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ABRANTES INAUGURA A SUA PRAÇA DE TOUROS (8 DE JULHO DE 1900)

Por José Manuel d’Oliveira Vieira
(Autor Artigo "Jornal de Alferrarede" Junho2007)
À pergunta de um aficionado da festa brava, se conhecia a história da “Praça de Touros de Abrantes”, disse saber o local onde se encontrava e o que resta das suas bancadas.
Achando o tema interessante, até porque sabia onde encontrar alguma matéria e fotos, decidi escrever este artigo, procurando juntar num único bloco o que de mais interessante encontrei sobre o que foi a “Praça de Abrantes”.
As corridas de touros em Abrantes, já não eram novidade, aquando da construção da “Praça” nesta “Vila” em 1900.
Sobre o assunto (Século XVI/XVII), o Historiado, Professor Doutor Joaquim Candeias da Silva, diz no seu livro “Abrantes, A Vila e o seu termo no tempo dos Filipes (1580-1640): “…que embora não exclusiva desta paróquia patrocinava as festas do Espírito Santo (ou Pentecostes) e as touradas que se realizavam nesse dia (a).”
Alguns cartazes anteriores a 1900 chegaram até aos nossos dias. Como curiosidade, refira-se um de 1877 que teve dupla intenção. A Tourada foi feita em benefício do “Monte-Pio Abrantino” e serviu para “solenizar a entrada das baterias de Artilharia nº 2 em Abrantes” (fig. 1).
Nas fotos de 1896 (fig. 2/3) é possível ver com alguma nitidez o “Rossio”, actual Jardim da Republica, local onde se realizavam as touradas, vendo-se na parte superior da fotografia o telhado do Convento de S. Domingos, hoje Biblioteca Municipal António Botto. Encontrar em Abrantes relíquias relacionadas com a “Praça de Touros” não foi fácil. No entanto, em casa do senhor José Alberty, empresário e proprietário da “Quinta de Coalhos, Turismo de Habitação”, fomos encontrar o cartaz original da inauguração da “Praça” em 8 de Julho de 1900 (fig.4), bem como as fotografias dos fundadores da “arena de Abrantes”, António e João Franco (fig. 5/6). A ideia de construir uma Praça de Touros na Vila, já há muito era falado por João Soares, Luís de Almeida, Francisco Burguete e Emílio Segurado, quando no dia de S. João (24 de Junho de 1898), no Campo de exercícios do Exército, no Vale de Roubam, o Montepio Abrantino realizou uma corrida de bicicletas.
Entre as mais de duas mil pessoas que assistiam ao evento patrocinado pelo Montepio Abrantino, estavam, António Franco e António de Almeida Frazão. Este grupo de amigos, vendo tão grande aglomerado de populares a assistir aos festejos, ali decidiu avançar para a construção de uma Praça de Touros em Abrantes.
Há noite, no Jardim do Castelo, nas grandes Festas de S. João realizadas a favor do Montepio Abrantino, António Apolinário foi convidado a fazer parte da empresa.
Não perder tempo, era uma das tarefas deste grupo de amigos. Assim, às 6 da manhã, do dia 18 de Julho de 1898, reuniram-se em Santo António, local escolhido para a construção da Praça, os órgãos de comunicação, “O Abrantes”, “Riomoinhense” correspondente de “O Século”, e ainda os senhores Dr. Ramiro Guedes, José de Jesus, Egídio Salgueiro, Dr. Correia Campos, Dr. Ludgero Moreira e muitos curiosos.
Feita a escritura da constituição da empresa no dia 3 de Agosto do mesmo ano e fixado o fundo social em 6.000$000 réis, foi comprado a D. Ana Olímpio Vaz da Silva Rosa, um terreno com 5.000 metros quadrados.
A empreitada para a construção e execução dos trabalhos de alvenaria, foram, por escritura pública, no dia 16 de Setembro, dados a José Gadanho Serra.
Garantir que as muralhas de Santo António, não seriam danificadas foi o passo seguinte. Para isso, a Inspecção de Enge­nharia, representada por Avelar Machado, o Ministério da Guerra por M. J. Góis e a empresa por António Apolinário, assinaram uma escritura pública cm que o Governo concedia à dita empre­sa, licença para construir a Pra­ça a 130 metros de distância das referidas muralhas (fig. 7).António de Almeida Frazão, após a morte do seu filho, deixa a sociedade da empresa, no dia 15 de Maio de 1899, juntamente com António Apolinário. Os direitos da Praça são transferidos para os irmãos: João Franco e António Franco que a expensas suas e muitos sacrifícios, conseguiram dar aos aficionados e à Vila de Abrantes a muito desejada Praça de Touros.
Entre a compra do terreno e a construção da “Praça”, muita polémica houve: pegadilhas políticas, suspensão e reconstrução das obras, liquidação e dissolução da empresa. Tudo isto aconteceu até ao final das obras em Junho de 1900.
Feita a vistoria à “Praça de Touros de Abrantes”, esta foi inaugurada no dia 8 de Julho de 1900 (fig. 8/9/10).O cavaleiro Fernando de Oliveira e “El Espadeirito”, foram os primeiros a pisar a arena da “Vila de Abrantes”.
Muitos foram os bandarilheiros, grupo de forcados, campinos a cavalo e cavaleiros a realizar gloriosas touradas nesta magnífica praça. Entre as muitas ali realizadas para obras de caridade, destaca-se a de 3 de Agosto de 1919 (fig. 11), patrocinada por um grupo de senhoras de Abrantes, cujos lucros se destinavam à Santa Casa da Misericórdia. Abrantes também tinha o seu cavaleiro: José de Almada Burguete (fig. 12) e o seu belo cavalo de “Alter-Real” que por diversas vezes foram ovacionados na praça de Abrantes.Também no redondel da Vila de Abrantes, o bandarilheiro Francisco Fróis (El Colecta) (fig. 13), actuou algumas vezes. Como curiosidade refira-se que Francisco Fróis, quando convidado pelo Alferes José Maria Guedes para actuar na praça de Abrantes, ficava hospedado na “república” dos oficiais de Artilharia Nº 8.Após muitos anos, a Praça de Touros de Abrantes havia de morrer sem glória. Numa das melhores praças da província, construída em alvenaria e concebida para 3500 lugares, deixou-se de ouvir o cornetim
Os aficionados que assistiram à sua inauguração e os irmãos Franco que a mandaram construir e a inauguraram, viram o lento ruir do seu tauródromo, consequência dum inconcebível abandono.
Já em ruína, as touradas deram lugar a garraiadas, torneios de hipismo e á prática de futebol pelos mais novos.
De particulares para as mãos do Estado o fim definitivo da Praça de Touros ocorreu no dia 8 de Novembro de 1955, com a compra à Santa Casa da Misericórdia dos terrenos para dar lugar à construção da Escola Industrial e Comercial de Abrantes, hoje Escola Secundária Dr. Solano de Abreu (ESSA). Da Praça de Touros de Abrantes restam hoje parte das suas bancadas. As mesmas servem para os alunos da ESSA assistirem a outros torneios que não a lides tauromáquicas (fig. 14/15). Referências sobre a prática taurina e “Praça de Touros de Abrantes”:
(a) “Joaquim Candeias da Silva”, Abrantes, A Vila e o seu termo no tempo dos Filipes (1580-1640), pg.459,460. “José Alberty”, fotografias dos irmãos João e António Franco e cartaz original da inauguração Praça de Touros de Abrantes, 8JUL1900. “Carlos Vieira Dias”, negativo ruínas da bancada Praça de Touros de Abrantes. “Jornal de Alferrarede”, cartaz original corrida a favor Santa Casa Misericórdia 3 de Agosto 1919, talão original de ingresso praça touros ano 1902, foto localização Praça de Touros de Abrantes e fotos da corrida realizada em 1896, na hoje “Praça da República”, fotos estas emprestadas pelo Sr Engenheiro Pães do Amaral, Conde de Alferrarede e fotocópia talão de ingresso Praça de Touros de Abrantes 5 de Agosto 1900. “Biblioteca Municipal António Botto”, fotos Praça de Touros de Abrantes. “Vida Ribatejana”, anos 1958 e 1960, fotos Francisco Fróis e José Almada Burguette, revistas emprestadas pelo assinante Virgílio Esparteiro. Jornal o “O ABRANTES”, nºs 328, 332, 333, 382, 388, 392, 393, 394, 396, 397, 398 (anos 1898 a 1900). “Jornal de Abrantes”, nºs 3, 8, 9, 10, 11, 13 (ano 1900). “Cronologia de Abrantes no Século XIX – Eduardo Campos”, cartaz da corrida de Agosto de 1877.

