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HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (XV)

Por José Manuel d’Oliveira Vieira
1828
-A Irmandade dos Passos de S. João de Abrantes pagou pela música do Regimento e Guarda de Honra na Procissão dos Passos 9.600 réis e pela música e Guarda de Honra na Procissão do enterro do Senhor 7.200 réis DO108.
FEVEREIRO 22: Por Régio AVIZO, militares existentes no Depósito de Prisioneiros de Abrantes são amnistiados11 .
ABRIL (!): Planta do porto d’Abrantes onde se nottão as pozições da ponte militar, e das baterias para a sua defeza:
DIE 57-1-1-1
ABRIL 12: Remetidas pelo Corpo da Guarda Real da Policia, 12 praças apresentadas neste Governo  (Abrantes), por um Sargento do R.I.Nº 16 tiveram péssima conduta durante a marcha e excederam em um dia o seu itinerário. Por esse facto, Brigadeiro António de Azevedo Coutinho ordenou a prisão imediata a todo o contingente e manda proceder a “um Conselho de Averiguação”11
MAIO 5: Nesta data, relação dos amnistiados do Depósito de Prisioneiros de Abrantes é enviado pelo Quartel-general de Castelo Branco ao Conde do Rio Pardo11
MAIO 22: Comandante do Regimento de Infantaria Nº 20, Tenente Coronel João José Doutel quer que o seu Regimento seja pago de “pret” em igualdade de circunstâncias com os Destacamentos de Artilharia e Artífices que se encontram na Praça de Abrantes11. 
MAIO 31: Ordens reais mandam construir dois armazéns na margem direita do Rio Tejo em Abrantes destinados a guardar objectos pertencentes ao Trem das Pontes Militares, podendo a sua construção, alem deste fim, em tempo de Guerra, em que as Pontes estão estabelecidas, servir para Quarteis, ou Depozito de munições, que para se transportarem pª a Beira, ou Alemtejo, escusão subir á Vª d’Abrantes, o que produz mtª despeza, e põe em grande vexame os seus habitantes por ser necessário tomar-se-lhes as cazas ou servirem-se das Igrejas, em consequencia de não haver ali hum Armazem próprio…11 .
JUNHO (!): Ordens Reais determinam que “fundos” a serem arrecadados no futuro devem se enviados pelo Juiz de Fora de Abrantes ao “Thezouro Publico”11. 
JUNHO 9: Nesta Praça, como como em toda a Província da Beira Baixa, para conhecimento geral e pronta execução, Brigadeiro Azevedo Coutinho, manda publicar em Ordem de Dia e em Editais, a Régia Proclamação bem como o Decreto de 2 do corrente mês que chama ao serviço do Exército todos os Indeviduos, que tem tido Baixa desde o fim do anno de 1820… em conformidade com o Decreto que chama ao serviço militares que tiveram baixa de serviço, apresentaram-se trinta e cinco praças que foram mandadas armar e unir ao Regimento d’Infantaria nº 20. Para serviço da guarnição, a Praça de Abrantes tem apenas 140 baionetas do Regimento de Milícias de Idanha e 70 praças do Destacamento de d’Artilharia nº 111(ver JUNHO 26). 
JUNHO 10: ...sahirão  desta Praça, o Tenente Coronel d’Engenheiros Joze Carlos de Figueiredo, e os Officcaes do mesmo Corpo, e Destacamento d’Artifices que estavam empregados nas Pontes, e Estradas Militares deste Destricto... 11. 
JUNHO 20: Em conformidade com as ordens de S. A. Real, o Coronel José António Vidigal entra em Abrantes e recebe do Brigadeiro António de Azevedo Coutinho o Governo da Praça de Abrantes, ficando Governador Interino da mesma11. 
JUNHO 21: Coronel José António Vidigal, Governador Interino da Praça recebe ordens para intimar e apresentar em Lisboa o Capitão Agregado a esta Praça, Verissimo Alvares da Silva que se encontra ausente da sua residência à mais de oito dias. Oficio é entregue a sua mulher na Aldeia de Rio de Moinhos, local onde habita (ver JULHO 19)11. 
JUNHO 23: Sahe desta Praça, o Brigadeiro Antonio de Azevedo Coutinho, em direcção a Lisboa, a apresentar-se ao Quartel Generel de Sua Alteza, na conformidade das Ordens do Mesmo Augusto Senhor.
-Na mesma data e mesmo destino marcha o Capitão agregado do Regimento de Milicias de Castelo Branco, José Sebastião de Almeida Beja11. 
JUNHO 25:Chegam presos a esta Praça e no mesmo dia embarcam sob escolta no Porto de Abrantes para Lisboa, o Brigadeiro Claudino e um irmão11. 
-Governador Interino da Praça, Coronel José António Vidigal, informa o Conde de Barbacena: apesar de pequenos focos de guerrilha, tropa da Guarnição, habitantes locais e povoações vivem em tranquilidade e na mais firme adesão no reconhecimento à “legitimidade do Senhor Dom Miguel” 11. 
-Oficiais Engenheiros recolhem objectos pertencentes às pontes de Barcas do Porto de Abrantes, Punhete e Amieira bem como ferramentas para serem enviadas para a capital...11. 
