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PUBLICIDADE - COMÉRCIO

ALFERRAREDE - ANO 1933
Por José Manuel d’Oliveira Vieira
(Autor artigo publicado "Jornal de Alferrarede" Nº 280FEV2009)
Em 1933, Abrantes realizou um evento denominado de “Semana dos Inválidos do Comércio”. Estes festejos prolongaram-se durante a semana de 11 a 18 de Junho.
A Comissão composta pelos comerciantes Srs. Manuel José Coelho, Jaime Pintassilgo e Francisco Velez elaboraram um programa bastante recheado, sendo o primeiro dia, dedicado à afixação de cartazes e reclames dos comerciantes associados.
Tendo chegado até aos nossos dias alguns exemplares dos programas, publicados pela “Minerva, Ldª – Telefone Nº 77 – Abrantes”, achando profético e interessante o discurso de A. A. Salgueiro, achei por bem dar a conhecer uma parte dessa prédica, bem como a publicidade que os comerciantes de Alferrarede, associados ao evento, mandaram publicar nessa pequena brochura de 1933:
“O Comercio em geral representa a maior força económica, mobilizadora de todas as riquezas de uma nação e em todo o Mundo.
Os seus empregados, os pequenos comerciantes, são os executores da sua grandiosa obra em prol da distribuição d’essas riquezas, mas não são os mais felizes, porque são os primeiros a tombar quando uma crise de negócios ou a concorrência desleal de muitos outros agentes estranhos à classe lhes estancam o seu labor produzindo a falência e a falta de trabalho”
A. A. SALGUEIRO – (1933) (a).

Não havendo uma política de preservação dos meios tradicionais de comércio, devido às leis vigentes, o abandono das antigas mercearias, drogarias, tabernas etc., tal como as conhecemos, tornou-se inevitável. Uma ou outra, lá se adaptou às novas tecnologias e a muito custo vai sobrevivendo, mas incapazes de concorrer com as grandes áreas comerciais.

Para recordar um pouco da história comercial do nosso concelho, fica o discurso discurso profético de A. A. Salgueiro a publicidade desse tempo e algumas fotos de mercearias existentes até à bem pouco tempo (b).
(a) Discurso e publicidade, publicação “Minerva, Ldª. Abrantes” ano 1933.
(b) Fotos de mercearias: “Comércio de Mercearia” de Luís Alves Correia, ano MCMLXIII e “Artes e Tradições de Abrantes” Direcção-Geral da Divulgação, ano 1983 – Terra Livre.

ANÚNCIOS ALFERRAREDE 1933
ANÚNCIOS ALFERRAREDE 1928

RETRATO DE D. JOÃO I EM ABRANTES!

IGREJA DE SÃO JOÃO BATISTA
Por: José Manuel d'Oliveira Vieira
(Autor artigo publicado "Jornal de Alferrarede" Nº 274AGO2008)
Sabe-se que a Igreja de S. João "Bautista" foi pensamento e obra da Rainha Santa Isabel, que achando-se com El Rei D. Diniz em Abrantes, no dia 24 de Junho do ano de 1300, aqui mandou edificar uma ermida ao precursor do Messias, por ser esse o dia em que a Rainha entrou na então Vila de Abrantes.
Sabemos que no dia 8 de Agosto de 1385, D. João I, antes de partir para a batalha de Aljubarrota, assistiu à missa na Igreja de S. João Batista e encomendou o sucesso da sua batalha ao Padroeiro desta Igreja.
O que muitos abrantinos não sabem é que após a vitoriosa batalha, D. João I, regressou a Abrantes e na mesma Igreja deixou uma imagem de São João Batista.
Na “Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes” (a), é referido: a imagem do Santo não existe hoje.
Fascinado pela estatuária como elemento figurativo e objecto de culto, sabendo da existência de duas imagens de São João na referida Igreja, sabendo a origem da que se encontra no altar-mor, faltava saber a génese da segunda imagem que por estar em local pouco acessível e visível, era desconhecida dos abrantinos.
Graças à realização do maior evento de Arte Sacra, realizado em Abrantes, na Igreja de S. João, de 13 a 20 de Maio de 2007, onde foram expostas alfaias sagradas, estatuária, pintura, retábulos etc. etc., foi possível ver de perto a famosa imagem de S. João Batista, mandada retirar do nicho onde se encontrava, pelo saudoso Padre Doutor Francisco António Rosado Belo.
Despida dos adereços originais e a necessitar de restauro, ainda assim, depois de preparada, a imagem de S. João Batista deixada em Abrantes pelo Rei D. João I, por muitos considerada desaparecida, ai estava, e foi colocada à entrada da Igreja convidando os visitantes a ver a “Exposição de Arte Sacra” (fig. 1).

Finda a exposição, e porque o São João necessitava de um profundo restauro foi a imagem para a cidade de Tomar, onde sofreu várias intervenções técnicas na Oficina “Regra de Ouro”, Sociedade de Restauradores Ldª., o que fez adiar mais uma vez este artigo que penso vir a causar polémica.
Durante a intervenção de restauro, ficaram os técnicos surpreendidos por apenas o “corpo da estátua” apresentar os característicos buracos do bicho da madeira e a “cabeça” que devia apresentar os mesmos indícios encontrava-se imaculada.
Mais surpreendidos ficaram os técnicos de restauro quando se aperceberam que a “cabeça” do São João era em “pedra”, caso raríssimo na estatuária antiga, religiosa.
O corpo em madeira de origem desconhecida e que se diz ser do século XVI/XVII, poderá ser do Século XIV e ser esta a imagem que D. João I deixou na Igreja de São João Batista em Abrantes, no ano de 1385.
A haver duvidas sobre a imagem, “Jorge Cardoso (1606-1669), autor do Agiologio Lusitano dos santos, e varoens illustres em virtude do Reino de Portugal, e suas conquistas…” (fig.2), a páginas 468, diz-nos: “Pelo que tornando vitorioso (Batalha de Aljubarrota), foi dar graças à dita Igreja (São João Batista), deixando nela o seu retrato (em sinal de troféu), na devota imagem do Santo, que mandou esculpir de pedra, na qual em três partes do seu diadema tem as quinas de Portugal.” (b)