ABRANTES - ÓRGÃOS DE TUBOS

Por José Manuel d’Oliveira Vieira
(Autor Artigo "Jornal de Alferrarede" Maio2007)

“Em tantos anos, foi a primeira pessoa a interessar-se por isto…” Carlos Barata Gil – 22/3/07

“ORGÃO DE TUBOS” – Instrumento musical de teclado, sopro e foles, usado principalmente nas igrejas (com a pressão exercida no teclado os foles comprimem o ar, que, passando por tubos, produz sons).
O encontro inesperado com Carlos Barata Gil, na papelaria “Papirus” em Abrantes, levou a fazer a pergunta que andava para ser feita há muitos meses e que só ele me poderia responder: “ÓRGÃOS DE TUBOS”.
Pela forma como sorriu e espontaneamente me levou para sua casa, sem saber quem era, fiquei logo a saber que Carlos Barata Gil não me deixaria sair de lá sem saber tudo o que pretendia. Para que tão importantes e valiosos instrumentos viessem a ser restaurados e postos ao serviço da comunidade e da cultura em Abrantes, Carlos Barata Gil, fez um levantamento dos órgãos de tubos existentes nas paróquias de S. Vicente e S. João Batista, posteriormente utilizado em 1983 pelo Padre Lúcio Alves Nunes, para responder a um Oficio do “Departamento de Musicologia do Instituto do Património Cultural”.
Muito falados na imprensa, mas depressa esquecidos, o dia 23 de Setembro de 1989 trouxe para Abrantes a esperança de um dia todos os órgãos de tubos existentes nesta cidade virem a ser restaurados, como foram os da Igreja de S. Vicente.
Dos apontamentos de Barata Gil, antigo “bibliotecário” da C.M.A. e “organista”, retirei o mais importante que se conhece deste património histórico, de valor incalculável que são os “ORGÃOS DE TUBOS” existentes em Abrantes(a).