JUNHO 26: Concluída a entrega das pontes militares, Tenente Coronel José Carlos Figueiredo e o seu Destacamento de Engenheiros, retira-se desta Praça para a Capital.
Para a conservação das Barcas e Pontes Militares a pagar diariamente pelo Arsenal são necessários: Ponte da Amieira - um mestre marítimo 400 reis, um ajudante240 reis. Ponte de Abrantes - um mestre marítimo 400 reis, quatro ajudantes a 240 reis cada 960 reis, um fiel de armazém geral 320 reis. Ponte de Punhete - um mestre calafate 500 reis, dois marítimos a 240 reis cada 480 reis11. 
JUNHO 26: Tendo concorrido grande número de Individuos á aprezentarem-se, dos que tiveram baixa, e na conformidade do Real Decreto de 2 do corrente mez, armamento do que tinha o Depósito do Batalhão de Caçadores Nº 3 nesta Praça e restos de uniformes de Policia do Depósito de Amnistiados que aqui houve, vestem-se os militares com baixa de serviço que se apresentam na Guarnição de Abrantes11. 
JUNHO 28: Por requisição Coronel José António Vidigal, Governador Interino, Arsenal Real manda entregar à Praça de Abrantes dez resmas de papel, e dez meadas de fio de vella para aqui se fazer cartuxame. Na mesma data chega a esta Praça cem mil (100.000) cartuxos embalados do adarme Inglêz* e três mil pares de Çapatos abotinados…11 .
Nota:Cartuxame que estava à disposição do Generel Póvoas e Visconde de S. João da Pesqueira, na Praça de Abrantes,  é remetido ao Juiz de Fora da Covihã. Sapatos aguardam determinação superior.
*Adarme Inglês=Calibre arma Inglesa
JULHO 4/10: Atiradores Realistas de Abrantes fizeram Guarnições da margem esquerda do Rio Zêzere e guarda das Bareas* de Nova da Esteveira, Souto e vaos do dito rio (relação nominal assinada pelo Major Vicente Manuel Ferreira A. De Oliveira, comandante interino da Capitania de Abrantes)11.  
*Bareas: Baixios causadas pelas marés!
JULHO 12: Governo da Praça de Abrantes remete ao Governador de Coimbra 3.000 pares de sapatos11. 
JULHO 1: Remetidos a esta Praça pelo Governador das Armas da Beira Baixa, quatorze (14) oficiais, prisioneiros na Acção de Penafiel, são conduzidos a Lisboa para serem apresentados ao Sr. Visconde de Veiros11. 
JULHO 18: Para auxilio da Guarnição desta Praça chegou o Batalhão de Caçadores Nº 6 com uma força de 189 militares11. 
Nota: No Hospital do Porto ficaram com baixa 61 militares. 
JULHO 19: Capitão do Estado Maior do Exercito, Verissimo Alvares da Silva*, anda escondido pelas proximidades desta Praça. Sua mulher, tem respondido, que não lhe tem falado
*No Oficio enviado ao Conde de Barbacena consta a ordem para que fique considerado desonerado do emprego que tinha à ordem do Governo da Praça de Abrantes.
JULHO 19/21: Por proposta do Coronel José António Vidigal, Governador Interino desta Praça e Aviso Régio, passa a ficar às ordens do mesmo o Tenente da Companhia de Veteranos de Abrantes, António Maria da Motta11
JULHO 22: ...tendo sido reduzido o Serviço da Guarnição desta Praça, a menos força possivel, a fim de poderem ser dispensadas da mesma guarnição as Milicias... foi possivel dispensar todo o Regimento de Milicias da Covilhã...
Para serviço desta Guarnição até chegada de um contingente de Praças de Setúbal a unirem-se ao Batalhão de Caçadores Nº 6, existe uma Companhia do Regimento de Milicias de Idanha que será despedida após a chegada dos mesmos11. 
JULHO 30/31: Chegaram a esta Praça duas conductas de Officaes Inferiores, Cabos, e Soldados d’Infantaria Nº 15, e 23 da Guarnição da Praça de Almeida, no total de 438 praças11. 
AGOSTO 1: Entra no Quartel de Abrantes o 1º Batalhão do Regimento de Infantaria Nº 20 e marcha no dia 3 para Castelo Branco11. 
-Governador de Abrantes requer o conserto de três barcas e um barracão da ponte ao norte do Tejo em Abrantes. Ordem para a referida obra é dada em 29 de Agosto e orçamento fica em 51#160 reis11
AGOSTO 2: Luiz de Sousa Vahia Rebelo de Miranda, Visconde de S. João da Pesqueira, General da Província (Beira Baixa), trata das operações e movimentos militares a partir da Praça de Abrantes11
AGOSTO 6: Comandantes das Armas da Província da Beira Baixa, recebem ordens para despedir, e recolher a suas cazas as Guerrilhas, e Ordenanças, que estivessem reunidas… e recolher a Depózitos Gerais, no centro da Provincia ou em Abrantes… armas e cartuxame que se lhes tinha distribuído… 11.
