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HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (XX)

Por José Manuel d’Oliveira Vieira
Guerra Civil Portuguesa (1832 /1834)
Também é designada de Guerras Liberais, Guerra Miguelista ou a Guerra dos Dois Irmãos.
“Com pesadas consequências, a partir de 1833, as forças Miguelistas começam a desmoralizar, recuar e a desertar”.
No contexto da História Militar
Absolutistas: Militares e civis fiéis à causa de D. Miguel
Liberais: Militares e civis (denominados de rebeldes) fiéis à causa de D. Pedro
*
1833 A Carta Constitucional esteve em vigor durante 3 períodos distintos:
O primeiro foi desde Abril de 1826 (outorga da Carta) até Maio de 1828 (D. Miguel é aclamado rei absolutista).
O segundo período decorreu desde Agosto de 1834 (D. Miguel é expulso de Portugal e é restaurada a Monarquia Constitucional) até Setembro de 1836 (Revolução Setembrista com a restauração provisória da Constituição Política da Monarquia Portuguesa de 1822).
O terceiro e último período decorreu desde Janeiro de 1842 (golpe de estado de Costa Cabral) até Outubro de 1910 (implantação da República).
1833
JANEIRO 2: Marechal José da Fonseca Pinto, Governador da Praça de Abrantes é confrontado com a legalidade de uma horta denominada de “Quinta da Nora”, atribuída ao Regimento de Infantaria Nº 20 11.
JANEIRO 12/MARÇO 30: Para fornecimento ao fiel e valoroso Exército de Sua Majestade, Francisco Magalhães Mascarenhas, Doutor Corregedor da Comarca requisita às pessoas da Vila generos e cereais, e os offerece gratuitamente para sustentação do Exército Realista, que tão gloriosamente defende a Sagrada Causa d’El Rei Nosso Senhor.
Nota: É de crer que alguns nomes conhecidos da vida abrantina à época, só fizeram doações ao longo do confronto entre “Liberais e Absolutistas”, para evitar a prisão, serem perseguidos ou deportadosGL.
JANEIRO 17: Tenente Coronel João José Doutel, Comandante do Regimento de Infantaria de Abrantes, agraciado com a condecoração “Cavaleiro da Ordem da Conceição”GL.
FEVEREIRO 8: Para conserto seguem para Santarém 43 armas (9 do Depósito de Abrantes e 34 do Regimento de Milícias de Santarém)11.
FEVEREIRO 9: Depósito de Abrantes empresta ao Depósito de Apresentados 78 armas11.
MARÇO 4: No reconhecimento realizado pela 4ª Brigada, sobre os Montes do Pasteleiro e da Ervilha ocupados pelo inimigo, com o fim de conhecer as posições, e natureza de suas obras, e bem assim sondar as forças que as guarneciam, morreram ou ficaram gravemente feridos os militares do Regimento de Infantaria de AbrantesGL:
1 Major e 4 Soldados
Mortos
1 Capitão
1 Tenente
28 Cabos/Soldados
Feridos graves
5 Anspeçadas/Sold
Feridos leves
1 Major
Contuso
MARÇO 9: Em consequência de moléstia é julgado incapaz do serviço ativo o Capitão Joaquim Pinto Serra do Regimento de Caçadores da Beira Alta ao serviço da Companhia de Veteranos de AbrantesGL.
ABRIL 9: Com destino ao Exercito de Operações contra os Rebeldes no Porto, são enviados desta Praça para a de Coimbra grandes quantidades de “bocas de fogo, e seus reparos, Plamenta, Polvora, Progetis e mais artigos d’Artilharia”11.
Nota: Refere-se este movimento de material de guerra e munições por a Praça de Abrantes ser um ponto estratégico no abastecimento de armas e munições às tropas Miguelistas (ver ABRIL 10/MAIO 21/MAIO 22).
ABRIL 10: Com destino ao Exercito de Operações contra os Rebeldes no Porto, Governo da Praça de Abrantes envia para Coimbra11:   
Pólvora embarricada (arrobas)
200
Granadas de 5 polegadas 7 linhas
400
Espoletas (!) carregadas pª granadas
440
Caixotes para as Espoletas
2
Esteiras para cobrir a polvora
4
MAIO 21: Sob o comando de um Furriel da 1ª Companhia de Realistas de Abrantes e por ordem do Governador desta Praça, segue para Coimbra com destino ao Exercito de Operações11:
Balas de calibre 18
718
Granadas de mão
800
Espoletas
2000
Caixotes em que vão as granadas
2
Lanternetas de Calibre 18
102
Chaleiras
2
Caixotes p/balas e lanternetas
37
MAIO 22: Governo da Praça de Abrantes remete para Coimbra 19 carros de munições, para seguirem ás Batarias de
Pozição sobre o Douro*. Fazem a escolta: um Oficial, um Sargento, um Cabo e quinze Soldados11.
*Por extensa não se publica relação.
JUNHO 23: Por serem considerados réus políticos, são condenados os Soldados Domingos Pinto e Luis Monteiro, ambos do Regimento de Infantaria de Abrantes11.
JUNHO 25: Ao ter conhecimento do ataque a Tomar, o Juiz de Fora de Abrantes, Manuel Pereira de Lucena Noronha Faro Cotta Falcão, comunica ao Intendente Geral da Policia, Joaquim Gomes da Silva Belforte, que os exploradores enviados às cinco horas da manhã do dia do ataque (24 de Junho) a Tomar, não conseguiram chegar ao local da sublevação1.
JUNHO 25/26/27: Para aniquilar hum bando de Contrabandistas, pela maior parte Hespanhoes, e outros ladrões de estrada, comandados por hum certo D. Manuel Hespanhol (D. Manuel Martinini)*, residente em Punhete, Governador de Abrantes mandou logo marchar 300 homens para os aniquilar (Anexo 1 – D. MANUEL MARTININI – A HISTÓRIA - O QUE OUTROS ESCREVERAM).
*Antes de entrar em Tomar (24 de junho), o Liberal D. Manuel Martinini reuniu os amigos na “Quinta do Seixal” próximo a Punhete=Constância(todas as tentativas para localizar a “Quinta do Seixal” foram infrutíferas).  A acão de D. Manuel Martinini foi concertada e fez parte de um dos mais engenhosos planos de guerra, com o fim de distrair as tropas Miguelistas a Sul (Lisboa), para facilitar os movimentos das tropas liberais a Norte (Porto).
Nota: Além do que foi escrito à época nas Gazetas, podemos ler o relatório com 16 páginas que D. Manoel Martinini escreveu sobre os factos aquando da sua a sua retirada para Espanha (ver AHM: HM-DIV-1-19-034-29)
Anexo 1
D. MANUEL MARTININI – A HISTÓRIA
Num período em que “Realistas” e “Malhados” se guerreavam com cega violência, revoltas militares mantinham o país num estado de guerra permanente, guerrilheiros organizados e comandados por D. Manuel Martinini saem da Vila de Punhete (Constância) e atacam Tomar na noite de 24 para 25 de junho de 1833.
Ao ter conhecimento do ataque a Tomar, o Juiz de Fora de Abrantes, Manuel Pereira de Lucena Noronha Faro Cotta Falcão, comunica ao Intendente Geral da Policia, Belforte, que os exploradores enviados às cinco horas da manhã do dia do ataque a Tomar não conseguiram chegar ao local da sublevação (1).
Apesar das notícias chegarem confusas, as autoridades realistas de Abrantes providenciam a imediata perseguição à guerrilha do Espanhol Martinini, com a mobilização das forças do Batalhão Açoriano estacionado na Vila de Abrantes.
A 28 de Junho o Governador Militar de Coimbra comunica a Filipe Nery Gorjão que um homem do Contracto do Tabaco o informa que a Guarnição de Abrantes que escoltava uma porção de dinheiro o salvou da guerrilha e no dia 27 chegou à Vila de Tomar uma força de Infantaria e Artilharia de Abrantes (2).
No dia 1 de julho o Duque do Cadaval é informado que os rebeldes liberais a ultrapassar o Tejo não seria em número superior a 140 (3). A 4 de Julho o Governador das Armas do Alentejo avisa o Duque do Cadaval de constar: […] ter entrado huma força de oitocentos homens em Abrantes, comandada por hum Fulano Feio, e posto em fuga o Governador com a tropa […]. No mesmo comunicado o Governador das Armas do Alentejo solicita ao Duque do Cadaval: […] Segundo a direcção que levam os Rebeldes de que trato, parecia-me muito acertado para a sua destruição que shaisse huma força d’Abrantes […] (4). Em 5 de Julho, o Governador do Alentejo informa o Duque do Cadaval ir […] escrever ao Governador d’ Abrantes para dirigir alguma força d’Infantaria d’aquella Guarnição sobre a Ponte de Sor […] (5).