IGREJA DE S. VICENTE - (foto antiga)

A Igreja de S. Vicente possui dois órgãos de tubos: um fixo, “ Grande Órgão” (fig. 1) e um outro no coro do Igreja denominado de “Positivo” em forma de “armário amovível” (fig. 2).

Fig. 1

Fig. 2

Do órgão fixo que se encontra instalado na capela-mor (lado esquerdo), conhecem-se as características: teclado de 4 oitavas e meia, 18 registos (9 do lado direito e 9 do lado esquerdo). Na parte inferior destinada ao lugar do organista tem pintado a tinta preta os dizeres: “Feito em 26 de Maio de 1791” e “Reedificado em 19-5-1877”. Por cima do teclado tem escrito a lápis o seguinte: “O organista da Sé de Lisboa Júlio Simões tocou cá no dia 3 de Março de 1919 e achou-o em bom estado”.
Este “Grande Órgão” é constituído por cerca de 1.200 tubos e foi o “25º órgão construído pelo mais notável português, fabricante de órgãos, António Xavier Machado e Cerveira”.
Ambos os órgãos (móvel e fixo) da Igreja de S. Vicente foram alvo de reparação pelo “organeiro” de Condeixa-a-Nova, António Simões, nos anos 1987 e 1989 respectivamente (fig. 3/4). Depois de restaurado, Abrantes assistiu ao concerto inaugural do “Grande Órgão” no dia 23 do mês de Setembro de 1989. O órgão positivo, amovível, do Século XVIII tem como autor Frei Simão (Joaquim António Peres Fontanes).

Fig. 3

Fig. 4

IGREJA DE S. JOÃO (foto antiga)

Na Igreja de S. João, na capela-mor (lado direito), existe um órgão de tubos (fig. 5), com as características: teclado de 4 oitavas, 13 registos (7 do lado esquerdo e 6 do lado direito). Construído por um padre desconhecido, este órgão nunca restaurado e actualmente em muito mau estado, poderá ser o que consta no “livro nº 1 de receita e despesa da fábrica da capela-mor” e do qual se diz: “Despendi com os pedreiros que abriram a parede na capela-mor para se acentar o órgão e cal e área e matereaes 15095 reis” (f. 94 - ano 1747). No entanto, no mesmo livro, ano 1681, aparece uma despesa de cento e setenta reis, referente a: “…e uma macha fêmea (dobradiça) da porta do órgão (f. 12v)
Teria existido um outro órgão na Igreja de S. João em 1681?
Como curiosidade refira-se que alguns tubos de madeira do órgão da Igreja de S. João estão forrados exteriormente com jornais de 1869.

Fig. 5

IGREJA DA MISERICÓRDIA (foto antiga)

Na Igreja da Misericórdia, encontra-se o quarto órgão de tubos, existente na Cidade de Abrantes (fig. 6). Em muito mau estado, este órgão positivo amovível, singelo, de autor desconhecido, só não foi restaurado em 1989/90 (+ -) pelo “organeiro” de Condeixa-a-Nova, António Simões, devido aos custos insuportáveis que o mesmo acarretava para a Santa Casa da Misericórdia de Abrantes.

Fig. 6

Descritos que foram os “órgãos de tubos” existentes em Abrantes, sabendo-se a importância que os mesmos representam como património histórico e cultural do Concelho, porque não integrá-los nas actividades culturais da cidade?

Carlos Barata Gil

(a) Referências fornecidas pelo senhor Barata Gil: Oficio 29 de Abril de 1983 ao Departamento de Musicologia do Instituto do Património Cultura do Arcipreste de Abrantes. Relatório estado órgãos Igrejas S. Vicente e S. João. Informações do livro nº 1 receita e despesa fábrica capela-mor de 1681 a 1747. Elementos retirados do livro nº 1 de Actas da Junta da Paróquia desde 1873 a 1877.
Agradecimentos: Ao Sr. Cónego José da Graça e ao Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, Sr. Capitão Horácio Mourão de Sousa por nos terem autorizado a ver e a fotografar os “órgãos de tubos” existentes em Abrantes.

NOTA - Pelo estado em que os órgãos da Igreja de S. João e da Misericórdia de Abrantes se encontram, restaurá-los torna-se dispendioso para as respectivas congregações. A recuperação destes órgãos só é possível através de uma candidatura como fez o Município de Cabeceiras de Basto. Neste Município, o Ministério da Cultura, apoiou a recuperação dos órgãos de tubos, “que envolve acções materiais e imateriais, estas com a realização de 2007 a 2009, de um Festival de Musica Antiga na região”.
E Abrantes?!...
Fotos: José Vieira e arquivo “Jornal de Alferrarede”

CORETOS DO CONCELHO DE ABRANTES

José Manuel d'Oliveira Vieira
(Autor Artigo "Jornal de Alferrarede Nov2006)

“…simbolizavam espaços de alegria e divertimento popular”

