Translate

HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (II)




Por José Manuel d’Oliveira Vieira
1649/1650/1651: Nos  documentos que possuo em arquivo não encontrei dados militares relativos à Praça de Guerra da então Vila de Abrantes. Se alguém os possuir e quiser completar a História Militar de Abrantes agradeço envio para: jose.vieira.abt@gmail.com
1652
NOVEMBRO 28: O Conselho de Guerra determinou que seria conveniente atribuir ao Castelo de Abrantes alguma infantaria paga que seria a que lhes pudesse caber depois de efetuadas as levas e de haver mais algumas notícias acerca das intenções do inimigo. No mesmo dia, foi determinado ao Conselho de Guerra que propusesse pessoas para assistirem em Abrantes que estivessem à altura dos acontecimentos que podiam surgir.
Dezembro 3: Foi ordenado ao Conselho de Guerra que visse uma consulta inclusa do Desembargador do Paço, acerca da necessidade apresentada pelo Corregedor da Comarca de Tomar, de reparar o Castelo de Abrantes por estar a onze léguas da fronteira.
1703: 
-Para determinar o local conveniente para construir uma ponte ligando a província da Beira ao Alentejo, esteve na Praça de Abrantes o Engenheiro Militar José da Silva Pais,
1704
Março: O desembarque do Arquiduque Carlos em Lisboa, a invasão da fronteira da Beira pelo Marechal de França Duque de Berwick e o seu pretendido avanço sobre Abrantes8.

Duque de Berwich
Agosto 24: Por decreto determina-se que por haver conveniência em obter Abrantes com um Sargento-mor, o Conselho de Guerra devia propor pessoa para esse posto. Por carta particular da rainha regente, depois de regressar do Brasil, Artur de Sá e Meneses foi nomeada Governador da Praça de Abrantes com o posto de sargento-mor de batalha.
Setembro 18: Foi passada patente de ajudante de engenheiro para a praça de Abrantes a Gaspar de Albuquerque, com o soldo de seis mil reis por mês. Foi discípulo da aula de fortificação.
1705
AGOSTO 11: Foi determinado que o Conselho de Guerra passasse os despachos necessários para os almocreves, carreiros e mais pessoas que os substituíssem na condução dos mantimentos para a província, via Abrantes, não fossem obrigados a ser soldados auxiliares enquanto prestassem esse serviço.
1709
-Artur de Sá e Menezes, Governador da Praça de Abrantes que esteve quase sempre doente após o seu regresso do Brasil morreu nos fins de janeiro de 1709. Não casou, mas deixou por universal herdeiro D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Meneses, 3º Marquês de Fontes, que viria a ser o 1º Marquês de Abrantes, titulo criado por carta de D. João V de Portugal de 24 de Junho de 1718.
D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Meneses
1731
-Engeléer, engenheiro militar, elabora uma planta do Castelo com a representação dos baluartes previstos e já construídos.