Consultados, “ Título das Imagens”, “Tombos, Inventário e Róis de Bens Móveis e Imóveis” referentes à Igreja de São João, foi possível verificar a existência da Imagem de São João, uma bandeira com seu pé de prata, uma bandeira de prata, um cordeiro de prata e respectivo resplendor (diadema) de prata (c).
Feitas pesquisas nos locais onde eventualmente poderiam estar os adereços originais de S. João Batista, concluiu-se que além da estátua, a bandeira de prata é a única peça original que existe (d).
Quanto à cabeça de pedra, inserida no corpo da estátua (em madeira) de S. João Batista ser o retrato de D. João I, a crer pelo que se encontra escrito, o aspecto que teria o Rei (+ ou - 28 anos de idade quando esteve em Abrantes), barba comprida, indiciadora de andar à bastante tempo em campanha, as semelhanças com retratos conhecidos do monarca, tudo leva a crer estarmos perante a verdadeira imagem de S. João Batista e a cabeça ser o verdadeiro retrato de D. João I (fig. 3/4/5).

Após o restauro a imagem de São João Batista regressou à Igreja de que é Padroeiro, no dia 19 de Junho de 2008, não como a vimos antes, mas sim com pequenas alterações: o Cordeiro (figura antiga) que hoje se vê na imagem, é interferência do Senhor Padre Belo que o mandou vir Crato, e, no acto do restauro ali foi acoplado, em substituição do original em prata, considerado desaparecido. Bandeira com seu pé de prata (também desaparecida) foi substituída por uma cruz em madeira dourada a ouro (e) (fig. 6). Retrato de D. João I em Abrantes?
Análises técnicas de datação, historiadores e arqueólogos, mais do que eu, não académico, poderão confirmar a suspeita de ser ou não esta a imagem deixada por D. João I em Abrantes no ano de 1385 (Século XIV).
(a) Nota rodapé (XI), página 60 – Edição CMA 1981.
(b) Biblioteca Nacional – versão digitalizada que pode ser encontrada em: http://purl.pt/12169.
(c) Biblioteca da Câmara Municipal de Abrantes – AHCA/ISJ/F/001, Livro 1, pg.8 v. e 9f., ano 1730; AHCA/ISJ/F/001, ano 1845, cx. 1 Doc.2.
(d) Agradecimentos ao Cónego José da Graça, pelas facilidades concedidas, na pesquisa das alfaias sagradas.
(e) O restauro do S. João, com corpo de madeira e cabeça de pedra, ficou em 3.260,00 €.

O SENHOR JOSÉ PÉRES (ZÉ POVINHO) UMA FIGURA DE ABRANTES!

Por: José Manuel d’Oliveira Vieira
(Autor artigo publicado "Jornal Alferrarede" Nº 273Jul2008)
No “Café Bilhar”, há mais de quarenta anos, ouvi falar pela primeira vez do “Zé Povinho”, de José Peres e ter sido esta figura de Abrantes inspiração para Rafael Bordalo Pinheiro construir tão genial boneco.
Quem passa na Rua Dr. Bernardino Machado (rua que vai da Câmara ao Café Bilhar), antiga “Barroca da Praça” (1), não imagina que ali viveu o senhor José Peres (Zé Povinho).

Rua Dr. Bernardino Machado "Antiga Barroca da Praça"

Na “Barroca da Praça” tinha José Peres a sua casa, alojamento para uma charrete, respectiva mula e um criado.
José Peres vivia dos seus rendimentos e da sua casa saia ele para a sua vida na charrete conduzido por um serviçal. Homem simpático, um tanto baixo, atarracado e dava nas vistas por usar colete e jaqueta cujos botões eram libras, libras ouro, autênticas, de cavalinho, e abundante corrente de libras ligada ao seu relógio também de ouro.
Tendo aparecido na arcada do Terreiro do Paço com tal indumentária foi visto pelo ainda não ultrapassado grande caricaturista que foi Rafael Bordalo Pinheiro, que o caracterizou com o título de “Bezerrinho de Ouro” (2)
.

O ZÉ POVINHO NA SUA FORMA MAIS PECULIAR

Raphael Bordallo Pinheiro no seu atelier nas Caldas da Rainha
No tempo em que foi descoberto por Rafael Bordalo Pinheiro, teria este cidadão da então Vila de Abrantes 45/48 anos de idade.
Perspicaz, Rafael não perdeu a oportunidade de passar para o papel (1875) (3) aquela que viria a ser a figura mais popular de Portugal, ainda hoje dada a gozos mundanos.
Quanto a ser de Abrantes e ter residido na “Barroca da Praça” (Rua Dr. Bernardino Machado), parece não restar a mínima dúvida.
Apontamentos recolhidos na Vila de Abrantes nos anos 1885/1905 (2) fazem referência a quatro figuras sociais. Entre elas está o senhor José Péres que o genial artista da Caldas da Rainha caricaturou como Zé Povinho.
Continuando a suscitar duvidas quanto ao facto do “Zé Povinho” ter sido inspirado numa figura de Abrantes, em 1956, na Sociedade de Belas Artes, o jornalista e escritor Sr. Dr. Luís de Oliveira Guimarães declarou haver fortes indícios para a existência de um modelo o qual teria sido criada num homem de nome José Peres de Abrantes.
De facto, José Peres era um proprietário natural de Abrantes e morreu no dia 30 de Outubro de 1900 com 73 anos de idade. No livro de enterramentos Nº 8 que se encontra arquivado no A.H.C.A., sob o número 115 consta: no dia 31 de Outubro pelas nove horas da manhã deu entrada no seu jazigo erecto no Cemitério público da Nossa Senhora da Conceição da Notável Vila de Abrantes, José da Fonseca Peres (4).