Fazem parte do património histórico de uma sociedade que hoje procura uma outra forma de divertimento que não a cultura popular.
Essencialmente um divertimento de Verão, os “Coretos”, pequenas construções em jardins ou praças públicas, onde as bandas filarmónicas realizavam concertos, foram perdendo cada vez mais a importância que tinham na sociedade.
De forma circular ou poligonal, estes palcos, outrora ponto de encontro, local de convívio e divertimento, elementos identificadores de um modo de vida social numa época em que o movimento associativo mais se fazia ouvir em Portugal (Século XIX), estão ao abandono.
Os “Coretos” são conhecidos no Concelho de Abrantes desde 1894, data em que o primeiro foi construído no “Passeio do Castelo”, então Vila de Abrantes.
De reconhecido interesse cultural, estes imóveis, símbolo de espaços de alegria, convívio e divertimento popular, associados a Colectividades, pouca ou nenhuma utilização tem tido por aqueles que foram em tempos os seus grandes utilizadores: as “Bandas Filarmónicas”.
O Concelho de Abrantes possuía até ao ano de 1956 oito “Coretos”.
Esta é a sua história. Com ela, se pretende, constituir um simples roteiro que sirva de base a um estudo mais completo de um património tão intimamente ligado ao “associativismo:
ABRANTES, 1894 – Neste ano, no antigo “Passeio do Castelo”, hoje “Jardim do Castelo”, foi mandado erigir um “Coreto” (fig. 1).

O Jornal “O ABRANTES” de 18 de Março e 29 de Abril desse ano, referia-se assim ao início da sua construção: “Vai brevemente principiar a construção de um coreto no passeio do Castello. Vimos a planta e pareceu-nos muito elegante o que nos leva a affirmar que ficará lindíssimo”.
“Está-se procedendo á construção do Coreto no Passeio do Castelo. A obra é feita por administração, visto não ter havido licitantes”
.
Base de alvenaria, estrutura em ferro, cobertura em chapa, cercadura com elementos decorativos, suportada por colunas verticais e acesso por escada exterior, este “Coreto” de forma octogonal, foi provavelmente inaugurado no final do ano de 1894 ou início de 1895 (fig. 1/a).ABRANTES, 1910 – Neste ano a Vila de Abrantes teve o seu segundo “Coreto”.
No “Largo do Príncipe Real”, hoje Praça da Republica, precisamente no lugar onde hoje se encontra o Monumento aos Mortos da Grande Guerra 1914/1918 encontrava-se erguido um “Coreto”. Mandado construir em 1910 pela Câmara Municipal de Abrantes, foi concluído a 17 de Julho do mesmo ano e demolido em Setembro de 1939. Este era em tudo muito semelhante ao que se encontra no Jardim do Castelo. (fig. 2).

Não sendo o texto dedicado às Bandas, refira-se no entanto da probabilidade da “Filarmónica de Abrantes”, cuja existência já se conhecia em 1891, ter actuado nos “Coretos” de Abrantes.
Como curiosidade: veja-se a “Filarmónica de Abrantes” a desfilar na Rua D. Afonso Henriques. No canto inferior direito da foto, localiza-se actualmente a “Abranclinica”, antiga “Casa de Saúde de Abrantes” (fig. 3)

TRAMAGAL, 1922 – Inaugurado no dia 17 de Setembro este “Coreto” foi desmantelado há poucos anos.
Por informações obtidas no local, no dia 10 de Setembro de 2006, consta estarem as peças deste “Coreto” numa oficina do Tramagal e que a Associação de Melhoramentos pensa reconstruí-lo, mandando fazer as peças em falta.
Neste exemplar bem ao estilo português, a Filarmónica da então “União Fabril”, nascida em 1 de Julho de 1901, actuou inúmeras vezes.
Construído a expensas do “Grémio Musical Tramagalense”, ajudado por alguns grados da terra, se não fosse desmantelado teria hoje a bonita idade de 84 anos.
A Sociedade Artística Tramagalense e o seu “Coreto” fazem parte da história mais genuína do associativismo que alguma vez se viu em todo o Concelho.
Ver o “Coreto” no local original, seria para a Sociedade Artística Tramagalense (SAT) e povo do Tramagal a prenda mais original alguma vez oferecida a uma Freguesia (fig. 4).ROSSIO AO SUL DO TEJO, 1915 – É exemplar único. No nosso Concelho é, sem dúvida, o mais bonito entre todos os “Coretos” existentes.
Inaugurado no dia 20 de Setembro de 1915, este “Coreto” encontra-se no Largo D. Joana Godinho Soares Mendes.
Só descritível por entendido este “exemplar” é uma bela obra de arte e técnica portuguesa.
Base de pedra, estrutura de ferro, forma octogonal, cercadura com elementos decorativos, cobertura em chapa é suportada por colunas em ferro fundido. O acesso faz-se pelo exterior (fig. 5).SOUTO (I) (Nossa Senhora do Tojo), 1956 – No dia 5 de Agosto, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Machado inaugurou este “Coreto”.
De construção moderna, tem a particularidade de ter forma cónica. Aqui, neste “Coreto, actuou pela primeira vez o “Agrupamento”, os “Rouxinóis Ribeirenses” (fig. 6).SOUTO (II) – Nesta Freguesia existe ainda um outro “Coreto”, cuja data de inauguração não nos foi possível confirmar. Este encontra-se na Praça Luís de Camões, junto à Igreja.
É de alvenaria tem forma hexagonal e o acesso faz-se por escada interior (fig. 7).ALVEGA, 1981 – No dia 13 de Junho na Praça da Republica, foi inaugurado este magnífico “Coreto”. De construção moderna, é o maior “Coreto” de todas as Freguesias do Concelho de Abrantes (fig. 8).RIO DE MOINHOS – Junto à Igreja Matriz desta Freguesia, encontra-se o único “Coreto”, sem cobertura, do nosso Concelho.
A data da sua construção é desconhecida. No entanto, um painel de azulejos que se encontra no Largo 5 de Outubro e que refere este Largo como Mercado da Aldeia em 1950 já nos mostra a existência do “Coreto”.
Também numa fotografia da Banda Filarmónica de 1940, se vê o parapeito do referido “Coreto”.
Assim, é provável que este “Coreto” tenha sido construído nos primeiros anos do Século passado! (fig. 9).Em forma de “quadrado”, este “Coreto”, é em tudo diferente daqueles que estamos habituados a ver.
Não havendo referências sobre os motivos que levaram à construção deste “curioso” modelo de “Coreto”, há, no entanto, importantes referências da “philarmónica riomoinhense”, como sendo a Banda mais antiga do Concelho, cuja existência remonta a 1821.
Rui André, Presidente da Junta de Freguesia, professor e estudioso de História e Património de Rio de Moinhos, diz-nos ter havido em tempos um projecto de alteração ou reconstrução do “coreto”, cuja planta se encontra na Sede da Junta.
Sendo este um modelo diferente de todos os que conheço, algo me diz estarmos perante uma história desconhecida que merece ser aprofundada. Até lá, deve ser conservada a forma original do “Coreto” de Rio de Moinhos.
Estes eram os palcos onde actuavam as “Bandas Filarmónicas”. Aqui, em redor dos “Coretos” se juntava o povo para ouvir a “ópera dos pobres”.

