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CAFÉ "VIGIA" - ABRANTES

CAFÉ “VIGIA”
Por José Manuel d’Oliveira Vieira
            Já em 1933, Maria Amélia Paulo anunciava o seu café/pastelaria como sendo a “antiga CASA VIGIA” e confecionar o verdadeiro doce regional conhecido por “PALHA DE ABRANTES”. Este café/pastelaria remodelou as suas instalações em 1943 e fechou ao publico em 1982.
Foi no “VIGIA”, o mais antigo café de Abrantes, numa pequena mesa, junto à ampla janela (acrescentada em 1943) a dar para a Rua Alexandre Herculano, onde ia com alguma frequência jogar uma partidinha de “Xadrez”.
Mas foi no antigo “Café Portugal”, propriedade do Sr. Campos que aprendi como principiante a deslocar as peças de “Xadrez” de acordo com as regras fixas que são iguais em todo o mundo.
De uma época que não a minha, recuperei as fotos que hoje fazem parte de um tempo em que os cafés de Abrantes (uns mais que outros), para além de serem um local de convívio, marcavam a identidade de quem os frequentava.
PUBLICIDADE EM 1933 
BLOCO DE FOTOS ANTERIORES A 1943
 

 
 
 
 
 


 
 
 
 
 
 

 

Bilhete Postal - Cliché "Benamor" - irmãos Camilo (barbearia)
FOTO CAFÉ "VIGIA" APÓS REMODELAÇÃO COM A SUA AMPLA JANELA A DAR PARA A RUA ALEXANDRE HERCULANO

FOTO "CAFÉ PORTUGAL"
(LOCAL ONDE APRENDI A DESLOCAR PEÇAS DE XADREZ NO TABULEIRO)
FOTO 2019 
(LOCAL ONDE SE ENCONTRAVA O ANTIGO CAFÉ "VIGIA")

Caixa de Bolos 
Imagem cedida pela Srª  Cristina Vilhena (Évora)



JOSÉ SEBASTIÃO SERRA DA MOTTA - 1883/1943

PINTAR E ESCREVER ABRANTES
Por José Manuel d’Oliveira Vieira 
“PINTAR E ESCREVER ABRANTES” - três personagens que fizeram parte da cultura abrantina: Mário Cordeiro (I) (já publicado em março 2019), José Paulo Fernandes Júnior, solicitador/dramaturgo/pintor (II) (já publicado em abril 2019) e Dr. José Serra da Mota, advogado/notário/pintor (III) (maio 2019).
III
JOSÉ SEBASTIÃO SERRA DA MOTTA – 1883/1943
Abrantes pouco ou nada conhece da sua obra. No entanto, as suas telas figuram nos Museus de Arte Contemporânea de Lisboa, Bragança, Guimarães, Viseu, Figueira da Foz, Guarda, Teixeira Lopes de Gaia, José Relvas – Patudos e Biblioteca Municipal de Abrantes.
Além dos museus já citados, casas particulares, ex-Colégio de Fátima (desconheço a pintura ou pinturas que ali se encontravam), Montepio Abrantino Soares Mendes e na casa da quinta do Dr. Solano de Abreu existem magnificas obras que bem demonstram o valor deste artista.
No já desaparecido “Café Abadia”, inaugurado no dia 15 de agosto de 1929 (assim chamado por ter sido construído numa antiga capela), figuravam belíssimas pinturas do Dr. José Sebastião Serra da Motta.
Por “CARTAS DUM VELHO ABRANTINO – escritas por David Bruno Soares Moreira em 30-V-1944, ficamos a saber ser José Motta conhecido por alguns amigos na juventude por Zé Telha, “ser um observador esplendido e o seu lápis de moço artista começou a desenhar os perfis das pessoas que perto dele conviviam com seu Pae, diariamente, na Farmacia Mota… Salvo erro a primeira caricatura que fez foi a do Prior de São João, o Padre Alexandrino…”
Jornais nacionais e locais se interessaram e reconheceram o valor artístico que José Motta teve na arte de bem desenhar e pintar.
No Salão Nobre do Montepio Abrantino Soares Mendes (agora fechado sem se saber bem o motivo), podemos ver uma tela de grandes dimensões, que, se não houver outro desfecho para a mais antiga Associação abrantina a mesma seja conservada em lugar que todos os Abrantinos apreciem um dos estilos de pintura de José Motta.