Página 52/53 Livro 8 enterramentos cemitério Villa de Abrantes (Arquivo Municipal Eduardo Campos)

Jazigo de José da Fonseca Peres - Abrantes

Registadas ficaram algumas histórias protagonizadas pelo senhor José Peres: … o pagamento da portagem da ponte sobre o Tejo – Rossio ao Sul do Tejo… e …Judas estourando na Praça do Concelho quando na Igreja de S. João tocavam os sinos anunciando a Aleluia….
Pelas histórias que dele se conta, José Péres era pois um ratão de gosto muito engraçado, inofensivo e que muito divertia com as suas ratices.
Não havendo prova a contrariar esta teoria, tudo leva a crer ter sido este rico proprietário, cidadão Abrantino, de nome José da Fonseca Peres, a figura inspiradora para a criação do “ZÉ POVINHO”.

O primeiro ZÉ POVINHO - 1875 - I O caricaturista Ferreira Ldª Editores 1915

Quanto à localização exacta da residência de José Péres na Barroca da Praça (Rua Dr. Bernardino Machado), poderá haver dúvidas. Uma planta de Abrantes do ano de 1817 indica ter havido duas casas de grandes dimensões nesta rua. Pela abastança demonstrada por este senhor, a maior das casas e grande quintal localizava-se no local onde hoje se encontra o Café Bilhar. Assim sendo, poderá ter sido este o lugar (confluência da rua da Barroca com a rua da Barroca da Praça) de residência do nosso conterrâneo José da Fonseca Peres!
(1)O topónimo Barroca da Praça é já atestado num documento de 1441 (AHCA, P,20). “Barroca da Praça”, por ali ter existido uma ravina.
(2)Lançando ao Vento… no Concelho de Abrantes – 1885/1905 do Coronel Valente – Edição do Autor.
(3)O imortal “Zé Povinho” nasceu em 1875 na revista “Lanterna Mágica”.
(4)Livro nº 8 – Enterramentos no Cemitério de Abrantes (AHCA, P, 52,53).
Figura: Zé Povinho retirada da Revista Álbum “Rafael Bordalo Pinheiro” – Ano 1915.

À VONTADE DE SEU DONO

(Publicado no "António Maria" 09/09/1880)

DIÁRIO DE UM COMBATENTE II

EXPEDIÇÃO A MOÇAMBIQUE (1916)
Por José Manuel d’Oliveira Vieira
(Autor artigo publicado "Jornal de Alferrarede" Nº 271 Mai2008)
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NOTA: Salvaguardando relatórios oficiais elaborados durante o inferno do Rovuma, poucos são os manuscritos de combatentes que chegaram aos nossos dias. Os relatos desse inferno, "diário", "mensagens", "fotos", "espada" e "capacete", tudo propriedade do autor, são documentos únicos que urge preservar. A juntar à história dos Combatentes da Grande Guerra de Abrantes 1923/2004, fica mais este testemunho que poderá um dia fazer parte de um futuro Museu: Aos Combatentes do Concelho de Abrantes.JMOVJan2010
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EXCERTOS DE MENSAGENS ENVIADAS A ALFREDO ALVES DA SILVA
5 Maio de 1916 – (verso de um telegrama alemão) A peça (canhão), não pode hoje passar o rio onde está o barco. Deixe a peça com 10 cipaios na palhota mais próxima que encontrar e siga com o pessoal e munições.
20 Maio 1916 – Pelo portador lhe é enviado o que pede e o tabaco da semana que só hoje foi distribuído.
20 Maio 1916 – Só hoje consegui arranjar carregadores para conduzirem os géneros. …os géneros vinham numa lancha, mas os alemães atacaram, havendo uma escaramuça, os carregadores ouvindo os tiros fugiram.
22 Maio1916 – … A requisição de tabaco pode incluir fósforos, papel, sabão…
29 Maio 1916 – …Marche logo que possa pois estou desejoso de ver a bateria toda junta. Mando viveres para dois dias para os cinco brancos e para cinco indígenas.
5 Junho 1916 – … Tens sido atacado? Nós tentamos a primeira passagem mas fomos mal sucedidos, como talvez saibas.