Para a feitura deste artigo, colaboraram com informações: Tramagal - Sociedade Artística Tramagalense. Rio de Moinhos - Presidente da JF Rio de Moinhos, Rui André “saúda-nos pelo trabalho realizado e por realizar a fim de mostrar às gerações vindouras e sobretudo às actuais o potencial histórico existente em todo o Concelho”.

ABRANTES - FONTES E LAVADOUROS

José Manuel d’Oliveira Vieira
(Autor Artigo "Jornal de Alferrarede Agosto 2006)
“…são os monumentos mais visíveis de um certo gosto de populações antigas”

Dados históricos do século XVI/XVII, dizem-nos não ter existido dentro da “Villa” de Abrantes, fonte alguma de água potável. Existia sim, uma fonte cujas águas de tão salobras que eram, não serviam sequer para lavar com sabão, mas tinham a particularidade de servir para amassar o pão e para trabalhos de tinturaria. Esta era a fonte do Chafariz ou “Fonte do Salgueiro” (Abrantes). Este tanque, inicialmente um poço, foi transformado em fonte pública e logo de seguida em Chafariz, tendo servido outrora para dar de beber às “bestas”. Hoje, quase não é reconhecível, tal o seu estado. Para melhor localização, diga-se que se encontra nas traseiras do Mercado Municipal e serve de entrada para um parque de automóveis da cidade (fig. 1).
Fig.1
Fonte dos Frades (Abrantes). Esta fonte ficava perto das muralhas, junto do Convento dos Frades e Terreiro de Stº António. Pequena nascente de água potável, foi em 1868, objecto de obras para aumentar o seu caudal, de forma a poder ser conduzida para a “Villa”.
Junto a esta fonte, também designada por Fontinha, existe um antigo lavadouro municipal, cujas águas provinham dessa nascente. No local, ainda há vestígios (razoáveis) de água a brotar da encosta. Confrontando fotos antigas, com as actuais, é notório o estado de degradação do lavadouro público. Actualmente encontra-se a servir de arrecadação e palheiro (fig. 2).
Fig.2
Fontes de S José. Devido à excelente qualidade destas águas, os habitantes de Abrantes utilizavam-nas para beber e em usos domésticos. Tinha no entanto a particularidade de ficare a mais de 800 metros das então muralhas da “Villa”.
Da Fonte de S José (Alferrarede), sabe-se terem sido feitas obras de desobstrução de canos e a mina ter sido abobadada de novo até á origem do nascente em 1865.
Sabe-se também ter a Câmara dispendido com essa obra a importância de 128 mil duzentos e cinquenta réis (fig. 3).
Fig.3
Fonte do Aipo (Abrantes). Junto ao antigo campo de futebol “a sul do Barro Vermelho (“Toponímia Abrantina” de Eduardo Campos), existe uma fonte cuja água era tida de boa qualidade, e donde os Abrantinos beberam durante muitos e muitos anos.
Os topónimos Vale e Fonte do Aipo atestam-se em documentos de meados do século XVII (LR5, f. 100 v e AM, 1, 17”)
Nota: até à data não foi possivel encontrar qualquer foto deste local. No entanto, por ter sido palco de imensos acampamentos e pic-nic's nos anos 30/40/50 do Século passado, é provável haver quem as possua).
Fonte Quente e Lavadouro (Alferrarede). Recebeu em 1867 e 1868 melhoramentos profundos de limpeza.
Após visita ao local, constata-se o abandono a que foi sujeita. Esta fonte e lavadouro (público) são sem dúvida dos mais belos exemplares existentes no nosso Concelho. Os brasões existentes nas suas paredes, só por si, justificam a conservação e restauro imediato de tão importante monumento histórico (fig. 4).
Fig.4
Fonte de S. Caetano (Abrantes). Tal como a fonte Quente, foi sujeita a melhoramentos, nos anos 1867/68. Localiza-se a meia encosta, entre Abrantes e Alferrarede. Durante muitos e largos anos serviu as populações próximas da cidade.
Assim era no século XVI/XVII, assim é no século XXI. Com menos frequência, é certo, mas ainda se vê gente a encher os garrafões de água nesta fonte. Os mais afoitos que se atrevem a percorrer o caminho Abrantes/Alferrarede e vice-versa, lá continuam a parar e a saciar a sede na calha de S. Caetano.
Chegar ao local é um autêntico martírio. A bica ainda corre em abundância e a água que corre para um tanque (não se vislumbra), serve para regar as hortas que por ali vão persistindo. Beber um trago de água nesta bica, descansar e conversar, era um hábito que os trabalhadores das indústrias de Alferrarede faziam quando regressavam a suas casas em Abrantes (fig. 5).
Fig.5
Na foto que retrata a fonte, pode-se ver no canto superior direito, um desenho a guache, do pintor Abrantino, Mário Cordeiro.
Por se encontrar actualizado, veja-se o que a C.M.A deliberou em sessão no dia 11 de Julho de 1792: “… que fosse reparada com toda a brevidade o Caminho das hortas de Saõ Caetano, por ser hum das maiores necessidades deste Povo”.