1731 - Planta Vila Castelo de Abrantes
(Arquivo fotográfico GEAEM)  
1711
Abril/Maio: Em consequência da Guerra da Sucessão de Espanha, dão entrada nas masmorras do Castelo largas dezenas de soldados, na sua maioria espanhóis. Decerto devido às más condições de salubridade, muitos ali faleceram pelos meses de Abril e Maio, e por ali ficaram sepultados (mais de uma centena) 9.
1758
MAIO 8: José António da Silva, Capitão de Ordenanças na freguesia de S. Vicente10.
1760
-Escassez de trigo no Quartel-general da Praça de Abrantes 11.
1762
-Cartografia militar: Esboço corográfico da região entre Abrantes e Estremoz, ao longo da linha de comunicação Abrantes, Bemposta, Ponte de Sor, Benavila, Ervedal, Fronteira e Sousel, para fins militares. Nesta carta, descriminam-se (em alemão indicações de ordem militar a cumprir), os acampamentos militares, postos de observação, etc. 12.  
Nota: Jacob Praetorius Crisóstomo(Praetorius ingenieur) - faleceu em Portugal depois de 1797. Esteve no Corpo de Artilharia, foi professor da escola militar e engenheiro.
Janeiro:General Charles Rainsford (3 February 1728 – 24 May 1809) was a British Army officer. Charles Rainsford, Brigadeiro, acompanhou Tyrawley a Portugal como secretário e ajudante de campo recebendo uma missão secreta para executar logo que o Conde de Lippe chegasse a Abrantes onde os regimentos que fosse possível organizar tinham ordem para se reunir. A missão era seguir para a região fronteiriça para a inspecionar13.
-Do relatório de Charles Rainsford para o Conde de Lippe consta o seguinte: o Castelo de Abrantes […] é uma fortíssima posição e ergue-se altaneiro, dominando a cidade e toda a região em volta. Tem algumas obras de defesa e se for convenientemente fortificado será muito difícil dominá-lo.
Na grande estrada para a Beira Baixa, através do Alentejo, este é o ponto especial de passagem para quem, desejando evitar as montanhas que marginam o Tejo, do lado de Abrantes, segue em “Ferry” por Vila Velha. Este local constitui uma das mais importantes posições de Portugal quer para assegurar a passagem para o Alentejo quer para estar pronta a opor-se a um inimigo vindo de Castelo Branco, por …, Sobreira Formosa, Cortiçada, e Domingos (deve ser S. Domingos).
É possível estabelecer aqui um depósito de abastecimentos para um e outro lado do Tejo.
O Castelo cobre a direita de uma muito forte posição que se estende até Sardoal, e o inimigo não poderá atingir o Zêzere nem que nos obrigue a abandonar esta posição, sobretudo se ocuparem a importante passagem da “Ponte do Cabril”, junto a Pedrogão Grande. Porém, em qualquer hipótese, será sempre possível retirarmos para trás do Zêzere deixando em Abrantes uma guarnição.
Desde que Abrantes esteja na nossa posse, se o inimigo avançar, apenas do lado do Alentejo, será obrigado a conservar um grande corpo do exército na passagem, ou sujeitar-se a cortarem-lhe as comunicações, se avançar do lado sul do Tejo, em direção a Salvaterra.
É por conseguinte indispensável ter Abrantes bem assegurada, assim como o posto da “Nossa Senhora da Conceição”, sobre o Zêzere, visto o inimigo não poder utilizar o Tejo, enquanto estivermos na posse destes dois postos13.

Brigadeiro Charles Rainsford
-O Conde de Lippe dispôs uma base de operações em Abrantes e estabeleceu nesta Praça com o seu Quartel-general, 3 Regimentos ingleses, 1parque de artilharia e depósito central de munições de guerra e víveres14.
ABRIL: Oficial maior da Vedoria do Exército da Província do Alentejo refere a necessidade de haver um hospital na vila de Abrantes para a devida assistência aos soldados feridos11.

Conde de Lippe
Julho: O Conde de Lippe após a sua chegada a Abrantes mandou lançar no Tejo, uma grande ponte feita com barcos da região e muito bem protegida contra a corrente, que depois das chuvas era muito intensa e rápida. Era defendida por uma forte “testa-de-ponte” conservando-se durante toda a campanha13. Mantinha ainda o Conde de Lippe no seu Quartel-general em Abrantes o seu exército de manobra, guarnição e reserva geral15.
Nota: “Testa-de-ponte” (termo militar) = posição adiantada que se tomou ao inimigo e que servirá de ponto de apoio para ataques de maior envergadura.
JULHO 8: Cirurgião John Howel elabora plano para a construção de um hospital para 3.000 enfermos e feridos em Abrantes11.
Julho 22: O Conde de Lippe, estando em Abrantes no seu Quartel-general, mandou seguir para a região fronteiriça o Brigadeiro(a) Rainsford, com uma ordem de reconhecimento da região do Zêzere e Castelo Branco, avançar até Salvaterra e estudar as posições favoráveis, ir até Penamacor e Valverde, deixar em Salvaterra um posto de 130 homens levados de Castelo Branco, com ordem para fazer incursões e informar de qualquer movimentos de tropas inimigas o Quartel-general em Abrantes, informações dirigidas ao Conde de Lippe13.
(a) Nesta data seria Coronel e não Brigadeiro.
Julho 22: O Coronel Rainsford descreve a sua marcha de Abrantes à fronteira15.
AGOSTO 7: Ordem de Batalha para o corpo do Exército de Sua Majestade Fidelíssima acampado junto de Abrantes11.
Agosto 24: O General Burgoyne atravessou o Tejo perto de Abrantes com o seu Regimento de Dragões com 12 Companhias de Granadeiros portugueses e 6 de Granadeiros ingleses, atingindo Niza no dia 28 e entrando em Valência de Alcântara14.