Abrantes - Escada lateral esquerda Convento S. Domingos - Artilharia Montada

6 Junho 1916 – … Vou dar-lhe embora mui resumidamente… os pormenores do combate de 27 findo. No dia 26 pela 1 hora da noite marchei de Namôto para este posto (Namaca) com 3 peças juntamente com os camaradas Marques, J. António e Cardozo. Às 8 da manhã rompemos fogo para a margem esquerda, cooperando connosco o Adamastor, mas os alemães nesse dia não derem o menor sinal de que ali estivessem. No entanto durante o dia tudo se preparou para o combate do dia seguinte (27), 20ª companhia indígena e 1ª companhia indígena, grupo de metralhadoras, uma secção da marinha e a bateria de que faço parte. Em 27 rompeu-se fogo às 8 horas (estava também a bateria Canet) um fogo verdadeiramente intenso cooperando também connosco o Adamastor e os “boches” nada responderam. Ás 9 horas cessou o fogo e então é dada ordem para que um pelotão do 21 de infantaria e outro do 20 avançassem para a praia o que imediatamente fizeram. Uma vez ali estenderam em linha de atiradores e assim aguardaram a chegada das lanchas que os haviam de conduzir à margem esquerda, chegando mesmo a comerem o rancho na praia. Ás 9 horas chegaram as lanchas a reboque e é então dada ordem de embarque o que imediatamente fizeram sem que coisa alguma os prejudicasse; no entanto a artilharia ia protegendo as lanchas. Postas em andamento e quando estavam talvez a 100 metros da margem esquerda rompe sobre eles um verdadeiro dilúvio de balas enviadas pelas metralhadoras que eles (alemães) possuem. (Ouviu-se neste momento para os lados de Namianga a metralhadora a funcionar, vou pôr-me em abrigo). Não calculas a confusão que naquele momento houve; os que iam nas lanchas deitaram-se ao rio aqueles que puderam, e outros ficaram mortos dentro das mesmas. A Bateria a que pertenço foi um verdadeiro alvo e só a um milagre se deve não haver feridos nesta unidade. Calcula-se em mais de 50 o número de mortos e feridos, sendo o capitão Alpoim de infantaria 21, sargento Brandão de infantaria indígena e alguns soldados e cabos europeus de infantaria 21 e muitos da 20ª companhia indígena: O tenente Ferreira, pré-comandante militar de Kionga foram ferido gravemente e o capitão Fernandes da 20ª. Neste mesmo dia à noite, o comandante da Chaimite foi à margem esquerda para ver se poderia salvar duas metralhadoras que iam a bordo das lanchas e que os alemães nos apreenderam, fazendo também prisioneiro Matos Preto, comandante a que me refiro atrás.
Há dois dias que aqui veio um parlamentário alemão pedindo medicamentos para os nossos feridos que eles lá têm prisioneiros. São agora 4 e 20, estão atacando Namôto e já deram para aqui alguns tiros de carabina, vou para a trincheira.
Bom dia! Interrompi hontem esta para marchar para a trincheira pois os alemães atacaram, dando apenas alguns tiros de carabina.
Dormi na trincheira com…. Pelas 6 ½ cumprimentaram-nos com um tiro de carabina. Novidades do combate de Namôto ainda se não sabem. Aguardo o camarada J. António que hontem ali foi para conduzir para aqui munições e este contará alguma coisa. Com referência ao combate de 27… confirma-se que os alemães têm em seu poder duas metralhadoras… (os alemães estão agora a fazer fogo, mas não me impedem de continuar a escrever porque estou abrigado). O Marques baixou há dias ao hospital…

Guiné - 1908

6 Junho 1916 – Recebi as suas munições…. Essa peça (canhão) que ai está deve regressar logo que aí cheguem as peças 37 da marinha que há dois dias foi para ai… o pessoal deve continuar até nova ordem.
Encorage lá os rapazes enquanto puder…. Aqui houve algumas baixas…
16 Junho 1916 – … A causa do bombardeamento do dia 13 foi a canalha “germanófila” assaltaram o posto de Namaca nessa mesma madrugada, matando os soldados nºs 135 e 257 da nossa bateria e um de infantaria e fizeram-nos prisioneiros um tenente de infantaria e alguns soldados da mesma arma. …. Queixas-te que há mais de um mês não recebes sabão, outro tanto me acontece. A última vez que o recebemos foi em Palma…. O R… ficou em Porto Amélia para acompanhar depois o gado, apareceu o gado em Palma e ele ficou lá a fazer não se sabe o quê. Naturalmente cagou as ceroulas quando soube que a bateria marchava para a margem do Rovuma.

Penamacor - Artilharia de Montanha - 1912

18 Junho 1916 – Ai vai o que em medicamentos foi possível arranjar. Tintura de iodo não foi possível. …o 225 ficou gravemente ferido não tendo ainda notícias dele….
Propositadamente deixei para o fim a carta (mensagem) nº 9 de 7-7-1916. Esta mensagem, dirigida a Alfredo Alves da Silva, quando se encontrava na margem do Rovuma, Moçambique, resume o sacrifício dos combatentes que fizerem parte da expedição mais sacrificada e mortífera descrita na História de Portugal, durante a I Grande Guerra 1914/1918: Meu caro A.S. (Alfredo Alves da Silva)
Os 1ºs Sarg. Felizardo, Rosa, Cardozo, M. Pereira, Inês, Souza, tenente Ferreira e este seu amigo cumprimentamo-lo desejando-lhe muita saúde para assim melhor cumprir, com o seu desejo, de bem desempenhar a espinhosa missão de que foi incumbido para honra do nosso exército e glória do velho Portugal. (ass. Rodrigues)

Espada m/892 de ferro polido - Artilharia e Cavalaria

Chapéu - Capacete

Referências: O Chapéu de feltro (capacete) e espada que se mostram neste artigo foram usados pelo combatente Alfredo Alves da Silva, na Primeira Grande Guerra em Moçambique e França. As fotos do Combatente Alfredo Alves da Silva, fizeram parte do espólio de Henrique Santos Silva que foi Maestro do Orfeão Abrantino. Mapa de Operações e Trincheira de Kionga, retirados do “O Portal da História – Portugal na primeira Guerra Mundial - Moçambique”
NOTA: Durante o serviço militar, o Combatente Alfredo Alves da Silva, esteve de 1900 a 1901 em Expedição a Macau e em Comissão na mesma provincia de 1905 a 1907. Em 1908 esteve 144 dias na Guiné. De 1915 a 1916 fez uma Expedição a Moçambique. De regresso ao Reino, Alfredo Alves da Silva parte em Expedição para França, onde permaneceu de 26 de Setembro de 1917 a 19 de Março de 1919.
Já fora das fileiras, Alfredo Alves da Silva, dedicou-se ao associativismo. Parte do seu tempo (faceta pouco conhecida) foi compor músicas para violino, que seu filho Henrique Santos Silva, distinto Maestro do Orfeão Abrantino tão bem soube interpretar.