Menos conhecida das novas gerações, mas bem conhecida da antiga população de Abrantes a nascente dos Passarinhos (?) ou Fontinha (?), encontra-se bem perto da fonte do Chafariz. Nesta fonte, era vulgar encontrar os profissionais da “rede”. Longe dos olhares das autoridades, as “redes” eram montadas e capturava-se os tão apetecidos passarinhos, petisco comercializado nas numerosas tabernas existentes em Abrantes. Actualmente, os caminhos estão intransitáveis e a fonte não se vislumbra. No seu lugar correm águas de esgoto (fig. 6).
Fig.6
Estas foram as fontes que serviram a “Villa” de Abrantes. Outras há que, pela importância que tiveram na época, merecem destaque: Duque de Loulé (Alferrarede). Mais do que um simples fornecedor de água, esta fonte tem exercido sobre as populações que dela se servem (ainda), um poder quase que milagroso. Apesar das muitas placas a interditar o seu uso, as mesmas desaparecem e, como que num círculo vicioso os fregueses lá continuam a encher de água os garrafões e a lavar os carros.
Por se encontrar bem perto da estrada. Merece das entidades responsáveis um outro tratamento, para que se torne um local aprazível e funcional (fig. 7).
Fig.7
Ómnia (Alferrarede/Quinta do Bom Sucesso). Possui esta Quinta uma das melhores nascentes de água na região. Por se tratar de uma propriedade particular, pouca gente se desloca hoje à Fonte da Ómnia. Todavia, no passado, esta fonte era muito procurada pelos habitantes da região. Por generosidade da então Marquesa do Faial, D. Maria Assunção de Sá Paes do Amaral, esta nascente abasteceu durante algum tempo a parte velha de Alferrarede (fig. 8).
Fig.8
S Jerónimo, S João, Pastores, etc. etc., são fontes ainda existentes. Sobre estas e muitas mais, nos debruçaremos mais tarde se não houver quem o faça antes.
No Rossio ao Sul do Tejo, na margem Sul, existiam duas fontes: a Fonte dos Touros (fig. 9), foi, após muitos anos de abandono, encontrando-se em ruina, foi recuperada. A Fonte das Nogueiras, com uma abundante bica de água a correr para um lavadouro, pura e simplesmente desapareceu. Para a recordar, resta uma ou outra fotografia que assinala o local onde a mesma se encontrava (fig. 10).
Fig.9
Fig.10
Fotos:
Fig. 2 Carlos Vieira Dias
Fig. 8 e 9 "Jornal de Alferrarede"

A BOMBA!...

José Manuel d'Oliveira Vieira
(Autor Artigo "Jornal de Alferrarede" Setembro2006)

Ao contrário do que sugere o título, esta “bomba” não tem qualquer tipo de explosivo conhecido nem se destina a praticar actividades terroristas.
Esta “bomba”, ao contrário das utilizadas para matar, era usada pelos “Soldados da Paz” e destinava-se a salvar vidas e bens.
Se estiver viva, a “bomba”, terá certamente mais de cem anos e é uma relíquia que Abrantes não pode deixar perder.
A “bomba manual de água”, disso mesmo se trata, desaparecida misteriosamente das instalações da Fábrica de Moagem do Rossio é propriedade dos Bombeiros Municipais de Abrantes e consta ter ficado registado em Acta o empréstimo da mesma.
Consultados alguns livros no Arquivo Histórico da Biblioteca de Abrantes, não consegui localizar a Acta pretendida, cujo objectivo era saber a data efectiva do empréstimo à Companhia de Moagem de Abrantes.
A razão do empréstimo desta “Bomba", pelas entidades responsáveis do Corpo de Bombeiros de Abrantes, está no facto da Fábrica Afonso XIII (Rossio ao Sul do Tejo) conhecida por Companhia de Moagem de Abrantes possuir Bombeiros privativos.
Depois de ter estado mais ou menos cem anos na Fábrica, a “Bomba”, ainda se encontrava no local no dia 18 de Maio de 2000 (fotografia do cartaz).
No dia 9 de Agosto de 2006, o “Jornal de Alferrarede” esteve na “Companhia de Moagem de Abrantes”* e constatou o desaparecimento desta relíquia.
Da pilhagem, ficaram algumas mangueiras, despojadas dos respectivos acessórios.
De dimensões razoáveis e algum peso, a “Bomba de água” teria forçosamente de sair do local num meio de transporte proporcional à dimensão da mesma, pelo que é provável ter sido visto na zona o transporte utilizado.
Desmantelada, a “Bomba” não terá valor algum.
Morrer sem glória às mãos de um qualquer ferro-velho, por um preço insignificante não é a forma mais digna de acabar os seus dias.
Se é que não foi ainda desmantelada e encontra em casa de um qualquer coleccionador, esta apenas serve o próprio em detrimento do colectivo.
Os Bombeiros Municipais possuem muito equipamento antigo.
A ser localizada e recuperada, esta peça, depois de restaurada, poderá ser exposta num futuro “Museu” (novas instalações dos Bombeiros Municipais de Abrantes) e fazer parte da memória viva dos “Soldados da Paz”.
* Devidamente autorizado pelo proprietário, Eng. António Augusto de Figueiredo da Silva Martins. Fotografia (cartaz) gentilmente cedida por, Luís Pombo (ex-Comandante Interino dos Bombeiros Municipais de Abrantes).