AGOSTO 16: Tenente Coronel João Jozé Doutel, Comandante do Regimento de Infantaria Nº 20, remete relação ao Governador das Armas da Beira Baixa (Castelo Branco) de todos os 36 oficiais do seu comando existentes na Praça de Abrantes com a situação dos mesmos após 15 de Maio* último11.
*Revolta liberal deu-se em 16 de Maio de 1828, começou a ser preparada em Aveiro e na sequência da mesma viria a ser criado um Depósito de Prisioneiros em Abrantes para albergar centenas de militares vindos de outras Unidades (ver AGOSTO 17/21/29/30).
AGOSTO 16:No Presidio Militar para responder em Conselho de Guerra, o Cirurgião Mor do Regimento de Cavalaria Nº 11, Sebastião de Oliveira Monteiro11
-Devido ao intenso calor que se faz sentir em Abrantes, encontram-se em ruina os reparos* em que se acha montada a Artilharia da Guarnição. Governador Interino propõe ao Conde Barbacena retirada dos mesmos para armazêm 11. 
*Reparo: suporte de madeira com rodas, no qual é montada a peça de artilharia. As rodas podiam ser maciças ou com raios.

Reparo artilharia
(miniatura do autor – réplica canhão Ilha de Moçambique)
AGOSTO 16:Por falta de músicos, Comandante João Doutel, Comandante do R.I.20 pede ao Marques de Tancos para interceder perante Sua Majestade que dois músicos (trompão e clarim), do extinto R.I.15, que se acham no Depósito desta Praça possam continuar o Real Serviço no Regimento11. 
AGOSTO 17: Coronel José António Vidigal, Governador Interino remete relação ao Governador das Armas da Beira Baixa (Castelo Branco), de todos os empregados civis na Praça de Abrantes, com a situação dos mesmos após a “revolta liberal -15 de Maio”, informando que a situação actual,  he de afecto a Sua Magestade Fidelissimo El Rei Sr D. Miguel Primeiro11: 
Empregos
Nomes
Médico do Hospital Militar desta Praça
Jose Gonsalves Boubella
Almoxarife da Praça
Jose Joaquim Freire Pimentel do Avellar*
Escrivão do Almoxarife
Antonio Nunes Fragozo
Encarregado do Fornecimento à tropa nesta Praça
Manuel Simoens de Carvalho
*Em 30 de Maio foi apresentar-se a Lisboa como “Eleito Procurador em Cortes”, regressou a 19 de Julho para o mesmo posto.
-Na mesma data e com o mesmo fim:
Praça d’Abrantes
Rellação nominal de todos os officiais, que pertencião ao Estado Maior da ditta Praça, no dia 15 de Maio de 1828, se existião até ao prezente, e qual a sua Cituação actual.
Exercicio
Postos
Nomes
Observaçoens
Governador da Praça
Brigadeiro
António de Azevedo Coutinho
Existia no Governo da Praça, no dito dia 15 de Maio até 20 de Junho, em que por ordem de Sua Magestade, foi chamado a Lisboa para ser empregado em huma Comissão, onde existe.
Tenente Rey
Coronel Graduado
Antão Garcez Pinto de Madureira
Existia, na Praça, no dito dia 15 de Maio, até 3 de Junho, em que por ordem de Sua Magestade foi remetido debaixo de prizão, pª Lisboa, onde existe. Passou para o Exercito, por Decreto de 22 de Julho do corrente ano.
Major da Praça
Ten. Cor. Graduado
João Jozé ótes Paim
Existia, no seu Exercicio, no dito dia 15 de Maio, e no mesmo tem continuado até ao prezente na diat Praça.
Aspirante da Praça
Capitão Graduado
Jozé Pereira da Cunha
Idem
Ás oedens do Governador da Praça
Capitão Estado Maior do Exercito
Verissimo Alvares da Silva
Existia no dito dia 15 de Maio, no seu7 Exercicio, até 28 do dito Maio, tendo dezaparecidoseguidamente até ao prezente, sem que se saiba da sua cituação actual, e sem que com tudo conste, se reunisse ao Rebeldes.
Ás ordens do Governador da Praça
Capitão do Regimento Milicias Castelo Branco
Jozé Sebastião dÁlmeida Beja
Existia no dito dia 15 de Maio, no seu Exercicio, até 20 de Junho, em que por Ordem de Sua Magestade foi chamado a Lisboa, onde existe actualmente.
Ajud. De ordens do Brigadeiro Governador da Praça
Alferes de Cavalaria
João António de Azevedo Coutinho
Existia no dito dia 15 de Maio, até 20 de Junho, em que deixou o seu exercicio pela sahida do Brigadeiro Governador da Praça e tem existido actualmente nesta Praça.
Quartel na Praça de Abrantes 17 de Agosto de 1828
Jozé Antº Vidigal
Coronel Gov. Intº
AHM
AGOSTO 18: Devido à proximidade do Inverno, Governador Interino da Praça de Abrantes, requer a Francisco António Rapozo, Brigadeiro Fiscal das Obras Militares, a necessidade  de serem reparadas vinte e uma barcas da Ponte Militar de Abrantes. Quatro encontram-se em risco de se perderem e 17 carecem de ser beneficiadas, pois precisam de calafates11. 