Alfredo Alves da Silva - Orfeão Abrantino

BOAS FESTAS BLOGUISTAS

AMIGOS BLOGUISTAS
"COISASD'ABRANTES" despede-se de todos os que tiveram a amabilidade de visitar este Blog durante 2008/2009 (14.380 visitantes). No mês de Janeiro voltarei com com a publicaçao da II e última parte de uma história (real) vivida na I Grande Guerra 1914/1918, por um Combatente de Abrantes: "O DIÁRIO DE UM COMBATENTE".
Até lá visite as páginas do COISASD’ABRANTES.
NOTA: Os links sobre a História da Sub-Agência da Liga dos Combatentes (1923/2005), vão continuar bloqueados. Daqui a algum tempo direi neste blog a razão porque bloqueei as referidas páginas - O Autor da História José Manuel d'Oliveira Vieira.
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ANO 2008 MÊS MAIO
ASSUNTO: PEDRA QUE SERVIU D. JOÃO I EM ABRANTES – AS EDIFICAÇÕES EXISTENTES E A HISTÓRIA DO CASTELO
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ANO 2008 MÊS MAIO
ASSUNTO: ABRANTES "CRISÂNTEMOS e PLACAS AJARDINADAS "
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ANO 2008 MÊS MAIO
ASSUNTO: ABRANTES – RELÓGIO DE SOL VERTICAL (I) E (II)
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ANO 2008 MÊS MAIO
ASSUNTO: DR. AUGUSTO DA SILVA MARTINS – COMBATENTE, MÉDICO E DESPORTISTA
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ANO 2008 MÊS MAIO
ASSUNTO: UNIDADES E PONTES MILITARES EM ABRANTES – SÉCULO XVIII/XIX
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ANO 2008 MÊS MAIO
ASSUNTO: ABRANTES DE ONTEM E DE HOJE... (PARTE I) (a)
(a) – Ver parte (II) Março 2009
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ANO 2008 MÊS JUNHO
ASSUNTO: HISTÓRIA DA LIGA DOS COMBATENTES – CAPITULO I – II – III (a) (b) (c)
(a) – Ver capítulo (IV – V – VI) Outubro 2008
(b) – Ver capítulo (VII) Janeiro 2009
(c) – Ver capítulo (VIII) Fevereiro 2009
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ANO 2008 MÊS JULHO
ASSUNTO: CISTERNAS DE ABRANTES (I)
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ANO 2008 MÊS JULHO
ASSUNTO: BOMBA!...
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ANO 2008 MÊS AGOSTO
ASSUNTO: ABRANTES – FONTES E LAVADOUROS
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ANO 2008 MÊS AGOSTO
ASSUNTO: CORETOS DO CONCELHO DE ABRANTES
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ANO 2008 MÊS SETEMBRO
ASSUNTO: ABRANTES – ÓRGÃOS DE TUBOS
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ANO 2008 MÊS OUTUBRO
ASSUNTO: ABRANTES INAUGURA A SUA PRAÇA DE TOUROS (8 DE JULHO DE 1900)
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ANO 2008 MÊS OUTUBRO
ASSUNTO: HISTÓRIA DA LIGA DOS COMBATENTES – CAPITULO IV – V – VI
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ANO 2008 MÊS NOVEMBRO
ASSUNTO: COMPANHIA DE MOAGEM DE ABRANTES "ANTIGA MOAGEM AFONSO XIII"
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ANO 2008 MÊS DEZEMBRO
ASSUNTO: ABRANTES – AQUI ACABOU A HISTÓRIA... UMA PLACA INCÓMODA NA PRAÇA DA REPÚBLICA (NO MONUMENTO AOS M.G.G. DESDE 1948)
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ANO 2009 MÊS JANEIRO
ASSUNTO: MAESTRO HENRIQUE SANTOS SILVA – RECUPERAÇÃO DE UM ESPÓLIO
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ANO 2009 MÊS JANEIRO
ASSUNTO: HISTÓRIA DA LIGA DOS COMBATENTES – CAPITULO VII
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ANO 2009 MÊS FEVEREIRO
ASSUNTO: HISTÓRIA DA LIGA DOS COMBATENTES – CAPITULO VIII (último)
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ANO 2009 MÊS MARÇO
ASSUNTO: LIGA DOS AMIGOS DE ABRANTES
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ANO 2009 MÊS MARÇO
ASSUNTO: ABRANTES DE ONTEM E DE HOJE… (PARTE II)
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ANO 2009 MÊS ABRIL
ASSUNTO: ABRANTES – 25 DE NOVEMBRO DE 1975
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ANO 2009 MÊS MAIO
ASSUNTO: FORAL DA RIBEIRA GRANDE – DADO POR D. MANUEL I EM ABRANTES
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ANO 2009 MÊS JUNHO
ASSUNTO: ABRANTES – CVTº DE SANTO ANTÓNIO
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ANO 2009 MÊS JULHO
ASSUNTO: CASA/ERMIDA SENHOR/A DOS REMÉDIOS E REDUTO MILITAR
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ANO 2009 MÊS OUTUBRO
ASSUNTO: ERMIDA S. JOÃP DOS BEM CASADOS – ALFERRAREDE VELHA – ABRANTES
LINK:http://coisasdeabrantes.blogspot.com/2009/10/ermida-de-s-joao-dos-bem-casados.html
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ANO 2009 MÊS OUTUBRO
ASSUNTO: ABRANTES DE ONTEM E DE HOJE… (PARTE III)
LINK: http://coisasdeabrantes.blogspot.com/2009/10/abrantes-de-ontem-e-de-hoje-iii.html
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ANO 2009 MÊS NOVEMBRO
ASSUNTO: DIÁRIO DE UM COMBATENTE (I)
LINK: http://coisasdeabrantes.blogspot.com/2009/11/diario-de-um-combatente-i.html
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ANO 2009 MÊS DEZEMBRO
ASSUNTO: BOAS FESTAS BOGUISTAS

DIÁRIO DE UM COMBATENTE I

EXPEDIÇÃO A MOÇAMBIQUE (1916)
Por: José Manuel d’Oliveira Vieira
(Artigo publicado no "Jornal de Alferrarede" Nº 270Abr2008)

“…ordeno a V. Ex.ª faça directa e telegraficamente Lisboa pedidos necessários mobilização de forças…”
Assim dizia o telegrama enviado pelo Governador de Moçambique para Comandante da expedição portuguesa, quando tomou conhecimento da declaração de Guerra da Alemanha a Portugal, no dia 9 de Março de 1916.