Pintura de José Motta
(Montepio Abrantino Soares Mendes)
Na “Vila Maria Amélia - 1892”, Quinta do Dr. Solano de Abreu, lá encontrei entre outras pinturas quadros de José Motta, representativos da atividade agrícola praticada naquela casa à época. É, pois, no contexto rural que em 1910 o grande artista abrantino, fez a sua primeira exposição de pintura no Sindicato Agrícola de Abrantes, situado na Rua Grande.
Nota: por doação à Igreja poderá este importante espólio ser arrolado e constar como património local?
Pinturas de José Motta
Quinta D. Amélia (Vale de Roubam)
Ainda em 1910, organiza e cria em Abrantes um centro de desenho na antiga Sociedade dos Artistas de Abrantes.
Quase a lembrar banda desenhada, o livro de Solano d’Abreu, que possuo, com dedicatória do autor a sua sogra D. Narcisa Fialho e Silva, “Um Anjo sem Azas – 1907”, tem ilustrações do seu grande amigo José Motta.
 
 
   
 
  
 Ilustrações de José Motta
(Livro, “Um Anjo sem Azas – 1907” de Solano de Abreu)
Dos azulejos da antiga Igreja do Socorro (mais tarde Farmácia Motta Ferraz), José Motta retratou um dos motivos para a casa de Apolinário Marçal com a legenda: SONET VOX TVA INAVRIBUS MEIS VOX ENGIN1 TVA DULCIS (Can.2)2.  A revelação consta no Jornal de Abrantes – Ano 1951. Por saber fica: é “desenho/pintura ou um painel de azulejos”?
1Terá havido falha do Jornal ou José Motta ter escrito/pintado na legenda “ENGIN” em vez de “ENIM”?
2Querendo saber o que foi escrito em Latim no jornal em 1951, recorri ao Doutor Professor Joaquim Candeias da Silva que traduziu e informou ser este, um versículo do belíssimo livro do A.T., Cântico dos Cânticos, capítulo 2, 14, que no original é um pouco maior: “Pomba minha (…) mostra-me a tua face, SOE A TUA VOZ NOS MEUS OUVIDOS, PORQUE A TUA VOZ É DOCE e a tua face graciosa.
No Convento de S. Domingos/1973, realizou-se uma “exposição homenagem” a este grande artista abrantino. Além da BIOGRAFIA de José Motta, o catálogo da exposição nos revela terem sido expostos 77 quadros da sua autoria.
Da grande e memorável “exposição homenagem a José Motta”, realizada no Convento de S. Domingos/1973”, foi o “CIDADÃOS POR ABRANTES” a informar ter a RTP realizado uma reportagem filmada que pode ser vista em “RTP ARQUIVOS – Festas de Abrantes”. Ao colega BLOGUISTA os meus agradecimentos.
Abrantes tem no “No Vale de Rãs” uma artéria a que foi dado o nome de “Rua - Pintor José Sebastião Serra da Mota. Não merecerá José Motta mais que isso?
Ei-lo aqui: homem parco no falar
Com uma alma d’artista…um bom pintor,
Paisagista distinto, não vulgar
“O Povo de Abrantes, 17-X-1916”
(Da publicação: Perfis – 1932 – Justo Paixão)

JOSÉ PAULO FERNANDES JÚNIOR – 1906/1979, SOLICITADOR/DRAMATURGO/PINTOR

PINTAR E ESCREVER ABRANTES

Por José Manuel d’Oliveira Vieira
“PINTAR E ESCREVER ABRANTES” - três personagens que fizeram parte da cultura abrantina: Mário Cordeiro (I) (já publicado em março 2019), José Paulo Fernandes Júnior, solicitador/dramaturgo/pintor (II) (abril 2019) e Dr. José Serra da Mota, advogado/notário/pintor (III) (maio 2019).

(II)
JOSÉ PAULO FERNANDES JÚNIOR – 1906/1979, solicitador/dramaturgo/pintor, é a segunda das três personalidades abrantinas que escreveram e pintaram Abrantes. 
Todas as homenagens que se façam a José Paulo nunca são demais. Como dramaturgo, pintor, ator, músico, foi uma das figuras abrantinas que mais deu à cultura da nossa terra.
No “Brôa”, antiga escola secundária de Abrantes, José Motta, professor de José Paulo, cedo reparou na aptidão que o seu aluno possuía pelo desenho. José Motta na pintura e Diogo Oleiro na amizade foram a chave de todo os “louros” que lhe estavam predestinados. 
O nome de Abrantes como “Cidade Florida” em parte se deve a José Paulo enquanto pintor, ator e autor de operetas apresentadas pelo Orfeão Abrantino.
Ilustração sobre Abrantes - Igreja S. Vicente/Igreja Stª Maria Castelo/Torre Menagem/Misericórdia/Casas Seiscentistas/Igreja S. João
Sem conta estão as exposições das suas obras realizadas na cidade de Abrantes, tais como: ex-Liga dos Amigos de Abrantes (da qual foi sócio fundador), Salão de Festas do Cine Teatro de S. Pedro, na antiga “Papelaria Académica” ou no seu atelier no r/c do  “Montepio Abrantino Soares Mendes”.
Pintura de José Paulo - Ilustra livro "Abrantes 1937" de Henrique Martins de Carvalho
(Arquivo Municipal - Eduardo Campos)
José Paulo - Pintando no seu atelier
José Paulo - Pintando natureza
 