CISTERNAS DE ABRANTES (I)

“…foram, desde os árabes, um dos processos mais expeditos e ecológicos de armazenar água”José Manuel d’Oliveira Vieira
(Autor Artigo "Jornal de Alferrarede" Julho2006)
No século XVII, a “Villa de Abrantes” possuía oito Portas: “de Valle de Judêo, do Chafariz, da Rua do Cabo, da Rua da Barca, do Quinchôzo, da Ferraria de S. Anna e a de Stº António”. Não sendo inexpugnável era, no entanto, uma Praça-forte, com uma população de 3115 habitantes no ano de 1817, assim distribuídos: Freguesia de S. Vicente e Castelo 1623 habitantes e a Freguesia de S. João e S. Pedro 1492 habitantes. Nessa data, a “Villa” tinha no interior dos seus muros 69 cisternas.
Trinta e nove anos depois (1856), Abrantes era detentora de qualquer coisa como 111 cisternas.
Por uma Planta do ano de 1817, da “Praça e Povoação d’Abrantes, levantada pelos Officiaes do Real Corpo de Engenheiros, o Segundo Tenente João Damasceno da Cunha Machado Pinto e Segundo Tenente José António de Abreu”, foi possível localizar as ruas onde se situavam e situam ainda, alguns “algibes” mencionados num velho documento de 1856 que serviu de alicerce para escrever o artigo sobre as “Cisternas de Abrantes I” (fig. 1 e 2).

O pouco que se sabe sobre as mesmas, encontra-se escrito no livro “Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes”, de Manuel António Morato e João Valentim da Fonseca, com organização e notas de Eduardo Manuel Tavares Campos, página 28 e resume-se a mencionar “terem existido 69 cisternas em 1817”.
Nota-se, isso sim, em quase todos os escritos da época (século XVII), uma grande preocupação em conduzir para dentro da Vila, as águas que se encontravam dispersas pelo monte de Santo António, mas que na realidade se concluiu serem em pouca quantidade.
Por esse facto e como praça de guerra que era, a Vila já se tinha adaptado, pelo que quase todas as casas possuíam o seu sistema de armazenamento de água para usos domésticos.
Além das cisternas que tão cuidadosamente eram tratadas (nessa época) e tão grandes serviços desempenharam e prestavam à população, havia ainda algumas fontes no interior e exterior das muralhas. Sobre estas últimas falaremos num dos próximos artigos.
Pela importância que o sistema representava para a defesa da “Villa”, em 1856, em resposta a um Oficio do Coronel Comandante d’um Batalhão Nacional, o Capitão da 6ª Companhia do mesmo corpo informava haver em “Abrantes” as seguintes cisternas:
1
Convento de Santo António (Hoje Largo de Stº. António) – duas cisternas
Das duas cisternas existentes, uma encontra-se no Parque Dr. Manuel Luís Fernandes, situado defronte do Hotel Turismo. Desconhece-se a localização da outra cisterna (fig. 3). 4
Convento da Esperança (Hoje Rua Actor Taborda) – duas cisternas
Neste antigo Convento continuam a existir as primitivas duas cisternas. Por deferência da Madre responsável pelo Colégio de Fátima, foi-me permitido fotografar as mesmas e verificar como é possível preservar o passado, enquadrando o conjunto (Convento/Colégio) num espaço destinado a fins escolares. Um exemplo a seguir (fig. 4). 18/19
Rua de Santa Iria – cinco cisternas