Mapa de Operações 1916

Um mês e nove dias depois (19 de Abril de 1916), já a 5ª Bateria Expedicionária a Moçambique do Regimento de Artilharia de Montanha* da qual fazia parte o Sargento Alfredo Alves da Silva se encontrava na foz do Rovuma, Kionga.

Alfredo Alves da Silva

Kionga - Trincheira 1916

Os acontecimentos que a seguir se descrevem fazem parte de uma velha agenda de 1912, reconvertida para 1916. Nesta “agenda” e nas “cartas – mensagens” guardadas durante 92 anos, Alfredo Alves da Silva, que foi Sócio nº 133 da Sub-Agência da Liga dos Combatentes da Grande Guerra de Abrantes, anotou o inferno que foi combater os alemães nas margens do Rio Rovuma, quando Angola e Moçambique estavam nos projectos expansionistas da Alemanha:

DIÁRIO

ABRIL
19 - Marcha da divisão d’artilharia 7cm m/82 para Kionga**.
MAIO
1 - Marcha de Kionga para Namôto.
5 - Marcha de Namôto** para Namaca* com 1 peça para bombardear quartel e fábrica margem esquerda Rovuma, retirando à noite com chuva e passagem rio braço mar.
6 - Marcha de Namôto para o posto de Metchimo-Nachinomoca**, pelas 15h. Passagem pântano aproximadamente 1 km e 2 ribeiras, chegada ao posto pelas 20 h (1 peça).
7 - Bombardeamento do quartel que fica defronte posto pelas 6 h (11 tiros g. b.) distância 1600-1700.
8 - Demos 2 tiros para o mesmo quartel alemão pelas 5h ½. A esta mesma hora ouviu-se grande tiroteio no posto de Nhica**, sabendo-se mais tarde que alemães tinham atacado mesmo posto com 2 metralhadoras e alguma infantaria como represália por termos ontem bombardeado o quartel.
9 - Do ataque que ontem houve em Nhica morreu 1 sargento e 11 feridos, prestando nossas forças (1 pelotão Infantaria 60 praças). Neste ataque apoderamo-nos de um preto que morreu a pouca distância do posto. Tinha arma Mauser de 1915 calibre é de 7,92.
16 - Ouviu-se pelas 6 h aproximadamente 6 tiros em 2 grupos, julgando nós que os alemães quisessem atingir a vedeta nº 3 (1).
21 - Como medida de precaução (toda a companhia) indígena estava em armas para de pronto ocupar as trincheiras do lado que fosse atacado todos os dias das 3 ½ para as 4 ia juntamente com guarnições peça (4 homens) para a trincheira.
27 - Ouviu-se neste posto grande bombardeamento pelas 6 h, sabendo-se mais tarde que era o “Adamastor” (2) e “Chaimite” (3) que estava metralhando p/posto fronteiriço da Namaca (Quartel e Fábrica) (4).
28 - As peças de 7 cm bombardearam o quartel e fábrica, ao bombardeamento os alemães não responderam o que dava a impressão de que aquele posto estava desguarnecido.
29 - Novo bombardeamento para o mesmo posto alemão, a seguir a isto atravessava o rio 2 lanchas, a da frente com indígenas a da retaguarda com europeus, os alemães que se achavam entrincheirados deixaram aproximar as lanchas e abriram fogo com metralhadoras, havendo muitos feridos, 1 capitão metralhadoras Alpoim desaparecido, 3 tenentes feridos gravemente, 1 sargento morto, isto é o que consta. Este desastre foi motivado por alguns oficiais afirmarem que não existia alemão algum no posto.
31 - Seriam quase 23 horas a vedeta nº 8 deu um tiro numa hiena, por ela se ter aproximado bastante da mesma vedeta.

França 1918

JUNHO
4 - Ouvi dizer que alemães tinham 1 peça vinda do interior, comandante da Chaimite e 1 guarda marinha prisioneiros dos alemães.
5 - Da 1 e meia para as 2 h ouviu-se uns tiros dados por uma vedeta, sabendo-se mais tarde que era um cavalo-marinho. (É claro que cada um foi ocupar os seus postos nas trincheiras retirando ½ h depois quando se soube a causa dos tiros).
6 - Pelas 5 ½ ouviram-se uns tiros do lado dos alemães ao que uma força que estava no posto nº 1 respondeu, nesta ocasião também se ouviu metralhadora, este tiroteio foi devido a guarda ao posto se pôr um pouco a descoberto do caminho na ocasião que recolhia ao acampamento.
7 - Repetiu-se a mesma cena mas com menos fogos. Pelas 20 h chegaram a este posto (Nachinamóco) duas peças de marinha de 37mm.
10 - A peça que aqui se achava desde 6 de Maio findo retirou para Namaca a fim de se incorporar na bateria, com excepção do pessoal. De manhã foi encontrado morto o cavalo-marinho, aquele que uma patrulha e não a vedeta fez fogo no dia 5. Pelas 7 ½ passou neste acampamento um pelotão de infantaria a cavalo G.R. Lourenço Marques para Namôto.
13 - Das 4 para as 4 ½ ouviu-se grande bombardeamento para os lados de Namaca que se prolongou até às 11 h, sabendo-se mais tarde que os alemães tinham atacado o posto pela retaguarda ocupando trincheiras e claro que tudo estava dormindo a esta hora o que não deve ser, pois que em geral eles atacam sempre quando amanhece, em conclusão deste assalto ficaram mortos dois soldados de artilharia e um de infantaria, levando os alemães como prisioneiros um tenente de infantaria e alguns soldados de infantaria, dizem que as mortes foram por meio de bomba.