Na falta de documentos que precisem o número de prisioneiro Liberais nas cadeias Miguelistas em Abrantes e o destino atroz que tiveram alguns, extrai dos apontamentos do “Caderno do Coronel Valente: […] um pouco além do Chafariz existe uma pequena elevação denominada Outeiro da Forca. Nela existiu em tempos idos a Forca destinada à execução dos condenados à morte, quando tal pena, desaparecida, salvo erro no reinado de D. Pedro V, ainda existia na legislação. Serviu ela também durante a luta política entre D. Pedro e D. Miguel e nela foram enforcados alguns liberais […] Acerca do local onde existiu a Forca na Vila de Abrantes o Coronel Valente diz ainda: […] Não sabemos se no Outeiro da Forca foi construído algum bairro ou algum edifício e no caso afirmativa seria bom que não desaparecesse de lá a recordação do facto, que está ligado à história […] (fig.1/2).
 fig. 1 – Abrantes – Cabeço da Forca – Mapa ano 1819
fig. 2 - Abrantes – Outeiro (Cabeço) da Forca – Foto ano 1952
Os três cabeços: da Forca, do Cabacinho e S. Pedro sempre foram pontos estratégicos para as guarnições militares de Abrantes controlarem a margem direita do Tejo. Além do Regimento de Infantaria Nº 23 e do Destacamento Realista de Abrantes existia ainda em Abrantes um grande Hospital Militar. Aboletados nesta Vila, encontravam-se ainda em 1833: um Grupo de Artilharia o Batalhão Açoriano e militares espanhóis que acompanhavam o Infante D. Carlos, irmão do rei de Espanha.     
Manuscrita em Abrantes e com a data de 15 de dezembro de 1833, encontrei uma relação com duas páginas que nos dizem ter estado na Vila de Abrantes 37 militares ingleses do “Rgtº Royal Britisk Granadiers”. Prestando serviço à causa Miguelista! Desertores! Prisioneiros, doentes hospitalizados a aguardar transporte para Inglaterra. Para outro tipo de investigação que não para este artigo, se publica (Ver DEZEMBRO 15), os dois documentos com o nome dos militares ingleses e a retribuição em “libras” que alguns receberam.
De tal importância estratégica/militar/logística era a Vila de Abrantes, que respondendo a um ofício de Filipe Nery Gorjão de 27 de Julho de 1833, o Coronel Maggessi, um dos mais notáveis chefes militares realistas dirá: […] A evacuação d’Abrantes, he hum golpe mortal a esta Provincia e a do Alem Tejo: no momento em que se verificar a evacuação desanimam todos os Povos da margem direita e esquerda do Tejo, e como são defendidos por Atiradores d’Ordenanças nenhum mais pega em Espingarda e teremos que nos retirarmos todos a obrigarmo-nos nesse Exército, porque a lavra revolucionária voará com a rapidez do raio […] Temos perdido tanta coisa grande que muito he que se arrisquem os pequenos efeito, que contem a Praça d’Abrantes para conservar o entusiasmo de duas Provincias que ainda se acham dispostas à defensa! Cujo entusiasmo acabará no momento em que se verificar a evacuação da Praça d’Abrantes, e cada hum tratará de se esconder […]A evacuação d’Abrantes he de suma dificuldade; primeiro: porque não he possível arranjar transportes necessários porque as terras que os podiam dar estão sublevadas, e ainda que não estivessem, he muito difícil encontrar carros, capazes de suportar o peso da Artilharia, e como a marcha deste Conboy deve ser muito lenta e vagarosa, há-de constar com muita antecipação que se requisitam 300, ou 400 caros para o fazer[…] inda que vá acompanhado por toda a Guarnição d’Abrantes, que he insignificante […]Não contem com Ordenanças para marchas grandes, porque empregadas em grandes distancias das suas Provincias porque esmorecem e desertam[…]Os Açorianos que estão em Abrantes precisam que se lhes mande hum Official capaz para os comandar porque o actual Commandante não presta por velho, e doente, tendo sido Secretario de hum Corpo d’Infantaria e depois do Corpo d’Engenheiros[…]
Por ordem de Sua Majestade de 2 de agosto de 1833, a evacuação da Praça de Abrantes não se fez e vieram para esta Vila 500 homens do Duque de Cadaval (6).
Dos combatentes Liberais de 1833, D. Manuel Martinini é sem dúvida a mais destacada figura militar. Coronel do Exército Espanhol, Martinini fixou-se na Vila de Punhete (Constância) por volta de 1812. Nesta Vila estabeleceu uma fábrica de destilação, dedicou ao comércio e casou com a filha de um abastado lavrador de nome Carqueija.
Após o triunfo do Liberalismo (1834) D. Manuel Martini faz em 13 de agosto de 1834 um extenso relatório sobre os acontecimentos de Tomar. Pela importância histórica/militar para a Vila de Abrantes transcrevem-se as partes que interessam: […] Minha caza, meus Bens foram durante o tempo da Uzurpação o azilo dos perseguidos, o amparo dos necessitados[…]na malograda empresa do infeliz Brigadeiro Moreira tinha eu aliciado 900 Soldados que estavam na Esperança de Abrantes[…]e com authorização competente com uma pequena porção de valentes entrei em Thomar, na noite de 24 de Junho de 1833. Dei o grito da Liberdade, aclamei o Governo Legitimo, fiz nomear outras Authoridades, soltei os prezos políticos, desarmei a Guerrilha do Corregedor, e hum forte Destacamento Realista de Abrantes […] marchei para a Barquinha; ao passar destrui o Thelegrafo da Atalaia; na madrugada de 26 aprizionei hum barco que de Lisboa hia para Abrantes com 500 Fardamentos completos, armamento, correame, cinco cornetas, e 20 praças da sua escolta; ás onze do mesmo dia aprisionei 80 entre ordenanças e soldados que escoltavam de 300, a 400 recrutas para Lisboa; ás 3 da tarde rompeo o fogo o piquete de observação que tinha postado sobre o Zézere, e fizeram recuar para a Villa de Punhete 300 Açorianos que com duas peças de Calibre trez tinham shaido de Abrantes com ânnimo de me perseguir (7).
Não podendo resistir aos vários Regimentos da coluna móvel e Realistas de Santarém a que se juntaram os 300 militares Açorianos da Guarnição de Abrantes, Martinini embrenha-se pelo Alentejo a 30 de junho de 1833.
Depois do triunfo militar sobre o exército miguelista (1834), em julho de 1835 D. Manuel Martinini é reformado no posto de Coronel do Exército português sendo-lhe posteriormente atribuído o cargo de Caserneiro dos quartéis da Praça de Abrantes, adido ao 1º Batalhão de Veteranos de Abrantes. No Arquivo “Eduardo Campos” da Câmara Municipal de Abrantes, no livro “Receitas e Despesas”, encontramos como sepultados no cemitério do Cabacinho em Abrantes: D. Manuel Martinini, grande figura de relevo como combatente liberal e homem de cultura*, no dia 8 de dezembro de 1857 e a esposa Dª Emília de Sousa Falcão, no dia 19 de dezembro de 1860.
*Como homem de cultura que era, anos mais tarde, Martinini, preparou uma memória para a canalização do Rio Tejo. O projeto “Sobre a Canalização do rio Tejo”, Abrantes/Valladas e Abrantes/Vila Velha foi apresentado a “S.M.I. o Duque de Bragança Regente em nome da Rainha D. Maria Segunda” e terá estado na origem das cortes gerais que decretarem a lei de 9 de julho de 1849, com o detalhe dos trabalhos a realizar no Rio Tejo. Toda a história sobre os trabalhos de D. Manoel Martinini no “COISASD’ABRANTES”, HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (VIII), mês de setembro 2017.
Notícias publicadas nos dois órgãos dos partidos em luta (1833):”Chronica Constitucional do Porto – Liberal” e a “Gazeta de Lisboa – Realista” (SUPLEMENTO AO Nº 152 DA GAZETA DE LISBOA – SABADO 29 DE JUNHO- ANO 1833; GAZETA DE LISBOA – Nº 170  - SABADO 20 DE JULHO – ANO 1833 e GAZETA DE LISBOA – Nº 171 – SEGUNDA FEIRA 22 DE JULHO – ANO 1833), cada um à sua maneira descreve com algum exagero e fantasia as suas histórias de acordo com a conveniência politica:
 