General John Burgoyne
OUTUBRO 7: De Abrantes o conde de Shaumbourg-Lippe pede a Alexandre Palhares a informações sobre as operações do inimigo11.
OUTUBRO 11: João Mendes Sachetti Barbosa, físico-mor do Exército, informa D. Luís da Cunha, sobre as dificuldades do serviço de saúde em Abrantes11.
OUTUBRO 17: Capitão Engenheiro Hetschkopt refere-se aos trabalhos militares, particularmente sobre a parte de Abrantes, com pormenores sobre a localidade11.
1763
JUNHO: Com a extinção do Regimento Suíço é criado o “Regimento dos Voluntários Reais Estrangeiros, em Abrantes”. Em anexo à gravura dos Reaes Estrageiros em Abrantes encontra-se a “relação dos panos precisos para fardar o regimento de 2 em 2 anos e anualmente de 6 em 6 meses”.
-Para tornar permanente o seu estabelecimento, formatura, subsistência e disciplina, o Rei assina o Alvará que regulamenta o número de elementos e soldos (17/19 Setembro de 1763). (AHM/DIV/4//1/17/29)
Extinção Regimento Suiço e criação
 Regimento Estrangeiro em Abrantes
(DIV-1-08-5-33-1/2/3/4/5)
"Regimento dos Reaes Estrangeiros em Abrantes”
(Biblioteca Nacional de Espanha)
Relação de panos para se fardar
o Real Regimento Estrangeiros em Abrantes
(Biblioteca Nacional de Espanha)
SETEMBRO 8: Francisco Pereira Betencourt, Álvaro Soares de Castro e Sousa, Domingos Nunes Bandeira, Manuel de Mourel Veloso e Manuel Cardoso, comunicam ao conde de Lippe os atos praticados pelos soldados que permanecem na praça de Abrantes11.
1764
MAIO 24: Diogo de Ataíde e Castro, Capitão-mor de Ordenanças, que vagou por morte de Rodrigo de Castro de Sousa Freire10.
1767
-Ocorrem no Regimento de Abrantes deserções em massa devido a maus tratos e à violência do coronel Duarte Smith11.
1768
MARÇO/JUNHO: Correspondência entre o marquês de Alvito, marechal dos Exércitos e Francisco Xavier de Vasconcelos Barba, juiz de fora e presidente da Câmara de Abrantes, sobre o despejo das casas de duas ruas para instalação do Regimento dos Voluntários Reais11.
-Regimento de Cavalaria dos Voluntários Reais até 1770.
AGOSTO 1: Álvaro Soares de Castro e Ataíde, Sargento-mor de Ordenanças, que vagou por morte de Luís Francisco Soares de Mendanha10.
1770
MAIO 7: Manuel José Grandio, Capitão de Ordenanças dos lugares de Souto, Aldeia do Mato e Martinchel, termo de Abrantes, que vagou por morte de Manuel Lopes Castanho10.
MAIO 10: João Mendes Padilha de Azevedo, Capitão de Ordenanças dos lugares de Rio de Moinhos, Amoreira e Montalvo, termo de Abrantes, que vagou por morte de Francisco Pereira Cabral de Mosqueira10.
1775
JUNHO 1: Joaquim António da Silva Veloso, Capitão de Ordenanças das Freguesias de Pego, Alvega, São Facundo e Bemposta, do termo de Abrantes, que vagou por morte de Manuel da Fonseca da Mota10.
1780
-Regimento de Cavalaria de Moura.
1781
JUNHO 30: Vicente Delgado Xavier, Capitão de Ordenanças da Freguesia de S. João, que vagou por morte de Francisco Nunes Ribeiro10.
1787
MARÇO 27: Álvaro Soares de Castro e Ataíde, Capitão-mor de Ordenanças, que vagou por morte de seu pai Diogo de Coutinho de Ataíde e Castro10.
JUNHO 21: Vicente Rodrigues Soares, Capitão de Ordenanças dos lugares de Souto, Aldeia do Mato e Martinchel, do termo de Abrantes, que vagou por morte de Manuel José Grandio10.
8Vid. História do Exército Português do General Ferreira Martins, página 175.
9 Prof. Dr. Joaquim Candeias da Silva.
10Nuno Gonçalo Pereira Borrego – Ordenanças e Milícias de Portugal.
11AHM:DIV/1/06/25/05-DIV/1/06/03/41-DIV/4/1/11/18-DIV/1/06/42/39(contém este arquivo a versão francesa do mesmo documento)-DIV/1/06/42/24 (documento em francês)-DIV/1 / 7 / 2 / 20-DIV/4/1/20/2-DIV/1 / 8 / 7 / 24-DIV/1/06/16/04- Lisboa 22 Março/Abrantes 25 Junho DIV/1/06/28/45.
12CA 193 - Catálogo de Cartas Antigas - www.igeo.pt.
13Boletim do Arquivo Histórico Militar, 22º vol. – 1952.
14Boletim do Arquivo Histórico Militar, 20º vol. 1950.
15Vid. História do Exército Português do General Ferreira Martins - 22 vol. – 1952, págs. a fls. 182, e seguintes.
Imagens:
-D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Meneses em BND.
-1731 - Planta Vila Castelo de Abrantes do Engenheiro Engeléer – Arquivo fotográfico GEAEM.

HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (I)

 (Todos os meses COISASD'ABRANTES publicará um capitulo da "História Militar de Abrantes)
(Dedicado aos  102.925 seguidores que já visualizaram o "COISASD?ABRANTES até 23-2-2017 - 14h35)
Por José Manuel d’Oliveira Vieira
            Dada a sua localização e o extraordinário valor militar, tanto táctico como estratégico, Abrantes é por si só uma impressionante linha defensiva bem no centro do território. Com os outeiros de S. Pedro, Forca e Caneiro a dominarem toda a linha norte/sul do rio Tejo e o reduto da Ermida Senhora dos Remédios a dominar toda a planície das Hortas e campos da Chainça, o Castelo de Abrantes, transformou-se numa moderna praça-forte.
            Sem a preocupação de uma narrativa continua e metódica de um académico, Abrantes Militar 1148/1899 é o resultado das centenas de verbetes encontrados na cidade de Abrantes(a) e de milhares de documentos militares onde o nome de Abrantes aparece referenciado.
            Abrantes Militar 1148/1899 não recorreu às já publicadas “Cronologias de Abrantes” ou à “Memória Histórica” – de Manuel António Mourato. No entanto, a leitura das obras citadas e os artigos referentes a “Abrantes Militar” já publicados no “jornal de Alferrarede podem completar esta pequena cronologia militar de Abrantes.
            Fenícios, gregos, túrdulos, celtas, romanas, alanos, visigodos, árabes, todos estes povos aqui teriam permanecido. Quanto ao nome que hoje tem, diz-se que os Romanos lhe chamavam Tubucci, Vísigodos Aurantes e os Árabes Líbia. Segundo a lenda, o nome de Abrantes data, mais ou menos, da época em que D. Afonso Henriques a tomou de assalto em 8 (!) de Dezembro de 1148.
             Segundo dados recentes (2015) parece confirmar-se a existência de uma torre islâmica em tijolo de adobe junto da muralha proto-hidtórica.
VER: http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/archport/msg20260.html
1148
-Era Alcaide Mor do Castelo de Abrantes o mouro Hibrahim-Zaid (no idioma cristão: Abraham-Zaid).
DEZEMBRO 8 (!): Foi o Castelo de Abrantes conquistado aos Mouros pelas forças católicas de D. Afonso Henriques.
 

D. Afonso Henriques
-D. Afonso Henriques deu o senhorio do Castelo de Abrantes a seu filho natural D. Pedro Afonso, nomeando-o Alcaide Mor de Abrantes.
1172
-Para evitar conflitos com a Ordem de S. Tiago, Rodrigo Alvarez, 2º conde de Sarria (Lugo), renuncia ao hábito de S. Tiago e obtém autorização para fundar uma nova ordem na mais restrita regra de Cister, cuja primeira casa terá sido no Castelo de Abrantes1.
1179
JULHO 9/29: O Castelo de Abrantes foi cercado por um exército de Mouros. Cerco danificou muitas habitações da vila, incluindo a sua igreja. A defesa de Abrantes culminou com a vitória dos moradores que venceram um poderoso exército comandado, por Abem Jacob, filho do Miramolim de Marrocos.