15 - Muito próximo das 5 h ouviu-se grande troca de tiros no posto nº 1 indo uma força de comando de oficial em auxílio da força que está no posto, mas o ataque foi pequeno pois que os alemães logo que fazem partida não se fazem esperar regressam logo à outra margem, neste ataque ficou o 1º sargento (Mendes de infantaria) ferido nas nádegas tendo de abandonar o posto, porque a maioria dos saldados não sabendo fazer fogo, pois quando o fazem escondem a cabeça e nem chegam (algum..!) a fazer pontaria.
17 - Seriam 0,h30 uma das vedetas deram um tiro numa das praças da patrulha de ronda motivado por a mesma patrulha trocar o itinerário do giro. Pelas 5 h pouco mais ou menos ouviu-se grande tiroteio no posto nº 1 marchou uma força de oficial em auxílio, mas triste é dize-lo encontrou 3 mortos 1 cabo europeu e 2 indígenas 3 feridos e 1 dos homens da patrulha de ronda foi feito prisioneiro, tanto dos mortos como dos feridos os alemães roubaram os equipamentos e as armas. Foi preciso haver este desastre para acabar com o referido posto.
20 - Seis (6) espiões fuzilados, 1 reforço de sargento e 14 praças do 21.
24 - Pelas 4 ½ ou 5 h foi este posto atacado por uma patrulha (calcula-se pelo rasto encontrado) mas certamente mais à retaguarda estaria mais gente, mas como o quadrado (5) abriu fogo não se atreveram a aparecer, pois que havendo uma pequena troca de tiros retiraram.
(Neste dia estava com febre)
28 - Pelas 23 h chegaram a este posto 2 peças 7cm m/82.

Macau 1906

JULHO
1 -
Vindo um comboio de viveres de Namôto para Nahcinamóco, foi este atacado por um bando de boches na langua…! grande, por meio de emboscada, mataram 5 carregadores e levando alguns géneros, como represália bombardeamos toda a margem direita do Rovuma fazendo incidir o fogo onde haviam habitações.
(Achava-me com febre)
12 - Estive com febre, temperatura 38,7 injecção.
14 - Estive com febre, temperatura manhã 39,8, tarde 38,4 injecção.
15 - Estive com febre, temperatura 40,2 manhã, 38,6 tarde injecção.
17 - Estive com febre, temperatura 35,7 manhã.
22 -Pelas 7 h houve revista sanitária às praças europeias existentes no posto, sendo relacionadas algumas praças para serem presentes à junta em Kionga, em virtude de ordem telegráfica. Os oficiais da 19ª companhia deram parte de doente com excepção do tenente Eusébio e alferes médico. Seriam 18 ½ h os alemães do posto fronteiriço ao nosso fizerem uso de um holofote demorando a luz do mesmo entre as vedetas nºs 3 e 4.
23 - Seriam 1,30 uma vedeta pressentindo inimigo deu 2 tiros como alarme, 2 faces do quadrado fizerem fogo talvez durante 5’ não havendo ferimentos.
24 - Pelas 9 h pouco mais ou menos apareceu na margem direita do Rovuma 1 preto agitando uma bandeira branca, avançando também oficial alemão que queria parlamentar com comandante do posto para entregar 2 cartas d’oficiais prisioneiros. Neste dia nada d’anormal.

30/31 - Nada d’anormal. Estive com febres.
AGOSTO
1 a 7 - Nada d’anormal. Estive com febre.
8 - Seriam umas 20 ½ h ouviram-se distintamente 3 ou 4 leões até às 2 h. Estive com febres, mas mais lentas.
9 - Seriam 21 h tornaram-se a ouvir os mesmos leões até de madrugada. Pouco mais ou menos a esta hora da margem alemã ouviram-se 2 tiros, havendo quem afirmasse que as balas tinham passado por cima do quadrado. Estive com febres, mas mais lentas.
10/11 - Febres lentas. Nada de anormal.
15 - Os alemães atacaram o comboio de viveres na langu… (!) do Namôto frente este posto, matando 1 soldado branco, 1 preto e carregadores ferindo vários outros pretos.
23 - Marchei de Nachinamóco para Namôto, seriam 12 h aproximadamente, chegando ao meu destino pelas 18 h bastante fatigado.
24 - Foi o posto de Nachinamóco atacado desde o escurecer até às 21 h.
26 - Saindo de Namôto um camion com doentes para Kionga, foi este atacado pelos alemães, atirando-lhe uma bomba que inutilizou o depósito de gusa… (!).
Depois desta data não foram encontrados mais detalhes na agenda. É provável que Alfredo Alves da Silva tenha feito o percurso inverso, Namôto-Palma-Porto Amélia, onde embarcou com destino à Metrópole, para fazer parte do Corpo Expedicionário Português a França, onde esteve com a sua bateria de artilharia de montanha (m/82).

* - Artilharia de Montanha esteve estacionada na Castelo de Abrantes e em Penamacor.**- Kionga ou Quionga, Namôto ou Namoto, Namaca, Nachinamóco ou Metchimo-Nachinomoca, Nhica, foram aquartelamentos e acantonamentos militares na foz e margens do Rovuma (Norte de Moçambique).
(1) - Vedeta (soldado combatente destacado num posto avançado com a missão de observar a aproximação do inimigo).
(2) - Adamastor (cruzador, navio de guerra português)
(3) - Chaimite (canhoeira, navio de guerra português).
(4) - Fábrica (fábrica alemã de preparação de algodão - África Oriental alemã).
(5) - Quadrado (aquartelamento militar com trincheiras, em forma de quadrado).