 
JUNHO 27: Conde de Barbacena refere a Nicolau Abreu Castelo Branco, constar a El Rey Nosso Senhor (D. Miguel) que o Batalhão de Aprezentados Açoreanos de Guarnição na Praça de Abrantes se revolucuionara…
JUNHO 28: Governador Militar de Coimbra informa Filipe Neri de Gorjão. … a guarnição d´Abrantes/segundo m’acaba de contar hum homem do Contracto do Tabaco/qu’ia acompanhar huma porção de dinheiro àquela Villa, e que pôde salvar/não entrou na revolução, antes diz, que lhe disseram chegaram hontem (27 junho) à mesma Villa de Thomar alguma Artilharia, e Infantaria sahida d’Abrantes, contra os rebeldes.
JULHO 4: Governador das Armas do Alentejo avisa o Duque do Cadaval de “constar” ter entrado huma força de oitocentos homens em Abrantes, comandada por hum Fulano Feio, e posto em fuga o Governador com a tropa. No mesmo comunicado o Governador das Armas do Alentejo acha que deve sair uma força d’Abrantes para destruição dos rebeldes.
JULHO 6: Para combater os rebeldes, Augusto Pinto de Morais Sarmento, Governador do Alentejo solicita ao Governador d’ Abrantes para dirigir alguma força d’Infantaria d’aquella Guarnição sobre a Ponte de Sor.
JULHO 25: Por determinação de S.M.I. o Duque de Bragança, Comandante em Chefe do Exercito Libertador, manda promover e designa para Governador da Praça de Abrantes o Coronel Manoel de Souza Raivoso.

JULHO 31: Governador da Província da Beira Baixa António Tavares Maggessi para Fellipe Neri Gorjão sobre a Evacuação da Praça de Abrantes.  – (Anexo 2).
 