AHM
AGOSTO 21:Em execução do que determina a Ordem do Exército Nº 35 de 16 de Julho último, Visconde de S. João da Pesqueira, Governador das Armas da Beira Baixa, recebe e envia ao Marques de Tancos as “relações” com a situação dos militares e civis da Praça de Abrantes que se unirão ou não aos rebeldes (Estado Maior, Empregados Civis, Regimento de Infantaria Nº 20, Corpo de Veteranos, Capitania Mor de Abrantes, Capitania Mor de Mação, Capitania Mor do Sardoal e Capitania Mor de Vila de Rei), referidas a 15 de Maio de 1828 (revolta liberal)AG336.  
AGOSTO 29: Do Conselheiro d’Estado, Ministro e Secretario de Estado dos Negocios da Guerra, Conde do Rio Pardo para o Chefe do Estado Maior General, Conde de Barbacena: Por solicitação do General da Beira Baixa (5 de Agosto),  mostrando necessidade de mandar para Abrantes hum Official Engenheiro de Confiança, com hum destacamento do Batalhão d’Artifices para cuidadrem da conservação das barcas que servirão nas Pontes do Tejo, e Zezere; que não havendo neste Ministério informação alguma contraria á conducta politica dos Officiaes que actualmente estão servindo no Real Corpo de Engenheiros, e podendo acontecer... coisa desfavoravel  a algum dos ditos Officiaes...rogo a VExcia haja indicar-me o Official que julga nas circunstancias de ser nomeado para o serviço proposto pelo General da Beira Beixa*11
*No dia 5 de Setembro, o Ministro da Guerra dá parecer favorável á nomeação de um qualquer oficial que serve o Batalhão de Artifices Engenheiros.
AGOSTO 30: Referente ao dia 15 de Maio último, Visconde de S. João da Pesqueira, Governador das Armas da Beira Baixa (Castelo Branco), relaciona as 22 Capitanias Mores, incluindo a de Abrantes, com o nome dos oficiais que não se unirão aos rebeldes11. 
AGOSTO 30: Coronel José Vidigal, Governador Interino entrega o Comando da Praça de Abrantes ao Brigadeiro António de Azevedo Coutinho11.
SETEMBRO 3: Por falta de afeição ao actual sistema, incapazes de fazer parte de um “Corpo fiel”, insistirem num sistema desorganizado, baixarem ao hospital para não combaterem rebeldes, Tenente Coronel Comandante do Regimento de Infantaria Nº 20, João José Doutel, comunica e envia lista* ao Marquês de Tancos que nove Praças do seu Regimento (Sargento de Brigada - Francisco dos Santos,1ºs Sargentos – António José de Amaral, Tomé Justino, Sargento Quartel Mestre – Manuel Mexia da Rosa, Cadete Porta Bandeira – Simão Trigueiro Martel, Soldados – Joaquim José Lode, António Carlos Barroso, Joaquim Fernandes de Pimenta, António Joaquim Fernandes), não tem condições para continuarem no Corpo, pelo que deve ser dado outro destino11.
*Na lista enviada ao Marquês de Tancos consta o registo dos crimes cometidos e respectivas penas tais como baixa de posto “Sargento p/Soldado”, punido com “chibata” etc. etc. Em consequência do registo dos crimes cometidos os militares foram sendo despedidos do Exército11.   
SETEMBRO 5/6: Governador da Praça de Abrantes remete a Agostinho José da Costa, relação nominal das 130 Praças Rebeldes (1º/2º Sargentos, cabos, soldados, tambores e anspeçadas que vieram do Depósito de Setúbal para continuarem o Real Serviço no Regimento de Infantaria Nº 2011 (Sobre este assunto, ver SETEMBRO 9/11/13/15/17). 
O contingente de 130 militares dos Corpos Rebeldes que veio do Depósito de Setúbal para o Regimento de Infantaria Nº 20 em Abrantes, para gozarem do indulto do monarca Senhor D. Miguel I, durante o descanso de 22 para 23 de Agosto em Santarém tiveram conduta imprópria ao cantarem Cantigas á Constituição do ano de 1820, e á de 1826 - disseram que o Governo de S. Magestade ainda havia de mudar, e ao mesmo tempo dizendo mal do dtº Governo… fizeram elogios ás Tropas Rebeldes, e com particularidade ao Regimento 10 de Infantaria, e algumas terras que se rebelaram… espamcaram um Rapaz filho de Joaquim Antonio da Roza, por cantar cantigas Realistas… hum Sargento do 8 de Infantaria tirou a Bandeira de Caza do Tenente Coronel António Joaquim de Figueiredo (estes acontecimentos foram presenciados, escritos e denunciados em Santarém dia 26 de Agosto pelo Soldado Voluntário Realista Joaquim António Leite) 11. 