NOTA: A parte II deste Diário será publicado no mês de Janeiro 2010

ABRANTES DE ONTEM E DE HOJE... (III)

ESTA É UMA NOVA PÁGINA DE ABRANTES DE ONTEM E DE HOJE... PARA VER PARTE I E II CLIK NO LINK ABAIXO INDICADO:
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IGREJA DE S. VICENTE (Monumento Nacional) - Não sendo conhecida a data de construção da Igreja de S. Vicente, é no entanto conhecida a sua existência desde o Século XIII, data em que decorreram obras no templo. O aspecto que hoje apresenta foi-lhe dado no reinado de D. Sebastião (século XVI). No seu interior, além da “Arte Sacra” é de realçar o seu imponente “Órgão” e “dois painéis de azulejos com as naus de S. Vicente”. Segundo a lenda, os corvos acompanharam do Algarve a Lisboa a nau com os restos mortais do Mártir. “Para esta Villa veio um dente do dito Santo”. (Pg53 MHNVA)

ERMIDA DE S. JOÃO DOS BEM CASADOS ALFERRAREDE VELHA - ABRANTES

Por: José Manuel d’Oliveira Vieira, Doutor Joaquim Candeias Silva, João Luís e Manuel Martinho
(Publicado “Jornal de Alferrarede” Nº 267JAN2008) – Foi este artigo alterado para o blog “COISASD’ABRANTES”


O Padre António Carvalho da Costa (1712), autor da Corografia Portugueza e Descripçam Topografica do Famoso Reyno de Portugal, com as noticias das fundações das Cidades, Villas, & Lugares…, no Tomo Terceiro, Capitulo VIII, diz existir na Vila de Abrantes as Ermidas de Santa Eyria, Santa Anna, Santo Amaro, S. Sebastião, N Senhora do Sccorro, N Senhora da Ajuda, N. Senhora dos Remédios, Santo André, N. Senhora da Graça, N. Senhora das Necessidades, N. Senhora do Bom Successo, & S. João dos Bem-Casados em Alferrarede.
Destas doze Ermidas, templos cristãos secundários, normalmente localizados fora das povoações, em lugares ermos ou inseridos em propriedades particulares, que se encontram referenciadas no Tomo Terceiro, muitas já não existem, outras encontram-se em ruína ou para lá caminham e muito poucas merecem algum cuidado dos seus proprietários.
Erguida no local onde parece ter tido início a verdadeira Alferrarede, hoje Alferrarede Velha, na Rua da Aldeia, situa-se a ERMIDA DE S. JOÃO DOS BEM CASADOS.
Quem por lá passa não se apercebe da sua existência. Muitos dos moradores de Alferrarede Velha simplesmente ignoram o local onde a mesma está localizada. A única entrada, que dá acesso à porta da “Ermida de S. João dos Bem Casados” encontra-se coberta de silvas o que impossibilita a entrada na Capela.
Saber se havia ou não algum altar, inscrições ou datas que nos digam o ano da sua construção e se alguma estatuária ou fresco do S João dos Bem Casados lá existia foi para nós impossível de conferir. Ao fim de muitas tentativas chegou no mês de Dezembro a oportunidade tão esperada. Um dia, o Director deste jornal, o Doutor Candeias Silva e José Vieira foram ao local e depararam com a impossibilidade de verem alguma coisa. Assim, o Director deste jornal, contactou com o proprietário do imóvel e este facilitou a visita ao local. Com a ajuda do Presidente do Centro Cívico João Luís, conseguimos através de escadas e pelos buracos do telhado entrar naquele espaço que está em perigo de derrocada total. Claro que ficámos elucidados mas desconsolados. A Capela foi há muitos anos atrás transformada em depósito de um lagar e lá estão ainda várias talhas de azeite vazias. Parte da estrutura já caiu e dentro da Capela com abóbada, não vislumbrámos nem pinturas, nem altares, nem azulejos, nem outras coisas mais. A ruína é, por assim dizer, total. No entanto, as nossas investigações jornalísticas que já decorriam há vários anos, acabaram por nos levar à imagem de S. João dos Bem Casados que está em local que não vamos aqui identificar, para que não aconteça nada de desagradável ao nosso património religioso que tão maltratado tem sido. Juntamos, pois, essa imagem de S. João dos Bem Casados, outras da parte da frente da capela, outra do interior e outra da vista geral exterior.
Num extenso artigo do Professor Doutor Joaquim Candeias da Silva, publicado em Novembro de 2003 no “Jornal de Alferrarede”, sob o titulo “Dois importantes santuários antigos na Freguesia de Alferrarede (Senhora das Necessidades e do Bom Sucesso)”, é referida a existência da Ermida dos Bem Casados e da imagem de S. João dos Bem Casados, em uma quinta pertencente a António Soares de Almeida, residente na Vila de Abrantes.
Saber que a Ermida de S. João dos Bem Casados, nasceu e está perto de uma Ribeira, no local onde Alferrarede ergueu as suas primeiras casas, foi para mim uma surpresa.
Desconhecida de uma grande parte da população a Ermida dos Bem Casados, situada na Rua da Aldeia, tem vindo desde algum tempo a esta parte a despertar a atenção de muitos curiosos que ali se deslocam.
Antes que a Ermida se transforme num monte de entulho e se perca mais um pedaço da história onde Alferrarede teve a sua origem, bem poderiam os autarcas locais e municipais providenciar para que “ERMIDA” fosse restaurada bem como o “LAGAR” ali existente, fazendo-se neste o “MUSEU DO AZEITE”.


ERMIDA S. JOÃO DOS BEM CASADOS - ALFERRAREDE VELHA