Anexo 2
Ilmo Snr
Accuzo a recepção do Officio de V. Exª datado de 27 do prezente mez, que trata da evacuação da Praça d’Abrantes.
A minha fidelidade a El Rey Nosso Senhor o amor, que tenho á sua Real Pessoa, e ao seu Reinado não me permitem que eu fique em silencio a respeito de tal medida.
A evacuação d’Abrantes, he um golpe mortal nesta Provincia e á do Alem Tejo: no momento, em que se verificar a evacuação desanimarão todos os Povos da margem direita, e esquerda do Tejo, e como são defendidos por Atiradores d’Ordenanças nenhum mais pegara em espingarda, e termos que nos retirarmos todos a abrigarmenos nesse Exercito, porque a lavra revolucionaria voará com a rapidez do raio, e os Povos inermes, e consternados não aporá nenhuma resistência, persuadidos que não he possível resistir, e que os Chefes os desamparão, e afinal dirão que os Generaes forão traidores, e terão que ser sacrificados á brutalidade dos Povos.
Temos perdido tanta coiza grande. Que muito he que se arrisquem os pequenos efeitos, que contem a Praça d’Abrantes, para conservar o entusiasmo de duas Provincias, que ainda se achão dispostas á deffensa! Cujo entusiasmo acabará no momento, que se virificar  a evacuação da Praça d’Abrantes, e cada hum tratará de se esconder. O que me parecia mais acertado era que o Exmº Duque do Cadaval, destacasse dois Esquadroens de Cavallaria para virem á Borda d’agoa sa… todos os Liberáes, que tem feito aclamar a Constituição em Santarem, Golegã, e outros povozinhos da margem direita do Tejo, porque ali não tem havido senão guerrilhas, mas se as deixarem hir engrossando, e tiverem a certeza de que nós nos não defendemos em parte nenhuma entrarão por todo o Reino a passear como por sua caza e os Povos desanimados …, será dificultoso tornalos a entusiasmar como tem estado, e estão os desta Provincia; Conservemos ao menos a força moral porque o Exercito que os rebeldes tem em Lisboa não he suficiente para se dissiminar, senão com a certeza de que ninguém nas Provincias se lhes opõem. O Exercito do Exmº Duque do Cadaval pode-se collcar de maneira, que contenha a Guarnição de Lisboa em respeito, sem que se atrevão a sahir dali sem correrem o grande risco de serem feitos em postas.
Se El Rey Nosso Senhor me mandar estranhar a confiança, que tomo de lhe dar planos, receberei a repreensão com o joelho em terra, e a boca no chão mas não quero que me toque o remorso de que eu não manifestei ao meu El Rey e Legitimo Senhôr a minha opinião em objecto de tanta importância.
A evacuação d’Abrantes he de summa dificuldade; primeiro: porque não he possível os transportes necessários, porque as terras, que nos poderão dar estão sublevadas, e ainda que não estivessem he muito difícil encontrar carros, capazes de suportar o pezo da Artilharia; e como a marcha deste Comboy deve ser muito lento, e vagaroso, e hade constar com muita antecipação que se requizitão 300, ou 400 carros para a fazer tem tempo todas as Guerrilhas da Borda d’agoa, para se reunirem, mesmo para fazerem sahir alguma tropa de Lisboa para atrasarem o Comboy, e levalos, ainda que vá acompanhado por toda a Guarnição d’Abrantes, que he muito insignificante.
Não contem com Ordenanças para marchas grandes, porque empregadas em grandes distancias das suas Provincias, porque esmorecem, e desertão.
Rogo que com a maior prontidão faça presente a El Rey Nosso Senhor, o que levo exposto neste Officio, para que o Mesmo Augusto Senhor Delibere o que for do seu Real Agrado, esperando eu huma prompta resposta, em todo o cazo he muito preciso que o Exmº Duque do Cadaval mande fazer huma Correria pela Borda d’agoa, porque he bastante para dispersar todas as Guerrilhas, e ja levam muito  tempo para se tornarem  a reunir o que não succederá … depois se os deixarem engrossar.
Os Açorianos que estão em Abrantes precisão que se lhes mande logo hum Official capaz para os comandar porque o actual Commandante não presta por velho, e doente, tendo sido Secretario de hum Corpo d’Infanteria, e depois do Corpo d’Engenheiros.
Deos Guarde a V. – Quartel General Castello Branco 31 de Julho de 1833
AGOSTO 2: Por ordem de Sua Majestade de 2 de Agosto a evacuação de Abrantes não se faz e vieram para esta Vila 500 militares do Duque de Cadaval.
-A Irmandade dos Passos de S. João pagou à tropa que acompanhou a Procissão dos Passos com guarda de honra 2.400 réis.
SETEMBRO 11: Com acampamento no sítio de Campo Grande (Lisboa), Comandante do Regimento de Infantaria de Abrantes, António José Doutel solicita a Filipe Neri Gorjão o pagamento de soldos para os seus oficiais referentes ao mês de Maio11. Em 25 do mesmo mês, Conde de S. Lourenço informa Filippe Neri Gorjão: …que esperem os Suppliantes pelas providencias, que a semelhante respeito promtamente se vão tomar11.
SETEMBRO 17: A acompanhar o tesouro da Coroa e as Infantas D. Isabel Maria e D. Maria da Assunção, estiveram em Abrantes o visconde de Santarém e o intendente da polícia Belfort, guardiães do tesouro da coroa. Belfort ficou alojado na casa do Capitão-mor Manuel Joaquim Pimenta. O Tesouro da coroa foi transportado para esta Vila por 80 juntas de bois. Na retirada do tesouro da Coroa para Elvas (outubro), Infanta D. Isabel Maria é acompanhada pelo General Póvoas que se encontrava deportado em Abrantes (7).
 Casa Capitão-mor Manuel Joaquim Pimenta
General Póvoas
SETEMBRO 18: Uma forte escolta conduz a quantia de dezasseis contos de reis, da Pagadoria de Penafiel para a Praça de Abrantes11.
SETEMBRO 25: Carros conduzindo chumbo para reduzir a balas são enviados de Lisboa para a Praça de Abrantes que está fazendo cartuchame para o exército11.
OUTUBRO 1: À data da morte de seu irmão, rei Fernando VII (29 de Setembro de 1833), em rutura com a família real, encontrava-se em Abrantes D. Carlos Maria Isidro, pretendente à Coroa de Espanha. Contando com o apoio de seu primo o rei D. Miguel I, D. Carlos Isidro, acompanhado de tropas espanholas, proclama na Praça de Abrantes* o “Manifesto de Abrantes(Anexo 3).
*Em abril de 1834, acompanhado por uma força de Infantaria e Cavalaria Espanhola estará em Abrantes pela segunda vez.
 D. Carlos Maria Isidro (8)
D. Carlos Isidro – D. Maria Francisca
D. Carlos Maria Isidro Benito de Bourbon foi o pretendente ao trono de Espanha que esteve na origem das guerras carlistas que dilaceraram aquele país durante boa parte do século XIX. O Infante de Espanha, D. Carlos Isidro era filho de Maria Luísa de Parma e de Carlos IV e irmão de Fernando VII, rei de Espanha. Em 1816 casa com a Infanta de Portugal D. Maria Francisca de Bragança e em 1838, após enviuvar casa com a irmã desta a Infanta D. Maria Teresa de Bragança, a Princesa da Beira, ambas sobrinhas maternas e filhas do rei D. João VI de Portugal.
Naquela proclamação, apesar de afirmar não cobiçar o trono espanhol, declara ter o dever de pugnar por ele, para os seus filhos, em nome da legitimidade da sucessão, do seu ponto de vista ilegalmente alterada. Termina apelando à paz e concórdia, o que não sucederia, já que o incidente está na base de uma longa discórdia e das Guerras Carlistas que afetaram a Espanha por mais de um século:
Anexo 3
MANIFIESTO DE ABRANTES (1833)
 “No ambiciono el trono; estoy lejos de codiciar bienes caducos; pero la religión, la observancia y cumplimiento de la ley fundamental de sucesión y la singular obligación de defender los derechos imprescriptibles de mis hijos y todos los amados consanguíneos, me esfuerzan a sostener y defender la corona de España del violento despojo que de ella me ha causado una sanción tan ilegal como destructora de la ley que legítimamente y sin alteración debe ser perpetuada. Desde el fatal instante en que murió mi caro hermano (que santa gloria haya), creí se habrían dictado en mi defensa las providencias oportunas para mi reconocimiento; y si hasta aquel momento habría sido traidor el que lo hubiese intentado, ahora será el que no jure mis banderas, a los cuales, especialmente a los generales, gobernadores y demás autoridades civiles y militares, haré los debidos cargos, cuando la misericordia de Dios, si así conviene, me lleve al seno de mi amada patria, y a la cabeza de los que me sean fieles. Encargo encarecidamente la unión, la paz y la perfecta caridad. No padezca yo el sentimiento de que los católicos españoles que me aman, maten, injurien, roben ni cometan el más mínimo exceso. El orden es el primer efecto de la justicia; el premio al bueno y sus sacrificios, y el castigo al malo y sus inicuos secuaces es para Dios y para la ley, y de esta suerte cumplen lo que repetidas veces he ordenado. Abrantes, 1 de octubre de 1833. Carlos María Isidro de Borbón”.
OUTUBRO 7: … quatro Peças de Artilharia, e sette Carros com muniçoens de guerra, sendo ao todo empregados neste serviço trinta a huma juntas de bois, saem de Coimbra para a Praça de Abrantes11.
OUTUBRO 11: O Conde Laroche Jaquelin exerce o cargo de governador militar da praça.
NOVEMBRO 17: O marechal de campo José da Fonseca Pinto exerce o cargo de governador militar da praça de Abrantes.
NOVEMBRO 23: Com destino à Praça de Abrantes, militares do Regimento de Milícias de Coimbra escoltam 52 carros com munições e outros equipamentos11.
NOVEMBRO 27: Para a factura de cartuxame é enviado da Praça de Santarém para o Trem de Abrantes Papel cartuxinho11.
NOVEMBRO 28: Com o paiol carregado de munições de artilharia calibre 3 e 6, a Praça de Abrantes é referida a João Galvão Mexia de Sousa Mascarenhas como uma importante posição militar para a causa miguelista11.
-Por andarem com as jaquetas e calças rotas, são entregues às praças do Regimento de Infantaria de Abrantes, 114 panos de mescla11.
NOVEMBRO 29: Marechal de Campo, Governador da Praça de Abrantes, José da Fonseca Pinto, solicita e é aprovado o pagamento de soldo e ração diária de pão e carne para os prisioneiros que andam empregados nas obras de Fortificação desta Praça11.
DEZEMBRO 7: Armamento e equipamentos hospitalares são remetidos de Coimbra para esta Praça em quatro carros.
DEZEMBRO 10/11: Governador Militar de Coimbra faz marchar para esta Praça grande quantidade de munições, barris de pólvora, caixas de granadas, cunhetes com lanternetas, cunhetes de balas calibre 6 e 18. No dia 11 remete nova quantidade de munições e material de guerra, via Rabaçal, Alvaiázere, Punhete, que chega a Abrantes no dia 1511.
DEZEMBRO 15: Do “Rgtº Royal Britisk Granadiers”, ficam em Abrantes 37 militares ingleses, doentes hospitalizados, a aguardar transporte para Inglaterra11:
 