Livro XI da Monarchia Lusitana – pg. 252
1194 (!) 1195 (!)
-D. Martim Lopes, ajudado pelos moradores de Abrantes, interceptou a passagem do Tejo a um exército mourisco, comandado por D. Pedro Fernandes de Castro, fidalgo renegado ao serviço do imperador de Marrocos, que vinha assolando as regiões de Tomar e Abrantes, desbaratando esse exército, ficando prisioneiro o renegado2.
Os Lusíadas
Canto VIII
Não vês um Castelhano, que, agravado
De Afonso nono, Rei, pelo ódio antigo
Dos de Lara, cos Mouros é deitado,
De Portugal fazendo-se inimigo?
Abrantes vila toma, acompanhado
Dos duros Infiéis que traz consigo;
Mas vê que um Português com pouca gente
O desbarata e o prende ousadamente.
1215
-D. Afonso II edificou a Igreja de Santa Maria do Castelo, que passados 2 anos constituiu uma paróquia, sendo a segunda de Abrantes.
1248/1279
-Reinando D. Afonso III a Câmara obrigou-se a reparar à sua custa os muros do Castelo de Abrantes.
1281
ABRIL 24: D. Diniz deu o Senhorio de Abrantes à Rainha Santa Isabel, reservando para si a apresentação dos juízes e das Igrejas.
1287
JUNHO 23: D. Diniz outorgou novamente à Rainha Santa Isabel a jurisdição de Abrantes com a Alcaidaria Mor e os padroados das Igrejas.
1300/1303
-D. Diniz com o auxílio da Câmara reformou os muros do Castelo de Abrantes e edificou a Torre de Menagem que tinha 3 pavimentos. Foi começada em 1300 e acabada em 1303. Com o terramoto de 1531 caíram os dois andares superiores. Em 1860 o General Barão da Batalha fez o arranjo atual.
1372
NOVEMBRO 12: Foi Alcaide Mor de Abrantes, Martim Afonso de Melo, que mais tarde prestou valiosos serviços ao Mestre de Avis.
1385
Julho 9: D. João I chega com o seu exército à Vila de Abrantes3.

D. João I
AGOSTO 4: Nuno Alvares Pereira chega a Abrantes e acampa o seu exército nos arredores da Vila.

Abrantes - Igreja S. João Batista
D. Nuno Álvares Pereira
AGOSTO 7: Nuno Alvares Pereira parte com o seu exército a caminho de Tomar depois de ouvir duas missas na Igreja de S. Pedro4.