Pelas provocações ao Governo constituído, o Governador da Praça, António de Azevedo Coutinho manda instaurar um processo de averiguações e manda a Santarém o Soldado Voluntário Realista Joaquim António Leite e mais testemunhas para estes dizerem ao Doutor Juiz do Crime de Santarém, o nome dos Soldados que perpetrárão aquelles crimes11
Composição Conselho Averiguações
AHM
SETEMBRO 6: Conde do Rio Pardo, expede ordem ao Brigadeiro Intendente das Obras Militares, para mandar concertar as Barcas da Ponte da Praça de Abrantes...11 
SETEMBRO 9/11/13/15/17: Realizam-se processos sumários, é trocada correspondência entre o Governo da Praça de Abrantes e Juiz de Fora do Crime de Santarém11. Do Conselho de Averiguação nomeado pelo Governador da Praça de Abrantes em 5 de Setembro, este confirma os acontecimentos e conclui não serem reconhecidos os que o prepetrarão pois todos negão, e não consta da representação, signaes ou nomes. A investigação aos revoltosos prolonga-se até 26 de Setembro11. 
SETEMBRO 26: Declara-se ao Exército em todo o Reino a formação de Corpos do Voluntários Realistas a organizar pelas Câmaras (ver NOVEMBRO 15/DEZEMBRO 13) AG336
OUTUBRO 5/7: Com destino a diferentes Corpos, comandadas pelo Tenente do Regimento de Milícias de Torres Vedras, Joaquim da Vaza Cesar, chegam a Abrantes 109 praças no dia 5 e saem desta Vila a 711. 
OUTUBRO 13: Regressados de Espanha, comandados pelo Sargento-ajudante do R.I. Nº 17, Manuel Vicente Brito Guerreiro, militares de diferentes Corpos chegam a esta Praça11
NOVEMBRO 7:…a fim de manter o socego publico por ocasião da Feira de S. Martinho, Governo da Praça, envia para a Golegã, uma força de cinquenta homens do R.I. Nº 20, que se  apresenta no dia 8 ao Juiz de Fora da Golegã11. 
NOVEMBRO 15: Começa a ser organizado pela Câmara de Abrantes  o recrutamento de Voluntários Realistas (cronologia de Abrantes no século XIX pg 32 - Ver DEZ 13).  
NOVEMBRO 17/19/22/26/29: Na sequência do acidente sofrido por D. Miguel*, o Brigadeiro Governador da Praça, António de Azevedo Coutinho, em seu nome e da fiel guarnição, deseja as melhoras de El Rey Nosso Senhor11. 
* Dirigindo-se no dia 9 de Novembro de 1828 de Queluz para Caxias, D. Miguel sofreu um acidente e partiu a perna pela coxa.
DEZEMBRO 1: Estão desempregados e a residir nesta Praça os oficiais da 1º Linha do Governo das Armas da Beira Baixa - Capitão António Maximino Figueiras/RI20, Alferes José Joaquim Boquetes/RI20, João Cardoso Ribeiro/RI20 e António Soares Ribeiro/RI811. 
DEZEMBRO 1:Por Acórdão da Régia Comissão da Alçada Estabelecida na Cidade do Porto, Manuel Bernardo Hermenigildo e José António Gomiz, Bacharéis formados em Leis, encontram-se a cumprindo degredo na Praça de Abrantes (um ano e dois anos respectivamente)11
DEZEMBRO 13: Comandante em Chefe dos Corpos do Exército é informado pelo Juiz de Fora de Abrantes não ter comparecido número suficiente de homens para formar uma Companhia ou Batalhão de Voluntários Realistas nesta Praça (cronologia de Abrantes no século XIX pg 32) 
NOTA: Para contextualizar a não existência de "Voluntários Realistas" na Praça de Abrantes, se refere o texto que se encontra na Cronologia de Abrantes de Eduardo Campos. 
DEZEMBRO 15: Comandante do R.I.20, João José Doutel informa Marquês de Tancos da boa conduta e lealdade com que os Oficiais Inferiores que pertenceram aos Corpos Rebeldes estão servindo o Regimento11. 
DEZEMBRO 18: Por deserção simples, deserção em tempo de guerra, arrombamento, furto, a aguardar concelho de guerra, homicídio, extravio de armamento, uso de arma proibida, encontram-se na Prisão do Castelo de Abrantes 28 militares11
Nota:Relatórios do Governador e Comandante do “Prezidio Militar de Abrantes” referentes aos anos de 1828 a 1831 nos mestrão um número inusitado de presos que passarão pelos “calabouços” desta Praça.
DEZEMBRO 29: Para continuarem o Real Serviço no Regimento de Infantaria Nº 20, vindos Depósito de Prisioneiros de Peniche, chegam a esta Praça 57 praças do R.I Nº 1011. 

HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (XIV)

Por José Manuel d’Oliveira Vieira

1827
FEVEREIRO 7/8/19: Brigadeiro Governador Interino da Praça de Abrantes, António Feliciano Telles de Castro Aparício, por requisição do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, entrega à Santa Casa, 25 barras, 50 enxergas, 50 cabeçalhos, 100 camizas, 200 lanções, 50 mantas, 50 cobertores, 100 barretes, pertencentes aos Hospitais Regimentais de Infantaria Nº 10 e 20, para serviço dos enfermos militares, na importância de cento e noventa oito mil setecentos e trinta reis, a deduzir na despesa do tratamentos dos militares ali internados. Na relação de entrega consta o nome dos irmãos da Santa Casa que receberam o referido material11.
