que durante meio Século foi reconhecido no meio musical do país. João Augusto, sabendo o interesse que tenho por velhos papéis, levou-me ao interior da casa que viu nascer o mestre Henrique. No chão, no meio de jornais sem interesse e em velhos baús apodrecidos pelo tempo, envoltos em muito pó, encontrei um pouco mais da história do “Velho Orfeon” e dos seus bastidores.Documentos e objectos pessoais do Maestro, óculos, caneta e isqueiro personalizados a centenas de partituras e manuscritos sobre o “Orfeon Pinto Ribeiro”, alguns gracejos políticos da vida Abrantina (escritos e impressos) vividos na época, de tudo um pouco foram encontrados.
Das muitas peças recuperadas ao lixo, destacam-se as operetas: “A Herança do Capitão-mor” e o “Milhafre” que ficaram na memória de quem assistiu e actuou no antigo “Orfeon”.
Um “Hino Marcha”, dedicado aos “Combatentes da Grande Guerra de Abrantes” e destinado a realizar fundos para o futuro Monumento aos Mortos da Grande Guerra é outra das peças encontradas. Várias são as partituras especialmente escritas e assinadas pelo Maestro Pinto Ribeiro, em exclusivo para o “Orfeão”.
Programas de espectáculos e recortes de Jornais da época (1929/1936) mostram quanto o Maestro Henrique Santos Silva deu em prol da cultura a esta terra.Num dos livros, onde constam os adereços e material destinado às peças de teatro que se realizavam com assiduidade em Abrantes (Cine Teatro da Misericórdia e Teatro Taborda), fica-se a saber ter existido um cenário com a Praça de Touros de Alferrarede (Quinta do Bom Sucesso), feito pelo pintor Abrantino José Paulo Fernandes Júnior, que provavelmente se encontrava no Teatro Taborda. Não sendo este espólio de desprezar, muito menos será “uma salva de prata do Orfeão Pinto Ribeiro ao Regente H.S.S. do Grupo Coral 6-XII-51”, “uma batuta inteiramente de prata dos “Antigos Orfeonistas do Maestro H.S.S. na reaparição do Orfeão Abrantino Pinto Ribeiro 6-XI-951”, “uma cigarreira de prata personalizada com o nome Henrique”, “uma cigarreira (porta tabaco) de prata personalizada com o monograma HS”, “um porta batuta e batuta de madeira”, “uma batuta de madeira com o punho de prata com a inscrição H.S.S. 25-XII-935”, “duas batutas normais”, lamirés, um “valioso” violino, com etiqueta original do fabricante Italiano “Nicolaus Amatus – Fecit – In Cremona 1646” (ver caixa - "O VIOLINO"), este, o mais eminente membro da família “Amati” (1596-1684), ao qual consta ter tido como aluno, António Stradivarius (1644-1737), o mais célebre construtor de violinos de todos os tempos.De todo este espólio sobressai igualmente, uma profusa e valiosa colecção de discos em vinil, de música clássica, que eram para o Maestro a “menina dos seus olhos”. Mostrando interesse neste espólio (após proposta), a Vereadora da Cultura Dr. Isilda Jana, envidou esforços para que documentos e objectos pessoais do Maestro, dispersos em três locais diferentes, fossem entregues pelos doadores, D. Maria Manuela de Jesus Campos, Maria Fernanda Janeiro, João Augusto e José Manuel d’Oliveira Vieira, o que aconteceu no dia 24 de Janeiro de 2008. De real importância, o espólio agora entregue ao Director da Biblioteca António Botto, Dr. Francisco Lopes – Arquivo Histórico de Abrantes, composto por peças únicas, depois de inventariado e catalogado por pessoal especializado do A.H.C.A. será, apresentado em sessão pública.
Com esta iniciativa, Abrantes que já deu o nome do distinto Maestro Henrique Santos Silva a uma Rua da cidade, verá assim salvaguardada uma parte importante do seu espólio.Além das peças já referenciadas, foi ainda oferecido à Biblioteca de Abrantes, uma colecção de bengalas e dois álbuns “orientais”, com fotos e postais raríssimos, que foram pertença do pai do maestro, Alfredo Alves da Silva, também ele ligado ao “Orfeon Abrantino” como dirigente e coralista durante muitos anos. Álbuns, fotos e postais, referem-se aos anos 1900/1901 e 1905/1907, quando Alfredo Alves da Silva esteve em Macau e França (I Grande Guerra).
Em falta fica a peça que mais gozo dava ao distinto maestro: o Piano.
Devolvido à comunidade, todo este espólio irá servir para comemorar o aniversário do nascimento do Maestro, que se fosse vivo faria 100 anos no dia 18 de Setembro de 2010.
*Numa velha agenda Alemã, Alfredo Alves da Silva (pai do Maestro), descreve relatos diários dos bombardeamentos recíprocos, durante a I Grande Guerra, na fronteira a Norte de Moçambique (Rio Rovuma), entre Portugueses e Alemães. Este diário e cartas, por serem inéditos e escritos por um militar da Guarnição de Abrantes, sócio nº 133 da Liga dos Combatentes da Grande Guerra de Abrantes. Em tempo oportuno irão estes relatos de guerra ser publicadas numa página de “COISASD’ABRANTES”.
"O VIOLINO"
Não tocava um violino Stradivarius, no entanto, a forma como o Maestro fazia eclodir o peculiar som ao seu violino “Nicolaus Amatus – Fecit - In Cremona 1646” é descrito assim por A. Santos no "Jornal de Abrantes nº 4884, pág. 7 de 28-3-97":
“Henrique Santos e Silva, como violinista era um executante que pedia meças a qualquer bom profissional. Por isso, foi convidado para primeiro violino da então grande Orquestra da Emissora Nacional. Mas quê, sair de Abrantes? Nem pensar. E assim se perdeu um elemento de grande valor.
Alves Coelho (filho), inspirado e famoso compositor, era um pianista espectacular (despia e vestia o casaco a tocar piano), mas não era um pianista clássico para poder acompanhar correctamente o violinista sério que era Henrique Silva e este dizia-me que nunca se sentira tão envergonhado por causa do acompanhamento que tivera”
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