“Rgtº Royal Britisk Granadiers”11
DEZEMBRO 20: Corregedor com alçada da Comarca do Crato manda entregar na Praça de Abrantes os artigos … procedidos de sequestros feitos ao reo politico, Joze Caldeira Manço da Vila da Sertã.
Nota: Artigos sequestrados pelo Governador da Praça de Abrantes, José da Fonseca Pinto, dão entrada no Trem de Santarém dia 3 de Janeiro de 183411. 
DEZEMBRO 22: Para acomodar o 2º Batalhão do Regimento de Infantaria de Elvas na Praça de Abrantes, faltam camas, ou esteiras, e mantas e mais utencilios precizos a hum Quartel Militar. Sem terem rancho, militares apenas tem recebido pão11.
DEZEMBRO 27: Para serem fundidas em projéteis de guerra destinados à Praça de Abrantes, El Rey Nosso Senhor (D. Miguel), determina que sejam remetidas para as Reais Ferrarias da Foz de Alge peças* de ferro inúteis (ver ano 1834: JANEIRO 4, FEVEREIRO 23, MARÇO 1/4/15/28).
*Refere-se a “peças de artilharia” danificadas/encravadas ou inúteis.
DEZEMBRO (!): Com “tifo”, vindos de Santarém, um grande número de militares parte deles partidários de D. Miguel entram no Hospital Militar do Convento de S. Domingos. O surto epidémico faz mais de 3.000 mortos e 200 moradores desta Praça foram vítimas do flagelo9.
11 AHM.
1/2/3/74/5/6 As Guerras Liberais em Portalegre” (Junho/Julho de 1833) – Ventura, António – Assembleia Distrital de Portalegre.
7/9 Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes.
8 Carlos de Bourbon, Conde d Molina em wikipedia.org/wiki/.

HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (XIX)

Por José Manuel d’Oliveira Vieira
1832
JANEIRO/DEZEMBRO: Tenente Coronel Vicente Manuel Ferreira de Oliveira, assina e documenta toda a atividade do Batalhão Voluntário Realista de Abrantes que se prolonga para além de 183211.

*Voluntários Realistas - Ferragens para cartucheira
*Voluntários Realistas - Ferragens pertencentes a um uniforme de oficial de voluntário realista. Em cobre dourado e prata, destinavam-se a ornamentar uma cartucheira, entretanto desaparecida67.
JANEIRO 1: Visconde do Real Agrado (Penafiel) informa o Marques de Tancos que em virtude da ocupação dos rebeldes, apenas é possível enviar 35 recrutados para o Regimento de Infantaria de Abrantes (ver MARÇO 29/MAIO 3/JUNHO 2)11.
JANEIRO 2: Com arrecadações de material militar das Companhias do Regimento de Infantaria de Abrantes dentro do Hospital Regimental, não tendo outra serventia, se não, por entre as Infermarias, o que incomoda os doentes, visto terem as cabiceiras das camas, unidas ás paredes das mesmas arrecadações, João Vieira Tovar e Albuquerque, Governador da Praça manda desembaraçar as ditas arrecadações, para nellas se acomodarem mais doentes.
Nota: No mesmo documento, Governador desta Praça propõe a Filipe Neri Gorjão aproveitar no Castelo, bem mais próximo do Quartel, hum bom armazém, Coberto, e abóboda, o qual se está estragando, por lhe chover, em consequência de estar sem telhado, e que mandando-se arranjar quanto antes, se evitará a sua total ruina11. Num outro documento com a mesma data, Governador da Praça refere: Não posso deixar de levar outra vez, ao conhecimento de Vª, a grande falta que fazem, as camas, para a Guarnição, desta Praça, não só, pelo que os Soldados estão fazendo aos habitantes*, onde estão aquartelados, mas muito particularmente, por não poder haver, huma disciplina, como a devem ter, estando todos reunidos em hum só quartel…11
*Aboletados nas casas dos habitantes da Vila de Abrantes. A titulo de exemplo do que efetivamente se passava na Villa de Abrantes quanto ao estacionamento das forças militares se publica parte de uma planta com as Ruas da “Corredoira”, “Esperança” e “Santa Iria” referente a 1768 com o número de militares e número das unidades  aboletadas em casas de civis.
 1768 - Planta de Guilherme Elsden
JANEIRO 7: Para o Batalhão dos Voluntários Realistas de Portalegre que se encontra nesta Praça, João Vieira Tovar e Albuquerque, governador de Abrantes, solicita ao Marquês de Tancos, um instrutor11.

JANEIRO 10: Marechal de Campo do Governo das Armas da Província da Beira Baixa, António Tavares Maggessi, manda que sair da Vila da Covilhã para a Praça de Abrantes onde ficam a aguardar novas ordens, o Batalhão de Voluntários Realistas da Covilhã e Fundão, seguindo o itinerário11:
Dia
Tranzito
10
Fundão
11
Lardoza
12
Castello Branco
13
Descanço
14
Sarnadas
15
Perdigão
16
Vendas Novas
17
Panascozo
18
Abrantes
JANEIRO 12: Espingardas entregues pelo General da Beira Baixa nos Armazéns da Praça de Abrantes recolhem à Real Junta da Fazenda do Arsenal do Exército, para serem consertadas e postas em estado de serviço11.
JANEIRO 18: Intendente Fiscal das Obras Militares manda proceder ao reparo do telhado de hum armazém da Praça de Abrantes11.
JANEIRO 20: Por ordem de João Vieira Tovar e Albuquerque, sai desta Praça com destino a Santarém, onde devem esperar novas ordens, o Batalhão de Voluntários Realistas da Covilhã e Fundão, seguindo o itinerário11.
Dia
Tranzito
20
Punhete
21
Golegã
22
Santarém (chegada)
JANEIRO 21: Marechal de Campo do Governo das Armas da Província da Beira Baixa, António Tavares Maggessi, faz marchar de Castelo Branco para esta Praça o Batalhão de Voluntários Realistas de Castelo Branco e Penamacor, seguindo o itinerário11:
Dia
Tranzito
21
Sarnadas
22
Perdigão
23
Vendas Novas
24
Penhascozo
25
Abrantes (Chegada)
 Nota: Pelos quadros publicados (JANEIRO 10/20/21), podemos ver a importância da Praça de Abrantes no contexto das lutas liberais, quer no recrutamento quer no trânsito de algumas das muitas unidades militares que por aqui passaram ou aboletaram, e ainda o esforço físico que era pedido aos militares durante a marcha por itinerários inimagináveis para os dias de hoje.
JANEIRO 18/21: Proposta do Governo das Armas da Beira Baixa para nomeação de oficiais destinados ao Batalhão de Voluntários Realistas de Abrantes11.