Hoje Rua D Afonso Henriques. Nesta Rua as cinco cisternas existentes pertenciam: Viúva Estêvão, Facas, D Luísa Abreu, Mota e Temudo. A água desta última era proveniente de uma nascente.
14
Rua Adiante – seis cisternas
A actual Rua Actor Taborda tinha à época seis cisternas que pertenciam aos proprietários: José Pedro, Plaquet, Escrivão Ferreira (duas), Manuel Lopes d’Oliveira, Viúva de Jerónimo Medidor.
12
S Vicente – três cisternas
Aqui encontravam-se três cisternas pertencentes aos senhores: Valejo, Oleiro e Machado.
10
Rua do Castelo – três cisternas
É desde 1908 Rua Capitão Correia Lacerda. Nesta antiga rua do Castelo, das três cisternas, duas pertenciam ao Sr. Raimundo e uma ao Padre João da Silva (fig. 5). A
Castelo – sete cisternas
No Castelo de Abrantes, consta ter havido sete cisternas, uma das quais nascente. Hoje apenas se encontra à vista uma que pode ser apreciada pelos visitantes que se deslocam a um dos pontos mais altos da cidade (fig. 6). Um pequeno lago que ainda se encontra no Jardim junto à muralha era abastecido com água dessa nascente. A água sobrante do lago servia igualmente para regar algumas hortas que se encontravam na encosta do Castelo.
Das restantes cisternas, é provável que uma ou duas possam ter existido no local assinalado na foto, uma vez que tenho noção de uma delas ter sido entulhada junto à árvore que se encontra à esquerda (fig. 7). 48/49
Rua Nova e da Palma – cinco cisternas
Diogo Emídio de Almeida foi proprietário de quatro das cinco cisternas existentes nesta rua. Diogo Cotovio foi proprietário da outra.
51
Rua de S Pedro – quatro cisternas
José Maria Brandão, Augusto Bobela, José Nunes, João Alberto (fig. 8). V
Quinxosos – duas cisternas
Criada do Padre Luis Saraiva, Filha do D. Alvaro.
52/53
Ruas da Barca – doze cisternas
A par da Rua Grande, as Ruas das Barca de Cima e de Baixo (Rua da Barca e D Nuno Alvares Pereira), eram possuidoras do maior número de cisternas na “Villa”. Estas pertenciam: António da Cunha, Maria do Carmo, Viuva do Passaro, Sobrinha do Sebastião, Padre Domingos, Tenente-coronel Ramos, Dr. Paulo, Segurada (duas), D. Francisca, Joaquim de Moura, Hospital (fig.9/10/11). 47
Rua Grande – treze cisternas

Gabriel (duas), Fernando Afonso Geraldes, Valejo Feio, Pissola, B. de Castelo Branco, Dr. Rafael, Barbosa Ajudante, José Lopes Menaia, Paulas, Bergara, Joaquim Ferreira, Francisco d’Abreu (fig. 12). 45/40
Rua dos Oleiros e da Boga – nove cisternas
Roque Calado, Florencio Dias, Manuel Fernandes, Viuva Salgueiro, José Maria da Silva, Vigário de S Vicente, José Apolinário, Paula Moura (duas) (fig. 14 e 15). 41
Praça e Rua da Cadeia – três cisternas

Raimundo, Brás Consolado, José Apolinário (fig. 13 e 16). 31/9
Rua dos Castanhos e Pasteleiros – seis cisternas
Marcelino, José Runa, Castros, João Requio, Silva Rosa, José Ribeiro.
7/6
Praças da Palha, Rocio e Proximidades – onze cisternas

Manoel Arruda de Serpa (nascente), Viuva de Porfirio Vaz, Aniceto Bobela, Comendador, Manoel d’Almeida Beja, Criada do Pataco, Pedro Curto, Convento de S Domingos, Convento da Graça (nascente), Pimentas, Aniceto (fig. 17). 28/24
Rua das Estalagens e do Cabo – cinco cisternas
Manoel Inácio da Silva, Lagar do Boubela, Padre Fialho, B Valejo Feio, D. Emilia.
23
Rua do Chafaris – seis cisternas

Dr. Zeferino (duas), Manoel do Club, Manuel Joaquim de Castro, Carapinha, José Apolinário da Silva.
39/21
Rua do Outeiro e Olarias – sete cisternas
António Alves da Silva, Escrivão Rosa, Almadas (duas) uma é nascente, Salgadas, Manuel da Costa, Romão Cabanelas.

***

Como se compreenderá, o presente artigo não é de forma alguma um levantamento completo ou técnico das cisternas existentes em Abrantes.
Fazer um inventário completo e criterioso destas raridades, é um assunto sério a requerer um Historiador ou Arqueólogo.
Consultar proprietários, escrituras, arquivos históricos e relacionar a “Toponímia de Abrantes do século XVII” com as ruas e cisternas, é obra para profissionais.
As “Cisternas” fazem parte integrante da “Memória Histórica de Abrantes”.
Publicar um livro e fazer uma colecção de postais* onde conste a totalidade das cisternas existentes, será para os proprietários das mesmas e para Abrantes uma mais valia e terá ainda a vantagem de as mesmas ficarem catalogadas.
Serviram os 3115 habitantes da então “Villa de Abrantes”. Hoje, tal como ontem, algumas cisternas, ainda continuam a servir os actuais proprietários.
Preservá-las é uma obrigação. Restaurar edifícios antigos, não pode de maneira alguma, significar a destruição de mais uma cisterna como aconteceu recentemente na Travessa do Pacheco (2005/2006).
Das 111 cisternas existentes em 1856, quantas haverá agora?
Por incrível que pareça, ainda existem muitas. Até quando?

*Com edições da Câmara Municipal de Abrantes.
NOTA: Os números ou letras que antecedem o nome das ruas e se encontram a AZUL, referem-se à localização dessa mesma rua na Planta (fig. 1).

AGRADECIMENTOS – Sem a devida autorização dos proprietários não seria possível apresentar este pequeno e modesto trabalho sobre as “Cisternas de Abrantes”. Para eles o meu muito obrigado.