 AHM
FEVEREIRO 25: Vindo de Elvas, em marcha para o Quartel do Tenente General Clinton,  chega a esta Praça o Tenente Coronel do Real Corpo de Engenheiros de Sua Majestade Britânica, John Fox Burgoyne*. Durante a sua permanência na Vila de Abrantes, Governador António de Azevedo Coutinho, facilita a Burgoyne, revista ás fortificações da Praça de Abrantes11
*Em 1826 acompanhou o General Henry Clinton numa missão a Portugal para apoiar o Governo Constitucional contra as forças absolutistas de D. Miguel. 
 
Ten.Cor.Engº John Fox Burgoyne
(1782-1871)
MARÇO 17/19: António de Azevedo Coutinho, informa o Ministério da Guerra, ter chegado à Praça de Abrantes (17 MARÇO), com destino a Portalegre (19 MARÇO), o Tenente Coronel Burgoyne, cheffe de Engenheiros, e o Capitão Clinton, Ajudante de Ordens, e Filho do General Clinton, do Exercito de Sua Magestade Britanica11. 
MARÇO 22: Para evitar que Desertores Armados ou outros Inimigos fação alguma incursão, e se apoderem das Barcas, João da Silveira de Lacerda, Governador das Armas da Beira Baixa manda vigiar barcas do Tejo e Ponte na Amieira11
MARÇO 30: Entrou na Praça de Abrantes o General Comandante em Chefe das tropas aliadas, Guilherme Henrique Clinton* , Coronel Quartel Mestre General, Owar e o Capitão Franciosi. Foram recebidos com todas as honras militares, mostradas as fortificações conforme o recomendado “pelas Ordens do Dia Nºs 4 e 8 dos dias 5 e 15 de Janeiro do ano corrente”, fez o reconhecimento às posições do “Codis”. Retiram no dia 1 de Abril em direcção à sua posição e ponte de “Punhete” 11. 
*Como Coronel do Exército Britânico participou na captura da Madeira e foi seu Governador desde Julho de 1801 a Março de 1802. A presença do General Comandante em Chefe das Tropas Aliadas, Guilherme Henrique Clinton e as visitas constantes à Praça de Abrantes dos Engenheiros Britânicos revela o quanto Abrantes continuava a ser um ponto importante e estratégico para a defesa do Reino na esperada invasão espanhola.
Wiliam Henry Clinton
ABRIL 9: Para reconhecimento das colinas e posições no circuito de Abrantes, entram nesta Praça o Coronel Burgoyne do Corpo de Engenharia do Exército Britânico e o Capitão Clinton, Ajudante de Ordens do General em Chefe11
ABRIL 12: Para inspeccionarem e verem o estado da Praça, chegaram a esta Vila onde pernoitam e partem no dia seguinte para o Quartel-general em Leiria, o Capitão Bally, Ajudante de Ordens do General em Chefe (Guilherme Henrique Clinton), o Inspector dos Hospitais (Rooliche) e o Pagador General Craufurd11. 
MAIO 22: Numa extensa carta (confidencial), a partir de Abrantes, Francisco de Paula Biquer*, Coronel do 7º Regimento de Infantaria, denuncia ao Ministro da Guerra, Duque de Saldanha (João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun), vários oficiais e um ajudante de cirurgia por desafectos ao actual sistema de governo, que tão feliz, e venturosamente nos rege… Na mesma carta é referido que os mesmos oficiais querem fazer lavrar, e correr as doutrinas subversivas…11 (Ver MAIO 30)
*Por atentar contra a soberania, três meses depois, este Coronel é mandado julgar em Conselho de Guerra (ver AGOSTO 29).
MAIO 30: Coronel do 7º Regimento de Infantaria, Francisco de Paula Biquer, solicita ao Duque de Saldanha que os seus militares quando chegarem à Capital não comunicarem com os soldados deste Regimento que se encontram presos no Castelo de S. Jorge por serem inimigos da Carta Constitucional outorgada por D. Pedro IV11.
-De Janeiro a Maio, 109 militares, recrutas, do 7º Regimento de Infantaria estacionado nesta Praça, que se encontravam no Depósito de Setúbal desertaram11
JUNHO 14: Vários oficiais e um bacharel em leis, não possuidores de guias nem passaporte, foram presos pelo Capitão-mor e Juiz Ordinário do Gavião e remetidos para a Praça de AbrantesAG335
JUNHO 19: Por decreto, nesta data foi desonerado do Governo da Praça de Abrantes o Brigadeiro António de Azevedo Coutinho. Pelo mesmo decreto passa a Governador da Praça de Abrantes, Brigadeiro João Vasconcelos de SáAG335.
-Organizado o Hospital Militar no Convento de S. Domingos.
DSE 
JUNHO 23/24: Um tenente e um alferes, ambos do Regimento de Infanatria Nº 8, presos, acusados da fuga do Espanhol D. Alonço Barrantes da prisão da Casa da Câmara de Abrantes, foram absolvidos, soltos e entregues ao exercício dos seus deveres e patentesAG335(ver AGOSTO 27).  