JANEIRO 25: Com saídas repentinas desde 1828 desta Praça, e sempre em operações, João José Doutel (Regimento de Infantaria de Abrantes), agora acantonado em Alcabideche, requisita ao Arsenal Real 159 fardamentos para formar um Corpo de Policia:
Calças de Panno Azul
159
Jalecos de Policia
159
Barretes de Policia
159
Gravatas com chapas
159
Pares de Polainas
159
Calças de linho
159
Pares de meias
159
Camizas
159
Pares de Çapatos
159
Pares de sollas, e tacoens
159
Nota:
No mesmo oficio, a partir de Alcabideche, Doutel informa o Marques de Tancos não haver em todo o Regimento (Alcabideche) mais que nove alfaiates dos quaes dois se achão empregues em concertos necessários para os Soldºs Velhos, e os sete que restão, que são mui poucos, nos arranjos das Recrutas… que havendo recebido na véspera que este Corpo sahio d’Abrantes o fardamento com o 1º e 2º Simestre para as Praças que tinhão direito a elle no Biennio d’1827, e 1828, este se acha ainda todo na quella Praça (Abrantes) por fazer…devendo por esta ocasião ponderar mais a V. Exª, que bem necessário se torna tratar-se também do arranjo deste ultimo, porisso que estando os Soldºs neste acantunamento em pecimos Quarteis, e dormindo todos vestidos, chegarão em pouco tempo a não terem couza alguma (ver ABRIL 7/17) 11.
JANEIRO 27: Comandante do novo Regimento de Infantaria de Lisboa, solicita ao Marquês de Tancos o envio de três alfaiates dos 20 que estão na Praça de Abrantes, pelo tempo necessário á factura do fardamento, para o ditto Regimento11.
FEVEREIRO 9: Por solicitação do Brigadeiro Graduado, Tovar e Albuquerque, Governador da Praça de Abrantes, as 12 barcas forradas a cobre que se encontram em estado de ruina junto ao Tejo, são mandadas recolher aos armazéns da Nitreira em Braço de Prata para conserto, conservando-as depois para serem empregues quando necessário11.
FEVEREIRO 17/25: Cavalos oferecido gratuitamente para o serviço das Batarias de Artilharia e Artilharia Volante de Abrantes11:
Movimento Absolutista (D. Miguel) em Abrantes - nome dos residentes desta Praça e outros que ofereceram cavalos à causa:
Nome
Cavalos
Do Fundão

Juiz de Fora do Fundão
5
De Abrantes

Governador da Praça João Vieira de Tovar
1
Manuel José de Almeida
1
Joaquim Manoel da S Raposo
1
Pedro de Mendonça
1
José Rodrigues Ferreira
1
João Alves Grácio
1
Pedro Lobinho
1
Anastácio José Líbano
1
Alexandre Mendes
1
José Gonçalves Bobella
1
Simão de Almeida Valejo
1
António Carlos Cor(n)des
2
Manuel Joaquim do Cabo
1
Jerónimo José de Paiva
1
Cap. Mor Sardoal, Jacinto Ferrão Borq(g)uete de Albergaria
1
Manuel Lopes Velho
1
Anacleto José da Fonseca Pimenta
1
João Gadanho Serra
1
António de Almeida Peixoto
1
Bernardo C(G)orjas Henriques
1
Material que fazia parte do Parque de Artilharia: além do Armão fazia ainda parte a Forja de Campanha (Fig. 1), Cabrões de Munições (Fig. 2) e Barcas (Fig.3):


FEVEREIRO 11/MARÇO 3 e 9: Durante algum tempo, junto do Capitão-mor desta Praça, às ordens do Presidente da Comissão de Recrutamento, Visconde do Real Agrado, esteve o Alferes do Regimento de Infantaria de Chaves, João Pedro Gonçalves a proceder a recrutamento de militares para os Regimento de Infantaria de Abrantes e Estremoz. Alferes Gonçalves não se fez acompanhar do Visconde do Real Agrado do por se encontrar doente em Castelo Branco11.
MARÇO 5: Estava de Guarnição em Abrantes o Regimento de Milícias de Santarém, aquartelados no Castelo, e tendo os soldados aboletados pela Vila DO113.
-A Irmandade dos Passos de S. João pagou pela Guarda de Honra que acompanhou a Procissão dos Passos 2.000 réisDO114.
MARÇO 16: Tenente Coronel João José Doutel solicita ao Marques de Tancos que seja satisfeita a requisição de 200 armamentos, e vestuário para cubrir o desgraçado estado de nudez em que se achão os recrutas […] outro não menor numero dellas (tropas) que se achão promtas, e armadas, e equipadas como resto destes artigos que o Corpo tinha disponíveis, por se não terem fornecido os Competentes Capotes, que he que neste acantunamento lhes serve de cama…11.
Nota: João José Doutel do Regimento de Infantaria de Abrantes quando faz a requisição de armamento e vestuário para as tropas sobe o seu comando, encontrava-se acantonado em Alcabideche.
MARÇO 29: De Vila Real, Visconde do Real Agrado envia para a Praça de Abrantes mais 12 recrutados11.
ABRIL 2/4: Seis Obuzes, com os ditos Reparos, e palentas; bem como seiscentas granadas; ou Bombas próprias, são expedidas da Praça de Abrantes para a Capital (Lisboa), ficando às ordens do Arsenal11.
ABRIL 7: Tenente Coronel Doutel solicita ao Marquês de Tancos 50 alfaiates dos Corpos da Capital para fazer fardamentos dos “panos” que chegarão a Cascais do Depósito da Praça de Abrantes. Em anotação, no mesmo ofício, Marquês de Tancos manda que sejam enviados os alfaiates disponíveis nos diversos Corpos da Capital11.
ABRIL 13/14: Da Praça de Abrantes para o Quartel da Feitoria (Oeiras), o Regimento de Milícias da Guarda movimentou 307 Praças das 616 que constituem o seu estado efectivo. Durante a marcha reunirão ao seu Corpo 28 Praças que estavam de licença ou em diligência11.
ABRIL17: Preocupado em recuperar fardamentos que datam de 1827/1828, e, por não lhe parecer próprio fazerem-se descontos aos Soldados pª similhante fim, Doutel pede autorização ao Marques de Tancos para tirar dos diferentes fundos da Caixa do Regimento (Infantaria de Abrantes), a importancia pereciza para os aviamentos…11.
ABRIL 21: Por repetidas ações e cortesias aos presos políticos na Cadeia da Câmara e também na prisão da Esperança, Governador da Praça de Abrantes, João Vieira Tovar de Albuquerque, manda prender o Alferes Desligado do serviço Manuel Maurício Crivas que por Ordem do Ajudante General de 5 de Novembro de 1831, foi mandado para esta Vila de Abrantes, tendo chegado a esta Vila a 7 do mesmo mês.
