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ABRANTES - CVTº DE SANTO ANTÓNIO

Artigo autor José Manuel d'Oliveira Vieira
(Publicado "Jornal de Alferrarede" Nº 268 FEV2008)
LOCAIS ONDE TEVE ASSENTO O
CONVENTO DE SANTO ANTÓNIO DOS PIEDOSOS
1º CONVENTO
STº ANTÓNIO VELHO DA RIBEIRA DA ABRANÇALHA – N. SRª DA LUZ
Reinando em Portugal D. João III, D. Lopo de Almeida, 3º Conde de Abrantes, fundou, no ano de 1526, no sítio onde hoje se encontra a Ermida de Nossa Senhora da Luz, o primeiro Convento de Santo António dos Piedosos que se conheceu em Abrantes.
Ermida pequena, condições precárias, local insalubre, os Franciscanos após 45 anos de permanência no cimo da Ribeira da Abrançalha decidem procurar outro lugar.
Obtida em 1571 a licença de D. Duarte de Almeida, filho do 2º Conde de Abrantes, para vender a Quinta de Nossa Senhora da Luz de Santo António Velho da Ribeira da Abrançalha, os Frades mandam construir em “Vale de Rãns” outro Convento, rejeitando a oferta da população de Abrantes, de um terreno, dentro da Vila, próximo da Fonte do Ouro, situado no Largo de Stº António em Abrantes.
2º CONVENTO
QUINTA DA ARCA – VALE DE RÃS/CHAINÇA
O sítio que os Frades escolheram para o novo Convento foi na ribeira, chamada de Vale de Rãs, onde se dizia as bicas, por uma de muita água que, atravessando fazendas, corria para os olivais para benefício público. Com o produto da venda do Convento da N. Senhora da Luz, hortas e esmolas da população, comprou-se novo terreno e deu-se início à construção do segundo Convento de Santo António dos Piedosos, em Vale de Rãs, contra a vontade, já anteriormente manifestada dos moradores da Vila de Abrantes.
Possuindo melhores condições que o anterior, situado em terreno “plano”, dai chamar-se Chainça, foi então ordenada a transferência da Ribeira da Abrançalha, para a Quinta da Arca, em meados do Século XVI (1571).
Património classificado como valor concelhio (Decreto n.º 129/77, de 29 de Setembro), as ruínas do antigo Convento de Santo António ainda apresenta, traços visíveis do que foi a enfermaria, a hospedaria um dormitório (de que há paredes e janelas das celas), a sacristia, via-sacra e paredes da Igreja.
Enquadrado por habitações recentemente construídas, nos terrenos em redor do antigo Convento, ainda se pode ver o que resta do aqueduto que para ali conduzia a água.
Na Quinta da Arca, à semelhança do que aconteceu na Ribeira da Abrançalha, os Frades foram assolados por várias doenças.
Sem outras alternativas que não fossem os “chãos de Abrantes”, os Frades resolveram aceitar a oferta e construir no monte da Vila, o derradeiro e último Convento de Santo António.
3º E ÚLTIMO CONVENTO DE SANTO ANTÓNIO
LARGO DE STº ANTÓNIO – ABRANTES
No dia 7 de Maio de 1600, o Bispo da Guarda, D. Nuno de Noronha, concedeu a mudança e também a trasladação dos ossos do Conde e Condessa, primitivos fundadores e os Religiosos falecidos, para o terceiro e último Convento de Santo António do Piedosos, construído em dois pedaços de terra, juntos à Fonte do Ouro.
No dia 15 de Maio de 1601, foi lançada a primeira pedra no alicerce da capela-mor do Mosteiro de Santo António, que se faz nos Barreiros, dizendo primeiro Missa de canto de órgão, e pregação em Santa Iria, e dahi fiserão Procissão aos alicerces.
O Convento foi renovado no ano de 1714, para cujas obras concorreram os moradores desta Vila e El Rei D. João V.
Com a extinção das ordens religiosas, em 1834 (ver caixa), o Convento ficou devoluto e as ruínas deste e as da Igreja da Ordem Terceira de S. Francisco foram dadas à Câmara Municipal de Abrantes, por Carta de Lei de 10 de Janeiro de 1859. Demolido o Convento de Santo António restou uma cisterna que ainda se pode ver no sítio onde se erguia o definitivo Mosteiro.
Da Igreja de S. Francisco, que ficava pegado ao Convento de Santo António, sabe-se que teve princípio no ano de 1717 e que estava concluído em Sábado de Aleluia, 12 de Abril de 1721 e que neste dia, foi benta pelo Reverendo. A Fonte do Ouro e um poço que se situavam mais ou menos no local onde foi construída a Igreja de S. Francisco, devido à má qualidade da água, foram tapados.
Demolida a Igreja de S. Francisco, foi ali edificado, em 1880, o Matadouro Municipal. Desactivado, foi este transformado em Centro de Divulgação de Tecnologias em 22 de Novembro de 2001.
Fotos: “Jornal de Alferrarede”
Fontes:“Corografia Portuguesa do Famoso Reino de Portugal do Padre António Carvalho da Costa de 1712”. “Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes de Manuel António Morato e João Valentim da Fonseca Mota pg. 94/ 95/96”.

O Convento de Santo António e a Igreja de S. Francisco Após a extinção das Ordens Religiosas em 1834
No dia 20 de Março de 1834, António Joaquim do Couto e Abreu, João Freire Temudo Fialho de Mendonça, o guardião e o presidente do Convento de Santo António são presos por manifestarem ideias constitucionais. No 19 de Maio as tropas de D. Miguel, compostas por 3.000 homens, abandonam a Vila, encravando armamentos e destruindo munições. Levam como reféns o guardião e o presidente do Convento que libertam nas proximidades de Bemposta. Ainda no ano de 1834, no dia 26 de Julho, ficou estabelecido no extinto e arruinado Convento de Santo António o Hospital do Regimento de Infantaria Nº 18, aquartelado na Vila de Abrantes. O Corpo de Sapadores que também esteva aquartelado neste Convento deixou a Vila de Abrantes no dia 25 de Outubro de 1846. Em 1859, no dia 10 de Janeiro, são entregues à C.M.A. as ruínas do Convento de Santo António e da Igreja da Ordem Terceira de S. Francisco, que toma posse delas em 9 de Dezembro. Em 1860, o matadouro municipal deixa de funcionar no Forte de S. Pedro e passa a ocupar a Igreja da Ordem Terceira de S. Francisco, no local onde hoje se encontra o Edifício Pirâmide – Centro de Divulgação de Tecnologias de Abrantes (Cronologia de Abrantes do Século XIX pg.36/37/63/82/86, de Eduardo Campos).

1 comentário:

Tramagalense disse...

Boas....
Encontrei o seu Blog e devo dizer que o achei bastante interessante.
Sempre gostei muito de historia e da historia da minha regiao e fico contente que alguem se dedica a falar dela na blogoesfera.
Continuacao de bom trabalho.