JULHO 18: Abrantes -Ponte de barcas e cavaletes - Planta de Joze Carlos de Figueiredo, Tenente Coronel Engenheiro; desenhado por Angelo Centazzi, 2º Tenente do Real Corpo de Engenheiros.
DSE
JULHO 27: Cavalo e objectos de emigrados “Hespanhoes” são apreendidos e entregues ao Ajudante do Quartel-general de Abrantes, José Joaquim de Brito a Joaquim da Costa Ribeiro11. 
AGOSTO 27: Por Decreto do corrente mês, Governador da Praça de Abrantes o Brigadeiro António de Azevedo Coutinho em substituição do Brigadeiro João de Vasconcelos e Sá que foi para a Praça de ElvasAG335.
-Nesta mesma data é reposta a reputação do Brigadeiro Coutinho, por ser acusado de negligência e fuga de um espanhol preso na “Casa da Câmara de Abrantes”AG335. 
AGOSTO 29: Manda a Senhora Infanta Regente, em nome de El-Rei que faça julgar em Conselho de Guerra o Coronel do Regimento de Infantaria Nº 7 Francisco de Paula Biquer e mais dois oficiais do mesmo RegimentoAG335
SETEMBRO 11:  Era nesta data Tenente Rey da Praça de Abrantes o Coronel Coronel Graduado Antão Garcez Pinto de MadureiraAG308.
DEZEMBRO 12: (Pontes Militares) – Obra de José Carlos de Figueiredo em Anexo (1).
Orçamento* para construção de dois armazéns na margem direita do Rio Tejo em Abrantes -
A experiencia de todas as Campanhas passadas nos tem mostrado quanto a Villa de Abrantes se torna interessante pela sua posizão topográfica, ou seja considerada como Logar forte/e nesse cazo/contendo em si grandes Depozitos; ou pela segur -a comunicação que então se estabelece entre as duas Provincias de Alemtejo, e Beira Baixa por meio de huma Ponte Militar lançada sobre o Tejo debaixo da protecção das suas obras avançadas.
Hé debaixo deste ponto de vista que se pode ajuizar quão vantajoso, e necessaário será o proceder-se á construção de hum Edificio próprio… de poder guardar em competente arrecadação… e a de servir de Depozito geral de utensílios de outras Pontes que se pretendão lançar sobre o Tejo, e Zêzere… Quartel em Abrantes 12 de Dezembro de 1827 – José Carlos de Figueiredo – Ten Coronel Engenheiro11 (Ver MAIO 31 de 1828). 
*Orçamento descritivo com todos os pormenores para a sua construção, em doze (12) folhas, incluindo a planta do referido edificioDSE.
DSE
Planta – Armazéns Trem Pontes Militares em Abrantes
Nota: Está esta planta classificada na DSE como o ano de 1800. É de crer haver falha de classificação e ser de 1827 e não de 1800  uma vez que a referida planta se encontra anexada a este orçamento do  Engenheiro José Carlos Figueiredo.
Anexo (1)
Figueiredo (José Carlos de)
Nasceu em Lisboa. Por decreto de 3 de novembro de 1802 foi promovido a 1º tenente do Real Corpo de En­genheiros, sendo 2º tenente, por serviços presta­dos em campanha; não encontramos noticia das outras promoções d'este engenheiro, até ao posto de tenente coronel em 1827; a coronel graduado foi promovido em 6 de agosto de 1832, a effectivo em 25 de setembro de 1833, e a brigadeiro gra­duado em 18 de janeiro de 1842, contando a an­tiguidade desde 5 de setembro de 1837.
Em 1827 desempenhou um papel importante na construcção de pontes permanentes sobre o Tejo, para serem aproveitadas na guerra, escrevendo sobre o assumpto a sua:
Memoria descriptiva dos serviços feitos pelos officiaes e destacamento de artifices engenheiros, debaixo do meu commando, na Commissão das Pontes para a guerra; das Baterias destinadas para sua defeza; e das estradas militares. —1827.
D’esta memoria, existente no Archivo de Enge­nharia, e publicada na Revista de Engenharia Mi­litar de março do anno de 1903, resumimos o se­guinte:
José Carlos de Figueiredo, que devia ser então major de engenheiros, marchou com um destaca­mento de artifices engenheiros, incluindo um ca­pitão e dois subalternos, cm 15 de dezembro de 1826 para Abrantes, para dar principio ás pontes permanentes sobre o Tejo. Em 28 d’esse mez estava prompta a servir a ponte de Villa Velha no porto d´esta villa, sendo porém desorganizada logo a seguir pela approximação de um corpo de tropas inimigas, e estabelecida outra ponte na Amieira por este ponto poder ser melhor defen­dido.
Emquanto esta ponte se construia, marchou o T.te C.el Figueiredo, com os tenentes José Manço de Faria e José Maria Moreira de Bergara, para Niza (5 de janeiro de 1837) afim de fazerem um reconhecimento na Fronteira e abrir eommunicações que facilitassem a observação dos movimentos do inimigo. Concluido esse reconhecimento, levado a effeito num dia pelos referidos tenentes, recolhe­ram em 7 á villa da Amieira, cuja ponte ficou concluida em 10, recolhendo o destacamento em 15 a Abrantes, para apparelhar o necessário para as pontes de Abrantes e Punhete.
Em portaria de 18 foi mandado lançar a ponte sobre o Zezere em Punhete, para facilitar a passa­gem das tropas britanicas que nesse dia começa­ram a sahir da capital. Marchou o destacamento para aquella villa em 22, e ás 10 horas do dia se­guinte ficava concluida a construcção da ponte em toda a largura do rio, que era de 335 palmos, con­tinuando porém nos dias seguintes a ampliação da mesma até attingir 540 palmos, para a ponte po­der servir nas maiores cheias que sobreviessem, ficando tudo prompto em 30 de janeiro, para o que o referido T.te C.el Figueiredo usou d’um systema novo de sua invenção, que descreveu.
Em março esteve o General Clinton em Abran­tes, onde o T.te C.el Figueiredo lhe assegurou e mostrou que, se no dia seguinte elle tivesse que passar as suas tropas pelo Tejo naquella villa, a ponte estava prompta a lançar-se de forma a poder faze-lo, o que lhe fez ver mostrando-lhe todos os barcos e trem respectivo “em acção de executar promptamente o que lhe promettia. Convencido d’esta verdade, S. Ex.a me fez publicos elogios, declarando que não esperava que tanta obra estivesse concluída em tão pouco tempo”.
Recebendo ordem para o lançamento d’esta ponte em frente de Abrantes, escolheu «o dia 29 de abril em que o Senhor D. Pedro IV decretou a Carta Constitucional, para solemne e militarmente fazer esta operação, imaginando o inimigo na mar­gem esquerda d’aquelle rio, para se oppor ao es­tabelecimento da ponte, o qual se figurou ser des­alojado por 4 peças de artilharia de calibre 6, que jogavam de differentes posições da margem direita, e picado pela rectaguarda por dois corpos de artí­fices, de 60 bayonetas cada hum, que passarão o Tejo em dois difíerentes pontos; manobra que ser­viu para cobrir os trabalhos que foram necessarios para formar a ponte, no que se gastaram duas ho­ras.
Alem das pontes do Tejo e Zezere, tambem se construíram 3 pontelhões de pinheiros unidos, dois na estrada real, entre Rio de Moinhos e Abrantes, sendo um na Ribeira dos Moinhos, e outro na Ribeira Velha; e na estrada entre Punhete e Tancos na Ribeira da Fonte Santa.
Inventou uma ponte volante para seguir qual­quer corpo do exercito, e descreve-a largamente.
Sendo contrario á causa de D. Miguel, teve que imigrar para Inglaterra, sendo demittido por de­creto de 3 de fevereiro de 1831, por desertor, ficando sujeito a responder no Juízo competente pelos crimes em que se achava incurso. Mas em virtude do decreto de 24 de novembro d’esse anno foram-lhe anunlladas as notas de deserção e de­missão.
Apresentou-se na Ilha Terceira em 11 de junho de 1831, prestando relevantes serviços na defeza d'esta ilha, pelo que foi graduado em tenente co­ronel; em seguida tomou parte no cerco da cidade do Porto, onde dirigiu as fortificações de dois districtos da linha do Norte, ficando depois inspector geral de todas as fortificações das linhas ao Norte e Sul da mesma cidade.
Até outubro de 1834 era também no Porto ins­pector das Obras militares, sendo então substituido neste cargo pelo coronel de engenheiros José Dionisio da Serra, ficando só com os cargos dos tra­balhos topographicos e da manutenção das fortifi­cações das linhas do Porto. Foi nomeado mais tarde governador da praça de Elvas.
Foi comprehendido na convenção de Chaves por ter feito opposiçâo á revolução de Setembro, e ficou fora do quadro effectivo do exercito, ao qual voltou por decreto de 4 de abril de 1838, sendo depois mandado servir no ministério do Reino como commissario do governo na fiscalisaçao do contracto da nova estrada de Lisboa ao Porto, commissão que terminou, com o engenheiro Francisco Pedro de Arbués Moreira, em 22 de agosto de 1840.
D’este official, encontramos os seguintes traba­lhos topographicos no gabinete de desenho do Archivo de Engenharia:
-Planta do Castello de Monforte reedificado na campanha de 1801 por ordem de Gomes Freire, de­baixo da inspecção do 2º tenente engenheiro, Eugenio Carlos de Figueiredo, cuja planta levantou e desenhou em 20 de junho de 1801 (arm. 7, gav. 2, pasta l, nºs 54 e 55).
-Planta do Porto da Amieira onde se notam as posições da Ponte Militar, e duas Baterias para a sua defeza, 1828. Copia feita em 1829 (arm. 4, gav. 2, pasta 4, n.° 6).
Falleceu no dia 12 de setembro de 1843AG316.
Fontes:
-AHM
-AG335
-AG308
-AG316
-Gravura de William Henry Clinton em: http://en.wikipedia.org/wiki/William_Henry_Clinton
-Planta DSE – Abrantes - Ponte de barcas e cavaletes - Planta de Joze Carlos de Figueiredo
-Planta DSE – Abrantes - Armazéns Trem Pontes Militares