Nota: Na comunicação que o Governador de Abrantes faz a António Tavares Magessi, Governador da Província da Beira Baixa sobre a prisão do Alferes Crivas, é referido: […] e tenho partes, que dava anteriormente estes papeis, muito particularmente quando avia alguma noticia que aos malevollos passaria […] em consequência do que  julgo que  não convem a sua estada nesta Praça; não só pelos muitos Prezos Politicos que ha, como por aver bastantes habitantes pouco afectos a ElRey Nosso Senhor, o Senhor Dom Miguel 1º; e não aver Prizoens Proprias p. officiaes.
Igualmente levo ao conhecimento de V. Exª, que com elle está  hum irmão; e agora que sei q. veio para aqui sem passaporte[…] Quando tomei posse do Governo desta Praça já se achavão nella: o que tenho endagado a respeito deste Irmão, que he hum perfeito vadio11.(ver NOVEMBRO 14)
ABRIL 28: …abandonando os seus interesses, porque em fim trata-se de salvar o Rei, e defender a Santa Religião de nossos Pais…, encontram-se na Praça de Abrantes: Companhia de Veteranos, Voluntários Realistas de Portalegre, Regimento de Milícias de Santarém, Regimento de Milícias da Guarda, Regimento de Milícias e Voluntários Realistas de Castelo Branco11/68.
MAIO 3: Junta de Saúde do Hospital Regimental estabelecido na Praça de Abrantes procede a inspeções de Praças e dá-lhes o respectivo destino11.
-Visconde do Real Agrado (Penafiel) pôs em marcha para esta Praça mais 27 recrutados, perfazendo assim 314, conforme o determinado por El Rey Nosso Senhor11.
MAIO 8: Comandante do Regimento de Elvas solicita envio de Alfaiates que se encontram no Regimento de Infantaria de Abrantes para fazerem uniformes de polícia para 75 recrutas11.
MAIO 11: …por ordem do seu Commandante, em parada, junto ao Castello da Praça de Abrantes, onde se acha aquartelado o Regimento de Milicias de Santarém, o Major Francisco Pereira de Mattos*, repetio, hum breve mas energico discurso, em que fez ver, que se todos os indivíduos, de que se compõe aquelle Corpo, que tem a honra de pertencer á parte sã que fórma a maioria da fidelissima familia Portugueza, conservâo impressos nos seus corações o sagrado dever de derramarem todo o seu sangue em defeza do Altar e do Throno em qualquer época, e muito mais agora pela independência do seo povo Portuguez, por isso que he empunhado pelo Muito Alto, e Muito Poderoso Rei e Senhor Dom Miguel Primeiro, Nosso unico Legitimo Rei e Senhor Natural, de cuja Preciosa Vida pende a ventura de Portugal, e pela defeza da qual todos os bons Portuguezes se tem decidido, reunido, protestado, e offerecido suas vidas e fazendas, reiterando seus repetidos e sagrados juramentos; não menos devia ficar em memoria a Graça, que o Mesmo Augusto Senhor acabava de conferir áquelle Regimento, permitindo que todo elle podesse usar de Medalha com a Sua Real Effigie, deferindo assim benignamente á suplica, que subio á Sua Real Presença: e tendo concluído, levantou o mesmo Major os Vivas á Nossa Santa Religião Catholica Romana, e ao Augusto Monarca que della he decidido Protector, o Nosso Amabilissimo Rei o Senhor Dom Miguel Primeiro, Vivas repetidos multiplicadas vezes pela Officialidade e mais Praças de todo o Regimento, com o maior enthusiasmo e alegria.
Tendo acabado a revista, tanto a Officialidade como todos os mais indivíduos daquele Regimento, (ainda que desprevenidos) fizeram subir ao ar hum sem numero de foguetes, entre repetidas aclamações e Vivas aos mesmos Sagrados e caros objectos, e isto não só durante o dia mas também de noute, iluminando os seus quarteis, e entoando incessantemente o Hino Realista; e tendo-se aproximado ao quartel do Exellentissimo Governador da Praça, que também da sua janella deo iquaes Vivas, por eles forão repetidos com inthusiasmo, e decorrendo por toda a Praça o mesmo Regimento com os seus Officiaes e muitos Realistas de Castello Branco, se recolherão depois, dando sempre milhares de Vivas a El Rei Nosso Senhor; e durante este período, em que mostrarão assim agradecidos o seu regozijo, se conservou a melhor ordem e harmonia, sem que ocorresse a menor circunstancia que a perturbasse.
*Francisco Pereira de Mattos, Major de Milicias de Santarém69
D. Miguel I
“Offerecido á Fiel, e Valoroza Tropa Portugueza” 70
MAIO 29: Chegam à Praça de Abrantes “NOTICIAS” dos horrores cometidos pelo governo de D. Miguel I que enforca os que são fieis á Legitima Rainha a Senhora D. Maria II… (ver JUNHO 25) 11.
JUNHO 2: Visconde do Real Agrado (Penafiel) envia para o Regimento de Infantaria de Abrantes mais 4 recrutados e 1 voluntário para servirem nesta Praça11.
JUNHO 23: Para não morrerem de fome no Depósito de Braga, Coronel Francisco José Monteiro Pinto de Lacerda envia 213 recrutas para assentarem praça Regimento de Infantaria de Abrantes11.
JUNHO 24: Com 17 anos de idade, Raimundo José Soares Mendes*, é nomeado no posto de ajudante das ordenanças da Capitania-Mor de Abrantes.
Raimundo José Soares Mendes
*Raimundo José Soares Mendes (1815/1900). Abastado proprietário exerceu por diversas vezes o cargo de vereador da CMA e outros de confiança política. O seu nome ficou ligado ao Montepio Abrantino, de que foi benemérito.
JUNHO 25: Aos militares das Praças e Fortalezas do Reino: SOLDADOS PORTUGUEZES - Ouvi os gemidos da humanidade aflitta, e a vóz da Patria, que implora o vosso auxilio, e vos convida a praticar huma Acção heróica! Recuperai a vossa antiga gloria; abandonai o Usurpador; univos Ao Senhor D. Pedro, e aos vossos beneméritos camaradas que Elle pessoalmente comanda; salvai a Patria, a Honra , e a Dignidade Nacional; restaurai o Throno A Nossa Ligitima Soberana, a Senhora D. Maria IIª, e a Carta Constitucional… Viva a Carta Constitucional, Viva a Rainha D. Maria IIª, Viva O Senhor D. Pedro Nosso Libertador, e Viva o bravo Exercito Portuguez! 11

 
D. Maria II
 D. Pedro IV e D. Miguel I a brigar pela coroa portuguesa
JULHO 2: Por ordem de El Rei, João José Doutel, Tenente Coronel do Regimento de Infantaria de Abrantes, com Quartel em Cascais, envia oito praças do seu comando para continuarem o Real Serviço no Regimento de Artilharia da Corte11.
JULHO 13:Sua Majestade o Senhor D. Miguel faz saber ao Governador da Praça de Abrantes que autoriza o Prior de S. Pedro desta Praça, Luis António Ferreira Bairrão a organizar uma Companhia de Atiradores (ver AGOSTO 4) 11.

JULHO 14: Agostinho José da Costa, Coronel Tenente Rey da Praça de Abrantes, Presidente da Comissão de Recrutamento, desloca-se a Castelo Branco, Guarda, Lamego, Viseu. Nestas localidades, recruta 1524 militares nos Distritos das Capitanias Mores e faz a distribuição dos mesmos pelos Corpos da 1ª Linha cuja relação faz em Abrantes e remete ao Marques de Tancos11:

DISTRIBUIÇÃO - CORPOS 1ª LINHA
Regimento Caçadores Beira Baixa
559
Regimento Cavalaria do Fundão
298
Regimento Caçadores Alem-Tejo
453
Regimento de Cavalaria de Elvas
214
TOTAL
1524
Nota:Recrutamento para as tropas da 1ª Linha começou em Agosto de 1831 e terminou em 14 de Julho 1832, data em o Coronel Agostinho José da Costa regressou à Praça de Abrantes e envia ao Marquês de Tancos relação com a colocação dos recrutados. Durante o período de recrutamento, houve muitas deserções e pedidos do Tenente Rey da Praça de Abrantes de forças militares com baioneta para acompanhar os recrutados aos seus destinos.
JULHO 17: Sem um Oficial de Linha, com disciplina e detalhe de serviço a cargo do Batalhão de Castelo Branco e escrituração a cargo do Batalhão de Abrantes, o Batalhão de Voluntários Realistas de Abrantes é mandado armar e marchar para Castelo Branco11.
JULHO 23: Para comandar o Depósito de Prisioneiros de Salvaterra de Magos, Governador de Abrantes, João Vieira Tovar e Albuquerque, manda apresentar no referido Depósito o Tenente Rei desta Praça Coronel Agostinho José da Costa para receber os prisioneiros rebeldes*. Escolhido pelo Tenente Rei segue um Sargento de Veteranos desta Praça.
*Prisioneiros rebeldes enviados para Abrantes entre julho a outubro são remetidos para Depósito de Salvaterra de Magos11.
JULHO 31: Em consequência da moléstia do Alferes de Veteranos, Governador da Praça de Abrantes João Vieira Tovar e Albuquerque, nomeia para Comandante do Depósito de Prisioneiros de Abrantes, Manuel Vaz que se encontra destacado nesta Vila11.
AGOSTO 1/2: Por insistência do Governador da Praça, é expedida ordem à Repartição de Obras Militares para, sem perda de hum momento, proceder á factura do Cancellão, e alguns concertos na prizão que deve servir, na Praça de Abrantes aos prisioneiros Rebeldes…11
AGOSTO 3: Doze rebeldes dão entrada no Depósito de Prisioneiros de Abrantes. Entre eles encontram-se dois ingleses que se apresentaram sem farda, em camiza, quazi descalços, mal emrroupados11.
AGOSTO 4: Governador da Praça de Abrantes solicita ao Marquês de Tancos: … para ser presente a El Rey Nosso Senhor, Como Comandante em Chefe do Exercito, que não tenho dado instruções algumas ao Prior da Freguezia de S. Pedro desta Villa Luiz Antonio Ferreira Bairrão, por não ter senão 24 homens para a formatura da sua guerrilha, pois que huma força tão piquena, não sei que instruções  lhe possa dar; permitame V. Exª que eu diga com a maior franqueza de que estou porsuadido, que este Prior pouco fara, pois he hum homem muito falador, e hum expalha: athe já me falou para que passase ordem ao Capitão Mor para que os 24 homens que diz ter sejam dispensados de qualquer serviço das ordenanças…11.
AGOSTO 8: Por impossibilidade de continuar a ter 50 presos políticos na Prisão Militar da Esperança, que por ordem do Corregedor da Comarca de Coimbra foram remetidos para a Praça de Abrantes, são os mesmos transferidos com a devida segurança e necessário auxilio militar para a Cadeia de Penamacor11.
AGOSTO 14: Por terem desaparecido os livros de registos das Praças do Batalhão de Caçadores Nº 11, capturadas pelos rebeldes na Ilha dos Açores e que se apresentaram às autoridades civis, são os mesmos inscritos no livro de registos do Regimento de Infantaria de Abrantes11.
SETEMBRO 3: Com o Quartel em “Collares” - João José Doutel, Tenente Coronel do 1º Batalhão do Regimento de Infantaria de Abrantes envia ao Marquês de Tancos relação das praças desta Unidade que desembarcaram com os “rebeldes”, capturadas na Ilha dos Açores e se apresentaram para continuarem o “Real Serviço”11.
Nota: No Ofício que envia a relação, Doutel, considera não entregar armas aos apresentados por suspeitar estarem conspirando com os rebeldes e desaparecerem com as mesmas.
-Na mesma data (Setembro 3), El Rey  N. Sr Determina ao Governadador da Praça de Abrantes João Vieira Tovar e Albuquerque q. da pólvora constante na Praça de Abrantes se remetta  com a possivel brevidade duzentas arrobas della pª o Depozito de Amarante, e duzentas vellas de Composição, e cincoenta granadas de 5 polegadas e huma linha com sua espoleta e cartuchos próprios pª 16-20 e 24 onças e seja tudo entregue no Quartel General de Vizeu, pª o Exº General da Provª. da Beira Alta remeter ao lugar do seu destino. Um oficial e 40 homens da Guarnição de Abrantes fizeram a escola11.
SETEMBRO 5: Com destino ao Exército de Operações, sai do Depósito da Praça de Abrantes, com destino a Coimbra, Cem mil cartuxos embalados de Infanteria, e 6#000 pederneiras11.
SETEMBRO 10: Quartel em “Collares” - Em cumprimento das ordens de “El Rey”, por ofício de 22 de agosto, Comandante do 1º Batalhão do Regimento de Infantaria de Abrantes (Doutel), envia ao Marquês de Tancos relação nominal dos militares mortos ou prisioneiros do rebeldes que fizeram parte da Expedição à Ilha dos Açores, para serem pagos alimentos às famílias11.
Nota: No mesmo lote de documentos podemos ver o número e tipo de embarcações existentes na Ilha em número de 50 e nome dos 13 rebeldes que vieram de Inglaterra para a Ilha Terceira11.
SETEMBRO 20/29: Falta de dinheiro para comprar Risposteiros=(lona) destinados a uma carreta de munições e pólvora que da Praça de Abrantes se remeteu para o Exército, Governador da Praça compra 25 Esteiras de Colmo11.
SETEMBRO 27: Regimento de Infantaria de Abrantes faz marchar do Quartel de Pombal para Condeixa uma força de 640 militares e 3 cavalos11.

SETEMBRO 30: Força militar do Depósito de Prisioneiros de Abrantes11:

Capitão
1
Primeiro-sargento
1
Segundo Sargentos
2
Anspeçada
1
Soldados
14
OUTUBRO 4 a NOVEMBRO 21: Reforça a Praça de Abrantes o Regimento de Milícias de Santarém11.
NOVEMBRO 3: Governador desta Praça envia Oficio* e “mapa” ao Marquês de Tancos onde consta a existência da força militar, bocas-de-fogo e presos existentes na Vila de Abrantes.
*À margem do ofício encontra-se uma anotação com a seguinte inscrição: “falta mapa”11.
NOVEMBRO 11: Do Arsenal do Exército é enviado para a o Depósito da Praça de Abrantes sob escolta de 1 Alferes, 1 Sargento e 37 Baionetas, todos do Regimento de Infantaria de Abrantes, as seguintes munições11:
Balas razas* de calibre 18
2250
Sacos de silaça para calibre 18
2250
Sacos para calibre 24
500
Valeiras com fundos para
 condução das ditas balas
50
* Balas razas= Balas maciças de ferro.
NOVEMBRO 14: João Vieira Tovar Albuquerque Governador da Praça de Abrantes emite ordem ao Tenente Coronel do Batalhão de Voluntários Reais de Castelo Branco que presida a um Conselho de Averiguações para ouvir o Alferes Desligado do Serviço, Manuel Maurício Crivas por tentativa de evasão da Prizão da Esperança, no dia 13 de novembro.
Nota: Ofícios do Governador Tovar e do Governador da Beira Baixa, sobre a constituição para o processo de averiguações e comunicação do comandante da guarda da prisão da “Esperança” a respeito da fuga e auto das testemunhas etc., por extensas, não são publicadas neste espaço11.
DEZEMBRO 1: Força militar do Depósito de Prisioneiros de Abrantes, sob o comando do Tenente Coronel Francisco Xavier Coelho:
Capitão
1
Alferes
1
1º Sargento
1
2ºs Sargentos
3
Furriéis
2
Trombetas/Tambores/Cornetas
1
Anspeçadas
2
Soldados
52
Prisioneiros Rebeldes
30
DEZEMBRO 12:      João Vieira Tovar e Albuquerque, Governador desta Praça comunica ao Visconde de Molellos, ter vindo para o Depósito de Prisioneiro de Abrantes um individuo com o nome falso de João Peciodonio de Brito e que esteve como frade num convento na Ilha 3ª da Madeira11.
11AHM.
67A Conservação do Uniforme Militar - Pedro Soares Branco (Médico. Membro da Academia Nacional de Belas Artes)
68Gazeta de Lisboa Nº 79 – Ano 1832 – 2ABR – págs. 403/404.
69Gazeta de Lisboa Nº 126 - Ano 1832 – 29MAI – pág. 635.
70BN/http/purl.pt/13749 - Pedro Antonio Joze dos Santos, lithographo, retratista, e creado particular de S.M./A.O.S. 
DO113/114Manuscritos D.O.