Abrançalha
Nicho assinalando passagem D. Nuno
AGOSTO 8: El-Rei D. João I parte para Tomar ao encontro do Condestável depois de ouvir missa na Igreja de S. João Batista.
1422
-Abrantes tinha 30 besteiros5.
1433
-Era Alcaide Mor do Castelo de Abrantes, D. Diogo Fernandes de Almeida, Vedor da Fazenda de El-Rei D. Duarte e D. Afonso V. Foi o pai do 1º Conde de Abrantes, D. Lopo de Almeida. Por seus feitos satisfez sempre o que devia à sua nobreza, como à Cavalaria. Faleceu em 5 de Janeiro de 1450. Era filho de Fernão Alvares de Almeida que foi aio do Rei D. Duarte e dos Infantes D. Pedro e D. Henrique.
1458
-Até ao ano de 1468 Abrantes teve 12 besteiros5.
1621
DEZEMBRO 19: Aboletados na Vila de Abrantes 300 soldados da Armada Real6.
1640
DEZEMBRO: Tendo como comandantes o Juiz de Fora Domingos Esteves de Vasconcelos e o vereador Diogo Camelo Pereira que tomaram  parte ativa na aclamação de D. João IV, duas Companhias, correspondente a tropa regular é paga pela Câmara da Vila de Abrantes.
DEZEMBRO 12: D. Miguel de Almeida, fidalgo português, 4.o conde de Abrantes, nascido cerca de 1559 e falecido em 1650. Apesar de estar já avançado em anos, foi um dos principais conspiradores do golpe que possibilitou a restauração da independência nacional em 1640. Participou no assalto ao Paço da Ribeira, encarregando-se de dar o sinal para a revolta, com um tiro de pistola, e de aclamar D. João IV da janela, perante o povo. Foi depois nomeado vedor da Fazenda e conselheiro de Estado.
1641
-Duas Companhias de Ordenanças.
Janeiro 10: D. Miguel de Almeida foi promovido a Vedor das Fazendas, sendo nomeado coronel do seu terço D. Francisco de Noronha.
Junho 17: Gonçalo Vaz Coutinho foi nomeado Capitão-mor e Alcaide Mor da Vila de Abrantes, com a declaração de não levar os emolumentos nem prover os ofícios da Alcaidaria Mor.
Junho 19: O Conselho de Guerra recebeu ordem para no caso de se confirmar que o Sargento-mor de Abrantes era feitor e criado de Miguel de Vasconcelos, propor pessoa para aquele ofício.
Julho 16: Foi nomeado um ajudante para assistir em Abrantes com Gonçalo Vaz Coutinho que ia assumir o cargo de Capitão-mor de Punhete=Constância, Sardoal e Mação.
1642
JUNHO 3: Foi mandada ao Conselho de Guerra uma consulta de Desembargo do Paço acerca de uma queixa que a comarca e o povo de Belver faziam do Capitão-mor da mesma vila.
1643
-Duas Companhias de Ordenanças.
1645
AGOSTO 4: Nomeado D. João de Almeida Conselheiro de Guerra, atendendo aos seus merecimentos e serviços prestados.
1646
-Quatro Companhias de Ordenanças de Infantaria e uma de Cavalaria.
Abril 14: Foi mandado ao Conselho de Guerra uma consulta do Desembargo do Paço acerca da pretensão dos mestres da Vila de Abrantes de passarem a ser alojados soldados nas casas dos nobres, como se alojarem nas do povo.
1648
ABRIL/MAIO: Soldados de cavalo da companhia do capitão Manuel Cornellis, que estiveram alojados na vila de Abrantes, cometeram um crime grave, matando João (Roiz) Rodrigues, mais conhecido por “o Campos”, que encontraram caçando na vila de Abrantes7.
(a) Verbetes cedidos pelo proprietário.
1http://cronologiahistorica.com.
2 “Não vês um Castelhano...”: D. Pedro Fernandes de Castro, considerando-se maltratado pelo rei de Castela, D. Afonso IX, por causa dos condes de Lara, bandeou-se com os Mouros; e, tomando também Portugal por objeto da sua inimizade, veio com os Mouros tomar Abrantes, levando muitos cativos cristãos e grande despojo. Saiu-lhe ao encontro o cavaleiro português Martim Lopes, que os desbaratou e prendeu D. Pedro Fernandes de Castro. A fonte é Rui de Pina, Cr. de D. Sancho I, cap. 12 (v. JMR, FL, pp. 107 e 108).
3A vida de Nun’Alvares 1893 - cronologia da invasão/operações, pág. 459 – Oliveira Martins diz: 11 de Julho chegada de D. João a Abrantes. De 13 a 30 de Julho concentração de forças em Abrantes e em dia incerto do mês de Agosto a partida de Nun’Alvares Pereira de Abrantes para Thomar.
4Abrantes e Aljubarrota - vid. História do Exército Português, pelo General Ferreira Martins – Edições de 1945, folha 77. Gravura de Nuno Alvares Pereira na crónica do Condestável folha 82.
Nota: As relíquias de D. Nuno Álvares Pereira estiveram em Abrantes no dia 16 de Maio de 1961. O evento é recordado numa placa que se encontra no nicho à entrada da Abrançalha, mandado colocar pela Câmara de Abrantes. O Jornal de Abrantes Nº 3150 de 28 de Maio de 1961 dá destaque pormenorizado do acontecimento.
5História da População Portuguesa de Teresa Ferreira Rodrigues – Edições CEPESE – 2008 - pág.118.
6Em 1621, reinando em Portugal Filipe III, foi criado um corpo de infantaria da Marinha designado por Terço da Armada Real da Coroa de Portugal. Este foi o primeiro Corpo Militar de organização fixa constituída em Portugal e que logo após a restauração de 1640 passou a ser designado por Terço da Armada Real do Mar Oceano.
7Das duas Companhias em operações na fronteira na província da Beira, uma delas enviada como reforço a partir do Alentejo, encontrava-se em Abrantes. O desvio por Abrantes pode ter sido ditado pela necessidade de dar verde aos cavalos. O crime cometido pelos subordinados de Manuel Cornellis levá-lo-á a um penoso processo que se prolongará até 4 de Março de 1649, servindo apenas para prejudicar a capacidade operacional de uma companhia de cavalaria do exército do Alentejo, acabando por nada resolver. Fontes: Arquivo Nacional da Torre do Tombo – Conselho de Guerra, Consultas, 1649, maço 9, nº 47; Secretaria de Guerra, Livro 16, fl. 152; Arquivo Histórico Militar – Manuscrito de Matheus Roiz, p. 396.