 Na casa de José Paulo - expondo pintura
  Na casa de José Paulo - expondo pintura
 Rua de S. Pedro - Igreja de S. Pedro
(Propriedade - Biblioteca Municipal de Abrantes)
 S. José das Matas - Casa de um familiar - quadro pintado à espátula
(Propriedade de José Vieira)
 Azenha
(Propriedade de António Maria Coelho de Carvalho)
Rio Tejo - Abrantes
Um dos catálogos das muitas exposições realizadas por José Paulo 
As pinturas dos seus quadros apresentavam sempre um cunho de realismo. O quadro “Ramiro – Cauteleiro”, uma das figuras de Abrantes, foi o que mais impressionou o público aquando da sua exposição.
Após o fecho da Liga dos Amigos de Abrantes (L.A.A.), querendo saber onde foi parar a obra de arte de José Paulo o “Ramiro – Cauteleiro”, conhecido pela população Abrantina por “Malinhas”, encontrei a resposta no “NOTICIÁRIO - Boletim da Liga dos Amigos de Abrantes” Nº 294 página 2 de outubro 1983 e no qual foi escrito à data da morte do retratado o seguinte: O quadro a óleo do Ramiro, encontra-se à vista na nossa Sede, tendo-nos sido oferecido pela filha do Pintor Excelentíssima Senhora D. Maria Manuel Paulo Fernandes.
Extinta que foi a Liga dos Amigos de Abrantes, não seria boa ideia o quadro do “Malinhas” ser doado à Biblioteca Municipal de Abrantes para ali ser exposto?
"Ramiro - Cauteleiro"
(O Malinhas)

Uma das muitas exposições de pintura de José Paulo na já extinta “Liga dos Amigos de Abrantes”
Na foto de CVD podemos ver três figuras de Abrantes retratadas por José Paulo: “Ramiro”, “Catita” e “Migães”
Nota: Em Abrantes, num local recentemente visitado encontrei uma das maiores coleções de quadros de José Paulo.
José Paulo (dramaturgo), foi ator e autor de óperas e letras para os musicais do Orfeão Abrantino Pinto Ribeiro. Na memória de muitos abrantinos ficaram algumas atividades artísticas tais como: na criação de Suzete Martins Velez “Palha de Abrantes” teve musica de H.S.S. e letra de José Paulo. Em “Cidade Florida” a musica foi de H.S.S. e a letra de José Paulo. Na opereta em 1 ato “Cantigas d’Amor” foi ensaiador e desempenhou o papel de “Manél d’Avó”. “O Pêcego” – Fox-Trot” teve a interpretação deste multifacetado Abrantino.
O mundo da música também não era desconhecido para o José Paulo. Em 1937 fez parte do conjunto musical “Jazz Abrantino”.
José Paulo ator
 
 1934 - "Cantigas de Amor" - Autores: José Paulo/Rogério do Carmo Pimenta
1937 - José Paulo no grupo musical " Jazz Abrantino"
Ao serviço da comunidade foi vereador efetivo da C.M.A. (1945), presidente da “Comissão Municipal de Higiene” e fez parte da Junta de Freguesia de S. João.
Maria Lucília Moita assim dizia dele: … amou a sua terra… Aprendeu sozinho a manejar os pinceis e as tintas… a ternura pela sua mulher, a companheira que sabia encorajá-lo, levou-o a pôr nas flores todo o seu enlevo e ainda bem…
Nota: D. Guiomar Pombo Fernandes, esposa de José Paulo foi ela também uma artista. Em 1923 bordou a primeira Bandeira da Liga do Combatentes da Grande Guerra de Abrantes. Encontra-se esta Bandeira no Museu da Liga dos Combatentes em Lisboa.
Para ver a História da Bandeira clic no link abaixo indicado: